Undertop na NYFW: marca brasileira de underwear desfilou no Pier 59 Studios com coleção que remete ao rock

Comandada por Juliana Mansur, a marca desfila pela 5a vez na Semana de Moda de Nova York

UNDERTOP Desfila Coleção Inverno 2019 Na NYFW (Foto: Divulgação/ Andrea D’Andrea)

Inspirada na irreverência do rock and roll, a Undertop apresentou sua coleção de inverno 2019, Fox Lady, no Pier 59, no Chelsea. Com casting diverso, com direito à modelo Khrystyna abrindo o desfile, o destaque ficou para os bodies em versões manga longa e hot pants em modelagens que abusam de transparências, recortes e tiras. 

Chamaram a atenção também os tops metalizados e duas novidades da diretora criativa Juliana Mansur: camisas e vestidos em xadrez com abertura nas costas. A coleção já desembarca para a loja de multimarcas Flyng Solo, em Nova York e na flagship do Shopping Iguatemi, em São Paulo.

UNDERTOP Desfila Coleção Inverno 2019 Na NYFW (Foto: Divulgação/ Andrea D’ Andrea)
UNDERTOP Desfila Coleção Inverno 2019 Na NYFW (Foto: Divulgação / Andrea D’ Andrea)
UNDERTOP Desfila Coleção Inverno 2019 Na NYFW (Foto: Divulgação / Andrea D’ Andrea)

Lily James — Harper’s Bazaar UK March 2019 By Alexi Lubomirski

Tiger Lily   —   Harper’s Bazaar UK March 2019   —   www.harpersbazaar.co.uk
Photography: Alexi Lubomirski Model: Lily James Styling: Miranda Almond Hair: Earl Simms Make-Up: Mary Greenwell Manicure: Sabrina Gayle
 Set Design: Jacki Castelli

Dumbo | Eva Green, Colin Farrell e elenco estampam novos cartazes

A Walt Disney divulgou novos cartazes de Dumbo, focados nos personagens de Eva GreenColin FarrellMichael Keaton e Danny DeVito.

Eva Green (Walt Disney/ Divulgação)

Na trama do filme, Colin Farrell é Holt, um ex-astro de circo que tem sua vida totalmente alterada quando volta da guerra. O dono do circo, Max Medici (Danny DeVito) o coloca para cuidar de um elenfante recém-nascido, cujas orelhas gigantes chamam a atenção. Porém, quanto os filhos de Holt descobrem que o personagem consegue voar, o persuasivo Vandevere (Michael Keaton) e a artista Colette Marchant (Eva Green) entram na trama para transformar Dumbo em uma estrela. 

Tim Burton é o diretor e a estreia está marcada para 29 de março. [Mariana Canhisares]

Diretora Donata Meirelles da ‘Vogue Brasil’ é criticada por festa considerada racista

Donata Meirelles comemorou 50 anos em Salvador, com mulheres negras posando ao lado do ‘trono de sinhá’

Donata Meirelles em seu aniversário de 50 anos, comemorado em Salvador. Foto: Instagram/@fabiobernardo

Donata Meirelles, diretora de estilo da revista Vogue Brasil, comemorou 50 anos de idade com uma festa luxuosa nesta sexta-feira, 8, em Salvador, capital da Bahia. Fotos divulgadas nas redes sociais com a hashtag #doshow50 mostram mulheres negras vestidas como “mucamas” e posando ao lado de uma cadeira que lembra um “trono de sinhá”, conforme relatos de internautas que criticam a empresária por evento considerado racista.

A festa foi realizada no Palácio da Aclamação, edifício monumental na cidade baiana, e contou com um show de Caetano Veloso. Outras personalidades compareceram ao evento, em cujas fotos os internautas notaram que o tema lembrava a escravidão.

“A decoração da festa foi Brasil Colônia Escravocrata, com direito a mulheres pretas vestidas de mucamas ambientando a festa e recebendo os convidados, como vimos na foto, até o trono da sinhá tinha”, apontou Joyce Fernandes, rapper conhecida como Preta Rara, em uma publicação no Facebook. O relato dela acompanhou fotos do evento, que foram compartilhadas por diferentes pessoas nas redes sociais.

