Em ano de crise de reputação, Facebook ganha usuários e lucro bate recorde

Crise de imagem não afetou adesão geral à rede social, que cresceu 9%; receita aumentou 30%
Paula Soprana

Mark Zuckerberg, presidente-executivo do Facebook; apesar do lucro, ano foi um dos mais difíceis em termos reputacionais para a companhia

O Facebook bateu recorde de lucro para o trimestre e atingiu a marca de US$ 6,8 bilhões, acima dos US$ 4,27 bilhões do mesmo período do ano passado. Em balanço divulgado na noite desta quarta-feira (30), a companhia informa que sua receita cresceu 30%, de US$ 12,97 bilhões para US$ 16,91 bilhões, contabilizados nos últimos três meses de 2018.

Os casos envolvendo o uso abusivo de dados pessoais, a maior pressão regulatória e as evidências do uso da plataforma para desinformação em diferentes democracias não afetou a adesão geral à rede social —apesar de ela perder usuários nos Estados Unidos.

O número de usuários ativos chegou a 1,52 bilhão em dezembro de 2018, aumento de 9% no comparativo anual. A receita de publicidade móvel representou 93% dos ganhos em anúncios. 

O ano foi um dos mais difíceis para a empresa presidida por Mark Zuckerberg, que chegou a ser pressionado por investidores a abandonar o conselho da companhia diante de uma série de episódios ligados a violações de privacidade e falta de transparência. 

Em 2018, o executivo depôs no Congresso americano depois do incidente envolvendo a Cambridge Analytica, consultoria contratada pela campanha de Donald Trump que segmentou propaganda política na rede social a partir de dados não consentidos.

Em setembro, outubro e dezembro, a rede social reportou outros três casos de violações à proteção de dados pessoais, como vulnerabilidades de segurança ou exposição indevida de informações de mais de dezenas de milhões de contas.

Mesmo assim, a empresa mostra que ainda têm fôlego para captar público.

Enquanto a América do Norte e a Europa mantêm a base de usuários estável, a Ásia e o resto do mundo registram crescimento. Em um ano, o total de usuários ativos por dia passou de 499 milhões para 577 milhões na Ásia, e de 441 milhões no resto do mundo para 478 milhões. 

A maior receita por usuário, entretanto, ainda vem dos EUA e do Canadá, onde os ganhos médios por pessoa aumentaram em US$ 8,10, enquanto na Europa aumentou em US$ 2,12.

O relatório do Facebook ainda aponta para uma estimativa de 2,7 bilhões de usuários por mês nas três redes sociais da marca —Instagram, WhatsApp e Messenger.

Depois do relatório, as ações da empresa subiram mais de 11% no after market, negociadas da US$ 167,80. 

“É o fim do que foi um ano difícil e desafiador —mas realmente importante— para o Facebook”, disse Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook, em uma entrevista ao The Wall Street Journal.

A executiva ainda afirmou que o Facebook tem “muitas oportunidades” para aumentar a quantidade de dinheiro que ganha por usuário — tornando a segmentação de anúncios mais eficiente.

Ainda nesta quarta-feira, o Facebook enfrentou um novo problema depois que o site TechCrunch reportou que a empresa usava um aplicativo de pesquisa de rastreamento de iPhones para monitorar adolescentes a fim de aprender mais sobre seus hábitos na internet. O uso viola regras da App Store.

De acordo com a reportagem, o Facebook pagava US$ 20 por mês a participantes para que eles fizessem download de um programa de coleta massiva de dados.

A Apple baniu o Facebook do programa, que tem fins corporativos. “Criamos o nosso programa de desenvolvedores para empresas apenas para distribuição interna de apps dentro de uma organização”, disse em comunicado.

“Qualquer desenvolvedor que usa os seus certificados de empresa para distribuir apps para consumidores terá os seus certificados revogados”, acrescentou.

Com agências 

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