Streaming da Apple é tão sem graça que os funcionários estão chamando de “TV aberta cara”

tim cook apples-upcoming-streaming-service-is-reportedly-so-bland-staff-are-calling-it-expensive-nbc
Tim Cook, CEO da Apple (Marcio Jose Sanchez (AP)

Dizem que o novo serviço de streaming da Apple tem um orçamento de US$ 1 bilhão, mas todo esse dinheiro não está servindo para muita coisa. A empresa — que já havia censurado muita coisa em suas plataformas, com a App Store — está tentando manter suas ofertas de conteúdo limpas, com o mínimo de “sexo, profanação ou violência”, diz uma matéria do Wall Street Journal publicada no sábado.

O desejo de manter tudo muito acessível para toda a família, segundo a reportagem, vem atrasando ou interferindo em muitos projetos. O jornal afirma que os próprios funcionários da Apple vem chamando o projeto de streaming como “NBC (um dos principais canais de TV aberta dos EUA) cara”.

O Wall Street Journal escreve que o CEO Tim Cook derrubou pessoalmente Vital Signs, primeira série dramática da Apple, sobre a vida do magnata do hip-hop Dr. Dre. O executivo viu o programa já filmado e ficou assustado pelas cenas com uso de cocaína, uma orgia e armas.

“É violento demais”, disse Cook a Jimmy Iovine, executivo do Apple Music, segundo pessoas que têm familiaridade com os planos de entretenimento da Apple. “A Apple não pode mostrar isso.”

Por toda Hollywood e dentro da empresa, a série se tornou um emblema dos desafios enfrentados pela gigante da tecnologia em seus primeiros passos no entretenimento. A Apple reservou US$ 1 bilhão para programação de Hollywood no último ano. Mas, no tom definido pelo CEO da empresa, o que a Apple produzir não deve manchar a imagem de pureza da marca que ajudou a empresa a colher 80% dos lucros do mercado global de smartphones.

(Reportagens anteriores indicavam que Vital Signs estava atrasada porque tanto a Apple quanto Dre não estavam contentes com a qualidade do produto final.)

Os concorrentes da Apple, entretanto, não têm essa necessidade de proteger uma linha principal de produtos para que ela não acabe prejudicada por polêmicas. Além disso, Netflix, Amazon e HBO lançaram conteúdos mais sombrios com orçamentos muito maiores. O entretenimento não precisa ser cheio de sangue e corpos nus para ser divertido, obviamente, mas a reportagem do Wall Street Journal sugere que o desejo da Apple de não incomodar nem o mais sensível dos espectadores prejudicou a escolha de títulos e pode até mesmo atrasar o lançamento da plataforma.

A empresa comprou “mais de uma dúzia de títulos, dando preferência a conteúdos de apelo familiar”, diz o jornal. Isso inclui um programa sobre a poetisa Emily Dickinson, um “drama no estilo de Friday Night Lights” sobre a vida da estrela da NBA Kevin Durant (que, ao que tudo indica, é ótimo), um programa da Oprah Winfrey sem maiores especificações, e alguma coisa dos mesmos criadores de Sesame Street (que no Brasil virou a Vila Sésamo).

Estes projetos têm, de fato, grandes nomes por trás, mas, convenhamos, é bem possível que alguém possa achar tudo isso bem chato — e nem precisa ser uma pessoa muito exigente.

De acordo com o jornal, a equipe de executivos do projeto de streaming da Apple — Zack Van Amburg e Jamie Erlicht, mais conhecidos por sua participação no sucesso Breaking Bad — tiveram que “dedicar um tempo considerável para conseguir que vários títulos fossem aprovados por Tim Cook e Eddy Cue, um vice-presidente sênior que supervisiona serviços, diz uma fonte que conhece a fundo a dinâmica da empresa”. Isso incluiu diluir uma proposta de M. Night Shyamalan — cuja carreira depois de O Sexto Sentido nem é tão pesada — para remover crucifixos.

Van Amburg e Erlicht conseguiram a aprovação para algumas ideias mais tensas. A Apple assinou um acordo por uma série feita por M. Night Shyamalan sobre um casal que perde um filho jovem.

Antes de dizer sim ao thriller psicológico, os executivos da empresa fizeram uma exigência: eliminar todos os crucifixos da casa do casal, contam fontes envolvidas no projeto. Elas também dizem que os executivos deixaram claro que não querem programas que se aventurem em temas religiosos ou políticos. Shyamalan não foi encontrado para comentar o assunto.

