Amanda Murphy | W October 2018

tumblr_pgxfkymwvs1vstnjqo3_1280c9ea49d3d3f6dacab1f52d76a7c4d907_thumbPhotographer:Ethan James Green
Stylist: Carlos Nazario & Sara Moonves

‘Está tudo bem a gente expor a nossa fragilidade’, diz Carol Trentini

Em entrevista, a top conta sobre como lida com a sensação de vulnerabilidade nos palcos do programa Popstar, da Globo
Ana Luísa Torres e Anna Rombino – O Estado De S.Paulo

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Carol Trentini participou do desfile da Água de Coco Foto: NELSON ALMEIDA / AFP

A modelo Carol Trentini, destaque do desfile da Agua de Coco, que encerrou essa edição da São Paulo Fashion Week na sexta, 26, contou em entrevista sobre sua experiência como participante do programa Superstar, da Globo, e seu atual momento na carreira.

Conte um pouco sobre sua participação no programa Superstar.
Está sendo uma aventura muito legal. É engraçado porque eu nunca pensei que passaria por essas sensações, nunca achei que se trataria disso. É uma coisa nova essa adrenalina de palco…primeiro porque, ao contrario de muita gente ali, a minha experiência com musica é zero. Eu estou muito crua, totalmente fora da minha zona de conforto. Mas apesar do pesares, estou achando importante pra mim, pra minha vida, como lição. É um aprendizado lidar com novas sensações, fazer algo novo depois de 15 anos de carreira, me colocar vulnerável e frágil.

Você começou como modelo bem jovem.
Sim, comecei com 15 anos. As pessoas perguntam se não é o mesmo nervosismo de quando comecei nas passarelas, mas na época não tinha a dimensão do que eu estava fazendo. Hoje, como sei o peso do programa, o tamanho da audiência, expor minhas falhas, sentimentos, é muito, muito difícil. Mas como falei, está sendo um desafio bom pra vida.

O que você vê de parecido entre estar em uma passarela, desfilando, e em um palco para cantar?
Olha, eu não vejo relação nenhuma. Só a parte de fazer cabelo e maquiagem para entrar. Mas a sensação que me causa [no palco] é totalmente diferente, é uma coisa física. Eu fico gelada, tremo.

Você não fica nervosa antes de desfilar?
Só um nervoso muito bom, sabe? Um nervoso de segurança, porque na passarela eu tenho total controle da minha situação. Qualquer coisa que aconteça: se eu cair de pirueta, se o meu biquíni cair, eu vou saber o que fazer. Lá [no palco] não, eu fico tipo ‘ai meu Deus, será que eu tô fazendo isso direito?’, ‘tem muita gente me vendo’. É uma situação muito vulnerável. E eu não sou acostumada a me sentir assim, porque na minha carreira me acostumei com a exposição e uma sensação de saber o que eu tô fazendo, dominar a situação.

Você fala sobre essa experiência que está vivendo com os seus filhos? Explica como se sente?
Acho que eles são muito pequenos para entenderem de fato o que são essas sensações, mas já falei muito em casa que isso é algo que quero passar pra eles. Quero que pensem ‘olha, a mamãe se desafiou, e foi difícil, mas é assim mesmo’. A gente falha, a gente vai pra repescagem na vida, e tudo bem. Está tudo bem a gente expor a nossa fragilidade. Isso é muito delicado, mas quando a gente consegue, é uma coisa muito bonita também.

Você sempre cantou?
Eu sempre cantarolei – nunca nada além de um karaokê de youtube.

Tinha aquele sonho de ser cantora?
Não, nunca foi um sonho, assim como eu também não tinha o sonho de ser modelo. Eu sou do interior, nossa vida era muito simples. Eu queria ser professora, fazer alguma coisa na cidade, sabe? Não visualizava essa coisa “pro mundo”. Engraçado que hoje eu não consigo pensar em viver algo que não seja aqui fora, no mundo.

Quem são suas cantora preferidas?
Tem muita gente que eu amo…Lá em casa a gente ouve muito Maria Gadú, Marisa Monte, Anna Carolina, Lulu Santos, Titãs…esse é o nosso estilo.

