Pessoas com mais de 60 anos aprendem a jogar e programar games

‘International School of Game’ ensina idosos a jogar e a desenvolver videogames de graça a partir de março
Camila Tuchlinski – O Estado De S.Paulo

Todo semestre, o ISGAME oferece oficinas de programação gratuitamente para pessoas com mais de 60 anos. Foto: Divulgação/ISGAME

Até pouco tempo atrás, jogar videogame com os netos seria algo impensável para alguns idosos. Imagine aprender a programar? Com o aumento da expectativa de vida, as pessoas chegam à terceira idade com melhores condições de saúde física e intelectual. 

Por isso, a International School of Game (ISGAME) oferece gratuitamente, todo o semestre, cursos para maiores de 60 anos. As oficinas começam em março, em São Paulo, e as inscrições podem ser feitas por e-mail até o fim do mês. “Melhora na memória, concentração e qualidade de vida dessas pessoas. Além de percebermos isso durante o curso, conseguimos comprovar em nossa pesquisa com o apoio da FAPESP”, enfatiza Fábio Ota, fundador da ISGAME. A escola teve o projeto aprovado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, em 2017.

Programação melhora memória, concentração e qualidade de vida de idosos. Foto: Divulgação/ ISGAME

A metodologia da International School of Game proporciona o desenvolvimento do raciocínio lógico, criatividade, trabalho em equipe, planejamento e concentração.

O ensino de desenvolvimento de games para adultos com mais de 50 anos pode promover a função cognitiva, além da sociabilização e integração intergeracional através das dinâmicas das aulas presenciais.

Além das oficinas para idosos, a ISGAME oferece outros cursos de programação de videogames para maiores de 50 anos, jovens e crianças. Para mais informações, acesse o site.

Serviço 

Programação para maiores de 60:

Neste semestre, o curso gratuito para aprender a jogar videogame ocorrerá de sexta-feira das 16h às 17h.
Vagas: 12
Para este curso gratuito, favor enviar a solicitação com nome, CPF e data de nascimento para contato@isgame.com.br
Início previsto para março/2019.
Cursos de videogames para crianças, jovens e adultos 50+ (e idosos):
Desenvolvimento de videogame: Aprende a desenvolver um videogame em 2D para PC
Turmas de 8 a 12 anos, acima de 12 anos e acima de 50 anos.
Aprendendo a jogar videogame: Turmas acima de 50 anos
Aulas semanais com 1h30 de duração.

Barbie luta para sobreviver à era digital

Fabricantes buscam alternativas que mantenham brinquedos vivos entre crianças cada vez mais rodeadas de equipamentos eletrônicos
Caroline Arbour, The New York Times

A Mattel, empresa responsável pelas bonecas Barbie e outras linhas, viu sua receita cair muito conforme as crianças buscam cada vez mais as diversões eletrônicas. Foto: Haruka Sakaguchi para The New York Times

A Barbie está acostumada às mudanças de estilo. De apicultora a cirurgiã, passando por agricultora,  a boneca de 59 anos já fez quase tudo. Mas, agora, enfrenta um de seus maiores desafios: manter sua popularidade num mundo cheio de dispositivos reluzentes e interativos.

A fórmula tradicional, consistindo em uma boneca de beleza convencional com um guarda-roupa interminável e uma linha caleidoscópica de acessórios não é mais suficiente.

“Bonecas, figuras articuladas e carros em miniatura estão disputando a atenção das crianças, que passam horas por dia brincando com jogos eletrônicos em celulares, tablets, computadores e consoles”, escreveu Julie Creswell no Times.

A Mattel, empresa responsável pelas bonecas Barbie, American Girl e outras linhas, viu sua receita cair muito conforme as crianças buscam cada vez mais as diversões eletrônicas (ainda que a Barbie tenha se mantido estável).  

O mais novo presidente e diretor-executivo da empresa, Ynon Kreiz, é virtualmente inexperiente no ramo dos brinquedos. Mas ele tem um plano para atrair as crianças de hoje, expandindo as marcas da Mattel com novo conteúdo de mídia. A empresa deve produzir um filme com atores de verdade estrelando a atriz australiana Margot Robbie no papel de Barbie.

“A Mattel está fazendo algo que deveria ter feito dez anos atrás”, disse ao Times o analista Michael Swartz, do banco de investimentos SunTrust Robinson Humphrey.

