New Order | Um show para lustrar o brilho dos clássicos

Em apresentação realizada em São Paulo, ingleses mostram que são os reais guardiões de sua história musical

New Order ou Peter Hook, quem representa melhor esse universo sonoro tão marcante e importante dentro do contexto musical? Essa pergunta ganha possibilidade de resposta graças ao retorno do New Order ao Brasil, pouco mais de um mês após um de seus nomes mais conhecidos (Hook) ter se apresentado por aqui.

O New Order, em sua versão anos 2000, com Bernard Sumner (vocais, guitarra e sintetizadores), Phil Cunningham (guitarra, sintetizadores), Tom Chapman (baixo), Gilian Gilbert (guitarra e sintetizadores), e Stephen Morris (bateria, bateria eletrônica e sintetizadores), já sai na frente, afinal de contas que banda abre o show sem nenhum minuto de atraso?

E essa pontualidade, à medida que os primeiros minutos foram passando, se mostra como um indicativo de que eles entenderam como usar o tempo a favor de sua música, algo que vai ficando nítido com a criação de uma atmosfera dura, quase intransponível, de forma rápida e delicada. Esses detalhes funcionam tão bem que já na terceira música, é possível esquecer que você está em São Paulo e deixar que a música faça seu papel, mesmo que durante a primeira hora de som pareça que você está em um bailinho e que tudo pode ser resolvido com “dois pra lá, dois pra cá”.

Ledo engano. Mesmo com uma sonoridade marcada, com timbres que serão pra sempre vinculados ao trajeto do New Order, todo o clima está ali e é real. E dá pra perceber que a única coisa que os separa, hoje, de um show em um lugar médio e um estádio parece ser só o tempo. Na segunda hora da apresentação, o público parece outro. Mais animado. O espaço fica quente, mas no palco um rosto gera a indagação: Será que depois de tanto tempo na estrada fazer shows pode se transformar em algo protocolar? Sim e não. Gilian Gilbert, e sua não-reação ao todo, faz parecer que sim, mas com uma rápida busca no Google, a gente percebe que esse parece ser o humor dela quando está atrás do teclado. Então, tudo bem.

A temperatura sobe ainda mais com “Subculture” e as primeiras gotas de suor começam a escorrer no rosto da miríade de pessoas com idades e camisas de bandas diferentes (união que só grupos com status de clássicos consegue proporcionar). Logo em seguida surge “Bizarre Love Triangle”, que ao vivo soa ainda mais atemporal, uma música que pode fazer parte de qualquer set, já que não desaponta, parece uma criação fresca em todos os aspectos. E o melhor, ela não veio no final da apresentação.

Depois desse momento, e mais algumas faixas, as danças da audiência e as interações básicas entre banda e público acabam após uma hora e cinquenta de música, sem refresco. O bis baixa a temperatura e surge calmo com “Atmosphere” do Joy Division e se mantém nesse ponto com “Love Will Tear Us Apart” e a mensagem no telão “Pra Sempre Joy Division”. Combo perfeito para encerrar a noite de fãs e iniciantes.

No final das contas, colocando lado a lado as passagens recentes de um dos símbolos e rosto mais conhecido do New Order (Peter Hook) e o próprio New Order – mesmo que arte não se mensure -, a banda representa de forma mais intensa os elementos que criou durante toda sua caminhada. Os anos na estrada tiraram, talvez, a tenacidade de um show pegado, gritado, sentido, mas mantiveram a aura que criações como as deles precisam ter para permanecer na mente das pessoas. [Jacídio Junior]

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