Funcionários de restaurantes relatam casos de horror em cozinhas imundas

Cena da animação “Ratatouille” (2007): a realidade é bem menos fofa (Foto: Divulgação)

Você não deve acreditar em tudo o que lê na internet, mas também é ingênuo pensar que a rede só traz mentiras. A dúvida é a posição mais sensata. Dito isto, topei com uma postagem que me arrepiou até o último fio de barba.

Uma turma de funcionários de restaurantes bares e afins resolveu compartilhar inconfidências sobre situações de horror nas cozinhas profissionais do Brasil.

Prossiga se tiver estômago.

As acusações, aparentemente feitas em um grupo fechado no Facebook, foram publicadas no perfil Gastronomia da Deprê. O post já rendeu quase 1500 comentários, um mais nojento do que o outro.

Eu não tenho como checar a veracidade dessas afirmações, até porque os nomes dos estabelecimento são omitidos. Com 48 anos de vida e quase 20 de jornalismo gastronômico, posso afirmar com segurança: não é possível que todas sejam mentirosas.

Eu já vi, li, editei matérias e participei (na condição de vítima) de episódios grotescos em restaurantes imundos, como narrei neste artigo para a revista SãoPaulo. Essas coisas acontecem, não são lenda urbana.

Vou parar por aqui e deixar você com alguns relatos do tal grupo e dos comentários no Facebook. Para facilitar sua compreensão, dei um tapa muito discreto na gramática de algumas postagens. [Marcos Nogueira]

“Trabalhei em uma padaria em que o confeiteiro, depois do almoço, ia enfeitar bolos com um palito na boca, cutucando os dentes para tirar restos de comida. Aí eu vi ele usando o mesmo palito para fazer detalhes do design do bolo.”

Camila, no grupo fechado

Agora eu já sei que fim levou o palito de dentes.

“Aos 15 anos, trabalhei numa padaria onde os ratos passeavam em cima do pão. O dono mandava embalar esses pães em saquinhos com 10 unidades, parea vender mais barato aos clientes que chegavam cedo.”

Flávia, no grupo fechado

“Trabalhei num restaurante em que o dono mandava a gente comprar o azeite mais vagabundo para colocar no vidro de Gallo.”

Gabriela, no grupo fechado

Esse expediente é das coisas menos asquerosas que você vai ler aqui, mas é o mais comum. Eu já falei do azeite fraudado neste post e também neste aqui. O mesmo grupo relata casos semelhantes com ketchup e shoyu.

“Trabalhei em um restaurante que reaproveitava os restos de carne dos pratos dos clientes para fazer farofa.”

Fabiana, no grupo fechado

“Quando comecei a trabalhar como sommelier fiz uma consultoria num bar famoso, numa esquina que o Caetano cantou, em que a cozinha era um espetáculo de horrores: as carnes ficavam empilhadas no chão e quando chovia um dos cozinheiros era destacado para matar os ratos que apareciam aos montes. Uma vez vi esse infeliz cozinheiro puxando com o rodo o sangue dos ratos, que ele matou com um cabo de vassoura, em direção às carnes empilhadas.”

A., sommelier em São Paulo, em post público no Facebook

Fiz um teste para subgerente em uma pizzaria conhecida em minha cidade. No primeiro dia, me abismei com a quantidade de cocô de rato que tinha nas bancadas onde abria a massa. Senti um cheiro forte vindo do rolo de massa. Tinha massa pobre com larvinhas. A máquina de fatiar também estava podre.

Fui ajudar o pizzaiolo a montar algumas pizzas, e ele tinha um balde com calabresa fatiada que haviam tirado das pizzas que sobravam. As azeitonas que não era comidas pelos clientes voltavam para as pizzas.
Questionei o dono sobre reaproveitar o resto dos clientes: ele disse que era cristão e não ia jogar fora comida boa só porque o cliente não comeu tudo. Nunca voltei lá, liguei na vigilância sanitária e denunciei. Mas eles continuam abertos.

Ana Carolina, de Uberlândia (MG), em comentário no Facebook

“Já vi padeiro abrir o saco de farinha daqueles bem grandes, fazer um morrinho com a farinha, baixar as calças, colocar a bunda perto e PEIDAR, só para ver a farinha voar!”

Vinícius, de Taquara (RS), em comentário no Facebook

Essa história força um tanto a amizade, mas vá saber… Eu já conheci gente que seria capaz de fazer algo semelhante.

E, agora, a melhor de todas:

“Trabalhei em um restaurante nordestino superfamoso. Eram TANTAS baratas, arroz que durava uma semana na panela, carnes também… eles eram servidos mesmo assim. Eu vi uma senhora da limpeza matando a barata na facada! 
Isso: a barata estava na parede ela deu uma FAAAACADA!!! Pedi demissão no dia seguinte!”

Paula, de São Paulo, em comentário no Facebook

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