Uma forte presença digital pode levar uma boneca longe. Basta ver o exemplo de Qai Qai e seus mais de 100 mil seguidores no Instagram. O nome é pronunciado como “kwey kwey”. Trata-se de um bebê de plástico que pertence a Olympia Ohanian, filha da estrela do tênis Serena Williams com o marido, Alexis Ohanian.

“Qai Qai assume várias formas (conhecidas)”, escreveu Caity Weaver no Times. “É uma boneca, uma usuária do Instagram, uma conta do Twitter, uma representação animada de uma boneca sobreposta a fotos digitais e um personagem imaginário semelhante a um Gremlin que prega peças fictícias atrapalhando as vidas de Olympia Ohanian e sua família”.

Embora seja difícil determinar qual foi exatamente a característica dela que atraiu os seguidores, eis um palpite: sua personalidade é engraçada. 

“Qai Qai é algo cada vez mais raro e valioso na sociedade moderna: um entretenimento descompromissado”, escreveu Caity.

Embora a adoção da tecnologia pareça ser uma etapa crucial para as bonecas de hoje, ainda há espaço de sobra para a nostalgia. Basta pensar no exemplo dos bonecos troll doll e seus cabelos coloridos, que evocam uma época mais simples para Jennifer Miller, também conhecida como pastora Jen, proprietária e curadora do Troll Museum (atualmente fechado), no Lower East Side de Nova York. O museu reabriu temporariamente dentro de um hotel de luxo, com “uma parede repleta de trolls de cabelo espetado e colorido, retratos psicodélicos de trolls e outros artigos obscuros ligados a esses bonecos”, escreveu Alex Vadukul no Times.

O fascínio da pastora Jen com essas bonecas começou quando ela ganhou seu primeiro troll na infância. 

“Acho que gostava do fato de estarem sempre felizes e sorrindo”, disse.

Ainda que a ressurreição tenha sido breve, a pastora Jen contou que o museu dos trolls “é um estado de espírito. E eu sempre estarei no museu”. 

Para ela, quem sabe investindo numa presença online os trolls possam retomar o mundo.

“A marca My Little Pony tinha perdido a relevância até mais ou menos 2009 ou 2010, quando começou a ser reinventada no nível dos brinquedos e da mídia”, disse Swartz. “Agora a marca movimenta US$ 1 bilhão por ano”.

Gisele Bündchen revela que mudanças de hábitos motivaram término com Leonardo DiCaprio

Modelo deixou cigarro, bebidas e excesso de trabalho

Gisele Bündchen

A modelo Gisele Bündchen, 38, revelou que mudanças em seus hábitos de vida e uma vontade de se tornar mais saudável e consciente resultaram, também, no término do seu relacionamento com o ator Leonardo DiCaprio, 44. Eles namoraram por cinco anos, de 2000 a 2005.

Em entrevista à revista Porter, Gisele Bündchen comentou uma passagem de seu livro, “Aprendizados: Minha Caminhada para uma Vida com Mais Significado”, em que afirma que parar de beber, de fumar e de trabalhar em excesso passou a deixá-la consciente de coisas que antes havia “escolhido não enxergar”.

“Será que eu estava sozinha ao querer procurar um significado maior para a minha vida enquanto ele [Leonardo DiCaprio, seu namorado na época da mudança] permanecia o mesmo? No final, infelizmente, a resposta foi sim”, disse a brasileira à publicação. 

No livro, Gisele Bündchen afirma que crises de pânico e pensamentos suicidas motivaram a mudança para uma vida mais saudável e tranquila —o que, na época, não foi acompanhado por Leonardo DiCaprio. 

Atualmente, a modelo, que se aposentou das passarelas em 2017, segue fazendo ensaios fotográficos e dedicando seu tempo a causas ambientais.

Mãe de dois filhos (Benjamin, 9, e Vivian, 7), Gisele Bündchen é casada com Tom Brady, 41, quarterback do Patriots —time de futebol americano que disputa neste domingo (3) o título da NFL na 53ª edição do Super Bowl.  

