Gaia Repossi – Vogue Austrália Fevereiro 2019 By Bibi Cornejo-Borthwick

Vogue Austrália Fevereiro 2019
Title: Suit Strong
Model: Gaia Repossi
Photographer: Bibi Cornejo-Borthwick
Stylist: Christine Centenara
Hair: Pawel Solis
Makeup: Karim Rahman
Manicure: Alex Falba

Angelina Jolie faz visita de três dias a campos de refugiados rohingyas em Bangladesh

Assentamento é o maior do mundo e abriga 1 milhão de muçulmanos

Angelina Jolie vista campos de refugiados – AFP

A atriz Angelina Jolie visitou nesta segunda-feira (4) o maior assentamento de refugiados do mundo, que abriga cerca de 1 milhão de muçulmanos rohingya, em uma tentativa de colocar a luta deles de volta nas manchetes antes da Organização das Nações Unidas (ONU) fazer um apelo por US$ 920 milhões de financiamento.

Mais de 730 mil rohingyas fugiram de Mianmar, país majoritariamente budista, 18 meses atrás, após uma onda de repressão militar descrita como um tipo de “limpeza étnica” por investigadores da ONU, e estão morando em campos de refugiados em Bangladesh sem sinal de que irão se mudar.

Um porta-voz do alto comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) disse que Angelina Jolie, uma enviada especial da agência, passará três dias visitando os campos para “avaliar” as necessidades dos rohingyas e os desafios que Bangladesh enfrenta para recebê-los.1 88

Angelina, 43, também irá se encontrar com a primeira-ministra de Bangladesh, Sheikh Hasina, que tem sido elogiada internacionalmente por se comprometer a não repatriar nenhum rohingya involuntariamente, e com o ministro de Relações Exteriores do país, AK Abdul Momen.

O porta-voz do Acnur disse que as falas de Angelina irão se centrar “na necessidade de soluções seguras e sustentáveis para a luta de uma das minorias mais perseguidas, os rohingyas”.

Segundo o porta-voz, a visita acontece antes do lançamento de um novo apelo que busca arrecadar US$ 920 milhões para continuar a atender às necessidades básicas dos rohingyas. No ano passado, as agências da ONU solicitaram US$ 950,8 milhões para a situação dos rohingyas. REUTERS

Dona do Google tem lucro e receita acima do esperado, mas gastos preocupam

Empresa fechou o ano passado com receita de US$ 136,8 bilhões; aumento de custos de marketing e de servidores reduziu expectativa de investidores
Por Victor Rezende – O Estado de S. Paulo

Sundar Pichai é o presidente do Google

A Alphabet, controladora do Google, registrou lucro líquido de US$ 8,948 bilhões no quarto trimestre de 2018, revertendo prejuízo de US$ 3,020 bilhões, ou US$ 4,35 por ação, registrado no mesmo período do ano anterior. O resultado veio bastante acima do esperado por analistas consultados pela FactSet, que esperavam lucro de US$ 10,86 por ação.

A receita, por sua vez, registrou crescimento de 22% entre outubro e dezembro do ano passado na comparação com o mesmo período de 2017, ao passar de US$ 32,323 bilhões para US$ 39,276 bilhões. O resultado também superou as estimativas de analistas ouvidos pela FactSet, que apontavam receita a US$ 38,9 bilhões. Considerando todo o ano de 2018, a Alphabet registrou receita de US$ 136,8 bilhões, um aumento de 23% na comparação com o ano anterior.

Custos. Os custos totais de aquisição de tráfego do Google, que são taxas pagas a sites parceiros que veiculam anúncios ou serviços do Google, somaram US$ 7,436 bilhões entre outubro e dezembro, representando 23% do total de receitas de publicidade da empresa. O resultado ficou aquém do esperado pela FactSet, cujos analistas estimavam que os custos ficassem em US$ 7,63 bilhões. No quarto trimestre de 2017, os custos totais foram de US$ 6,450 bilhões, o equivalente a 24% do total de receitas de publicidade do Google.

