Abriram uma banca de jornal de fake news em Nova York

Ativação foi criada pelo Columbia Journalism Review e conta com revistas dotadas de manchetes tiradas diretamente dos principais veículos de desinformação nos Estados Unidos
Por Pedro Strazza

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Newspapers are fake news in print ads for the Columbia Journalism Review | AdAge

A cidade de Nova York acordou hoje (30) com uma banca de jornal um pouco diferente em suas ruas. Na esquina da 42° com a Sexta Avenida, foi plantado uma banquinha que só vende fake news.

Isso mesmo que você leu: ao invés de veículos consagrados como a revista Time, o The Economist, o New York Times e o Wall Street Journal, o estabelecimento conta com publicações pouco conhecidas mas aparentemente valorizadas pelo público como o The Informationalist, o New York Paper e o The Hour. Todos com chamadas preocupantes para denúncias “graves”, como a compra de manifestantes para protestar contra o atual presidente norte-americano Donald Trump, a denúncia que as estrelas de Hollywood estão bebendo sangue de bebês em festas e até a venda do estado do Texas para o México.

CJR_InSituA pior parte, porém, é que todas estas notícias falsas não foram inventadas pelos veículos vendidos pela vendinha, mas foram tiradas da internet onde são vendidas como informações verdadeiras – e pior, são muito populares.

A banca de jornal, no caso, é uma ativação criada pela TBWA/Chiat/Day New York para impulsionar a campanha “Real Journalism Matters” do Columbia Journalism Review, uma ação publicitária do veículo implantada a tempo das eleições norte-americanas para governador deste ano e que a princípio vinha sendo veiculada com imagens impressas no jornal de pessoas lendo reportagens falsas em locais públicos (como a que você vê no cabeçalho desta notícia). Funcional até a próxima quinta-feira, a ativação não se limita apenas à distribuição dos veículos jornalísticos falsos, já que eles contam com guias práticos para as pessoas evitarem as fake news durante o período eleitoral.

De acordo com o CCO da agência, Chris Beresford-Hill, a ideia da “Fake News Stand” (que segundo ele não demorou muito a ser bolado, mas foi árduo de ser materializado) foi exatamente de ampliar a mensagem da campanha criada pelo jornal. “Porque é ano de eleição, não há tempo para se segurar. Nós estamos olhando para esta ativação como uma desenhada para ser ampliada através da cobertura” ele afirma ao Ad Age, dizendo também que a esperança é que a banca crie borburinho suficiente para reforçar o quão importante é a decisão de cada estadunidense nas próximas semanas. Vale lembrar, nos EUA o voto nas eleições não é obrigatório, o que gera um quadro de desinteresse pelo processo sempre preocupante aos governantes.

“Nós esperamos que este projeto de um dia sirva como um alerta para que todos nós sejamos mais conscientes e cuidadosos com as notícias e informações que vemos e compartilhamos” escreve o Columbia Journalism Review em um editoral publicado hoje em seu site oficial“Nossa meta é mostrar o custo que a falta de atenção, em termos do tipo de informação que consumimos, seu efeito no jornalismo real e até o seu potencial de violência”.

Confira abaixo fotos das publicações impressas para a ação:

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