Unbreakable Kimmy Schmidt – 4ª Temporada

Com cada vez mais dificuldade para manter o otimismo, Kimmy Schmidt apresenta seus episódios finais

Qualquer desavisado que se disponha a assistir Unbreakable Kimmy Schmidt fora de seu contexto pode se deparar com peças soltas demais de um quebra-cabeça que é quase impossível montar. Comédias são, por definição, produtos de absorção imediata, mas a série da Netflix pode ser complicada de ser digerida em muitas instâncias: seu descolamento da realidade é severo para alguns gostos. Concebida por Tina Fey e Robert Carlock para ser uma alegoria constante, o programa ainda é como qualquer comédia que se baseia no ridículo, mas o faz com permissões absurdas, irreais, que inesperadamente compõem um cenário que muitas vezes choca por estar desconfortavelmente ligado à verdade.

Apesar de seu ritmo alucinado e das piadas que muitas vezes são tão extremas que não conseguem causar riso nenhum, existe uma trama muito triste por trás de tudo isso. Kimmy (Ellie Kemper) foi sequestrada por um reverendo tarado que manteve ela e outras mulheres num bunker por mais de quinze anos. Qualquer pessoa que tivesse passado por tamanha privação e por tantos traumas de ordem sexual e psicológica, sairia da experiência com vontade de culpar o mundo por todo esse desespero. Kimmy, no entanto, ainda sorri, ainda quer sorver a vida, ainda tem um espírito otimista e – como diz o título – inquebrável. Essa sempre foi a grande sacada da série, a grande ideia que fez com que a produção fosse tão aclamada. Seria, então, cômica a ideia do otimismo como centro motor da vida de alguém? Ainda que esse alguém tivesse sido tão vilipendiado?

Os criadores brincam com a ideia dentro da própria gênese do seriado: é claro que a resposta seria não e exatamente por isso que o mundo de Kimmy é sempre tão tomado de realidades distorcidas. Ela vive a experiência pós-bunker intensamente, cercada de gente tão delusional quanto ela, mas por mais que os episódios sejam escritos dentro dessa membrana tão categórica de surrealismo, o objetivo é fazer vazar vislumbres de realidade bruta entre uma piada maluca e outra. A protagonista segue sua trilha de otimismo absoluto, no meio de toda aquela insanidade, mas vão ficando pelo caminho pitadas de provocação sócio-política-cultural que são tão mordazes quanto em qualquer comédia mais “séria”. Durante todos esses quatro anos a história central de Kimmy parecia não ser o ponto mais importante, mas quando chegamos a sua última temporada, percebemos que sua origem e seu presente formam uma parte essencial do legado que a série quer deixar após partir.

Unbreakable
Desde o primeiro minuto em que saiu do bunker, tudo que Kimmy quis foi descobrir como se ajustar no mundo que ela não viu evoluir. Para isso, ela tenta tudo: um monte de trabalhos e praticamente uma epifania por capítulo. No curso desses quatro anos, não é incomum ver Ellie Kemper dando o melhor de sua expressão “eureka” a cada vez que Kimmy tinha uma grande ideia sobre como salvar um amigo ou procurar uma nova possibilidade. Na quarta temporada, então, a missão dos criadores é tentar fazer a personagem encontrar essa linha de chegada, essa paixão que a movesse pelos caminhos certos, dando-lhe a sensação de ajuste que faltava e conseguindo com isso, também, reajustar a vida dos amigos.

É bom ver que o plot do livro que Kimmy escreve não é abandonado, porque faz muito sentido que, em seu modo otimista de ver o mundo, houvesse espaço para cobrir de lúdico suas experiências. Mais uma vez ela faz de tudo para fantasiar com sua dura realidade, o que é coerente com a personagem e também justo e poético. Ainda que essa seja uma série louca (com uma das melhores musiquinhas de abertura da história) e que em nada se leva a sério, na hora de encerrar a trajetória, era preciso pensar em quais seriam os caminhos minimamente coesos para cada um deles – sobretudo para Kimmy.

Na primeira parte da temporada (que foi dividida em duas), o que o quarto ano apresenta é um cenário de opressão para a pobre Kimmy, que se vê desacreditada e perseguida. Do seu jeito, a série aproveita o ensejo das denúncias de abuso e assédio; e prepara uma trama que mostra a posição vitimizada de Kimmy sendo colocada em dúvida, e toda e qualquer piada com as declarações machistas tanto de celebridades quanto de um senso-comum-anônimo são agudas, certeiras, afiadas. Até mesmo o genial episódio especial que satiriza documentários como Making a Murderer tem um objetivo: mostrar como as vítimas sempre são culpadas e os criminosos viram estrelas de TV ou recebem centenas de cartas românticas enquanto estão na prisão. A série ataca todos os lados, não fica faltando nenhum.