Como escolhe as musicas que você canta no Superstar?
Foram todas musicas com que eu tinha uma ligação emocional. Ou eu escutei muito em alguma fase, ou meus filhos gostam de escutar, ou me lembra uma pessoa, uma situação…

Os seus filhos assistem ao programa?
Muito! O Bento já foi várias vezes, ele ama porque já falou no microfone com a Taís Araújo – ele sempre conta essa história. O pequenininho me pede sempre pra cantar “True Colors”, que foi a minha primeira música.

Existe algo fora modelar e cantar que você pense em fazer, como atuar ou ser apresentadora de TV?
Hoje eu considero a minha vida como ela está, sabe? Modelo, mãe. É muito engraçado porque, depois que virei mãe, minha carreira tomou outra dimensão. Quando eu comecei, a carreira de modelo tinha um prazo de validade, e ser mãe era um desses marcos do fim. Mas graças a Deus trabalhei muito desde que me tornei mãe – tanto em jobs que já fazia quanto com muito mais gente, gente importante. Ainda tenho minha carreira para administrar e sou muito feliz com ela. Não digo que nunca vou ser atriz, nunca vou ser isso ou aquilo, mas agora não tenho essa pretensão, não é o meu foco

Quando você diz que sua carreira tomou outra proporção depois da maternidade, a que você atribui essa mudança?
Acho que eu mudei comigo, me sinto melhor, mais capaz, melhor modelo. Meu propósito mudou. Acho que como meu foco mudou, agora sou mãe de família, tenho um propósito muito maior trabalhando. Antes era quase um hobby, hoje tanto eu quanto meu marido trabalhamos pelo bem estar da nossa família, pro nosso lar, para dar o melhor que a gente pode para os nossos filhos, com a cabeça sã. O programa é totalmente isso, quero que eles olhem e pensem “que orgulho da nossa mamãe!”.

IBM compra a produtora de software Red Hat por US$ 34 bilhões

A aquisição foi aprovada pelos conselhos de administração da IBM e da Red Hat e está sujeita à aprovação dos acionistas da fornecedora de software

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IBM: acordo foi fechado pelo valor de US$ 34 bilhões (Reprodução/Getty Images)

São Paulo — A IBM realizou um acordo definitivo para compra da produtora de software Red Hat por estratosféricos 34 bilhões de dólares. A Red Hat é conhecida por fornecer o sistema operacional Red Hat Linux e outros produtos de software usados em data centers do mundo inteiro. O Red Hat Linux é uma das principais variantes do sistema Linux, software livre amplamente usado em servidores na internet.

“A aquisição da Red Hat é uma mudança de jogo. Ela muda tudo sobre o mercado de computação em nuvem”, disse Ginni Rometty, presidente e CEO da IBM. “A IBM se tornará a fornecedora de nuvem híbrida número 1 do mundo, oferecendo às empresas a única solução de nuvem aberta que irá liberar todo o valor da nuvem para seus negócios”, disse Ginni num comunicado da empresa.

“O código aberto é a escolha padrão para as modernas soluções de TI, e estou incrivelmente orgulhoso do papel que a Red Hat desempenhou em tornar isso uma realidade na empresa”, disse Jim Whitehurst, presidente e CEO da Red Hat, no mesmo comunicado.

“Unir forças com a IBM nos proporcionará um nível maior de escala, recursos e capacidades para acelerar o impacto do código aberto como base para a transformação digital e levar a Red Hat a um público ainda maior – preservando nossa cultura única e compromisso inabalável para a inovação de código aberto “, prossegue Whitehurst.

Após o fechamento da aquisição, a Red Hat, que tem sede em Raleight, no estado americano da Carolina do Norte, vai operar como uma unidade separada dentro da área de “nuvem híbrida” da IBM. A Red Hat continuará a ser liderada por Jim Whitehurst e pela atual equipe de gerenciamento da Red Hat. Jim Whitehurst também se juntará à equipe de gerenciamento sênior da IBM e se reportará a Ginni Rometty. A IBM pretende manter a sede, instalações, marcas e práticas da Red Hat.