A publicação também diz que a Apple superou os rivais e cobriu uma oferta — bem cara, de US$ 12 milhões por episódio — para comprar um drama sobre um programa jornalístico matinal com Jennifer Aniston e Reese Witherspoon.

A série está atrasada depois de problemas com o produtor executivo, mas também porque a Apple “queria um programa mais movimentado e desaprovou o tipo de humor proposto, dizem funcionários que participam do projeto”. Por fim, a empresa também foi atrás de novos showrunners para Amazing Stories, de Steven Spielberg, depois de concluir que a série estava muito “sombria”, escreve o jornal.

Gosto não se discute. Mas o show business não é como a App Store ou um comercial de iPhone, em que a atitude mais pudica da Apple faz muito sentido em termos comerciais. Uma das maiores lições do sucesso da Netflix é que o formato de streaming permitiu transmitir o tipo de conteúdo que anteriormente estava relegado a canais caros de TV a cabo, como a HBO.

Sensibilidades muito restritivas — especificamente as de Tim Cook, ao que tudo indica — podem fazer a diferença no sucesso ou no fracasso da plataforma de streaming da empresa. No segundo caso, colocar o novo serviço em um pacote junto com outras coisas, como assinaturas de notícias, algo que vem sendo especulado há bastante tempo, não vai fazer muita diferença.

Mas nem tudo é tão negativo. Não há nenhuma menção a interferências de executivos na adaptação da clássica trilogia Fundação, de Isaac Asimov, que está atrasada há bastante tempo por causa do tratamento de Hollywood que ela vem recebendo. []

[Wall Street Journal]

Beyoncé mostra bastidores da turnê em conjunto com Jay-Z

Beyoncé divulgou no Instagram cenas de bastidores de sua turnê em conjunto com Jay-Z, chamada de On the Run II (via Billboard):

A turnê divulga o álbum em conjunto do casal, Everything Is Love. O disco é entendido como o fechamento de uma trilogia de lançamentos, composta também por Lemonade, da Beyoncé, e 4:44, de Jay-Z. [Camila Sousa]

Lady Gaga diz que quer ser mãe: ‘Estou pronta para viver essa aventura’

Cantora está noiva de Christian Carino desde novembro de 2017

Lady-Gaga-Depression-boulimie-anorexie-j-ai-tout-connu-!
Lady Gaga estrela capa da revista francesa Public

Lady Gaga é capa da edição mais recente da revista francesa Public, e, em entrevista dada à publicação, ela fala sobre sua carreira, sobre seu documentário e sobre família.

Questionada sobre o que falta para ela se sentir completamente feliz, ela disse que quer ter um filho. “Ser mãe, começar uma família”, falou. “Eu estou completamente pronta para viver essa aventura e, como minha mãe fez comigo, eu vou praticar conversar com meus filhos. Eu acredito muito nas virtudes do diálogo”.

Lady Gaga é noiva do empresário Christian Carino desde novembro de 2017.

Rihanna – Allure Magazine October 2018 Cover

rihanna-coverlines-seal-02.jpg


Allure Magazine October 2018 Cover
Source: allure.com
Published: October 2018
All people in this magazine cover:
Nadine Ijewere – Photographer
Yusef Williams – Hair Stylist
Maria Salandra – Manicurist
Rihanna – Entertainer

Marina Abramovic é agredida durante exposição na Itália

O agressor usou uma tela de pintura para atingir a artista
Por Anna Laura Moura

Sem título.png
Diretor da fundação Artur Galansino e a artista plástica Marina Abramovic 

A artista plástica Marina Abramovic foi agredida logo após concluir mais um dia de trabalho na exposição Marina Abramović. The Cleaner, na Fundação Palazzo Strozzi, em Florença. A agressão partiu de um homem, que utilizou uma tela de pintura para machucá-la.

Neste domingo (23), o diretor da fundação Artur Galansino publicou uma foto com a artista, alegando que estava tudo bem e lamentando o ocorrido. Artur é curador da mostra, que retrata uma retrospectiva da carreira de Marina.

De acordo com a imprensa italiana, a tela estava pintada com um retrato da artista sérvia. O jornal Corriere della Serra afirma que o agressor já ficou nu em público duas vezes e, em uma das ocasiões, ficou deitado sobre notas falsas de dólar.

Galansino afirmou também que Marina gostaria de encontrar o agressor para perguntar o motivo de sua atitude. A polícia investiga o caso.