Já na segunda parte eles precisam arrumar a casa para as despedidas inevitáveis. Como sempre, Lilian (Carol Kane) e Jacqueline (Jane Krakowski) tem plots mais quebradiços, embora ainda sejam maravilhosas. Os roteiros precisaram mesmo resolver a vida de Titus (Titus Burgess), um personagem que se tornou tão grande quanto a própria Kimmy, o que se refletiu na maneira como os dois praticamente conduzem todas as reviravoltas finais. Essa segunda parte dos episódios brinca de “como seria se Kimmy não tivesse sido sequestrada”, reaviva os sonhos de Titus de estrelar O Rei Leão e coloca Kimmy diante da encruzilhada derradeira: encontrar sua paixão, continuar tirando algo de bom de tudo que ela passou de ruim. De certa forma, os roteiros oferecem para a personagem uma perspectiva conformada e gentil: “Eu preciso acreditar que tudo que vivi precisava acontecer para que eu tivesse chegado até aqui. Esse era o destino. Preciso acreditar nisso, ou ficaria maluca“.

Então, toda a loucura dá lugar a uma certa “doce tristeza”, quando fica claro que as coisas estão se arrumando para chegar ao fim. Participações especiais, personagens antigos reaparecendo, cenas emocionais quebrando o senso de ironia constante dos roteiros. Unbreakable Kimmy Schmidt passa por um último ano tão cheio de coisas ruins para satirizar que, em muitos momentos, tudo parecia mesmo “quebrável”. A sensação de “cansaço” que a série provoca ocasionalmente talvez também seja resultado de todos esses ponderamentos. Quando Kimmy recorre à arte para lidar derradeiramente com sua tragédia, os criadores estão nos dando a resposta final: existem algumas maneiras de enfrentar as mazelas do mundo e aqui está a mais louca e mais contagiante. Todos temos muito a aprender com Kimmy, por mais incrível que isso pareça. [Henrique Haddefinir]

Carol Trentini posa de maiô na praia e brinca: “Bom dia, bundinha”

A modelo publicou a foto no Instagram neste sábado (02.02)

Carol Trentini (Foto: Reprodução/Instagram)

Carol Trentini está aproveitando o sábado de sol na praia e fez um registro no Instagram. No clique, a top posa de maiô e brinca na legenda: “Bom dia, bundinha. #manhãdeverão”. 

Rapidamente, a modelo rcebeu muitos elogios dos fãs. “Mais hot que a temperatura ambiente!”, disse um. “Eu fico de cara com a sua beleza. Cada vez mais linda!”, escreveu outro. “Tu é demais”, comentou um terceiro. 

Nasce Uma Estrela | Lady Gaga e Bradley Cooper se apresentarão no Oscar 2019

Dupla cantará “Shallow”, canção indicada do longa

Lady Gaga e Bradley Cooper

Academia de Cinema confirmou que Lady Gaga Bradley Cooper se apresentarão no Oscar 2019. A dupla cantará “Shallow“. música de Nasce Uma Estrela indicada na categoria Melhor Canção Original.

Anteriormente, era esperado que Gaga se apresentasse na cerimônia de entrega de prêmios, mas a confirmação oficial só veio agora. A cantora também teve voz na escolha das apresentações: a Academia queria apenas que “Shallow” e “All the Stars“, de Pantera Negra, fossem tocadas ao vivo por serem as mais populares, mas Gaga se colocou contra a decisão de deixar as demais concorrentes de lado e ameaçou cancelar sua apresentação. Agora, todas as indicadas devem ser apresentadas ao vivo.

A cerimônia de entrega do Oscar 2019 acontece em 24 de fevereiro nos Estados Unidos.

10 influencers europeias para você seguir no Insta (e roubar várias ideias de look)

Prepare para dar follow nessas mulheres estilosíssimas!

Lizzy van der Ligt (Foto: Reprodução Instagram)

Ano novo, feed novo! Bora dar uma atualizada no Insta? As europeias estão mais perto de onde rola o burburinho da moda e são superrápidas na hora de se jogar nas tendências. Selecionamos perfis de mulheres antenadíssimas – e de estilos bem próprios – para você se inspirar nos looks.