As parcerias construídas pelas companhias, incluindo aquelas com grandes provedores de nuvem como Amazon, Microsoft Azure, Google Cloud, Alibaba e outros, devem permanecer.

Segundo assessoria, acordo acelerará o crescimento da receita, margem bruta e fluxo de caixa livre da IBM dentro de 12 meses após o fechamento. A empresa pretende suspender seu programa de recompra de ações em 2020 e 2021.

A aquisição foi aprovada pelos conselhos de administração da IBM e da Red Hat e está sujeito à aprovação dos acionistas da Red Hat. Espera-se que feche no segundo semestre de 2019.

Bilheteria EUA: Halloween, Nasce uma Estrela, Venom, Goosebumps 2, Fúria em Alto Mar

Filme tem uma das maiores arrecadações do gênero

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Halloween, o novo filme é dirigido por David Gordon Green e conta com a volta de Jamie Lee Curtis ao papel que eternizou.

Halloween se manteve na liderança da bilheteria americana no fim de semana e continua a bater recordes.

O longa arrecadou arracadou mais US$ 32 milhões, chegando a um total de US$ 126,69 milhões. É a maior arrecadação para um filme de horror de classificação restrita nos EUA desde It: A Coisa no ano passado (que fechou sua passagem pelos cinemas com US$ 327,48 arrecadados nos EUA e um total mundial de US$ 700,3 milhões).

Nasce uma Estrela se manteve na segunda posição, arrecadando US$ 14,14 milhões e chegando a um total de US$ 148,72 em quatro semanas em cartaz. Já Venom continuou no terceiro lugar com US$ 10,8 milhões e um total arrecadado que já chega a US$ 187,28 milhões. Goosebumps 2 – Halloween Assombrado repetiu a quarta posição com US$ 7,5 milhões e um total de US$ 38,34 somado em três semanas em cartaz.

Maior estreia da semana, Fúria em Alto Mar conseguiu apenas a quinta posição, fazendo US$ 6,6 milhões.

SPFW tenta incluir negros mas fica a um abismo de distância de grifes europeias

Há dez anos, a semana de moda assinou um termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público

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Desfile masculino de João Pimenta na SPFW46, na Vila Leopoldina, em São Paulo /Nelson Almeida/AFP

SÃO PAULO – A diversidade racial que a moda alardeia seguir em suas passarelas chegou. Só que, pelo menos no Brasil, ainda é capenga, esbranquiçada e dependente de grifes jovens.

Há quase dez anos, a São Paulo Fashion Week assinou um termo de ajustamento de conduta com o Ministério Público —o compromisso era pedir às marcas que 10% do seu “casting” fosse negro, afrodescendente e indígena.

A Folha calculou, nesta temporada, que a SPFW conseguiu que 280 dos 976 looks desfilados semana passada fossem vestidos por negros e afrodescendentes —ou seja, 28% do total.

Há, contudo, repetição de modelos nessa categoria, mas o mesmo ocorre com as modelos brancas e isso não é o suficiente para distorcer o cálculo.

Os números escondem, porém, uma realidade nada louvável. Não fossem as dez estreias de marcas independentes, a maioria sem loja física, e as homenagens das pequenas grifes João Pimenta e Apartamento 03 à comunidade negra, o percentual cairia para pouco mais de 10%.

Isso posiciona as grifes nacionais bem abaixo dos 21% computados nos desfiles de algumas das grifes mais poderosas do hemisfério norte nesta estação.

A reportagem cruzou 14 apresentações de Nova York, Londres, Milão e Paris e constatou que mais da metade deles —Off-White (46%), Louis Vuitton (25%), Versace (25%), Roberto Cavalli (22%), Burberry (24%), Balmain (18%) e Saint Laurent (18%), por exemplo —combinou seus conjuntos à pele negra.

Se a amostragem internacional incluísse grifes menores e representatividade latina e asiática, os números saltariam pelo menos dez pontos percentuais, já que, nesta estação, todas as raças foram representadas nas passarelas.