Justin Theroux fala pela primeira vez sobre separação de Jennifer Aniston: “Foi doloroso”

“A boa notícia é que provavelmente foi a mais gentil separação”, afirmou o ator

justin
Jennifer Aniston e o ex-marido, Justin Theroux

Justin Theroux, 47 anos, abriu o coração em uma entrevista ao New York Times. O ator falou pela primeira vez sobre a separação de Jennifer Aniston, 49, com quem foi casado por dois anos.

“A boa notícia é que provavelmente foi a mais gentil separação, na qual não houve animosidade”, afirmou Theroux. “De uma maneira estranha, navegar na inevitável percepção é a parte exaustiva”.

Apesar de descrever o término como, “doloroso”, o ator disse que tudo acabou em paz. “Nenhum de nós está morto, nenhum de nós está tentando jogar machadinhas um no outro. Foi amigável”, disse Theroux. “É chato, mas nós respeitamos um ao outro o suficiente para que isso fosse tão indolor quando poderia ser”.

Em um comunicado enviado a imprensa, os dois disseram que decidiram se separar como um casal, mas que iriam continuar sua “amorosa amizade”.

Giorgio Armani defende megalomania em tempos de mesmice no tapete vermelho

Estilista octogenário arma desfile faraônico em aeroporto para mostrar que continua voando alto

Sem título.jpg
Emporio Armani | Verão 2019 | Milão

MILÃO – Chega um ponto na carreira de um criador que, depois de esvaziar todas as possibilidades de mudar o jogo em sua área, só resta fazer uma celebração egocêntrica.

Os caminhos para isso vão de retrospectivas em museus a autobiografias. Mas o que fazer quando tudo isso já foi feito? Giorgio Armani, 84, achou que era hora de —literalmente— alçar voo ainda mais alto.Último bastião vivo e na ativa de toda a moda italiana, Armani usou toda sua influência e uma fatia dos bilhões de dólares acumulados em mais de 40 anos de trajetória para montar em seu hangar particular do aeroporto de Linate, no coração de Milão, o desfile da grife Emporio Armani.

Foram necessários quatro meses de planejamento para um entra e sai de 150 funcionários que montaram a estrutura gigantesca, na qual se sentaram 2.300 pessoas para, além das roupas, acompanhar um show inteiro do cantor pop britânico Robbie Williams.

A razão oficial para a megalomania, que fechou o portão de embarque A17 para os fashionistas enquanto voos noturnos pousavam e decolavam na pista, era o fato de pela primeira vez as linhas masculina e feminina serem apresentadas juntas. O motivo real era mesmo causar, nesse caso, um “impacto simbólico”, como disse o estilista ao repórter.

“Acho que o aeroporto une diferentes culturas, onde todos estão juntos criando uma oportunidade para se aventurar, experimentar um senso de liberdade. Queria traduzir isso do ponto de vista de um marca que é feita para todo mundo”, afirma o designer.

Dinâmico, com vários modelos entrando e saindo em grupos, o desfile durou quase meia hora para reafirmar os códigos do “active wear” da Emporio Armani, um tipo de roupa mais esportiva com viés clássico que pode ser usado tanto na rua quanto na festa.

“Não é uma coleção inspirada num aeroporto, mas nos viajantes, coisa que todos somos no mundo”, exemplifica. Mas não se trata de um viajante como ele, é claro.

Além das iniciais impressas em todo tipo de produto de moda, a imagem do homem de cabelos brancos, pele queimada de sol e sempre vestido de preto —“prefiro vestir um uniforme que não distraia a atenção dos outros, simples assim”— roda os tabloides mostrando o estilista ora a bordo de seu iate, ora em alguma festa formal numa das megalópoles do mundo.

“Realmente já visitei o mundo inteiro. O mapa preenchido no meu escritório prova isso”, brinca o designer, que, por mais que hoje saia por aí comprando prédios para transformá-los em hotéis de luxo, afirma sempre voltar para os mesmos lugares.

“Só relaxo mesmo em lugares onde tenho casas [ele não diz quantas], como em minhas amadas Pantelária [ilha da Sicília] e Antigua [no Caribe]. Gosto dos lugares que me encantaram no passado e fiz deles meus. Em cada viagem, mesmo já tendo visitado antes, olho as coisas com olhar fresco, tento transformar numa experiência única”.