1. @nicole_huisman, da Holanda, faz um retrô supercool

Nicole Huisman (Foto: Reprodução Instagram)

2. A francesa chiquíssima @jeannedamas dá um charme moderno ao clássico. Très chic!

Jeanne Damas (Foto: Reprodução Instagram)

3. Da Grécia, a @styleheroine não tem medo de ousar e escolhe acessórios statement das grifes para dar aquele tchan no look! A tiara, por exemplo, é Prada

Evangelie Smyrnitoaki (Foto: Reprodução Instagram)

4. Diretamente de Londres, a @shotfromthestreet faz vibes Victoria Beckham. Bem britânica. Fina!

Lizzy Hadfield (Foto: Reprodução Instagram)

5. A dinamarquesa @emilisindlev é um ponto fora da curva do estilo escandinavo: muita cor e diversão no style dessa it girl

Emili Sindlev (Foto: Reprodução Instagram)

6. O gosto por alfaiataria da portuguesa @deborabrosa é ótimo para garimpar ideias de office looks.

Débora Rosa (Foto: Reprodução Instagram)

7. Amsterdã é berço de cool fashionistas! @lizzyvdligt é expert em fazer mix de estampas e hi-los nada óbvios.

Lizzy Van der Ligt (Foto: Reprodução Instagram)

8. Sabe aquele básico chique sem esforço? A alemã @mvb faz a gente repensar todas as peças “sem graça” do armário.

Marie von Behrens (Foto: Reprodução Instagram)

9. Geração Z style! A atriz @zoepastelle, da Suíça, esbanja looks xóvens com muita atitude! E esse cabelão? Queremos!

Zoe Pastelle (Foto: Reprodução Instagram)

10. Solar! Só de olhar o feed da @belenhostalet já dá pra sentir a vibe catalã. De Barcelona, o insta da influencer é cheio de ideias de looks para o verão. Ps: Babando no bronze dessa gata.

Belen Hostalet (Foto: Reprodução Instagram)

Estilo tecnológico e descontraído de startups inspira projetos residenciais

Renan Marra
SÃO PAULO

O empresário Brunno Galvão, 34, em seu apartamento em Jacarepaguá, no Rio

Os apartamentos estão cada vez mais parecidos com escritórios de startups. Fachadas espelhadas, ambientes integrados e tecnológicos, com decoração descontraída, típicos dessas empresas inovadoras, ganham espaço em projetos residenciais.

Por fora, o edifício Selfie, em Belo Horizonte, parece um prédio comercial moderno: blocos horizontais se encaixam em um maior, na vertical.

“Isso dá uma ideia de conectividade, comum ao modelo de negócio das startups”, afirma o arquiteto Cadu Rocha, da Dávila Arquitetura, que projetou o prédio.

Área comum do edifício Selfie, em Belo Horizonte

Por dentro, a inspiração continua no pé-direito alto e no contraste de formas geométricas e cores. No hall de entrada, uma parede de cobogós parece mudar de cor por meio de luz indireta. Os tons vão do amarelo ao azul.

O empreendimento, entregue em 2018 pela construtora Caparaó, fica na Savassi, bairro nobre de Belo Horizonte (MG), vizinho da região conhecida como San Pedro Valley, que concentra cerca de 300 startups. O nome é uma alusão ao Vale do Silício, na Califórnia (EUA).

O condomínio mineiro também oferece locação de bicicletas e outros serviços que podem ser solicitados por um aplicativo. Os apartamentos custam de R$ 500 mil a R$ 1,3 milhão e têm áreas de 44 a 82 metros quadrados. Todas as unidades foram vendidas antes da entrega do prédio.

Em São Paulo, o coliving Projeto Kasa 99, na Vila Olímpia (zona sul da capital), atrai jovens em início de carreira e busca estimular a interação social para ampliar o networking dos moradores, de acordo com Cecília Maia, diretora da incorporadora Gamaro, responsável pelo projeto.

A decoração acompanha essa ideia. A sala multifuncional tem sofás e pufes. Nos imóveis, a mobília da cozinha é em tons de laranja e amarelo. O Kasa tem unidades com tamanho entre 23 e 44 metros quadrados e áreas comuns grandes, com espaços de coworking.

