‘Meca’ de fotógrafos e jornalistas, Half King fecha suas portas

O bar, criado para reunir profissionais que cobriam guerras, não sobreviveu ao aumento dos aluguéis causado pelo parque High Line, em Manhattan
Derek M. Norman, The New York Times

Os donos do Half King, a partir da esquerda, Sebastian Junger, Nanette Bursten, Scott Anderson e Jerome O’Connor Foto: Caitlin Ochs para The New York Times

Em abril de 2011, foi noticiado que dois fotógrafos haviam sido mortos pela explosão de um morteiro na cidade sitiada de Misurata, um dos últimos redutos rebeldes contrários a Kadafi na guerra civil líbia.

Depois de alguns telefonemas, houve uma troca de mensagens. Amigos e colegas dos fotógrafos Tim Hetherington e Chris Hondros estavam reunidos em um bar chamado Half King em Manhattan. “Parecia que havia centenas de pessoas lá dentro, sem exagero”, disse Timothy Fadek, um fotojornalista muito amigo de Hondros.

“Todos nós estávamos muito emocionados. A cena mostrava o que era realmente o Half King – como ele evoluiu organicamente para um lugar frequentado por fotógrafos da guerra e fotojornalistas”, afirmou. Uma foto de Hetherington com a sua câmera diante dos rebeldes líbios estava pendurada na parede.

Durante grande parte dos últimos 20 anos, o Half King foi um bar de escritores, fotógrafos e cineastas. Em qualquer dia, no happy hour, fotógrafos especializados em combates reuniam-se ali, contando histórias de lugares distantes, tomando os seus chopes de US$ 5.

Mas o Half King, com suas tardes de leitura e mostras de fotografia, fechou no dia 26 de janeiro. O aluguel havia praticamente triplicado desde a inauguração, há quase 20 anos, e o bar tornara-se insustentável dependência ponto de vista financeiro.

“Nos últimos anos, a única razão de existir deste local era porque o amávamos”, disse Sabastian Junger, um dos proprietários, que foi por muito tempo jornalista de guerra e é autor do livro The Perfect Storm.

Junger, que também dirigiu o documentário de guerra Restrepo com o seu amigo Hetherington, abriu o Half King em 2000, com Scott Anderson, escritor e jornalista que cobriu algumas guerras, e a esposa de Anderson, Nanette Burstein, cineasta. Um quarto sócio, Jerome O’Connor, anteriormente havia sido dono de um bar.

Um retrato do fotojornalista Tim Hetherington, morto na Líbia, pendurado no Half King. O bar fechou em janeiro Foto: Caitlin Ochs para The New York Times

A localização do bar, no West Side de Manhattan, era uma área muito abandonada na virada do século, mas, apesar disso, era muito frequentado. Anderson estava em Darfur trabalhando para “The Times Magazine” quando teve a ideia. “Conheci um fotojornalista holandês, e quando descansávamos, costumávamos conversar. Contei que tinha um bar em Nova York e falei do Half King. Ele disse, ‘Conheço o Half King’. Este lugar se tornou uma espécie de Meca.”

O Half King foi um dos primeiros bares abertos depois dos ataques terroristas do 11 de Setembro. Mas foi o High Line que mudou o destino do bar. Depois da abertura do parque para pedestres criado nos trilhos do elevado em 2009, os preços dos imóveis subiram vertiginosamente. Os turistas começaram a procurar a área, e os moradores se mudaram.

Depois de 19 anos, o Half King está fechando.CreditCaitlin Ochs for The New York Times

O bar funcionava como uma ponte entre os nova-iorquinos e as terras estranhas que visitavam (o nome vem de um chefe da nação seneca do século 17, que foi porta-voz honorário entre as tribos e os exércitos estrangeiros).

“Eu tinha muitos amigos que, no começo, nunca havia visto fora de uma zona de guerra”, disse Michael Kamber, fotógrafo de conflitos do The Times“. “Só nos encontrávamos no Iraque, Afeganistão, Somália e outros lugares, mas podíamos ir ao Half King, e eles estavam lá.”

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