Esse olhar plural fez seus detratores tentarem desvincular seu nome da moda italiana. De fato, Armani não se encaixa exatamente no imaginário de estampas e fendas das passarelas milanesas, porque está mais para a alfaiataria clássica vista nos filmes “Gigolô Americano”, de 1980, e “O Lobo de Wall Sreet”, de 2013, para os quais fez o figurino.

“Nunca pensei na moda em termos nacionalistas, mesmo acreditando que as raízes do meu estilo sejam italianas. Vejo minha moda mais como um espírito internacional.”

Tão internacional que chegou aos tapetes vermelhos, domínio das grifes francesas e americanas. Elas detêm um ideal de glamour mais vinculado às tendências da estação e não fazem a cabeça do estilista. O teor minimalista das formas agrada atrizes como Cate Blanchett e Nicole Kidman, clientes para as festas do Oscar e do Globo de Ouro.

“Hoje, os tapetes vermelhos estão todos muito iguais. Vou tentando fazer do meu jeito, com minha ideia de sofisticação, uma elegância mais naturalista”, afirma Giorgio Armani.

Não que por causa dessa uniformização do estilo ele pense em parar de trabalhar —“trabalho na maior parte do tempo, talvez até demais”— ou se sinta menos criativo —“até porque, muitas das coisas que estão fazendo, como estampar logotipos, especialmente os gigantes, fui um dos primeiros a fazer”—, mas, pouco a pouco, ele vai dando importância a voos mais baixos.

“Qualquer tempo para descansar está sendo mais importante para eu me recuperar e continuar seguindo adiante. [Pedro Diniz]

Livro sobre Ringo Starr revela suas falhas e desprezo de seus colegas por ele

Mais ambiciosa biografia do baterista dos Beatles expõe como nunca estopim da separação da banda

ringo-starr
Ringo Starr

Biografias de John Lennon e Paul McCartney brotam nas livrarias a cada temporada. Relatos da vida de George Harrison também aparecem em intervalos cíclicos. Mas não é todo dia que Ringo Starr, 78, baterista dos Beatles, ganha um volume sobre sua vida. Entre poucos títulos, sai agora no Brasil o mais ambicioso já produzido para ele.

“Ringo” foi escrito pelo jornalista americano Michael Seth Starr. “É o que eu gosto de chamar de uma feliz coincidência. Não somos parentes. Starr é o sobrenome da minha família. Ele nasceu Richard Starkey”, explica o autor.

Seu livro, lançado nos Estados Unidos em 2015, causou comoção entre os fãs. Nele há um relato consistente do caso entre George Harrison e Maureen Cox, primeira mulher de Ringo e mãe de seus três filhos. A descrição do jantar no qual George admitiu a relação a Ringo, em 1973, é impactante.

E provocou surpresa, e certa indignação, a percepção de que Paul McCartney tratava com desprezo as habilidades musicais de Ringo. É notório que o produtor do grupo, George Martin, nunca valorizou o trabalho de Ringo na bateria, mas nenhum biógrafo levantou essa objeção de Paul como o livro expõe.

“Martin nunca foi grande fã dele como baterista, mas, ao fazer minha pesquisa, senti que McCartney tinha uma atitude condescendente em relação a Ringo. Às vezes, ele o tratava quase como um músico contratado, não um parceiro.”

O debate sobre as possíveis limitações de Ringo atravessa toda a narrativa do livro. Hoje ele tem fãs de seu estilo com as baquetas, mas ainda carrega uma legião de críticos impiedosos. O biógrafo acredita que o mais famoso baterista do mundo merece mais respeito. “É verdade que ele não era um compositor como os outros três Beatles, mas sua contribuição como músico e como personalidade foi igualmente valiosa.”

O livro traz um capítulo final em que o Ringo baterista é analisado, e muito elogiado, por grandes nomes do instrumento no rock, como Phil Collins, John Densmore (The Doors) e Max Weinberg (baterista de Bruce Springsteen).

Quanto ao caso extraconjugal de Maureen, o autor não acha que tenha tido tanto impacto na relação com George. “Foi um choque para Ringo saber que um de seus ‘irmãos’ tinha um caso com sua mulher, mas ele e George passaram por isso, tinham uma amizade muito forte.”

Em 1973, os casamentos de Ringo e George (com Pattie Boyd) andavam péssimos, com infidelidades de todos os lados. O caso foi o estopim para a separação de George. Ringo terminou sua relação com Maureen, mas eles continuaram amigos. Estava ao lado da ex-mulher quando ela morreu em 1994, com câncer.