Nos comentários, a maioria das pessoas concordou com Joyce e emitiu opiniões. “Não é possível que acharam mesmo que isso ia ser legal. Deve ter sido feito já na intenção de gerar polêmica”, escreveu um internauta. “Lamentável”, “ridículo” e “tosco” foram outros termos usados.

Houve também quem tentou ponderar a situação, mas intitulando a publicação de “mimimi”. “Isso é mimimi. Elas estão trabalhando porque querem, acredito que ninguém aí foi obrigada. Que é isso? Será que não existe negro ou negra ricos? Elas aceitaram trabalhar porque querem, precisam de dinheiro, não porque tinham de fazer obrigatoriamente”, justificou a pessoa.

No Twitter, internautas também se manifestaram sobre o caso.

Por meio da assessoria de imprensa da Vogue Brasil, o E+ conseguiu uma resposta de Donata Meirelles sobre o caso. A revista deixa claro que a festa foi pessoal, não teve relação com a publicação. Confira abaixo, na íntegra, o posicionamento da diretora de estilo da revista:

“Ontem comemorei meus 50 anos em Salvador, cidade de meu marido e que tanto amo. Não era uma festa temática. Como era sexta-feira e a festa foi na Bahia, muitos convidados e o receptivo estavam de branco, como reza a tradição. Mas vale também esclarecer: nas fotos publicadas, a cadeira não era uma cadeira de Sinhá, e sim de candomblé, e as roupas não eram de mucama, mas trajes de baiana de festa. Ainda assim, se causamos uma impressão diferente dessa, peço desculpas. Respeito a Bahia, sua cultura e suas tradições, assim como as baianas, que são Patrimônio Imaterial desta terra que também considero minha e que recebem com tanto carinho os visitantes no aeroporto, nas ruas e nas festas. Mas, como dizia Juscelino, com erro não há compromisso e, como diz o samba, perdão foi feito para pedir” Donata Meirelles

Google facilita buscas por eventos e oferece resultado personalizado

Por enquanto, a funcionalidade está disponível apenas pelo celular

Google permite buscas personalizadas por meio de nova funcionalidade. Foto: Google/Divulgação

Cada vez mais o Google lança funcionalidades que ajudam o usuário no dia a dia. Recentemente, o Assistente da plataforma começou a sugerir atos de gentileza. Agora, a busca por eventos ficou mais fácil, com o diferencial de encontrar algum perto de onde a pessoa está.

Desde quinta-feira, 7, ao pesquisar por eventos, o usuário tem acesso a uma lista de recomendações anunciadas por vários sites.

Por enquanto, a funcionalidade está disponível apenas pelo celular com sistema operacional Android ou iOS.

Para testar, basta procurar, por exemplo, por ‘show em São Paulo’, ‘eventos no Rio’ e, com um clique, é possível ter acesso a uma lista de eventos, elencados por nome, data e horário.

Segundo o Google, é possível ainda usar o novo recurso para encontrar shows, peças e demais eventos por meio de filtros como ‘hoje’, ‘amanhã’ e ‘próxima semana’.

A experiência permite descobrir eventos de forma personalizada, baseada nos interesses do usuário. Neste caso, é preciso fazer login na conta do Google e escolher compartilhar o histórico de busca com a plataforma. Assim, quando clicar em ‘Para você’, haverá sugestões de eventos dentro de uma categoria que possa interessar à pessoa.

Parece invasão de privacidade? Então, vale lembrar que o usuário tem controle total sobre seu histórico de navegação e pode gerenciá-lo sempre que quiser, não permitindo o compartilhamento, por meio do Minha Atividade.

Negros, mulheres e política reinam em videoclipes indicados ao Grammy

Todos os candidatos para a categoria “melhor videoclipe” são negros e a metade é composta por mulheres
Por AFP

Beyoncé e Jay-Z  (YouTube/Reprodução)

Os prêmios Grammy são regularmente acusados de promover artistas homens e brancos. Mas este ano devem escapar dessas críticas graças à categoria “Melhor Videoclipe”, em que todos os candidatos são negros e a metade é de mulheres.