Já o custo agregado por clique, medida que revela quanto os anunciantes pagam pelo clique dos usuários nos links, mostrou recuo de 29% no quarto trimestre de 2018 em relação ao mesmo período de 2017. Na comparação com o período entre julho e setembro do ano passado, houve queda de 9% do indicador. O volume de cliques pagos, por sua vez, apresentou salto de 66% ante o quarto trimestre de 2017, enquanto houve alta de 22% na comparação com o terceiro trimestre do ano passado.

A decepção dos investidores com os custos totais de aquisição de tráfego do Google penalizaram as ações da Alphabet. Nos negócios do after hours em Nova York, os papéis da companhia até chegaram a subir após terem apresentado alta de 2,04% no pregão regular, contudo, às 19h23 (de Brasília), as ações da companhia caíam 2,47%, a US$ 1.113,19.

Burger King coloca Andy Warhol para comer um Whopper no Super Bowl

A marca usou o milionário intervalo do Super Bowl para usar o famoso vídeo de 1982 onde o artista pop devora o seu sanduíche
Por Guilherme Dearo

Comercial do Burger King: marca usa antigo vídeo com Andy Warhol comendo um Whopper (Burger King/Divulgação)

São Paulo – Quando um vídeo aleatório já faz as vezes de comercial para uma marca, divulgando de maneira positiva e espontânea seu produto, ela tem muito a comemorar – e economizar. Quando o vídeo é extremamente popular e ainda conta com o “aval” de uma grande celebridade, então é motivo para estourar a champanhe.

Quase todo mundo deve ter visto ao menos uma vez o vídeo onde o famoso artista pop Andy Warhol senta à frente de uma câmera e come um hambúrguer. Abre a embalagem, põe ketchup e saboreia o lanche com calma. Só isso. Um ato prosaico filmado em 1982 pelo sueco Jorgen Leth e que faz parte do documentário “66 Scenes in America”.

O que talvez pouca gente se lembra é que o hambúrguer é bem específico: é um Whopper, do Burger King, como as embalagens que aparecem deixam claro. Nada de Big Mac ou sanduíche genérico.

Ontem (3), durante o intervalo comercial do Super Bowl (a final da liga de futebol americano nos EUA), um dos segmentos comerciais mais caros da televisão, o Burger King resolveu investir e trouxe uma campanha inédita. Foi a primeira vez em 12 anos que a marca preparou um comercial para o Super Bowl e para os seus mais de cem milhões de espectadores.

A questão é que a marca não teve de fazer nada. O trabalho já estava pronto: eles usaram o vídeo silencioso de Warhol se fartando com o lanche. A única tarefa da marca foi adicionar a hashtag #EatLikeAndy (“Coma como Andy”) ao final do vídeo, além do logo da empresa.

Marcelo Pascoa, diretor de marketing global da marca, disse: “O que amamos em Andy é o que ele representa. É um ícone da Pop Art que simboliza a democratização da arte, assim como o Whopper: para todos. Este comercial é um convite para todos comerem como Andy”.

A marca quis subverter a ideia do intervalo comercial do Super Bowl, geralmente tomado de super produções cheias de barulho e efeitos visuais. Dessa vez, um vídeo antigo e sem grandes reviravoltas.

Muita gente achou que o vídeo não era o original e que a marca tinha usado um ator imitando Warhol, mas era a gravação de 1982 sim. A criação foi da agência David de Miami. Agência e marca tiveram aval da The Andy Warhol Foundation para usar as imagens. Warhol morreu em 1987.

No fim, o comercial acrescenta uma nova camada irônica ao vídeo, que reflete sobre o consumismo americano, ao transformá-lo de fato em uma campanha de marketing. O próprio trabalho artístico de Warhol rompia as fronteiras do que era arte e do que era consumo/capitalismo e falava sobre a cultura de consumo e a massificação das imagens.