Apesar de São Paulo ter a maior comunidade japonesa e de seus descendentes no mundo, com mais de 400 mil pessoas, nenhum desfile da SPFW mostrou mais de três orientais na passarela.

As passarelas com menos negros desta edição da São Paulo Fashion Week foram as das marcas Gloria Coelho (4%) e Lino Villaventura (7%), que estão bem abaixo dos 12% de looks vestidos por negros no desfile da Chanel e os 13% da Balenciaga, por exemplo. No caso de Gloria Coelho, só havia uma negra em 51 conjuntos —e ela desfilou duas vezes.

Osklen (8%), Reinaldo Lourenço (10%), Água de Coco (12%), Lilly Sarti (12%) e Patricia Viera (12%) ficaram no limite dos 10%.

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Desfile da Água de Coco, que encerrou a SPFW46, na Vila Leopoldina, em São Paulo /Zanone Fraissat/Folhapress

Para Villaventura, a régua da representatividade não deve ser sobre a quantidade de negros, mas sobre “a importância que você dá a eles, vestindo modelos com um look-chave da coleção”, como diz ter feito.

“Gosto de diversificar meu ‘casting’. Mas a obrigação é complicada, porque tem a questão da qualidade dos modelos e a disponibilidade de quem você quer”, explica.

Procurada, Gloria Coelho não respondeu aos pedidos de entrevista até a conclusão desta edição.

Para entender o abismo entre passarelas brasileiras e internacionais, a reportagem ouviu stylists, fotógrafos e agentes durante cinco dias da temporada paulistana.

O tamanho da marca, a clientela e a vontade de se diferenciar da concorrência foram motivos citados para adesão, ou a aversão, à diversidade étnica.

“Estilistas jovens frequentam lugares em que não há essa diferença de cor. Vejo que têm uma cabeça mais aberta”, diz a stylist Larissa Lucchese.

Seu colega no ofício, Gabriel Carneiro, vai além e diz que a desculpa das marcas ao dizer que faltam negros no mercado é falsa —para ele, o motivo real é a falta de vontade.

“As grifes maiores que colocam quantidades mínimas de negros têm uma coisa chamada culpa seletiva. Por serem cobradas pela indústria e por verem as pequenas fazendo, fazem igual”, afirma Carneiro.

Marcas que pertencem a grupos de moda teriam, segundo os fashionistas, mais dificuldade de incluir outras cores para além do padrão branco e loiro.

“Grandes grupos só pensam em venda e não dão margem para a criatividade dos estilistas jovens, muito mais ligados aos movimentos sociais recentes”, diz a ex-estilista e consultora Karla Girotto.

Consultora de moda, Erika Palomino acrescenta que as passarelas brasileiras por muito tempo tinham regras que visavam um “embranquecimento da população”.

“O que vejo como extremamente positivo é que a curto prazo esses jovens [estreantes na SPFW] vão acabar impactando as grandes grifes. Especialmente nesta temporada há um casting fortíssimo”, afirma Palomino.

A inclusão de afrodescendentes também tem a ver, segundo os profissionais ouvidos, com o compromisso das agências em oferecer e agendar trabalhos para negros.

Para Cecília Rainha, da agência Allure, a missão não é tão fácil quando o contratante é uma grife poderosa.

“As marcas maiores são mais fechadas tanto em questões raciais quanto LGBT. Como as grifes independentes têm uma pluralidade de clientes maior, com ideais mais amplos, há uma diversidade muito maior [na seleção]”, diz Rainha.

Do lado da passarela, parece haver vontade dos próprios modelos de que seu ofício seja reconhecido como um lugar aberto às diferenças.

Top loira de olhos azuis e estrela da Água de Coco, Carol Trentini se diz feliz em participar de “um momento inclusivo como esse, em que qualquer cor, raça, religião ou gênero são válidos”.

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Desfile da Água de Coco, que encerrou a SPFW46, na Vila Leopoldina, em São Paulo /Zanone Fraissat/Folhapress

Valentina Sampaio, que desfilou para a mesma grife de moda praia e também para a carioca Handred, acredita que as marcas brasileiras têm de se esforçar mais.