No hall do edifício Selfie, em Belo Horizonte, uma parede atrás de cobogós parece mudar de cor por meio de luz indireta; os tons vão do amarelo ao azul

A popularização de projetos residenciais como o Selfie e o Kasa está associada à disseminação das startups no Brasil. Em 2012, havia 2.519 empresas cadastradas na Associação Brasileira de Startups. Hoje, são 10.239.

O público que puxa a tendência é de jovens adultos (com idades entre 25 e 40 anos) sem filhos, como o empresário Brunno Galvão, 34, que já esteve à frente de cinco startups. Workaholic, trabalha de 14 a 16 horas por dia. Para manter o ritmo, fez do apartamento, em Jacarepaguá (zona oeste do Rio de Janeiro), uma extensão do escritório.

Projeto de decoração para apartamentp no edifício Selfie, em Belo Horizonte

A sala ganhou parede em tom alaranjado e porta vermelha. O quarto tem partes roxas, cor que ele diz estimular sua criatividade.

Galvão também espalhou pelos ambientes bonecos de personagens em tamanho real, como Homem-Aranha e Kratos, do game “God of War”. “O que faço é divertido, é difícil distinguir quando é trabalho e quando é lazer”, diz.

De acordo com Priscilla Bencke, especialista em neurociência aplicada à arquitetura da Qualidade Corporativa, o estilo startup pode deixar o ambiente menos relaxante.

Brunno Galvão, 34, em seu apartamento em Jacarepaguá, no Rio

Cores quentes como o laranja e o vermelho geram estímulos de forma inconsciente. “Às vezes a pessoa não consegue descansar e não entende o motivo”, afirma.

A especialista diz que elementos que remetem à natureza trazem conforto. Quem quiser espaços aconchegantes deve investir em tons esverdeados, terrosos ou bege. “É preciso aproveitar a luz natural, que produz no cérebro humano substâncias que dão sensação de prazer.”

O empresário Brunno Galvão já teve cinco startups e imita esses ambientes na arquitetura do seu apartamento
O emprendedor Brunno Galvão, do Rio de Janeiro, se inspira em startups para decorar seu apartamento

Estilo de vida ‘workaholic’ pode ser prejudicial?

A cultura de veneração do trabalho gera debates sobre exploração, eficiência e ambições profissionais
Erin Griffith, The New York Times

Passar o tempo livre com algo que não esteja relacionado ao trabalho é considerado um motivo para sentir-se culpado Foto: Taylor Callery The New York Times

Nos sites da WeWork, em Nova York, algumas inscrições em almofadas imploram que você “faça aquilo de que gosta”. Letreiros em néon pedem: “Lute mais”. E murais espalham a boa nova: “Graças a Deus é segunda”. Até os pepinos nos seus recipientes refrigerados têm um programa. “Não pare quando está cansado”, alguém gravou recentemente nos legumes flutuantes. “Pare quando tiver terminado”.

Bem-vindo à cultura da atividade frenética, da obsessão pelo esforço incessantemente positivo, desprovido de humor e inescapável. Rise and Grind (algo como “levante e vá à luta”) é o tema de uma campanha da Nike e o título de um livro. Novas startups como a Hustle, que produz um conhecido boletim para empresas e séries de conferências, e a One37pm, uma companhia de conteúdo criada pelo santo patrono da agitação, Gary Vaynerchuk, glorificam a ambição não como meio para um fim, mas como estilo de vida.

“O atual status do empreendedorismo é maior do que uma carreira”, diz a página do site About Us” da One37pm. “É ambição, coragem e luta. É uma atuação viva que ilumina a sua criatividade… uma sessão de treino que faz circular as suas endorfinas”. Não só uma pessoa nunca para de trabalhar, ela nunca abandona uma espécie de fascínio pelo trabalho, em que o propósito principal de treinar ou de assistir a um concerto é buscar a inspiração que leva o indivíduo de volta à luta. Na nova cultura do trabalho, suportar ou simplesmente gostar do próprio emprego não basta. Os trabalhadores devem amar o que fazem, e depois promover aquele amor nas redes sociais, fundindo assim a própria identidade à dos empregadores.

