Receitas baixas no Apple News ainda geram frustração em editores

Um novo serviço de assinatura de notícias da Apple é aguardado e tem tudo para ser apresentado no dia 25 de março, segundo rumores. Enquanto ele não vem, editores e produtores de conteúdo devem se contentar com as receitas provenientes do Apple News— isso, é claro, se limitando ao ecossistema da Apple e esquecendo todas as outras possibilidades que o mundo virtual oferece.

Ainda que a disponibilidade do Apple News seja bem limitada (por enquanto o serviço está presente na Austrália, nos Estados Unidos e no Reino Unido — em breve ele chegará ao Canadá), parceiros da Apple nesses países não estão nada felizes com os resultados. O discurso não é novo: no ano passado, essa insatisfação já existia, mas como o público do News é de alta qualidade e estava crescendo a passos largos, a maioria dos editores estava na esperança de ver os números darem aquela melhorada. Nada feito.

A monetização do serviço continua sendo algo muito difícil, de acordo com sete editoras entrevistadas pela Digiday. A receita dos anúncios é prejudicada pelo desinteresse dos anunciantes e por taxas de preenchimento de anúncios que muitos descrevem como péssimas, mesmo depois de uma melhora modesta no início do ano. Uma das publicações informou que gerou menos de US$1.000 por mês, o que obviamente ajuda muito pouco a pagar as contas.

Vender diretamente o inventario de anúncios parece ser uma tarefa árdua por conta da limitação da plataforma no que diz respeito a segmentação de usuários (não é possível usar dados de terceiros ou endereços de IP para isso, por exemplo). Outra limitação é a impossibilidade de veicular publicidade programática — e como muitas acabam utilizando essa estratégia, a limitação é péssima.

Por conta disso, muitas editoras acabam colocando o inventário do Apple News como “prêmio” para campanhas maiores, uma espécie de “valor agregado” já que se trata de um público premium e que, invariavelmente, tem o seu valor para muitos anunciantes.

Uma das editoras entrevistadas informou que, até o início de 2019, a taxa de preenchimento do inventário remanescente da Apple News era inferior a 20%. Essa mesma fonte disse que esse número é tão baixo que torna a publicação no Apple News menos lucrativa do que formatos como AMP (do Google) ou mesmo Instant Articles (do Facebook, que muitos abandonaram justamente por problemas de monetização). Alguns editores até apresentaram taxas de preenchimento de quase 90% em um teste de implementação da DoubleClick (algo permitido na plataforma desde meados de 2018), mas essas fontes sugeriram que esses resultados estão longe de ser comuns.

O impressionante é que, mesmo limitado a três países, os números de audiência do Apple News não são ruins: o serviço tem hoje cerca de 90 milhões de usuários, de acordo com o The New York Times; segundo o Digiday, são quase 70 milhões de usuários únicos por mês e outros 20 milhões de usuários internacionais.

E isso se reflete na audiência desses editores em si: basicamente todos relataram um crescimento constante de público, com alguns casos gerando mais tráfego de referência do que o Facebook. Matérias selecionadas para serem mostradas no widget Top News (a curadoria da Apple) podem gerar enormes aumentos no tráfego, podendo até mesmo ser uma das histórias mais lidas que um editor pode compartilhar num mês.

Por que, então, financeiramente o Apple News não é um sucesso? Quem sabe seja a questão envolvendo privacidade (que bem ou mal, tem ligação com as limitações do serviço que falei acima). Um dos entrevistados disse: “Eu respeito a Apple e a crença deles em privacidade. Isso só torna incrivelmente desafiador vender lá [no News]”. A curadoria da Apple também é elogiada, descrita como de mente aberta a ideias para novos formatos e ao que deve ser destacado. “Eles são muito justos”, disse uma fonte.

Mas por conta da dificuldade monetária, alguns acabam usando Apple News como plataforma de impulsão para gerar downloads de podcasts, de atrair mais pessoas para o seu próprio site (que conta com um modelo de assinaturas) ou até mesmo de converter leitores em assinantes de newsletters.

O problema é que, no fim das contas, sem dinheiro não é possível pagas as contas. E muitos dizem que os ganhos com as assinaturas do Apple News acabam não sendo tão bom quanto poderia ser se fosse possível vender todo o inventário de anúncios, mas ainda assim são bons. Dessa forma, quem sabe a resposta para esse problema não esteja justamente no novo serviço de assinaturas de notícias (revistas e jornais) da Apple.

VIA 9TO5MAC

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