A campanha chamou a atenção, mas não ficou entre as mais citadas pelos consumidores nas redes sociais. Segundo dados da Socialbakers, as marcas campeãs de interações com consumidores no Facebook foram Budweiser, Stella Artois e Bumble (o Burger King não aparece entre os nove primeiros). No Twitter, as campeãs de engajamento foram Pepsi, Devour Foods e Microsoft (novamente, o Burger King não apareceu entre os nove primeiros).

O investimento das marcas precisa ser pensado: trinta segundos no intervalo do Super Bowl custa 4,5 milhões de dólares. E o retorno nem sempre vem. Segundo um estudo recente da consultoria americana Brand Keys, apenas metade das marcas que anunciam durante o jogo vão ver algum retorno concreto: o consumidor engajado que vai consumir o produto ou serviço em questão.

O comercial do Burger King que foi ao ar tem 45 segundo e traz uma versão resumida do vídeo original com Warhol:

A marca também preparou a versão “sem cortes”:

O vídeo original de Warhol, em 1982:

Cinema joga luz em escritor negro e gay James Baldwin que marchou pelos direitos civis

Indicado ao Oscar, ‘Se a Rua Beale Falasse’ recupera legado de James Baldwin
Guilherme Genestreti

O escritor James Baldwin em retrato feito em 1964 – Jean-Régis Roustan /Roger-Viollet

SÃO PAULO – A rua Beale não dá as caras no romance “Se a Rua Beale Falasse”, de James Baldwin, nem no filme inspirado nele, de Barry Jenkins. O local de Memphis que é indissociável da cultura do blues paira além de qualquer delimitação geográfica. Está lá como uma espécie de via crucis, atemporal e simbólica, da experiência do que é ser negro na América. A obra de Baldwin está embebida da cadência do blues —ora melancólica, ora efusiva, encapsula as chagas do racismo cotidiano e também a sua pulsão de resistência. 

Graças ao documentário “Eu Não Sou Seu Negro”, do ano retrasado e ao drama de Jenkins, que estreia nesta quinta (7), o cinema tem ajudado a recuperar o legado do escritor nova-iorquino. Morto em 1987, ele foi a voz na literatura do grito da luta racial. 

Nos Estados Unidos pós-Black Lives Matter e no Brasil pós-cotas universitárias, seus escritos encontram acolhida especial. Enquanto o longa “Se a Rua Beale Falasse” larga com três indicações ao Oscar, o romance de 1974 que o originou desponta entre “Terra Estranha” e “O Quarto de Giovanni”, livros do autor que estão sendo relançados por aqui.

“Com pegada literária, ele trazia temas que só depois seriam trabalhados nas ciências sociais”, afirma o sociólogo Márcio Macedo, que assina o posfácio da nova edição de “Se a Rua Beale Falasse”. “Ao desconstruir a noção de identidade, Baldwin foi um pós-modernista ‘avant la lettre’.”

Macedo se refere à forma como o escritor americano tornou ainda mais complexo o debate sobre o lugar do negro ao inserir elementos subjetivos como gênero, classe e sexualidade —hoje indissociáveis do debate racial. “Ele foi na contramão do ‘essencialismo’, de pensar essas questões no lugar-comum do preto e branco”, diz o sociólogo. 

Nascido em 1924, no Harlem, o bairro negro de simbolismo mítico em Manhattan, Baldwin foi pastor mirim, travou contato com a boemia da costa leste e excursionou pelos direitos civis quando os movimentos por eles pipocaram no fim dos anos 1950.

Homossexual, viu-se numa posição sui generis em meio ao contexto das marchas de Martin Luther King e acabou atraindo críticas virulentas de Malcolm X. Próximo de Nina Simone, o escritor é que teria despertado na cantora o engajamento político e ajudado a persuadir Robert Kennedy a apoiar o movimento.

A produção do autor, contudo, não se resume a denunciar as mazelas. Sua proximidade com o pintor Beauford Delaney lapidou um estilo literário rico, cheio de descrições sofisticadas e que era tributário das artes plásticas. 

O romance “Se a Rua Beale Falasse” reúne esses atributos e embala o que Macedo descreve como “epopeia afro-americana”. Nele, Baldwin tece o a trajetória negra nos Estados Unidos até o começo dos anos 1970.
Com o assassinato, na década anterior, de Martin Luther King e Malcom X, suas duas principais lideranças, o movimento dos direitos civis se encontrava numa berlinda. 