Este é o glamour da labuta, e está se tornando o princípio corrente. Da maneira mais visível, WeWork – que oferece espaços de trabalho compartilhados para startups de tecnologia, e que recentemente foi avaliada pelos investidores em 47 bilhões de dólares – exportou sua marca de workaholismo performático para 27 países, com 400 mil inquilinos, incluindo os trabalhadores de 30% das 500 da Fortune Global.

Em janeiro, o fundador da WeWork, Adam Neumann, anunciou que a sua startup passaria a chamar-se We Company, a fim de refletir sua expansão no setor de imóveis residenciais e na educação. Descrevendo a mudança, a revista de negócios Fast Company afirmou que “em vez de apenas alugar mesas, a companhia visa abranger todos os aspectos da vida das pessoas, tanto no mundo físico quanto no digital”.

Imaginamos que o cliente ideal seja alguém tão apaixonado pela estética do escritório da WeWork que dorme em um apartamento WeLive, malha em uma academia Rise da We, e manda as crianças em uma escola WeGrow.

Uma iniciativa sinistra e exploradora

Há os que acreditam que o trabalho duro não significa necessariamente trabalhadores felizes. David Heinemeier Hansson, cofundador da empresa de software Basecamp e autor do livro It Doesn’t Have to Be Crazy at Work, disse que “a grande maioria das pessoas que insistem na mania do esforço nada tem a ver com as que fazem concretamente o trabalho. São os gerentes, financistas e proprietários”.

Heinemeier Hansson afirmou que, embora os dados mostrem que longas horas de trabalho não melhoram nem a produtividade nem a criatividade, os mitos sobre o excesso de trabalho persistem porque justificam a riqueza criada para a elite de tecnólogos. “É uma coisa sinistra e abusiva”, acrescentou.

Elon Musk, que deverá garantir uma compensação em ações superior a US$ 50 bilhões se sua companhia, a Tesla, atingir os patamares certos de desempenho, é um exemplo da glorificação do trabalho de muitos que o beneficiarão em primeiro lugar. Ele tuitou em novembro que há lugares mais fáceis para se trabalhar do que a Tesla. “Por outro lado, ninguém jamais mudou o mundo trabalhando 40 horas semanais”. O número correto de horas “varia de uma pessoa para outra”, mas é de cerca de “80, podendo chegar ao pico de 100”.

É possível que a indústria tecnológica tenha adotado esta cultua quando empresas como a Google começaram a alimentar, agradar e bancar consultas médicas para seus funcionários. As regalias visavam ajudar as companhias a atrair o melhores talentos e a manter os funcionários o maior tempo possível sentados em suas mesas de trabalho.

Talvez todos nós tenhamos, até certo ponto, fome de significado. A participação em uma religião organizada está diminuindo, principalmente entre os integrantes da geração americana do milênio. Em San Francisco, o conceito de produtividade assumiu uma dimensão quase espiritual.

Os tecnólogos interiorizaram a  ideia – arraigada na ética protestante – de que o trabalho não é algo que as pessoas fazem para conseguir o que querem; o trabalho em si é tudo. Portanto, tudo o que torna a vida mais agradável ou as regalias de uma empresa que otimiza seu dia a fim de adequá-lo a mais trabalho ainda é intrinsecamente boa.

Aidan Harper, que criou uma campanha europeia chamada 4 Day Week, afirma que esta é uma coisa desumana e perversa. “Ela cria o pressuposto de que só valemos enquanto seres humanos pela capacidade de produzir – pela capacidade de trabalhar, e não pela nossa humanidade”, afirmou. Segundo Harper, é uma espécie de culto para convencer os trabalhadores a aceitarem a exploração com a mensagem de que mudarão o mundo. “Ela cria a ideia de que Elon Musk é nossos grande sacerdote”.

Desperdiçar tempo em tudo o que não esteja relacionado ao trabalho tornou-se uma razão para sentir-se culpado. Jonathan Crawford, um empreendedor de San Francisco, disse que sacrificou seus relacionamentos pessoais e engordou cerca de 20 quilos enquanto trabalhava na Storenvy, sua startup de comércio eletrônico. Se ele conseguia socializar-se, era em algum evento de rede. Se lia, era um livro relacionado a negócios.

