‘Thank u, next’: cada vez mais leve e solta, Ariana Grande leva seu pop ao auge

5º álbum da cantora é ainda melhor que ‘Sweetener’ e passeia por rap consumista, pop existencial, romantismo desprendido… Ainda mais segura de si e criativa, Ariana faz o que quiser.
Por Rodrigo Ortega, G1

Capa de ‘Thank u, next’, álbum de Ariana Grande — Foto: Divulgação

Se “Sweetener” impulsionou Ariana Grande como uma das grandes cantoras de sua geração ao se assumir “estranha”, o passo seguinte dela, “Thank u, next”, reforça esta posição, desta vez mais segura de si. Ariana vai do pop reflexivo ao consumista sem se constranger. Ela faz o que quiser.

Sendo mais direto: se “Sweetener” era muito bom, “Thank u, next” consegue ser ainda melhor.

Tem rap sobre comprar a loja inteira e sobre roubar namorado das outras. E no meio disso, balada r&b angelical reflexiva sobre o furacão da vida dela nos últimos meses, com a morte do ex Mac Miller e o término com o noivo Pete Davidson.

Mas não é sobre homem, é sobre ela: Ariana chora, depois não está nem aí. Ou seja, uma jovem normal. Ela é a popstar mais acessível que um adolescente pode ouvir hoje. Dá para resumir com um termo em alta como ela: auge.


Leia o faixa a faixa:

1 – “Imagine”

A balada foi a segunda divulgada do disco, logo após a faixa-título, “Thank u, next”. Perdeu na comparação, mas mostrou que ela seguiria a boa fase.

A letra fala do Mac Miller, o falecido ex-namorado. É uma música romântica que brinca com rap (algo que ela vai voltar a fazer no disco). Ela usa o “skrrr skrrr”, e o “drip drip” dos rappers atuais, mas do jeito dela: lento, melódico e esperto.

2 – “Needy”

Ariana se expõe: é uma balada com melodia bonita e não muito convencional, sem cara de single. Ela se assume carente, passional: “Admito que sou um pouco ferrada”. Ela consegue te envolver sem batida: não tem bateria, só um pianinho, coro com efeitos de voz e cordas no final.

3 – “NASA”

Uma pérola pop, sutil e original. Aqui volta a batida, algo entre um funk setentista suave e r&b dos anos 90 com balanço. A mensagem é da mulher que “precisa de espaço”. Mas ela parte disso e entra em uma viagem que faz rir e dançar ao mesmo tempo: “É como se eu fosse a N.A.S.A. e você fosse o espaço”, já é um dos melhores refrões do ano.

Ariana quer ficar sozinha e quer que o cara entenda isso. Não é que ela esteja chutando ele, só precisa do tal espaço. É mais ou menos a mesma figura de “Thank, U Next”: está ok com os homens, só não vai viver por eles. É um empoderamento que exige o poder de ficar de boa – e transmite essa irresistível paz de espírito na música.

4 – “Bloodline”

Primeira música muito dançante do disco, e não por acaso a primeira com a mão do produtor sueco Max Martin. Mas não é nada dance music quadrada. Tem linha de baixo de reggae e bom arranjo de metais.

Seria facilmente a base de uma música da Rihanna, mas Ariana tem personalidade para fugir das semelhanças. Fala de pegação sem compromisso e representa bem a leveza de espírito do álbum.

5 – “Fake smile”

Ariana fala palavrão, diz que não vai dar sorrisinho falso para agradar ninguém e faz lembrar do melhor da Lily Allen na década passada. Começa trechinho de soul antigo e segue nessa toada até o refrão com base quase trap e Ariana fazendo um quase rap no final.

6 – “Bad idea”

Segunda com a mão de Max Martin, e graças a Deus de novo nada de EDM (apesar de ser mais quadradinha). Tem um riff meio pop rock dos anos 80 e vai parar num refrão que é como se a Sia cantasse no Police.

Para completar, tem duas inserções esquisitas de cordas no meio e de batida de rap com vocal distorcido no final. Primeira faixa não muito boa, mas até que divertida.

7- “Make up”

Essa tem Ariana jogando muito bem no terreno que ela já domina: r&b atrevido com um pouco de rap. O refrão tem uma batida tão forte e quebrada que me fez conferir se não tinha nenhuma música tocando ao mesmo tempo no computador.

“Gosto de fod*r com você pra depois fazer as pazes com você”, começa Ariana, antes de fazer trocadilhos bobos com o duplo sentido de “make up” (fazer as pazes e fazer maquiagem).

8 – “Ghostin”

Essa é a que menos tem a ver com o resto do disco. Balada chorosa com tema pesado: “Eu sei que parte seu coração quando eu choro de novo por causa dele”. É boa, quebra um pouco o clima. Poderia até ser uma opção para fechar o álbum, mas ela optou por um clima completamente diferente para encerrar (sem mais spoilers).

9 – “In my head”

Ariana recebeu uma mensagem de voz de um amigo mandando a real sobre o crush dela. Botou a mensagem na introdução e transformou isso em música, confrontando o tal boy-lixo.

O refrão tem zoeira com os vocais de trap, mas também tem super agudos à Mariah Carey, daqueles tão fininhos que só cachorros ouvem. A batida também pega emprestado do rap. É o pop perfeito e real para meninas adolescentes hoje.

10 – “7 rings”

Ariana Grande sempre cantou bem, mas agora ela cada vez mais está indo por esse lado rapper com uma cadência hipnotizante.Difícil imaginar que uma tarde de compras e ostentação pudesse render uma canção tão bem resolvida e nada fútil. Ela basicamente diz “Eu vejo, eu gosto, eu quero, eu compro”. É a faixa que mais se apropria do rap.

Segundo fontes próximas à cantora, a faixa foi inspirada em uma tarde de compras. Logo após o rompimento do noivado com Pete Davidson, a cantora saiu com suas amigas para uma maratona de compras. Durante o passeio, entrou em uma joalheria e comprou sete anéis de noivado para elas.

11 – “Thank U, Next”

Nem precisa elogiar a faixa que já foi uma das melhores de 2018. Ela rompeu um noivado intenso com o comediante Pete Davidson. E outro ex dela, o rapper Mac Miller, morreu recentemente.

Ariana leva a lógica do rap pra música pop. Ela responde às polêmicas em forma de música, cita as pessoas diretamente nos versos e buscar um sentido maior a estes assuntos mundanos. Uma das melhores músicas de 2018.

12 – “Break Up with Your Girlfriend, I’m Bored”

Outra que se apropria bastante do rap, mas o vocal é mais melódico. Ela quis terminar o disco do jeito mais leve e bem humorado possível. O título é “Termine com sua namorada, porque eu tô entediada”. Depois de tanta coisa pelas quais Ariana passou, ela merece ser um pouco superficial. Claro que ela não está falando sério (ou está?).

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