O que a série ‘Anne with an E’ diz sobre direitos de crianças e adolescentes

unnamedBaseada no livro Anne de Green Gables, de Lucy Maud Montgomery, publicado em 1908, a série canadense Anne with an E (Anne com E, em português) conta a história de Anne Shirley, uma garota adotada por engano por um casal de irmãos, que na verdade queria um garoto para trabalhar na fazenda.

Além da fotografia ser um espetáculo (as filmagens foram realizadas nas lindas paisagens canadenses, na Ilha do Príncipe Eduardo e no sul de Ontário), a série aborda questões humanas muito profundas e sensíveis. Confira cinco reflexões a respeito dos direitos de crianças e adolescentes (e da vida!) que a montagem proporciona:

Abandono e adoção tardia

Outro dia li sobre um projeto chamado Adote um Boa Noite, que incentiva a adoção de crianças mais velhas. No geral, as famílias se interessam por bebês ainda pequenos. Por isso a adoção fica cada vez mais difícil, com o passar dos anos.

Anne é uma adolescente que já passou por diversas experiências na vida, até que realiza o sonho de ter uma família, transformando totalmente a vida de seus cuidadores.

Os impactos do trabalho infantil

Antes de ser adotada, Anne trabalhou em casas de famílias. A violência sofrida naquele período e o amadurecimento precoce aparecem em flashbacks durante toda a série. Mas a chegada de Anne à sua nova – e primeira família – não foi por um motivo diferente.

Na verdade, os irmãos de Green Gables, como é chamada a fazenda, queriam um garoto para ajudar nas atividades rurais. Mas ficaram sem coragem de desfazer a troca. Em contrapartida, contrataram um menino, que sofria por não saber ler e não ter a oportunidade de ir à escola.

A dificuldade de estudar, inclusive, aparece em diversos momentos, principalmente devido ao contexto histórico da época, quando deixar os estudos para trabalhar era ainda mais naturalizado.

Questões de gênero

Cheia de imaginação, sem amarras sociais e com uma diferente visão de mundo para o final do século 19, Anne questiona a posição da mulher na sociedade. Diz que sonha em ser noiva, mas não esposa, uma vez que quer estudar e descobrir sua própria vocação.

Em uma das cenas, se impressiona ao descobrir que não poderia incluir livros em seu enxoval, destinado apenas a utensílios domésticos. A chegada de uma professora à frente de seu tempo também movimenta a comunidade. Ela não usa espartilho, anda de moto e veste calça comprida.

A homossexualidade também aparece como um grande tabu e quase uma ameaça à felicidade de quem não se encaixa na heteronormatividade.

Racismo

Gilbert, um dos adolescentes que estudam na escola do campo, causa estranhamento quando volta de viagem acompanhado por um amigo negro. Algumas pessoas da comunidade nunca haviam visto um negro na vida e as questões raciais eram extremamente marcadas pela escravidão.

A vez e a voz da criança

Anne era diferente das crianças da época – e os seus cuidadores também eram, de certa forma. Criança não tinha vez e voz. Castigos e punições eram comuns em sala de aula e o bullying aparece em nível severo. Para driblar o autoritarismo da escola, Anne cria um ambiente alternativo de aprendizagem – uma cabana onde fica com seus amigos após a aula. [Bruna Ribeiro]

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