O escritor inclui na obra reflexões sobre os horizontes que se desdobravam então, como a radicalização, materializada na luta dos Panteras Negras, e sobre o papel social das prisões, cada vez mais atulhadas de negros, conforme frisava a ativista Angela Davis.

É a cadeia a grande agrura da trama. Tish e Fonny são jovens namorados que se conheceram ainda pequenos no Harlem. Ao se mudar para o Village, área de maioria branca em plena ebulição da contracultura, o rapaz acaba sendo incriminado por um policial racista, que o acusa do estupro de uma imigrante latina.

Tish, a narradora, está grávida. Por meio das observações da moça sobre o entorno —os abismos da cidade, o papel da religião na comunidade, a rotina das famílias negras—, o escritor trata da desigualdade que perdura mesmo após o fim da a segregação racial. 

É natural que um romances desses tenha chegado às mãos do cineasta Barry Jenkins. Seus filmes anteriores, como o vencedor do Oscar “Moonlight”, mostram preocupação em apreender as várias camadas da vivência dos descendentes de africanos nos EUA.

No longa premiado, ele desconstrói estereótipos da masculinidade, valendo-se do signo do “gangsta”, o estilo que flerta com a marginalidade, embutido em um traficante homossexual criado num bairro depauperado de Miami. 

É um esforço que marca a produção de diretores negros surgidos nas últimas décadas, como Dee Rees (“Pariah”, “Mudbound”) e Rashaad Ernesto Green (“Gun Hill Road”), e que, não por acaso, foram alunos de Spike Lee na Universidade de Nova York. 

No filme de Jenkins, KiKi Layne e Stephan James interpretam o casal central da trama. Regina King, indicada ao Oscar de atriz coadjuvante pelo papel, faz a mãe de Tish, Sharon, a sogra que assume a função de provar a inocência  de Fonny enquanto a mãe dele sucumbe à religiosidade. 

Após interpretar Tish, Layne foi escalada para “Native Son”, recém-exibido em Sundance, outro longa inspirado na obra de conhecido escritor negro, Richard Wright. A história, que fala sobre um rapaz que comete assassinato após ser acossado pelo racismo estrutural, produziu impacto em James Baldwin. 

Seu livro de ensaios mais famoso, “Notes on a Native Son”, que em breve será publicado no Brasil, faz referência ao romance de Wright, que o autor  chamava de “estereotipado”.

Para “Se a Rua Beale Falasse”, Barry Jenkins trocou o hiper-saturado das ruas banhadas pelo sol da Flórida de “Moonlight” por um registro outonal de Manhattan e suas casas de tijolo, as “brownstones” imortalizadas nas fotografias de Roy DeCarava, apelidado de Cartier-Bresson do Harlem.

Com o bairro cada vez menos negro, fruto da gentrificação que modificou o horizonte da cidade, o diretor disse ter penado para achar rastros da Nova York de Baldwin. Ficou restrito a algumas ruas.

Pouco restava daquilo que ele tinha lido nas páginas do livro: os bares de esquina em que as balconistas eram galanteadas, as janelas de onde as mães gritavam pelos filhos e as barbearias onde as garrafas passavam de mão em mão.

Se a Rua Beale Falasse
James Baldwin. Trad.: Jorio Dauster. Ed. Companhia das Letras. R$ 49,90 (224 págs.)

Whoopi Goldberg, Daniel Craig e Jennifer Lopez estão entre os apresentadores do Oscar 2019

As estrelas são alguns dos nomes que irão apresentar categorias e segmentos na premiação

Whoopi Goldberg no tapete vermelho do Oscar de 2018.  Foto: Mario Anzuoni/Reuters

A organização do Oscar 2019 revelou nesta segunda-feira, 4, a primeira lista de apresentadores das categorias e segmentos da premiação deste ano. Nomes como Whoopi Goldberg, Daniel Craig e Jennifer Lopez estão entre os convocados. 