Transexual, ela é destaque nas principais semanas de moda do mundo. “As marcas daqui estão com receio de apostar na diversidade”, diz. [Pedro Diniz e Giuliana Mesquita]

Arrowverse | Vestido como Flash, Stephen Amell comemora crossover

Série de episódios será exibida entre 9 e 11 de dezembro

Sem título
stephenamell Estou muito cansado, mas aqui está o crossover em poucas palavras.

Ainda usando o uniforme de Flash, Stephen Amell publicou uma foto no seu Instagram para comemorar o bom andamento do crossover do Arrowverse. “Muito cansado, mas eis o crossover em pouvas palavras“, escreveu o ator, que aparece sorrindo na foto.

Batizado como “Elseworlds”, mesmo nome do selo da DC que explorava universos alternativos e realidades paralelas, o crossover servirá para apresentação da Batwoman, que depois ganhará a sua série solo, e mostrará o Superman de roupa preta – veja aqui.

O crossover do Arrowverse vai ao ar entre 9 e 11 de dezembro nos EUA. No Brasil, todas as três séries envolvidas – ArrowThe Flash e Supergirl – são exibidas pelo canal pago Warner. [Natália Bridi]

Influencer americana Aimee Song dá dicas para fazer sucesso na web

Em 2008, Aimee postava looks no MySpace e no seu blog de design de interiores, o Song of Style. Em 2016, esteve na seleta lista dos “30 abaixo de 30”, da Forbes. Agora, ela veio ao Brasil, revelou com exclusividade como chegou lá e garante: tem espaço para mais gente
Por Julia Carneiro

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Aimee Song (Foto: Bárbara Tavares)

Aimee Song poderia ser a sua melhor amiga. Americana de pais coreanos, a blogueira de moda sofria bullying na escola por levar comida asiática para lanchar no recreio, “tive que pedir para minha mãe trocar por sanduíches de pasta de amendoim com geleia, que eu odiava, mas queria me encaixar”; fez faculdade de arquitetura, trabalhou em um escritório de design de interiores – daí vem o tema do blog – e adora compartilhar um #lookdodia.

“Eu sempre amei moda por ser um meio de expressão e comecei a postar fotos das minhas roupas no Facebook e MySpace.” Até que, um dia, os cliques migraram para o seu blog – ainda que não fosse de moda – e as reações foram superpositivas. “Em 2008, tudo era novo. As pessoas achavam muito cool ter essa plataforma para se informar sobre moda de um jeito diferente e o site foi crescendo.”

Quando surgiu o Instagram, em 2010, a audiência se multiplicou e globalizou – o Brasil é o segundo país na lista de seguidores da blogueira – e foi então que o hobby virou trabalho. “No início, nenhuma marca me pagava. Elas me davam roupas, ou faziam parecer que o prestígio de fazer uma campanha com alguém tão importante era salário suficiente.”

Até que uma marca americana de relógios a chamou para um shooting e pediram seus documentos fiscais. “Eu perguntei: ‘por que vocês precisam saber isso?’ e eles responderam: ‘para pagar!’ Foi quando eu percebi que eu estava cedendo meu tempo, minha imagem, fazendo meu próprio styling e divulgando o resultado na minha plataforma. Só aí entendi o meu valor e importância da mulher se impor.” Deste evento em diante, Aimee sempre exigiu pagamento pelo seu trabalho e revela: “muitas marcas falaram ‘não’.”

Mesmo com a resistência do mercado no começo da carreira, ela enaltece a importância que o trabalho de blogueira ganhou ao longo dos anos: “Na adolescência, eu nunca tinha visto uma garota como eu nas revistas. Nem sabia que asiáticas podiam trabalhar com moda. Nós somos mulheres reais, trazemos diversidade para esse ramo.” E isso reflete nas suas seguidoras, Aimee se comunica muito com negras, hispânicas, asiáticas e latino-americanas. Hoje, o @songofstyle tem 5 milhões de seguidores.

