Segundo dia do Estufa trata de inovação, experimentação e realidade

Helena Pontes mostra coleção madura, enquanto Korshe 01 se revela promissora
Sergio Amaral – O Estado De S.Paulo

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Modelo apresenta criações da grife Helena Pontes Foto: Agência Fotosite/Divulgação

Em seu segundo dia nesta SPFW N46, nesta quarta, 24, as apresentações do projeto Estufa oscilam entre coleções de vocação puramente experimental, como a da marca Ão, e outras mais conectadas à vida real, caso das grifes Helena Pontes e Korshe 01.

Pernambucana radicada no Rio, e mais “velha” desse trio (sua marca foi fundada em 2014), Helena tem o trabalho mais consistente do grupo. Batizada de Marias, sua coleção foca numa bela alfaiataria feminina traz interessantes geometrias, construída com uma paleta de cores terrosas em materiais naturais, como algodão e linho. “É uma coleção de mulheres pássaro”, afirma a designer. “Querem cortar nossas asinhas, mas não vamos deixar. Somos resistência”, completa.

Depois dela, veio a marca Ão, da figurinista Marina Dalgalarrondo. Rompendo convenções, ela investe numa apresentação em que trabalha duas de suas obsessões “cor e volume”. Suas roupas em algodão trazem elásticos que criam efeitos repuxados e provocam uma estranheza de shapes. Trabalhando numa cartela de azuis, dos mais lavados ao marinho, seu desfile ganha contornos surreais conforme escurece a gradação, encerrando com uma série de looks que deformam a silhueta.

A Korshi 01, entretando, está entre um dos mais interessantes nomes do Estufa até aqui. O ponto de partida do estilista Pedro Korshi é um tipo de sustentabilidade bem diferente do que estamos habituados a ver, focada no utilitarismo, não apenas nos materiais. Visando aproveitamento máximo de uma roupa, usa botóes de pressão e aplicações de velcro em pontos estratégicos para desmembrar uma roupa em várias. Um trench-coat, por exemplo, vira macacão e avental. Uma calça pode ter parte de suas pernas desconectada, transformando-se num conjunto de bermuda mais bolsa.

É um primeiro desfile da marca, cujas ideias ainda podem evoluir, especialmente nos acabamentos. De qualquer forma, é exatamente esse o tipo de proposta que se espera de um projeto e de marcas dedicadas a inovação: com um pé na disrupção e outro em viabilidade.

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