Os cinco vídeos selecionados pelos organizadores da cerimônia, que será realizada no domingo em Los Angeles, também têm muito a dizer por suas reivindicações sociais e políticas.

“É o ano de Trump. Há uma necessidade incontrolável de se expressar”, analisa Carol Vernallis, acadêmica especializada em música da Universidade de Stanford. “Imagino que os artistas negros dos Estados Unidos querem estar na linha de frente”, continua.

Childish Gambino, alter ego musical do talentoso comediante, roteirista e diretor Donald Glover (“Atlanta”), estourou na Internet na primavera passada como seu hino politicamente incendiário, “This is America”.

Em seu vídeo provocador, ele denuncia o domínio das armas e do racismo no país com um retrato da vida de muitos negros americanos, entre tiroteios sangrentos e reminiscências da escravidão em um contexto de alegres ritmos afrobeat e gospel.

Já Beyoncé e Jay-Z deram o que falar ao usar o Museu do Louvre, em Paris, como cenário do clipe barroco e exuberante de “APESHIT”. No vídeo, o casal usa as obras clássicas do Velho Mundo para criar uma estética eminentemente moderna e negra.

Janelle Monae, por sua vez, explora sem pudor novos caminhos gráficos no clipe “Pynk”, uma ode electropop à bissexualidade. A cantora aparece rodeada de mulheres jovens, vestindo calças amplas que lembram vulvas.

Assim como Childish Gambino, o vídeo “I’m Not Racist”, de Joyner Lucas, atraiu milhões de espectadores na Internet com seu rap puro e poderoso em um Estados Unidos dividido.

O vídeo perturbador começa com um homem de barba branca e gorro vermelho de “Make America Great Again”, símbolo dos partidários do presidente Donald Trump, fazendo eco a slogans racistas. Mas “eu não sou um racista”, defende-se o homem. “O namorado da minha irmã é negro”.

Um jovem negro com cabelo rasta responde: “É difícil progredir quando este país está dirigido por brancos/que me julgam pela cor da minha pele”.

Mais da metade da transmissão mundial 

Em “Mumbo Jumbo”, a rapper Tierra Whack cria um mundo da fantasia surrealista e inquietante, o prelúdio de um álbum composto por quinze canções de um minuto cada, chamado “Whack World”, parte de um projeto de vanguarda e também um álbum de hip hop.

Os Grammy premiam videoclipes desde 1984, ano em que a MTV começou a fazer um programa, graças a pioneiros como Michael Jackson e Madonna, que revolucionaram e exploraram o potencial deste formato.

Tornou-se um gênero completo, graças à Internet: os videoclipes representam em duração mais da metade da demanda mundial de streaming.

Com as repercussões potenciais de centenas de milhões de reproduções, produzir um vídeo atraente se tornou mais importante do que nunca para a indústria da música, permitindo aos artistas comunicar melhor mensagem, diz Robert Thompson, que leciona cultura televisiva e popular na Universidade de Syracuse.

“Um videoclipe define a identidade visual de uma canção, não posso imaginar ‘This Is America’ com outro vídeo, lhe dá uma dimensão completamente diferente”, explica.

Para Carol Vernallis, o vídeo tem sobretudo o mérito de instaurar “um diálogo” entre a música e a imagem: “Enriquece a canção e amplia seu horizonte, e é excelente para abordar certos problemas”.

Esto é especialmente certo para os temas sociais, diz Robert Thompson. “De todas as partes vemos surgir mensagens políticas expressas por músicos negros. E é nesta categoria dos Grammy que parecem gozar de um reconhecimento especial”, observa o pesquisador.

“O que é triste é quatro de cada cinco vão perder” na noite de domingo, lamenta.

