O comportamento de Jeff Bezos coloca a Amazon em risco?

Para especialistas, companhia não deve ser sentir os reflexos da vida pessoal do executivo
Por Elizabeth Dwoskin – The Washington Post

A notícia das fotos explícitas de Jeff Bezos não afetou o preço das ações da Amazon

As selfies explícitas de Jeff Bezos e os ataque públicos do tabloide National Enquirer o colocam no clube dos executivos do setor de tecnologia que se comportam mal. Mas seus problemas não devem prejudicar a Amazon – pelo menos no momento.

Na quinta-feira, Bezos postou uma longa carta no blog online da plataforma Medium acusando o Enquirer de tentar chantageá-locom a publicação de detalhes íntimos sobre seu caso extraconjugal com a ex-âncora de TV Lauren Sanchez. A carta, com insinuações sobre a relação da empresa matriz da Enquirer com o governo saudita e o presidente Donald Trump, chocou o mundo empresarial e Washington, intensificando um drama que estava antes confinado ao tabloide.

A publicação da carta foi algo bastante inusitado em se tratando de um líder empresarial, especialmente Bezos, que preserva vigorosamente sua privacidade e evita os holofotes, mesmo se tornando o indivíduo mais rico do mundo (ele é proprietário do Washington Post).

 Mas a notícia não afetou o preço das ações da Amazon. Verificou-se uma desvalorização de aproximadamente 2% na sexta-feira, mas que espelhou uma queda no mercado no geral.   Na semana passada, quando a vida pessoal de Bezos já estava envolvida em controvérsia – a companhia divulgou lucros recorde no terceiro trimestre consecutivo. O valor da ação da companhia caiu 5% quando o fundador da Amazon anunciou o divórcio de sua mulher MacKenzie, em nove de janeiro.

Embora a opção de tirar um selfie tenha sido “tresloucada”, a decisão de retaliar com “armas em punho”  foi mais estratégica e calculada, disse Jeffrey Sonnenfeld, membro da Leadership Studies da Escola de Administração de Yale. “Eles tentaram chantageá-lo em segredo e isso encerra o assunto. Ele está adotando a tática que alguns presidentes chamam de “choque e pavor” e está certo”.

O comportamento de Bezos difere da atitude de outros executivos de tecnologia influentes que causaram problemas para suas empresas, disse Sonnenfeld. Elon Musk, da Tesla, se drogou durante uma entrevista a jornalistas e fez um anúncio repentino no Twitter de que tiraria sua empresa da bolsa de valores, o que motivou uma ação das autoridades federais. O cofundador do Uber, Travis Kalanick criou um ambiente em que “tudo é permitido” e onde o assédio sexual proliferava, ao passo que outras violações de normas colocaram a empresa na mira das autoridades locais. Ele chegou a atacar um motorista do Uber em um vídeo.

Mas outros especialistas sublinham que, se a disputa entre Bezos e o tabloide se arrastar, legalmente ou publicamente, isso será um transtorno para o fundador da Amazon.

“Para um CEO de uma empresa com ações negociadas em bolsa, essa não foi a medida mais sábia”, disse Charles Elson, diretor do John L. Weinberg Center for Corporate Governance na Universidade de Delaware. “Ao tomar essa decisão, você somente chama mais atenção para as alegações. Foi um erro e David Pecker (dono do National Enquirer) vai revidar e isto vai tomar muito tempo de Bezos”.

A reação entre alguns funcionários da Amazon também é reveladora. O blog de Bezos foi rapidamente republicado nos bate-papos online dentro  da companhia logo depois de a carta ser publicada. A discussão se voltou imediatamente para o potencial impacto que ela teria sobre o preço das ações.

O pessoal mais próximo de Bezos pareceu indiferente ou o apoiou.

Roger McNamee, investidor do Vale do Silício que trabalhou com Bezos e é um crítico do Facebook e do Google, disse esperar que as medidas tomadas pelo executivo colaborem para forçar os tabloides e outros a pararem com suas táticas sujas.

Por outro lado, Bezos está deliberadamente defendendo sua vida privada. Ele é um executivo que não usa impropriamente os fundos da empresa e nem toma decisões que especificamente afetem as atividades da Amazon. Ao contrário do Google e do Facebook, onde o comportamento pessoal dos executivos tem provocado protestos acalorados de funcionários, a cultura da Amazon é mais pragmática e menos orientada por valores que os outros executivos entendem ser necessárias para se manterem.

“Acho que Jeff esclareceu bem este ponto na carta, e vai deixar que os resultados da Amazon falem por eles próprios”, disse Ted Maidenberg, investidor do Vale do Silício. “O caso terá impacto zero (sobre os negócios)”. /TRADUÇÃO TEREZINHA MARTINO

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