A lista de apresentadores conta ainda com Awkwafina, Chris Evans, Tina Fey, Brie Larson, Amy Poehler, Maya Rudolph, Amandla Stenberg, Charlize Theron, Tessa Thompson e Constance Wu. Novos nomes devem ser anunciados em breve, assim como a confirmação das cinco apresentações musicais para as cinco músicas indicadas ao prêmio de canção original deste ano.

Os apresentadores anunciados são apenas para as categorias e momentos especiais da noite. Ficou definido que não haverá, este ano, um apresentador principal para a cerimônia. O comediante Kevin Hart, escolhido para a função, desistiu do cargo depois de encarar a repercussão negativa para seus tweets antigos com conteúdo homofóbico, que ressurgiram na internet. 

Em seu anúncio nesta segunda-feira, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, que realiza o Oscar, revelou também que o maestro Gustavo Dudamel e a Orquestra Filarmônica de Los Angeles serão os responsáveis pela música da seção ‘In Memoriam’, que relembra os principais nomes da indústria cinematográfica que morreram no último ano. 

Este ano, os filmes Roma, de Alfonso Cuarón, e A Favorita, de Yorgos Lanthimos, lideram as indicações, com 10 para cada um. Além de concorrer ao maior prêmio da noite, Roma, em cartaz na Netflix, compete também para ser o melhor filme em língua estrangeira. 

Demi Lovato recebe ofensas após postar meme sobre nacionalidade do rapper 21 Savage

‘Vá injetar um pouco mais de heroína em você’, provocou um internauta, em referência ao vício da cantora em drogas

Cantora Demi Lovato

Demi Lovato causou polêmica no Twitter após compartilhar um meme do rapper 21 Savage no domingo, 3, sobre a nacionalidade do cantor.

Ele é britânico e a imagem mostrava um lorde inglês escrevendo com uma pena branca. Em cima da foto estava escrito que “é assim que o 21 Savage escreve os seus versos”, em referência ao seu país de origem.

A brincadeira repercutiu negativamente e Demi Lovato recebeu críticas e ofensas em seu perfil da rede social. Isso porque os fãs do rapper associaram a publicação ao fato dele ter sido preso pela Agência de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos, por exceder o seu visto, e estar correndo o risco de ser deportado.

“Ela é uma usuária de crack”, escreveu um internauta. “Vá injetar um pouco mais de heroína em você, Demi”, provocou outro.

A artista, então, excluiu sua conta no Twitter e resolveu desabafar nos stories do Instagram. “Não estava rindo de ninguém sendo deportado. O meme que eu postei estava falando sobre ele escrever com uma caneta de pena. Desculpe-me se eu ofendi alguém, mas isso não é motivo para rir do vício de alguém”, afirmou.

Karen Elson: supermodelo, cantora, compositora e ativista

Dona de uma sólida carreira de mais de 20 anos na moda, a supermodelo Karen Elson, a cover-girl da Vogue Brasil, também canta, compõe e defende causas humanitárias
Por GISELA GUEIROS

Sete vidas (Foto: Jeff Henrikson)

“Levo uma vida muito simples. Deixo meus filhos na escola, depois vou caminhar no campo com uma amiga, monto a cavalo… sou uma verdadeira nerd!”, confessa Karen Elson, enquanto conversamos sobre sua rotina em Nashville, capital do Tennessee, nos Estados Unidos, onde vive há 12 anos. Quem a ouve falar assim talvez tenha dificuldade de visualizar sua outra, ou melhor, suas outras, várias vidas: é supermodelo, cantora, compositora e ativista.

