iFood recebe aporte de US$ 500 mi e mira em crescimento global

Maior empresa de entrega de refeições no País, iFood aposta em pedidos por voz e em serviços para restaurantes
Por Mariana Lima – O Estado de S. Paulo

iFood, comprado em 2013 pela Movile de Fabrício Bliosi, vale mais de US$ 1 bilhão

Maior empresa de delivery de refeições no Brasil, o iFood anunciou nesta terça-feira, 13, que recebeu um aporte de US$ 500 milhões, a maior rodada de investimentos já alcançada por uma empresa de tecnologia da América Latina. O app revelou ainda que, desde março do ano passado, faz parte do seleto grupo de unicórnios do País – nome dado às startups avaliadas em mais de US$ 1 bilhão. 

A operação conta com a participação de três sócios do aplicativo: a Movile, empresa que controla o app, o fundo americano de tecnologia Naspers Ventures e a brasileira Innova Capital – mantido por Jorge Paulo Lemann. O valor pode ficar ainda maior, já que a empresa está aberta a propostas de outros investidores globais que sejam estratégicos para o crescimento da companhia. Até então, a maior rodada de investimentos da região tinha sido a do Nubank, de cartões de crédito, que recebeu em outubro US$ 180 milhões da chinesa Tencent

Para Felipe Matos, empreendedor e autor do livro 10 Mil Startups, o investimento é emblemático porque funciona como um símbolo do desenvolvimento do mercado brasileiro de startups. “O iFood é um unicórnio, que está dentro de outra empresa que também vale US$ 1 bilhão, e que está recebendo meio unicórnio de investimento. Isso, num País que até o fim do ano passado nunca tinha tido nenhuma startup digital chegando a essa cifra, diz muita coisa sobre o amadurecimento do setor.”

O montante será usado para ajudar a companhia, em 14 meses, a duplicar o número de cidades em que atua e a triplicar o total de restaurantes. Para isso, a companhia vai investir principalmente em tecnologias, como inteligência artificial, e na fusão e aquisição de novas empresas.

Fogão como rival. Hoje, a companhia comemora que gasta, em média, 35 minutos entre o momento em que uma refeição é escolhida no iFood e a entrega na casa do cliente. A média já é menor que o tempo de preparo de um jantar simples – salada verde de entrada e macarrão com molho branco –, mas a empresa quer melhorar a experiência dos usuários para que deixem de cozinhar. “Nosso maior concorrente é o fogão. Queremos convencer as pessoas a cozinharem menos e terem mais comodidade”, explica Carlos Moyses, presidente do iFood.

 Para ganhar fôlego e ter ideias, a startup brasileira tem buscado inspiração nos gigantes de tecnologia do Vale do Silício e da China, como Amazon, Facebook e Tencent.

Entre as inovações previstas para entrar no aplicativo, está a possibilidade de pedir uma refeição por voz. “A ideia é que após dizer ‘quero um frango com salada’ para seu celular ou dispositivo de voz, a pessoa receba a refeição na sua porta minutos depois. Nós teríamos todo o trabalho por trás depois do pedido”, explica Fabrício Bloisi, fundador da Movile e presidente do conselho do iFood

Outra aposta de crescimento é a criação de soluções para facilitar o dia-a-dia nos restaurantes. Hoje, a empresa já oferece o iFood Shop, uma plataforma que vende insumos para os estabelecimentos de acordo com a demanda de pedidos feitos no aplicativo. O serviço está disponível em São Paulo e Rio de Janeiro.

A startup também ajuda os restaurantes a administrarem os próprios pedidos, ao indicar as refeições que devem ser atendidas primeiro, os dias de maior demanda e os produtos mais vendidos. Para isso, o dono do estabelecimento precisa desembolsar um valor de licenciamento de R$ 100, mais uma taxa de comissão não revelada pela empresa.

“Hoje, existe toda uma cadeia de tarefas por trás de um pedido que não é atendida no mercado. Se tornarmos os restaurantes mais inteligentes nesse aspecto, temos certeza de que aumentaremos os pedidos no iFood”, diz Moyses, presidente do iFood.

Origem. Fundado em 2011 pelo empresário Felipe Fioravante, que comandou a empresa até o ano passado, o iFood foi comprado pela Movile em 2013, e cresceu por meio de uma estratégia agressiva de aquisições. Além do aplicativo de delivery de comida, a Movile (que nasceu no início dos anos 2000 como uma empresa de mensagem de texto criada por dois recém-formados da Universidade de Campinas, Maurício Bloisi e Fábio Póvoa) também é dona do aplicativo infantil PlayKids. 

Na época em que foi comprado, o iFood tinha 10 funcionários. Cinco anos depois, a startup tem mil colaboradores, metade do número total de funcionários do grupo Movile, que atualmente tem sete startups no portfólio. De um ano para cá, o aplicativo de comida cresceu 110% no Brasil, o que se significa um total de 100 milhões de pedidos por mês em 483 cidades do País, além de México e Colômbia. 

Futuro. A ambição da Movile é transformar o iFood em uma referência mundial no mercado de foodtechs, mas sem perder o foco na América Latina. “Somos uma empresa global, pensamos para além do Brasil e região, mas queremos nos manter como referência aqui”, diz Bloisi, da Movile, que tem como meta para o grupo transformar a Movile em uma empresa de 1 bilhão de usuários e US$ 10 bilhões em valor de mercado até 2020.

Para Matos a meta é audaciosa, mas possível. “Observando o quanto o iFood tem crescido, mantendo uma taxa constante desde que foi comprado, é muito possível da Movile chegar nesse valor de mercado em dois anos”, diz. “Precisamos lembrar que o iFood ainda não está presente em muitas cidades e em muitos restaurantes, há espaço para crescer tanto no Brasil como no mundo.”

Vinicius Machado, da consultoria de inovação Startora, acredita que a grande carteira de investimentos da Movile ajudará a atingir esse objetivo. “A Movile é peculiar porque tem várias startups de sucesso dentro do seu conjunto de negócios”, diz Machado. “Além do iFood e da PlayKids, a startup de venda de ingressos Sympla cresce cada dia mais. No ritmo que estão, a própria Movile vai lançar mais unicórnios no mercado em breve.” / COLABOROU BRUNO ROMANI

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