Anthony Vaccarello fala com exclusividade sobre seu processo criativo na Saint Laurent

À frente da maison há pouco mais de dois anos, o designer belga reforçou a imagem de mulher forte e empoderada, que entende a força de seu corpo e o exibe, sem medo, em uma moda elegante. À Marie Claire Brasil, ele fala sobre seu processo criativo e mostra, em ensaio exclusivo, a coleção de outono-inverno 2018/19 que chega ao país neste mês
Por Laura Ancona Lopez, De Paris

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Moda YSL – O belga de ascendência italiana Anthony Vaccarello, à frente da Saint Laurent desde 2016 (Foto: Divulgação da Saint Laurent)

Fazia 11 graus negativos em Paris quando, finalmente, as luzes da passarela da Saint Laurent, montada aos pés da Torre Eiffel, se acenderam. Mas não completamente. A coleção outono-inverno 2018/19, que você vê neste ensaio, foi exibida quase na penumbra, em um cenário todo preto, como boa parte das peças do desfile. O fio de claridade que atingia as modelos de cima para baixo, no entanto, realçou as texturas e sobreposições de camadas dos looks ultrasexies e com acabamento sofisticado que só Anthony Vaccarello, 36 anos, consegue dar.

À frente da marca francesa desde abril de 2016, o designer belga de ascendência italiana apostou com força na sensualidade chique que fez a fama da maison, e que seu fundador, Yves Saint Laurent, definiu tão bem ao dizer que “Chanel libertou as mulheres, eu as empoderei”.

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Binx Walton usa vestido de paetês e brincos de metal (Foto: Divulgação)
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Camille Hurel usa vestido e chapéu de lã, brincos de metal e cristal e cinto de couro (Foto: Saint Laurent)

“Moda sempre teve a ver com mudanças, evolução”, afirmou Vaccarello com exclusividade à Marie Claire. “Não sinto nenhuma pressão de estar à frente de uma grife como a Saint Laurent. Aqui, tenho liberdade pra expressar minha visão sobre o negócio, com paixão. Acho que só assim dá para empurrar os limites e ir em frente.”

Sua maneira de extrapolar esses limites? Pernas completamente à mostra em microvestidos como o preto nada básico de Adut Akech, modelo sudanesa que nasceu em um campo de refugiados, alçada à fama pelo designer; shorts de couro fetichistas; ombros exagerados, bem 80’s, em praticamente todas as modelagens femininas. É sexy, mas não é óbvio. Tem aquela mistura irresistível de alfaiataria e sex appeal que Saint Laurent inventou, e que Vaccarello evoluiu.

Tanto que é hoje “a” marca de luxo mais desejada por jovens de até 25 anos: é fresh, é contemporânea, é perfeita para um #ootddo Instagram. Não por menos, tem como garota-propaganda a top Kaia Gerber, representante máxima dessa geração, filha adolescente de Cindy Crawford. “Não quero só fazer as melhores roupas”, diz Vaccarello. “Quero instaurar uma nova visão [sobre a moda].”

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Kaia Gerber usa jaqueta de paetês, blusa de seda, chapéu de lã e couro e brincos de metal, resina e cristal (Foto: Divulgação)
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Fran Summers usa vestido de seda bordado (Foto: Divulgação)

Sua missão não era simples: suceder Hedi Slimane (hoje na Céline), que fez voltar as atenções da indústria novamente à Saint Laurent. Mas, tal qual o francês, ele sabe capturar o espírito do tempo. E o nosso zeitgeist fala diretamente com os millennials, com as mídias sociais, com o feminismo. Não por menos, suas mulheres têm ombros largos, quase masculinos, e montam-se em saltos grossos vertiginosos, que as fazem 15 centímetros mais altas sem desequilibrar.

São maiores, mais firmes e seguras do que os garotos da passarela, vestidos com calças skinny de visual displicentemente rocker. A impressão, ali, é de que elas podem tudo. “Essas mulheres não têm medo de serem superfemininas, mas também não têm o menor problema em vestir peças do guarda-roupa do homem”, diz Vaccarello.

“Meu trabalho é focado em quatro conceitos-chave: liberdade, sensualidade, segurança e elegância – que é exatamente o que eu acredito que uma mulher queira passar através das roupas”, diz ele. “Por isso que, em vez de cair na armadilha de copiar o legado de uma marca da importância da Saint Laurent, procuro entendê-lo. Assim consigo unir minhas ideias e criar.”

Para o designer, não se divertir (nem se inspirar) durante esse processo não está nos planos. “Para mim, moda é uma fantasia escapista. E é isso que tanto me atrai nela: é como um sonho.” 

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