Penny Marshall era a domadora das estrelas de Hollywood

Diretora trabalhou com Tom Hanks, Madonna, Robert De Niro e grandes nomes do cinema

Penny Marshall como atriz na série Laverne & Shirley, que se tornou grande sucesso nos EUA – Divulgação

SÃO PAULO –“Quero Ser Grande”, estouro de bilheteria com Tom Hanks, em 1988, irá permanecer como o grande destaque na filmografia da diretora americana Penny Marshall, que morreu na segunda (17), aos 75 anos, de complicações decorrentes do diabetes.

Com esse filme e “Uma Equipe Muito Especial” (1992), ela passou a ser a primeira mulher a dirigir duas produções que ultrapassaram a bilheteria de US$ 100 milhões cada uma.

Mas a trajetória de Penny Marshall é mais significativa pelo conjunto da obra do que por trabalhos pontuais.

Nascida numa família enraizada no cinema e na TV, ela sempre encarou a carreira em Hollywood sem deslumbramento. Atuou em mais de 70 produções e dirigiu sete filmes para o cinema, além de episódios de séries, como se tudo fosse apenas um ganha-pão com alguma diversão.

“Sets de filmagem eram como uma lojinha da minha família, o lugar onde meu pai trabalhava, sem glamour”, disse em 1981. Seu pai, Tony Marshall, foi diretor e produtor. Sua mãe, Marjorie, era bailarina e coreógrafa que fez carreira dando aulas a atores.

Seu irmão, Garry Marshall, morto em 2016, foi o mais bem-sucedido da família, dirigindo campeões de bilheteria como “Uma Linda Mulher”, “Noiva em Fuga”, ambos com Julia Roberts, e “O Diário da Princesa”, que lançou Anne Hathaway. A irmã, Ronny Hallin, não vingou como atriz, fez apenas cinco filmes, mas se transformou em uma das diretoras de elenco mais atuantes em Hollywood.

Falar da família de Penny Marshall é pertinente porque foi essa intimidade precoce com os estúdios que, segundo ela, proporcionou tranquilidade ao lidar com estrelas tidas como como difíceis.

O melhor exemplo é “Tempo de Despertar” (1990), adaptação do best-seller de Oliver Sacks. Quando anunciaram Robert De Niro e Robin Williams nos principais papéis, o projeto passou a ser considerado tóxico em Hollywood.

No auge de suas carreiras, os dois colecionavam histórias de conflitos. Três diretores não aceitaram fazer “Tempo de Despertar”, que sobrou para Penny. De Niro e Williams saíram das gravações dizendo que tinha sido a experiência mais empolgante que viveram em um set.

Elogios explícitos à diretora, que domou as feras num longa que tinha tudo para ser complicado, propício para um duelo de egos entre os intérpretes de um médico (Williams) e seu paciente (De Niro).

Essa espécie de “simpatia produtiva” foi arma da diretora em vários projetos com estrelas. Em “Uma Equipe Muito Especial”, sobre um time de beisebol feminino, convenceu Madonna a abrir mão de muitos privilégios previstos em contrato para ser tratada de igual para igual com os outros atores.

Em “Um Anjo em Minha Vida” (1996), precisou de paciência para botar na linha uma histérica Whitney Houston e convencer Denzel Washington a não largar o filme diante do estrelismo da colega.

A fama de pessoa de fácil trato já acompanhava Penny desde os trabalhos de atriz. Com 30 anos, era uma veterana na TV, pulando de série em série como coadjuvante.

A coisa mudou em 1976, quando convenceu o irmão Garry a tentar sua escalação no programa que estava desenvolvendo. Penny e Cindy Williams foram escolhidas para “Laverne & Shirley”, uma série com lugar destacado na história da TV americana.

Exibida de 1976 a 1983, com 178 episódios, mostrava as aventuras de duas amigas solteironas nas décadas de 1950 e 1960. Foi uma feliz combinação de apelo nostálgico com onda feminista na TV, disparada por “Mary Tyler Moore”.

As duas atrizes se tornaram “namoradinhas da América”, as mais bem pagas da TV no início dos anos 1980. O seriado nunca emplacou no Brasil, onde só a primeira temporada foi exibida.

Consagrada como atriz e diretora, Penny Marshall trabalhava em ritmo lento desde seu último filme para o cinema, “Os Garotos da Minha Vida” (2001), com Drew Barrymore. O tratamento do diabetes permitiu apenas dois pequenos projetos na TV.

Aos 20 anos, ela teve uma filha, Tracy, do namoro com um jogador de futebol da universidade. Depois, foi casada com o diretor Rob Reiner, entre 1971 e 1981, e teve também uma relação com o cantor ArtGarfunkel (da dupla com Paul Simon). Penny deixa quatro netos, filhos de Tracy. [Thales de Menezes]

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