Descoberta em sua Manchester natal pela agente Debra Burns, dona da Boss Models, a cover-girl e estrela do editorial Fantasia, tinha 16 anos quando começou a carreira de modelo. Com seus cabelos alaranjados e pele de porcelana, logo aos 18 estourou mundialmente, depois de raspar as sobrancelhas e estrelar pela primeira vez na capa da Vogue Itália, sob as lentes do lendário fotógrafo americano Steven Meisel. Depois disso, apareceu na capa da revista mais de 40 vezes, incluindo Vogue Japão, México, Alemanha e, agora, a brasileira. Trabalhou com todos os grandes fotógrafos de moda que você puder imaginar: de Nick Knight a Tim Walker e Ellen Von Unwerth, só para citar alguns. Fez campanhas para Chanel, Balenciaga, Yves Saint Laurent, Louis Vuitton, Christian Dior, e por aí vai. Nem quando engravidou, Karen deixou as passarelas – chegou a desfilar grávida para Marc Jacobs, em 2006, enquanto esperava sua filha Scarlett, hoje com 12 anos. De lá para cá, Karen segue firme e forte na estrada da moda, tanto que fechou o desfile de verão da Dolce & Gabbana em setembro passado e foi uma das estrelas da campanha da collab de Vivienne Westwood para a Burberry lançada em dezembro.

Capas da Vogue Itália (dezembro de 2004), Vogue Paris (setembro de 1997), Vogue Tailândia (março de 2015) (Foto: Divulgação)

Com a mesma desenvoltura que cativou a seara fashion, a inglesa conquistou seu espaço na música – paixão que nutre desde os 13 anos, quando começou a tocar violão. Nessa época, passou a escutar PJ Harvey, Nick Cave e Velvet Underground, que “marcaram um momento crucial na minha formação”. Seu début nos palcos veio em 2004, quando fundou a Citizens Band, banda de forte influência vaudeville, com quem canta covers de Neil Young e Marlene Dietrich. Mas o microfone não foi o suficiente para saciar sua sede musical. Depois de conhecer Jack White (líder do White Stripes, com quem ficou casada de 2005 a 2013 e teve seus dois filhos, Scarlett e Henry, de 11 anos), começou a compor secretamente, sem deixar que o (então) marido visse o que ela estava fazendo. “Me escondia dele e criava minhas músicas trancada no banheiro”, relembra. Tamanha discrição resultou em The Ghost Who Walks(2010), seu primeiro álbum solo. O segundo, Double Roses, veio em 2017, e a top avisa que tem mais um a caminho. “Amo fazer música e tenho de me esforçar para criar tempo livre para compor. Essa é uma das minhas resoluções para 2019”, reflete

Além dos palcos, das passarelas e da maternidade, o ativismo também ocupa um bom espaço em sua agenda. Depois de virar mãe, começou a se sensibilizar muito “ao ver a realidade precária em que vivem tantas crianças, sem acesso a vacinação e hospitais”, conta. Em 2014, assumiu o posto de embaixadora da ONG Save The Children, para quem gravou um documentário em Serra Leoa com sua irmã gêmea, a cineasta Kate Elson, sobre a situação das crianças naquele país – Ending Newborn Deaths: Karen Elson in Sierra Leone está disponível no YouTube. “É algo que faço com muito amor. Nossa alma também precisa doar. Minhas causas não podem ser apenas a moda e a música.”

Vogue Itália (fevereiro de 1997), Vogue Ucrânia (setembro de 2014) e Vogue Japão (fevereiro de 2011) (Foto: Divulgação)

Preocupada com a falta de diversidade na mídia, a britânica também faz questão de se pronunciar em suas redes sociais sobre o tema. “Sinto que as coisas estão começando a mudar, mas ainda há muito o que fazer”, observa. “Corpos de todos os tipos e tamanhos, modelos de todas as idades e raças, mulheres trans e com deficiência física, somos bonitas do jeito que somos. Beleza não se trata necessariamente de uma menina pré-adolescente vestida para parecer que tem 30 anos”, desabafa. Falando em idade, a capricorniana, nascida no dia 14 de janeiro, acaba de completar seus 40 anos e recebeu a nova idade de braços abertos: “Pode vir que eu estou pronta!”, garante, animada. “Não quero parar nunca.Vou me manter ocupada.” Sorte nossa!

