Terapias naturais e novos recursos ajudam mulheres a viver a fase da perimenopausa

Produtos à base de soja e lasers e radiofrequências são indicados
Talita Duvanel

Gwyneth Paltrow, de 46 anos, está na perimenopausa

Sinto as mudanças hormonais acontecendo: o suor, (a falta de)ânimo, uma onda de fúria sem razão.” Esse depoimento veio de ninguém menos que a atriz Gwyneth Paltrow, de 46 anos, que usou as redes sociais, há algumas semanas, para expor um momento inerente à existência de toda mulher: a perimenopausa e a menopausa. Independentemente da conta bancária, da classe social ou da etnia, ser mulher é também passar por isso, em menor ou maior grau.

O primeiro a usar a palavra “menopausa” foi o médico francês Charles Pierre Louis De Gardanne, no livro “De La Menopause: Ou De L’Age Critique Des Femmes” (em português, “Menopausa: ou a idade crítica das mulheres”), publicado originalmente em 1821. Do ponto de vista linguístico, dizem os médicos, o termo está relacionado à última menstruação, mas acabou se popularizando como sinônimo de climatério.

— A partir dos 45 anos, algumas mulheres já começam a viver a perimenopausa, ou seja, já têm sintomas provenientes da diminuição progressiva da produção de estrogênio, principal hormônio secretado pelo ovário. Elas começam a sentir as ondas de calor e a insônia, mas ainda menstruam — explica Ricardo Meirelles, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM).

Esse é justamente o momento da vida de Gwyneth Paltrow: ela sente diariamente o aumento da temperatura corporal, que acarreta suor excessivo, a falta de disposição (muitas vezes causada pela insônia) e as alterações de humor. Há também quem perceba um crescente ressecamento da mucosa vaginal, que faz da relação sexual dolorosa e, por consequência, desinteressante.

A psicóloga R., de 50 anos, viveu as agruras da perimenopausa por cerca de três anos. Praticante de atividade física desde a adolescência, ela sentiu dificuldades em manter o ritmo de exercícios, sofreu com um suor descomunal e ainda descobriu ter osteoporose. O enfraquecimento dos ossos, aliás, é um dos sintomas da diminuição de estrogênio no corpo feminino, assim como o aparecimento de doenças cardiovasculares.

— O período da perimenopausa foi o pior. Sentia muito desânimo, não tinha vontade de fazer nada. Tenho amigas que não dormem à noite, estão deprimidas. É um momento caótico na vida da mulher. Eu sigo lutando, porque sei que o estado mental é muito importante nessa fase — diz R.

A ginecologista Flavia Tarabini, da clínica Dr. André Braz e professora da Faculdade de Medicina da UFRJ, vê com frequência no consultório a depressão como uma das consequências dessa mudança fisiológica.

— Essa é a hora em que a mulher percebe o envelhecimento, e na nossa sociedade, infelizmente, isso pode levar a quadros depressivos — diz Flavia.

A perimenopausa é a janela de tempo ideal para começar a pensar em terapia hormonal, antigamente chamada de reposição. A expressão caiu em desuso no meio médico porque a ideia não é deixar a paciente com níveis de estrogênio e progesterona iguais aos de 20 anos antes, mas usar uma quantidade que cesse os desconfortos e aumente a qualidade de vida.

— O objetivo é dar a mínima dose possível para tirar o quadro de sintomas — explica Flavia.

Ainda há, no entanto, vários mitos envolvendo a terapia. Um deles tem a ver com câncer de mama. Em décadas passadas, usava-se um tipo de estrogênio sintético que levou à observação de aumento da doença nas pacientes. Hoje, a medicação é mais parecida com os hormônios naturalmente produzidos pelo corpo, e o risco é praticamente inexistente. No caso de problemas no endométrio, eles só têm chance de aparecer se a terapia for feita sem associar a progesterona a estrógenos. Claro que mulheres com histórico de tumores não devem se submeter a esse tratamento, mas todas as outras podem conversar com os médicos sobre a qualidade de vida que possam vir a ganhar.

Pré-requisito para usar a medicação é estar disposta a sempre fazer exames de rotina, como ultrassonografias transvaginal e mamária, mamografia e análise das taxas <de gordura e de glicose no sangue.

Quem não pode ou não quer tomar remédios tem outro tipo de ajuda para minimizar os efeitos do climatério: as terapias naturais.

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