Jardins menos certinhos e mais surpreendentes são marcas de nova geração de paisagistas

Alguns nomes trocaram a indústria da moda pelo universo botânico
Simone Raitzik – O Globo

Ana Ceppas Vianna Foto: Ana Branco / Agência O Globo

Ana Ceppas Vianna é carioca, nasceu em uma casa com pé de manga no quintal e cresceu em uma cobertura vizinha à encosta do Cristo Redentor. Nos dois endereços, viveu cercada por jardins primorosos, criados e cuidados por sua mãe, a paisagista Elisa Ceppas. Desde cedo, aprendeu truques para fertilizar a terra de forma natural e percebeu, in loco , quais plantas se adaptavam melhor ao sol pleno ou à sombra. A jardinagem virou um hobby , que passou a preencher o tempo livre, especialmente depois que se formou em administração e foi trabalhar como estilista, na Richards.

— Quando tive a minha primeira filha, a Julia, hoje com 7 anos, comecei a rever a rotina intensa no trabalho. Foi ficando puxado, chegava exausta em casa. Como tinha acabado de me mudar para uma cobertura, fiz todo o paisagismo, de forma intuitiva. E a partir daí, resolvi estudar para valer, cursando design de interiores na Cândido Mendes e fazendo uma série de aulas no sítio do Burle Marx — conta Ana. — A cerca viva que montei, com chifre-de-veado, bromélias e orquídeas, envolvendo o meu terraço, faz o maior sucesso. É um cartão de visitas, assim como o projeto de paisagismo da casa que temos em Paraty, com lago e carpas. Um espaço lindo, recortado por caminhos desenhados com pedras irregulares e canteiros floridos.

Gabriela Heringer também trocou o mundo de estampas e figurinos pelo prazer de trabalhar com o universo botânico. Foi na época do seu casamento, há seis anos, que a estilista — que participou da equipe de marcas como Osklen, FYI e Maria Bonita Extra — resolveu mudar de vida. Quando produzia a decoração da cerimônia, em um sítio no meio do mato, viu que não havia no mercado arranjos com um visual mais solto, desconstruído, do jeito que imaginava para o contexto rústico da festa. Resolveu colocar a mão na massa e percebeu que levava jeito. Melhor: que sabia desenhar composições orgânicas com a mesma facilidade com que criava roupas e misturava estampas. Montou, em seguida, o Studio Lily, que participa de eventos como Carandaí 25 e Feira Hype com uma seleção de vasos prontos e bem coloridos.

A partir do ano que vem, Gabriela também vai ter pontos de venda fixos na loja do Rio etc. e na banca da cerveja Praya, na Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema.

Gabriela Heringer Foto: Ana Branco / Agência O Globo

— O mesmo olhar que tenho para moda acabou moldando o trabalho com plantas, em que crio arranjos com misturas pouco comuns. Na verdade, acho que o segredo é justamente não buscar a perfeição e entender que a natureza permite mil e uma combinações. O lance é esquecer as regras e soltar a mão — diz ela, que também desenvolve todas as cerâmicas de seus vasos. — Esse é um diferencial do Studio Lily, justamente os cachepôs pintados à mão, coloridos, de diferentes formatos. São superdecorativos e fazem o maior sucesso.

Quem também criou um estilo muito próprio de utilizar a natureza como matéria-prima foi a designer gráfica Maria Cristina Avellar, do Musgo Ateliê. Depois de trabalhar por um período como assistente no escritório de paisagismo de Anna Luiza Rothier, ela percebeu que levava jeito para lidar com plantas. Tinha facilidade em transformar um simples galho em um arranjo único, singular. Há dois anos, partiu para uma carreira solo e hoje pilota um gabinete botânico em um apartamento antiguinho no Horto. Ali experimenta texturas verdes e faz composições vivas com espécies que, muitas vezes, encontra em caminhadas ou caídas de árvores, no meio da rua. Atenta a cada detalhe — da embalagem ao visual das fotos do seu Instagram —, Maria recentemente participou de duas mostras de decoração, Casa Cor e Casa NaToca, desenvolvendo uma forração que está virando sua marca registrada: placas de musgo. Éexpert também em kokedama, técnica japonesa que fixa a raiz da planta em uma bola de terra, dispensando cachepôs e a deixando suspensa no espaço, como uma escultura.

— Sou “rata” do Cadeg e ali vou descobrindo fornecedores de plantas bem diferentes, exóticas, que testo nas minhas kokedamas e nos arranjos. Meu ateliê é um mundo de experimentações botânicas — conta ela, que sabe que descobriu, além de uma profissão, uma verdadeira terapia. — Trabalhar com natureza é uma delícia. Passo horas desenvolvendo novidades, faz um bem danado.

Maria Cristina Avellar, do Musgo Ateliê Foto: Ana Branco / Agência O Globo
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