“As cidades brasileiras não foram projetadas para a diversidade”, disse a arquiteta Joice Berth

As arquitetas Gabriela de Matos, Bárbara Oliveira, Stephanie Ribeiro e Joice Berth discutiram a divisão colonial dos espaços urbanos no Casa Vogue Experience 2018
Por Mariana Conte I Fotos: André Klotz

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As arquitetas Bárbara Oliveira, Gabriela de Matos, Joice Berth e Stephanie Ribeiro

“Dentro do meu país eu sou estrangeira. Eu não consigo caminhar nas ruas e me sentir bem, segura”, disse a arquiteta Bárbara Oliveira, no início da sua fala na palestra “As cidades brasileiras são feitas para negros?”, no segundo dia do Casa Vogue Experience 2018. E completou: “Além do racismo, a mulher negra sofre com o machismo. O assédio é acentuado pela hiper sexualização do corpo negro, como se ele fosse a carne mais barata, como diz Elza Soares”.

Junto com ela, estavam outras três arquitetas negras, Gabriela de Matos, Stephanie Ribeiro e Joice Berth, que conduziram a discussão e contaram sobre suas experiências e projetos. Bárbara e Gabriela, por exemplo, são responsáveis pela plataforma Arquitetas Negras, uma iniciativa que busca encontrar, catalogar, divulgar e potencializar o trabalho de mulheres negras na área da arquitetura e do design e agora estão com uma campanha para viabilizar a criação de uma revista.

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Bárbara Oliveira, Gabriela de Matos, Stephanie Ribeiro e Joice Berth (Foto: David Mazzo)

Para Joice, autora do livro “O que é empoderamento?”, a questão da colonização ainda está muito presente no desenho dos espaços urbanos. “As cidades não foram projetadas para a diversidade, para a pluralidade. Nosso espaço foi uma consequência da divisão colonial que já existia. A lógica casa grande/senzala foi reproduzida no desenho das cidades, onde há alta concentração de pessoas brancas num determinado lugar e negros em outro”, pontuou Joice.

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Palestra “As cidades brasileiras são feitas para negors?” (Foto: David Mazzo)

Na graduação, Stephanie discutiu a existência do quartinho de empregada e ficou impressionada com a dificuldade das pessoas em discutirem essa questão. “Ouvia de arquitetos formados que se o cliente pedia, eles tinham que fazer. Mas ninguém queria discutir o motivo da gente naturalizar a lógica do quartinho de empregada. São regras de uma estrutura racista e colonial”, disse. E ainda comparou: “Quando discutíamos a questão das favelas e das periferias era mais fácil, mas quando a discussão fala do próprio espaço, é muito incômodo, fere”.

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