Caroline Trentini – Porter Magazine #31 Spring 2019 By Rafael Pavarotti

Dare   —   Porter Magazine #31 Spring 2019   —   www.net-a-porter.com
Photography: Rafael Pavarotti Model: Caroline Trentini Styling: Morgan Pilcher Hair: Renata Brazil Make-Up: Camila De Alexandre Location: Rio De Janeiro

Big Little Lies | “Não há planos para 3ª temporada”, diz criador

Segundo ano estreará em junho

Shailene Woodley, Reese Witherspoon e Nicole Kidman em cena da série “Big Little Lies”

O criador de Big Little LiesDavid E. Kelley, afirmou que não há planos para uma terceira temporada. “Gostamos do nosso final na segunda temporada e provavelmente será isso”.

Reese Witherspoon, uma das protagonistas e produtora executiva, brincou que esta não é a primeira vez que Kelley diz isso. Afinal, originalmente, a ideia era que a produção fosse uma minissérie. Porém, segundo o DeadlineNicole Kidman foi firme e confirmou que este é o fim da série.

A nova temporada explorará “a malignidade das mentiras, a durabilidade das amizades, a fragilidade do casamento e, é claro, as relações familiares. Os relacionamentos vão se desgastar, as lealdades vão se corroer e o potencial para violências emocionais e físicas deverá surgir“.

David E. Kelley assina o roteiro, baseado na história de Liane Moriarty, e a produção executiva junto de Nicole KidmanReese WitherspoonBruna Papandrea, Jean-Marc ValléeNathan RossGregg Fienberg e Andrea Arnold, que também dirigirá todos os sete episódios.

A segunda temporada estreará em junho, ainda sem data divulgada. [Mariana Canhisares]

No Japão, mães enfrentam jornadas intermináveis de trabalho

Mais mulheres estão ingressando no mercado de trabalho do Japão, mas os estritos papéis de gênero asfixiam suas ambições
Motoko Rich, The New York Times

Yoshiko Nishimasa trabalha  meio período e realiza a maior parte das tarefas domésticas. Seu marido raramente está em casa antes das 22h. Foto: Andrea DiCenzo para The New York Times

O trabalho nunca acaba para Yoshiko Nishimasa. Ela precisa completar diariamente os relatórios das crianças, sem falar nas inúmeras tarefas escolares que cuidadosamente deve conferir e aprovar. Ela mantém, inclusive, registros diários de suas conversas, atividades e refeições. Mas nenhuma dessas obrigações tem a ver com sua função. Tudo isso é exigido pela pré-escola dos filhos – antes de ela ir para o escritório.

Como tantas mães que trabalham no Japão, Yoshiko, 38, precisa desempenhar tarefas burocráticas que oneram esta força de trabalho em uma época na qual o país afirma precisar desesperadamente de mais mulheres como ela.

O objetivo explícito do primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, é injetar mais energia na fraca economia do país, valorizando a contribuição da mão de obra feminina, iniciativa chamada “womenomics” (economia das mulheres).

No Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, em janeiro, Abe elogiou o fato de 67% das mulheres japonesas estarem trabalhando, a cifra mais elevada de todos os tempos e “superior à dos Estados Unidos”. Entretanto, a maioria delas permanece em funções limitadas, e um dos maiores obstáculos para suas ambições – e da nação como um todo – é o ônus desproporcional que recai sobre seus ombros em casa.

É o legado das tradições do país e dos rígidos papéis de gênero. Embora as mulheres japonesas tenham ingressado na força de trabalho em patamares históricos, a avalanche de responsabilidades domésticas que lhes foram reservadas não diminuiu – e os homens não costumam ajudá-las. Na realidade, no Japão os homens dedicam menos horas às tarefas da casa e ao cuidado dos filhos em comparação com as nações mais ricas do mundo.

Segundo uma análise de Noriko O. Tsuya, da Keio University de Tóquio, as mulheres que trabalham mais de 49 horas por semana costumam dedicar aos afazeres domésticos mais de 25 horas semanais – enquanto seus maridos contribuem em média com menos de cinco.