O autor Starr não conseguiu encontrar o músico Starr, nada disposto a incentivar investidas sobre sua vida. Então fez dezenas de entrevistas para relatar sua juventude em Liverpool como um garoto de saúde frágil numa família que, abandonada pelo pai, teve dificuldades financeiras.

Ringo é classificado como “o Beatle engraçado”, ou “o pacificador”. Uma espécie de cola que uniu o quarteto em crises, por ser muito amigo dos três donos de grandes egos que o cercavam. Mas o biógrafo ressalta que Ringo foi o primeiro a esboçar uma saída do grupo, se afastando durante parte das gravações do “White Album”, em 1968.

“Ele saiu do estúdio, sentindo-se subvalorizado e ignorado, e passou algumas semanas no iate de seu amigo Peter Sellers, na Sardenha”, diz. “Quando ele retornou, George deixou o grupo por um tempo. Como sabemos agora, aquela fase foi o começo do fim dos Beatles.”

O livro também explora o período pós-Beatles. O sucesso de Ringo, bom vendedor de discos nos anos 1970, o empurrou para álcool e drogas. Ele e a segunda mulher, a atriz e “Bond girl” Barbara Bach, conseguiram se reabilitar e estão juntos até hoje.

O lado agregador de Ringo, tão importante na dinâmica interna dos Beatles, permanece. Desde 1989 ele excursiona com sua All-Starr Band, na qual recruta veteranos do rock, sempre mudando a formação. Neste ano, tem ex-integrantes de Toto, Journey, Men at Work, Santana e Kansas.

“Ringo era naturalmente sociável na juventude, então acho que teria muitos amigos em qualquer atividade que seguisse. Mas o mundo do rock ofereceu a ele um senso de fraternidade e camaradagem que ele não teve em casa, como filho único”, define Starr.

RINGO
Preço R$ 79,90 (480 págs.)
Autor Michael Seth Starr. Trad. Laura Folgueira
Editora Ed. Planeta

Roteiro artsy: cinco exposições imperdíveis em Nova York

Obras que revolucionam questões políticas, culturais e estéticas tomam a cidade no final do verão
Por Beta Germano I Fotos: Divulgação

Sem título
Barkley Hendricks é um dos artistas da mostra Soul of a Nation: Art in the Age of Black Power

Os museus e galerias de Nova York, nos EUA, programam suas melhores exposiçõespara o verão. Mas isso não quer dizer que a programação da cidade não é intensa nas outras estações. Na entrada do outono, é possível ver trabalhos de artistas provocantes de todo o mundo: eles questionam injustiças sociais e politicas e a própria percepção da arte. Pegue o seu mapa e começe a fazer esse roteiro artsy de peso.

1. Romuald Hazoumè na Gagosian

“Eu mando de volta ao Ocidente aquilo que lhes pertence, isto é, o lixo da sociedade de consumo que nos invade todos os dias”, explicou o artista beninense Romuald Hazoumè.

Ele tem forte conexão com o povo e cultura Iorubá (grupo étnico da África Ocidental que hoje está concentrado, em sua grande parte na Nigéria) que tem as máscaras como elemento protagonista e as usam para fazer um statement político em forma de ready-made. Ele usa cordas, funis e galões e, com pequenos gestos, os transformam em rostos quebrando convenções de conhecimentos ancestrais.  As sagradas máscaras ganham ar contemporâneo e crítico:  os objetos escolhidos fazem referência ao transporte ilegal de petróleo da Nigéria e denuncia o perigo deste sistema lucrativo para a população. Há, ainda, uma crítica ao lixo que estamos produzindo e depositando no planeta.
Ele também usa, em suas obras, o bidon um item básico para a compra ilegal de gasolina barata da Nigéria.

Ele também faz filmes e fotos que confrontam as realidades complexas da vida contemporânea no Benin e as ramificações mais amplas da política pan-africana. Se apropria de símbolos para chamar a atenção para as consequências persistentes da corrupção e subjugação em toda a África, apontando para um ecossistema interdependente. Até 13 de Outubro.

2. Gabriel Orozco na Marian Goodman Gallery

“Dentro dessa pedra há apenas mais pedra, que é a poeira, que é uma partícula de todos os tipos de minerais, que é sedimento…”, afirma o artista mexicano Gabriel Orozco que mostra, este mês, novas esculturas que fazem referência direta às peças modernas cuja essência está na própria matéria.

