Ficar em pé no trabalho não equivale a fazer exercícios

Quando a questão é sedentarismo e saúde, o importante é o contexto
Aaron E. Carroll, The New York Times

Os benefícios da posição em pé em termos de saúde provavelmente estão sendo superestimados, mostram novas pesquisas. Foto: Kendrick Brinson para The New York Times

Sabemos que fazer uma atividade física é muito bom para a nossa saúde, enquanto o sedentarismo não é.  Alguns extrapolam o conceito acreditando que, em geral, deveríamos evitar permanecer sentados, mesmo no trabalho. Talvez em função disto, as mesas para trabalhar em pé viraram moda, e estão sendo aconselhadas por alguns profissionais de saúde.

No entanto, as pesquisas sugerem que o alarme por permanecermos sentados é exagerado, e que as mesas para se trabalhar em pé não contribuem muito para uma saúde melhor.

“Profissionais de saúde bem-intencionados e alguns fabricantes de móveis de escritório insistem que mesas que permitem trabalhar em pé são uma maneira de melhorar a saúde cardiovascular”, afirmou David Rempel, professor de medicina na Universidade da Califórnia, em San Francisco. “Entretanto, não há nenhuma evidência científica que respalde estas recomendações”.

E acrescentou: “Alternar a posição em pé e sentada usando um computador poderá ser útil para algumas pessoas com dores na extremidade inferior da coluna ou no pescoço”, mas elas não devem iludir-se de estarem fazendo exercício.

Diversos estudos constataram uma associação significativa entre permanecer sentados por um período prolongado ao longo de 24 horas e o aumento do risco de doenças cardiovasculares. Uma pesquisa de 2015, por exemplo, que acompanhou mais de 150 mil idosos por quase sete anos em média, constatou entre os que permaneciam sentados por pelo menos 12 horas por dia, uma mortalidade consideravelmente mais elevada do que entre os que sentavam por menos de cinco horas por dia.

Outro estudo de 2015, que acompanhou mais de 50 mil adultos por mais de três anos, também encontrou esta relação. Entretanto, mostrou o que importa é o contexto. Permanecer sentados por um tempo prolongado em determinadas situações, inclusive no trabalho, não apresentou este mesmo efeito.

O sedentarismo em si talvez não seja o problema, mas é possível que aponte para outros fatores de risco. 

Pessoas desempregadas ou mais pobres, que provavelmente apresentam uma taxa mais elevada de mortalidade, 

podem passar mais tempo sentadas em casa.

Uma análise sistemática publicada no “American Journal of Preventive Medicine” constatou que muitos estudos identificaram associações entre permanecer sentados no trabalho e uma saúde mais comprometida. 

Mas quando avaliaram estudos prospectivos – acompanhando grupos de pessoas ao longo do tempo – que poderiam confirmar melhor uma relação causal, notaram que não existem muitas evidências respaldando este fato.

Um estudo longitudinal de mais de 38 mil pessoas publicado pela revista “Occupational and Environmental Medicine” constatou que permanecer de pé ou andar mais de seis horas  por dia no trabalho implicava um aumento do dobro ou mesmo do triplo da necessidade de cirurgia das varizes, que estão relacionadas a um maior risco de doenças arteriais e a problemas cardíacos.

Vários países têm aconselhado as pessoas a permanecerem mais de pé do que sentadas no trabalho. Alguns chegaram a declarar que “o sedentarismo é o novo tabagismo”.

Mas permanecer de pé não é um exercício.

Muitas instituições de saúde recomendam que as pessoas façam breves pausas no trabalho a fim de andar um pouco. Substituir a posição sentada pela em pé não atende a estas recomendações e pode até fazer com que as pessoas pensem equivocadamente que estão se exercitando suficientemente.

As mesas para ficar de pé são boas para quem gosta delas. Ocorre que provavelmente a maioria das pessoas não necessita delas.

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