Vejamos a rotina diária de Yoshiko. A pré-escola dos filhos mais novos exige que a família mantenha registros diários de suas temperaturas e de sua alimentação duas vezes ao dia, além da descrição do seu humor, das horas de sono e do tempo que passam brincando. A escola elementar do filho de oito anos e o programa depois da aula exigem que um dos pais assine pessoalmente cada tarefa de casa da criança.

O expediente doméstico só está começando para ela. Um jantar típico japonês muitas vezes exige a preparação de diversos pratos pequenos. Os lanches para levar à escola podem ser verdadeiras obras de arte. E é preciso levar em conta que as lavadoras de pratos ainda não são tão comuns, e a roupas molhadas, em geral, são postas para secar em varais. Ela faz a maior parte deste trabalho.

Seu marido, um consultor administrativo, muitas vezes fica no escritório até tarde ou sai para beber com os clientes – todas essas também são expectativas profundamente arraigadas no Japão, particularmente para os homens.

Mas a economia do Japão precisa de mulheres com formação superior preparadas para usar todo o seu potencial no trabalho. Depois da Segunda Guerra Mundial, depois de se casar ou ter filhos, as mulheres japonesas deixavam de trabalhar para cuidar da casa enquanto os maridos dedicavam longas horas ao emprego a fim de impulsionar a expansão industrial japonesa.

No final dos anos 1970, as mulheres casadas começaram lentamente a ingressar na força de trabalho. Então, quando as bolhas de ações e imobiliária do Japão estouraram no início dos anos 1990, um grande porcentual delas voltou a trabalhar para impedir que as finanças da família afundassem. Depois disso, o Japão lutou para se erguer de um prolongado período de estagnação. Em 2011, foi superado pela China como segunda maior economia do mundo.

Agora, com o declínio e o envelhecimento da população, os empregadores japoneses lutam contra uma aguda escassez de mão de obra. O país ainda se opõe a intensificar a imigração, por isso Abe ressaltou a importância de as mulheres trabalhadoras ajudarem a sustentar a economia no longo prazo. Mas cerca da metade da mão de obra feminina só tem empregos de meio período, e mais da metade em contratos temporários.

Segundo a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico, menos de 1% das mulheres empregadas no Japão ocupam cargos na administração, em comparação com uma média de 4,6% nas nações mais desenvolvidas.

Como muitas companhias japonesas, a empregadora de Yoshiko aceita que ela tenha suas responsabilidades domésticas. Até o filho mais novo entrar no terceiro ano, ela só pode dedicar ao trabalho sete horas diárias, embora com um salário 30% mais baixo. A empresa nunca pede a ela que faça as horas extras que conseguia fazer antes do nascimento dos filhos. Mas por causa disso, há oito anos Yoshiko não tem uma promoção e recebeu poucos aumentos salariais.

“Quando perguntei o motivo, meu chefe disse que a minha produção era menor porque trabalho menos horas”, disse.

Um verdadeiro malabarismo

Depois que Yoshiko se formou em uma importante universidade em Tóquio, trabalhou para uma editora de livros escolares. Casou-se quatro anos mais tarde. E ficou chocada quando, automaticamente, a companhia mudou sua situação no emprego para meio período.

“O meu chefe explicou: ‘Você não é mais adequada para esse tipo de trabalho porque provavelmente terá de sair e ter filhos, certo?'”, lembrou.

Yoshiko Nishimasa pega a condução todos os dias para o trabalho. Depois de um expediente de sete horas, busca as crianças mais novas na escola. Foto: Andrea DiCenzo/The New York Times

Procurou outro emprego, mas ouviu dos possíveis empregadores que ela provavelmente não poderia trabalhar até tarde. “Seu marido compreende quanto você estará ocupada?”, questionavam.

A editora na qual encontrou trabalho não perguntou sua situação conjugal. Mas as horas eram pesadas, e quando ela engravidou, aos 29 anos, não reduziu seu ritmo de trabalho; muitas vezes Yoshiko continuava no escritório até a meia-noite. Sofreu um aborto no início da gravidez.

Engravidou novamente, mas continuou mantendo uma extenuante rotina de trabalho. Às vezes, ela saía às 22h. “Como eu era a primeira a sair, precisava pedir perdão às minhas colegas”, lembra.