Integração entre Facebook, WhatsApp e Instagram preocupa reguladores europeus

Possível erosão dos mecanismos de privacidade dos apps, obstáculos para realizar auditorias externas e processamento de metadados geram apreensão

Reguladores europeus estão preocupados com a ideia de Zuckerberg de juntar seus três serviços 

A ideia de Mark Zuckerberg de integrar seus três principais serviços, Facebook, WhatsApp e Instagram, está causando preocupações relacionadas à privacidade em reguladores europeus. No dia 25 de janeiro, uma reportagem do New York Times revelou que a companhia está trabalhando para unificar a infraestrutura dos três serviços – a mudança poderia permitir, por exemplo, que um usuário do WhatsApp enviasse mensagens a um contato do Instagram.  A Comissão Irlandesa de Proteção de Dados (IDPC, na sigla em inglês), agência que regula diretamente o Facebook no continente, postou um comunicado em seu site no qual exige um relatório urgente sobre os planos da companhia. 

“Propostas anteriores de compartilhamento de dados entre as companhias do Facebook fizeram surgir preocupações significantes em relação à proteção de dados e o IDPC está buscando garantias de que essas preocupações serão consideradas pelo Facebook ao desenvolver essa proposta”, diz o texto. 

Entre os motivos de apreensão estão a possível erosão dos mecanismos de privacidade dos apps, principalmente do WhatsApp, o aumento de obstáculos para realizar auditorias externas sobre o tratamento de dados e o processamento de metadados gerados pelos serviços. Metadados são informações geradas em atividades online que não identificam diretamente os usuários. Porém, dependendo de como são processados, podem revelar a identidade de seus donos. Nesse caso, a lei europeia de proteção de dados considera que essas informações são privadas, e que merecem proteção.   

Em 2018, os fundadores do Instagram, Kevin Systrom and Mike Krieger, deixaram a empresa por considerar que o Facebook estava reduzindo a independência do serviço. Brian Acton e Jan Koum, fundadores do WhatsApp, também saíram do Facebook por considerar que a rede social pressionava para reduzir a privacidade do app com objetivos comerciais. Em uma entrevista à Forbes, Acton disse que o Facebook o instruiu a dizer para reguladores europeus em 2014, na época da aquisição da empresa, que unificar os dados dos usuários das duas plataformas seria muito difícil de realizar.   

Na Europa, o Facebook já foi ameaçado de sanções ou foi punido na Alemanha, no Reuno Unido e na França em casos relacionados a transferências de dados entre seus diferentes serviços. Isso inclui uma multa de US$ 122 milhões por ter fornecido informações falsas ou enganosas durante o processo de aquisição do WhatsApp.  

O Facebook não comentou o comunicado da IDCP. Ao New York Times, a empresa se manifestou sobre a integração. Disse que pretende “construir as melhores experiências de mensagens possíveis, com comunicação rápida, simples, confiável e privada.” “Estamos trabalhando em fazer todos nossos serviços criptografados e considerando jeitos para que seja mais fácil encontrar amigos e familiares pela rede”, completou. 

 Marcando posição. Ao unir a infraestrutura dos seus aplicativos, Zuckerberg planeja aumentar a utilidade de sua rede social, mantendo bilhões de pessoas em seu ecossistema. A ideia é de que quanto maior integração entre os aplicativos da empresa, menos pessoas usarão os rivais da companhia para se comunicarem – como os serviços de Apple e Google. Além disso, com maior interação pelos aplicativos do Facebook, a empresa também pode aumentar sua receita com publicidade, bem como adicionar novas fontes de faturamento aos apps. 

Outra utilidade da integração seria a de reforçar o papel do Facebook como uma ferramenta de comunicação global – hoje, o WhatsApp é popular na América do Sul e na Índia, mas se vê preterido pelo WeChat, na China, e até mesmo por mensagens SMS nos Estados Unidos. Além disso, as mudanças fornecem à Zuckerberg uma chance maior de fazer dinheiro com o Instagram e o WhatsApp. Hoje, os aplicativos geram pouca receita, apesar de terem, respectivamente, 1 bilhão e 1,5 bilhão de usuários mensalmente ativos.