Conheça a primeira loja do Brasil que incentiva o movimento desperdício zero

Mapeei – Uma Vida Sem Plástico disponibiliza produtos para quem quer ter um estilo de vida mais sustentável
Por Paula Jacob I Fotos: André Stéfano/ Divulgação

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Proprietárias Lívia Humaire e Lori Vargas (Foto: André Stéfano/Divulgação)

Zero waste ou desperdício zero é um conceito que tem ganhado força no país nos últimos tempos. Apesar de ainda em atraso, comparando com países da Europa, por exemplo, a demanda é tamanha, que marcas com o propósito se multiplicaram nas prateleiras de um ano para cá. Analisando este mercado e adepta ao movimento desde 2014, Lívia Humaire abre as portas da sua Mapeei, ao lado da sócia Lori Vargas, primeira loja do Brasil que incentiva o movimento desperdício zero.

Localizada dentro de uma galeria na Rua Augusta, a Mapeei – Uma Vida Sem Plásticooferece aos já adeptos ou aos simpatizantes produtos como composteiras, garrafas reutilizáveis, cosméticos orgânicos sem embalagens, escovas de dentes de bambu, canudos de vidro e inox, kits de talheres para comer na rua, guardanapos de pano, absorventes de tecido e outros produtos sem embalagens plásticas. “Sou geógrafa de formação, então foi natural para mim pesquisar sobre o assunto de desperdício e reciclagem, quando encontrei o livro Zero Waste Home, da francesa Bea Johnson – foi um divisor de águas”, conta ela em entrevista à Casa Vogue.

De primeira, a ideia de Lívia era criar uma loja de cosméticos a granel, mas por conta de leis da ANVISA no país, o projeto ficou inviável. Só após uma viagem à trabalho para o exterior, ela enxergou uma possibilidade. “Estive em Portugal e na Alemanha por outros motivos, mas aproveitei para conhecer estabelecimentos com a mesma proposta. Restaurantes, cafés, tudo o que se propunha a não gerar lixo. Então entendi que precisava montar essa loja, para as pessoas terem praticidade para encontrar os produtos certos, de marcas certificadas”, explica. “É poder entrar na loja com seu potinho sem ser julgada por outras pessoas.”

Achar o lugar para abraçar esse projeto foi outro desafio, mas, por sorte, Lívia encontrou a galeria na Baixa Augusta. Como o espaço era antigo, alguns ajustes foram necessários – mas nem a obra escapa da política zero desperdício, claro. “Meu marido é arquiteto, o que ajudou bastante. Fizemos uma obra bem enxuta, arrumando aquilo que estava bem detonado, reutilizando restos de materiais de obra que estavam guardados na garagem da minha casa”, diz. Alguns itens do mobiliário também foram compostos por peças que ela já tinha, mas não usava mais. As únicas coisas compradas para o espaço foram as prateleiras para dispor os produtos e a mesa para as futuras aulas e workshops que acontecerão por lá – tudo de madeira certificada.

“A decoração minimalista também é reflexo disso. Colocamos vasos com plantas e revitalizamos o piso de granilite original. A ideia era gastar o mínimo possível, comprar o mínimo possível para criar este espaço”, conta. Como tudo aconteceu de uma maneira despretensiosa – ela fez tudo entre maio e setembro -, Lívia teve que correr para fazer a curadoria, que já conta com 50 produtores. Entre as marcas, algumas nacionais, como as de cosméticos veganos e orgânicos, e outras internacionais. A ideia é também introduzir alimentos na cartela de produtos, como grãos e hortaliças orgânicas.

Para quem ainda tem receios de aderir ao desperdício zero, Lívia esclarece: “Escuto muito que ser sustentável é caro ou é modinha, mas não é bem assim. Pode ser mais caro no início, de fato, porque você precisa investir em uma boa garrafa, por exemplo. Mas no fim das contas, quantas garrafinhas de plástico você consome por ano? O quanto isso custa? Quando a pessoa se propõe a dar o primeiro passo, os outros surgem como pequenos insights, se torna natural, faz parte do dia a dia”.

Os dados no Brasil são alarmantes: de acordo com a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), cerca de 7 milhões de toneladas de lixo deixam de ser coletadas ao ano e tiveram destino impróprio – os habitantes da região Sudeste, por exemplo, produzem cerca de um quilo e 200 gramas de lixo por dia. “A questão do lixo foi construída politicamente, separar o lixo em casa não torna as pessoas mais sustentáveis, porque não adianta separar se os resíduos não estão sendo reciclados. Falta informação real sobre a sustentabilidade”, aponta Livia. O que torna sua iniciativa mais do que necessária.

Mapeei – Uma Vida Sem Plástico
Rua Augusta, 1524, loja 19
Sábado e domingo, das 14h às 19h

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