Crawford mudou o seu estilo de vida depois de se dar conta de que isso acabara com sua vida. Agora, ele aconselha seus colegas fundadores a procurarem atividades diferentes ou a lerem ficção, a verem filmes ou a se dedicarem a algum jogo. Bernie Klinder, um consultor de tecnologia, disse que tentou limitar-se a 11 horas diárias de trabalho cinco dias por semana. No entanto, ele é realista a respeito desta corrida destrutiva. “Procuro lembrar de que, se eu cair morto amanhã, todos os meus prêmios em acrílico pelo meu desempenho irão para o lixo no dia seguinte”, escreveu, “e a minha vaga estará no jornal antes mesmo do meu obituário”.

As armadilhas do excesso de atividade

O fim lógico da atividade excessiva é o esgotamento. É o tema de um ensaio viral de Anne Helen Petersen, crítica de cultura do site BuzzFeed, que trata de uma das incongruências da mania de trabalhar dos jovens. Ou seja: se os jovens millenials fossem supostamente preguiçosos, como poderiam também estar obcecados por seus empregos?

Os millenials, de acordo com Anne, só lutam desesperadamente para realizar suas grandes expectativas. Uma geração foi criada para esperar que boas notas e super-realizações extracurriculares os premiariam com empregos maravilhosos que lhes permitiriam cultivar suas paixões. Ao contrário, eles acabaram com um trabalho precário, sem sentido e com a dívida da universidade. Portanto, posar de rise and grinder começa a fazer sentido como mecanismo de defesa.

A maioria dos empregos – até os melhores empregos – está repleta de trabalho duro e inútil. A maioria das corporações acaba nos decepcionando de algum modo. E no entanto, muitas companhias ainda promovem as virtudes do trabalho com mensagens de fundo filosófico. A Spotify, que nos permite ouvir música, diz que sua missão é “revelar o potencial da criatividade humana”.

David Spence, professor da Escola de Administração de Empresas da Universidade de Leeds, na Grã-Bretanha, diz que esta postura das companhias, de economistas e políticos data pelo menos do surgimento do mercantilismo na Europa, no século 16. “Os empregadores se esforçam constantemente para venerar o trabalho com o fim de distrair de seus aspectos nada atraentes”, ele disse, mas esta propaganda pode ser contraproducente. Na Inglaterra do século 17, o trabalho era venerado como cura do vício, segundo Spencer, entretanto a verdade não compensadora simplesmente levava os trabalhadores a beber mais. Um cálculo equivocado?

As companhias de internet talvez tenham errado em seus cálculos ao encorajar seus funcionários a equilibrarem o trabalho com seu valor intrínseco enquanto seres humanos. Depois de uma longa era comprazendo-se com uma avaliação positiva, a indústria tecnológica agora experimenta uma reação negativa com temas que vão desde um comportamento monopólico à difusão da desinformação e à incitação à violência racial. Enquanto isso, os trabalhadores estão descobrindo o poder que eles têm. 

Em novembro, cerca de 20 mil funcionários do Google participaram de um protesto de rua contra assédio sexual na companhia. Os funcionários de outras empresas  anularam um contrato de inteligência artificial com o Departamento da Defesa dos Estados Unidos que poderia fazer com que drones militares  se tornassem mais letais.

Heinemeier Hansson mencionou os protestos dos funcionários como uma evidência de que os trabalhadores millenials poderiam revoltar-se contra a cultura do excesso de trabalho. “As pessoas não vão defender esse tipo de coisa ou comprar a propaganda segundo a qual a eterna felicidade está em monitorar as próprias pausas para ir à toalete”, disse. 

Ele se referia a uma entrevista que a ex-diretora executiva da Yahoo, Marissa Mayer, deu em 2016, em que afirmou que trabalhar 130 horas por semana era possível, “desde que o funcionário estabeleça uma estratégia para controlar seu sono, o uso do chuveiro e a frequência com que vai ao banheiro”.

Enfim, os trabalhadores precisam decidir seu grau de devoção. Os comentários de Marissa Mayer foram amplamente divulgados, mas desde então alguns compartilharam ansiosamente as próprias estratégias imitando seu cronograma. Do mesmo modo, os tuítes de Musk foram muito criticados, mas também geraram seguidores e pedidos de emprego. A triste realidade de 2019 é que pedir emprego a um bilionário via Twitter não é considerado algo embaraçoso, mas um expediente perfeitamente plausível para sobreviver.