Karen Elson: supermodelo, cantora, compositora e ativista

Dona de uma sólida carreira de mais de 20 anos na moda, a supermodelo Karen Elson, a cover-girl da Vogue Brasil, também canta, compõe e defende causas humanitárias
Por GISELA GUEIROS

Sete vidas (Foto: Jeff Henrikson)

“Levo uma vida muito simples. Deixo meus filhos na escola, depois vou caminhar no campo com uma amiga, monto a cavalo… sou uma verdadeira nerd!”, confessa Karen Elson, enquanto conversamos sobre sua rotina em Nashville, capital do Tennessee, nos Estados Unidos, onde vive há 12 anos. Quem a ouve falar assim talvez tenha dificuldade de visualizar sua outra, ou melhor, suas outras, várias vidas: é supermodelo, cantora, compositora e ativista.

Descoberta em sua Manchester natal pela agente Debra Burns, dona da Boss Models, a cover-girl e estrela do editorial Fantasia, tinha 16 anos quando começou a carreira de modelo. Com seus cabelos alaranjados e pele de porcelana, logo aos 18 estourou mundialmente, depois de raspar as sobrancelhas e estrelar pela primeira vez na capa da Vogue Itália, sob as lentes do lendário fotógrafo americano Steven Meisel. Depois disso, apareceu na capa da revista mais de 40 vezes, incluindo Vogue Japão, México, Alemanha e, agora, a brasileira. Trabalhou com todos os grandes fotógrafos de moda que você puder imaginar: de Nick Knight a Tim Walker e Ellen Von Unwerth, só para citar alguns. Fez campanhas para Chanel, Balenciaga, Yves Saint Laurent, Louis Vuitton, Christian Dior, e por aí vai. Nem quando engravidou, Karen deixou as passarelas – chegou a desfilar grávida para Marc Jacobs, em 2006, enquanto esperava sua filha Scarlett, hoje com 12 anos. De lá para cá, Karen segue firme e forte na estrada da moda, tanto que fechou o desfile de verão da Dolce & Gabbana em setembro passado e foi uma das estrelas da campanha da collab de Vivienne Westwood para a Burberry lançada em dezembro.

Capas da Vogue Itália (dezembro de 2004), Vogue Paris (setembro de 1997), Vogue Tailândia (março de 2015) (Foto: Divulgação)

Com a mesma desenvoltura que cativou a seara fashion, a inglesa conquistou seu espaço na música – paixão que nutre desde os 13 anos, quando começou a tocar violão. Nessa época, passou a escutar PJ Harvey, Nick Cave e Velvet Underground, que “marcaram um momento crucial na minha formação”. Seu début nos palcos veio em 2004, quando fundou a Citizens Band, banda de forte influência vaudeville, com quem canta covers de Neil Young e Marlene Dietrich. Mas o microfone não foi o suficiente para saciar sua sede musical. Depois de conhecer Jack White (líder do White Stripes, com quem ficou casada de 2005 a 2013 e teve seus dois filhos, Scarlett e Henry, de 11 anos), começou a compor secretamente, sem deixar que o (então) marido visse o que ela estava fazendo. “Me escondia dele e criava minhas músicas trancada no banheiro”, relembra. Tamanha discrição resultou em The Ghost Who Walks(2010), seu primeiro álbum solo. O segundo, Double Roses, veio em 2017, e a top avisa que tem mais um a caminho. “Amo fazer música e tenho de me esforçar para criar tempo livre para compor. Essa é uma das minhas resoluções para 2019”, reflete

Além dos palcos, das passarelas e da maternidade, o ativismo também ocupa um bom espaço em sua agenda. Depois de virar mãe, começou a se sensibilizar muito “ao ver a realidade precária em que vivem tantas crianças, sem acesso a vacinação e hospitais”, conta. Em 2014, assumiu o posto de embaixadora da ONG Save The Children, para quem gravou um documentário em Serra Leoa com sua irmã gêmea, a cineasta Kate Elson, sobre a situação das crianças naquele país – Ending Newborn Deaths: Karen Elson in Sierra Leone está disponível no YouTube. “É algo que faço com muito amor. Nossa alma também precisa doar. Minhas causas não podem ser apenas a moda e a música.”

Vogue Itália (fevereiro de 1997), Vogue Ucrânia (setembro de 2014) e Vogue Japão (fevereiro de 2011) (Foto: Divulgação)

Preocupada com a falta de diversidade na mídia, a britânica também faz questão de se pronunciar em suas redes sociais sobre o tema. “Sinto que as coisas estão começando a mudar, mas ainda há muito o que fazer”, observa. “Corpos de todos os tipos e tamanhos, modelos de todas as idades e raças, mulheres trans e com deficiência física, somos bonitas do jeito que somos. Beleza não se trata necessariamente de uma menina pré-adolescente vestida para parecer que tem 30 anos”, desabafa. Falando em idade, a capricorniana, nascida no dia 14 de janeiro, acaba de completar seus 40 anos e recebeu a nova idade de braços abertos: “Pode vir que eu estou pronta!”, garante, animada. “Não quero parar nunca.Vou me manter ocupada.” Sorte nossa!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s