Orozco fez a primeira de suas esculturas de pedra em Bali, na Indonésia, onde vive há dois anos e onde a escultura, como o corte manual de pedras, continua sendo uma importante forma de trabalho artesanal qualificado. As obras deste grupo são todas feitas de calcário, um material local tradicionalmente usado no templo balinês e decoração doméstica. Ele se vale de habilidades tradicionais para combinar técnicas locais com seu próprio método de usar círculos. Orozco extrai o mesmo arranjo de círculos com uma bússola em cada face do bloco, fornecendo o esquema básico para o lento processo de corte que se segue.

Em seus cadernos, ele constantemente registra pensamentos como “aponte para uma pedra e chame de arte” como se uma pedra pudesse ser uma espécie de ready-made natural.

3. Wolfgang Tillmans na David Zwirner 

Poucos artistas influenciaram tanto a geração mais jovem do que o alemão Wolfgang Tillmans. Desde o início dos anos 1990, seus trabalhos sintetizaram um novo tipo de subjetividade na fotografia, unindo intimidade e ludicidade com a crítica social e o questionamento persistente dos valores e hierarquias existentes.

Começou no mundo da moda e da fotojornalismo até chegar nas galerias com estratégias refinadas de exibição e uma peculiar relação entre gêneros e assuntos
Aborda uma questão crucial: a questão fundamental do que significa criar imagens em um mundo cada vez mais saturado de imagens.

Primeiro fotógrafo a receber o Turner Prize, em 2000, ele mostra imagens em Wolfgang Tillmans: How likely is it that only I am right in this matter? que foram criadas alternadamente com uma máquina de fotocópia, na câmara escura e com uma câmera.

O denominador comum é o foco na materialidade e na superfície do mundo físico: representações em grande quantidade de areia e espuma encontram contrapontos em vistas aéreas de desertos e rios – a intenção é confundir noções de macro e micro. E colagens com ovos, insetos e partes do corpo entrelaçadas revelam camadas de vida e decadência, sexo e fragmentação. Outros trabalhos foram criados diretamente em uma fotocopiadora, movendo manualmente as bordas do papel durante a digitalização em quatro cores. Até 20 de outubro.

4. Lygia Pape na Hauser & Wirth

A individual de Lygia Pape em Nova York (primeira em uma galeria nos EUA) é uma ótima oportunidade de mostra a relevância das obras da artista que favorecia o espectador e sua experiência sensorial.

Pape explorou um território rico através da mídia de escultura, desenho, gravura, filmagem e instalação, e a exposição assume essa veia multidisciplinar sempre pontuando a veia lúdica da experiência física e material de sua arte. É inevitável, ainda, mostrar a sua reformulação única da geometria e da abstração.

Amazonino Vermelho e Preto são esculturas parecem brotar das paredes, eliminando o peso de sua composição industrial e aparecendo ao mesmo tempo geométrica e orgânica. Aqui, o artista enfatiza uma relação dinâmica entre o espectador, a obra de arte e a arquitetura, incentivando um modo de interação que toma forma ao longo do percurso do espaço de exibição. Vale notar, ainda, uma versão de Ttéia, instalação em fio de prata feita pela vez em 1978 – os grupos de fios se cruzam e se entrelaçam, percorrendo o espaço para criar linhas fantasmas nas paredes. Até 20 de outubro.

5. Soul of a Nation: Art in the Age of Black Power no Brooklyn Museum

Com o objetivo de pesquisar o período mais politicamente, socialmente e esteticamente revolucionário da história americana, a mostra Soul of a Nation: Art in the Age of Black Power apresenta 150 trabalhos de artistas afrodescendentes dos EUA entre os anos 1963 e 1983: são obras que abordam diretamente as condições sociais injustas que os negros americanos enfrentavam, como a pintura de Faith Ringgold com uma bandeira de “sangramento” e as imagens gráficas de Emory Douglas da vida da cidade negra sitiada.
Há trabalhos que abordam, ainda, referências oblíquas à violência racial, como a homenagem abstrata de Jack Whitten a Malcolm X, feita em resposta ao assassinato do ativista, ou esculturas de metal contorcidas de Melvin Edwards – que atualmente tem mostra no Masp, em São Paulo.
Barkley Hendricks, Emma Amos e outros pintaram retratos cotidianos de pessoas negras com reverência e inteligência. Todos os artistas abraçaram um espírito de inovação estética, mas alguns levaram isso como seu objetivo principal, muitas vezes através de experimentos com cor e a própria forma de aplicar a tinta.