Falando em mulheres, ela é enfática sobre a sororidade no mundo das influencers de moda. “Todo mundo se beneficia quando ajudam uns aos outros. Ninguém chegou onde está sem a forcinha de alguém lá atrás. Então sim, as meninas são legais e amigas de verdade. Se alguém não for, provavelmente é uma pessoa nova que ainda não se tocou que essa atitude de ‘mean girl’ não cola mais. Até porque, não é fácil! Eu passo apenas 65 dias do ano na minha casa, no restante estou fora à trabalho.” E, por isso, ela faz questão de não propagar a ideia de uma “vida perfeita”.

Tem vontade de embarcar nesse ramo? Vai fundo! Aimee garante que tem espaço para novos integrantes. “O mundo é tão grande e a todo momento surgem marcas diferentes querendo se comunicar com pessoas diferentes. Então, quanto mais representatividade, melhor.”

Curiosa para saber como chegar nesse patamar de sucesso? Aimee dá três dicas valiosas. Confira abaixo:

1. Saiba o seu próprio valor. “Para nós, mulheres, é muito fácil se intimidar e não se impor. Mas se você souber dizer o que seu trabalho significa e como certos resultados não seriam possíveis sem você, fica mais fácil de exigir os seus direitos, pois as pessoas saberão o seu valor.

2. Seja autêntica. “Tentar copiar alguém que está fazendo sucesso não dá certo. Eu passei anos tentando não parecer asiática e não adianta. Todo mundo está vendo quem eu sou. Abrace sua diversidade, é tão legal! O mercado precisa disso.”

3. Não fique obsessiva por ganhar seguidores. “Se você focar em fazer um trabalho que tem a sua cara, eventualmente você vai achar o seu grupo de pessoas.”

Altos níveis de estresse podem encolher o cérebro e afetar a memória

Estudo com pessoas de meia idade sugere atenção com a rotina
Por Ariane Alves

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. (Compassionate Eye Foundation/Paul Bradbury/OJO Images Ltd/Getty Images)

São Paulo – O cortisol, hormônio ligado ao estresse, pode ter seus níveis relacionados ao tamanho do cérebro e à diminuição das funções cognitivas. Isso significa que pessoas mais estressadas tendem a apresentar redução no volume do cérebro e perda de memória. É o que mostra um estudo publicado esta semana pela Academia Americana de Neurologia.

A equipe coletou dados cognitivos de 2.231 participantes entre 40 e 50 anos, que tiveram seus níveis de cortisol medidos pela manhã antes de comer. No geral, as pessoas com níveis mais elevados de cortisol foram associadas a uma pior estrutura e cognição do cérebro.

“O cortisol afeta muitas funções diferentes, por isso é importante investigar completamente como os altos níveis do hormônio podem afetar o cérebro”, disse em um comunicado Justin B. Echouffo-Tcheugui, professor da Escola de Medicina de Harvard e coautor do estudo. “Enquanto outros estudos examinaram o cortisol e a memória, acreditamos que o nosso é o primeiro a explorar, em pessoas de meia-idade, níveis de cortisol e volume cerebral em jejum, bem como habilidades de memória e pensamento”, afirma.

Vida moderna como “fator de risco”
A vida nas grandes cidades torna a ideia de uma rotina sem nenhum tipo de estresse praticamente impossível. O que os pesquisadores querem agora é mapear as causas e consequências das alterações provocadas pela rotina agitada. “Em nossa busca para entender o envelhecimento cognitivo, um dos fatores que atraem interesse e preocupação significativos é o crescente estresse da vida moderna”, acrescenta Sudha Seshadri, professora no Centro de Ciências da Saúde da Universidade do Texas e co-autora da pesquisa.

A equipe também investigou se os níveis mais altos de cortisol estavam ligados ao APOE4, fator de risco genético que tem sido associado a doenças cardiovasculares e ao mal de Alzheimer, mas não encontraram uma relação direta entre ambos.

Apesar da associação entre aumento dos níveis de cortisol e a perda de memória e diminuição do cérebro, não se pode afirmar que se trata de uma relação de causa. No entanto, a equipe observa que é importante acompanhar o nível de cortisol no organismo e buscar maneiras de estresse, como dormir o suficiente e fazer exercícios moderados.