Depois do parto, Yoshiko nunca pensou em deixar o emprego. Mas seu marido precisa atingir rigorosas metas para conseguir aumentos e promoções, e ela teve de reduzir as horas de expediente. 

“Teoricamente, seria ideal que eu precisasse trabalhar menos horas e Yoshiko mais”, contou o marido, Kazuhiro Nishimasa. “Mas, realmente, não é viável”.

Igualdade: um sonho distante

Pouco mais da metade das mães japonesas volta ao trabalho depois do nascimento do primeiro filho. Mas, frequentemente, elas só conseguem ocupações de meio período, enquanto os maridos continuam trabalhando um número brutal de horas, contribuindo para um fenômeno chamado “karoshi”, ou “morte por excesso de trabalho”.

Segundo especialistas, a cultura do excesso de trabalho no Japão é desnecessária, leva à ineficiência e à baixa produtividade. Se todos trabalhassem menos horas, as mulheres poderiam recuperar o atraso em relação aos homens, e a sociedade japonesa como um todo se beneficiaria, afirmam. Mas as arraigadas expectativas culturais são outro obstáculo.

No ano passado, a construtora de imóveis residenciais Daiwa House realizou uma pesquisa com 300 casais que trabalham e constatou que as mulheres realizavam cerca de 90% das obrigações domésticas, muitas delas sem que os maridos se dessem conta. Os resultados tornaram-se virais na hashtag “namonaki kaji”, algo como “obrigações domésticas invisíveis”.

“A consciência dos homens ainda é muito baixa”, disse Kazuko Yoshida, 38, designer gráfica e mãe de duas crianças. “Meu marido não tem o conceito de igualdade de gênero”.

O marido, Takashisa Yoshida, diz que quer estar mais envolvido com a educação dos filhos. Mas não se sente seguro para lidar com duas crianças.

Mães multitarefas

Em uma tarde de sexta-feira, Yoshiko saiu correndo do escritório para apanhar a filha Mei, de 5 anos, e o filho mais novo, Haruki, 2, e foi direto para a salinha de repouso da pré-escola dos meninos, onde ficam os colchões. Arrancou lençóis e cobertores e colocou um jogo novo que lavara em casa. Depois pegou os sapatos que Mei usa em casa, antes que uma professora lhe desse algum papel para a tarefa no fim de semana: confeccionar uma bandeira.

Na saída, Yoshiko carregou os dois na bicicleta e pedalou até em casa. Chegaram pouco depois das 18h. Dez minutos mais tarde, chegou também o filho mais velho, Kazuaki, de 8 anos, que participa do programa depois das aulas.

No Japão, homens dedicam menos horas ao trabalho doméstico e ao cuidado com os filhos em comparação a outras nações desenvolvidas Foto: Andrea DiCenzo/The New York Times

Yoshiko começou, então, a preparar a variedade de pratos para o jantar. Engoliu um pouco de comida enquanto carregava a lavadora e preparava o banho. Verificou a lição de casa de Kazuaki, enxaguou os pratos e guardou as sobras. As crianças tomaram banho uma depois da outra.

Pouco antes das 22h, o telefone tocou. Não era o marido, que estava bebendo fora com uns clientes. Era outra mãe, perguntando quando poderiam se encontrar na manhã seguinte, enquanto os maridos ainda estariam dormindo. Yoshiko voltou ao trabalho, a revisão dos diários para a pré-escola. Em um último esforço, passou o aspirador na sala. Finalmente, todos se enfiaram no quarto do casal, porque as crianças ainda estavam com vontade de brincar.

“Estou cansado”, disse Haruki a certa altura.

“Também estou cansada!”, observou Yoshiko. “Vamos para a cama”.

A casa finalmente se aquietou perto 23h. O marido ainda não tinha chegado em casa.

“Quem trabalha muitas horas consegue uma promoção”, explicou. “Os chefes têm empregadas em tempo integral”. / Hisako Ueno contribuiu para a reportagem.