Rapper Nipsey Hussle morre baleado aos 33 anos

Famosos lamentam morte de indicado ao Grammy em 2019

Nipsey Hussle (Foto: Getty Images)

Segundo o site TMZ, Nipsey Hussle morreu após ser baleado neste domingo (31). O rapper de 33 anos foi levado para o hospital depois de ser ferido, mas não resistiu.

Ele deixa dois filhos, uma menina chamada Emani e o caçula Kross, de apenas 2 anos e 7 meses,  fruto de seu relacionamento com a atriz Lauren London, com quem estava desde 2013.

Segundo relatos, Nipsey estava na frente de sua loja de roupas em Los Angeles quando um homem teria se aproximado a pé e começado os disparos. Depois, ele teria entrado em um veículo dirigido por uma mulher e ido embora em alta velocidade.

O rapper lançou seu primeiro álbum de estúdio, Victory Lap, apenas em fevereiro de 2018, conquistando de cara uma indicação ao Grammy de Melhor Álbum de Rap em 2019, perdendo para Cardi B. Apesar disso, ele não era novo na cena do hip-hop tendo começado a lançar seus projetos de forma independente em 2015.

Em 2013, Jay-Z inclusive comprou 100 cópias da mixtape Crenshaw por 100 dólares cada, resultando em uma compra de 10 mil dólares.

Nas redes sociais, a notícia de sua morte comoveu nomes como Pharrell, Rihanna Drake, que logo deixaram suas condolências. Veja as homenagens abaixo:

Pharrell
“Você era sobre algo… positivo e pela sua comunidade em todas as chances que
você tinha para falar. E por causa disso você inspirou milhões… Milhões que irão carregar seu legado para sempre. Descanse entre as estrelas

Drake
Droga. Minha energia toda foi embora ouvindo isso.Nós nos conectamos pela primeira vez em anos e dissemos que íamos fazer uma nova música esse verão porque já fazia muito tempo. Você estava na sua melhor fase e eu estava tão feliz em te ver à distância. Cara, ninguém nunca faz pouco do seu nome porque você era real com as suas pessoas e o resto de nós. Eu só estou fazendo isso aqui porque quero que o mundo saiba que eu tevia como um homem de respeito. Descanse em paz meu G.

Kevin Hart
Caramba, cara… Emoções e sentimentos de verdade agora. Que droga, cara… Você sempre foi um bom homem… Eu sinto muito… Descanse em paz, cara.

Jada Pinkett-Smith
Descanse em amor, Nipsey. Eu sou uma admiradora da sua inteligência que agora é parte do seu legado. Meu coração sangra por todos aqueles que o amam. Fique forte @laurenlondon. Ele é um anjo em seus ombos agora

Rihanna
Isso não faz sentido nenhum! Meu espírito está abalado com isso! Querido Deus, que o espírito dele descanse em paz e que Você ofereça conforto divino para aqueles que ele amava. Eu sinto muito que isso tenha acontecido com você”

Michael B. Jordan
Acabei de falar com você, sempre foi 1000. Sempre foi real. Você é um dos melhores de todos os tempos. Descanse jovem REI. Descanse em paz, Nipsey.

Por que museus têm mais obras do que seriam capazes de expor?

Equilíbrio entre colecionar objetos de arte e gastar recursos com manutenção é questionado
Robin Pogrebin, The New York Times

Museu de Arte de Indianápolis optou por não ampliar sua capacidade de armazenamento e, em vez disso, fez uma limpeza no acervo. Foto: Lyndon French / The New York Times

Durante décadas, impulsionados por um zelo filantrópico, lucrativas isenções fiscais e o prestígio de verem suas obras em ambientações estimadas, os ricos proprietários de obras de arte entregaram aos museus tudo que tinham em casa, dos Rembrandts aos chinelos de dormir. Tudo aquilo precisava de um lugar para ficar. Agora, muitos museus americanos estão sobrecarregados – é tanta coisa que milhares de objetos nunca foram expostos, mas seguem preservados, a um custo considerável, em espaços de armazenamento com temperatura controlada.

Alguns acervos aumentaram dez vezes nos 50 anos mais recentes. A maioria dos museus expõe apenas uma fração das obras do seu acervo, principalmente porque muitas são impressões e desenhos que só podem ser mostrados com parcimônia por causa de sua sensibilidade à luz. “Temos uma marcha inexorável que nos obriga a construir mais espaço de armazenamento, mais e mais”, disse Charles L. Venable, diretor do Museu de Arte de Indianápolis, em Newfields. “Não acho que seja uma prática sustentável”.

O museu de Venable estava tão congestionado de obras de arte que estava prestes a gastar cerca de US$ 14 milhões para dobrar seu espaço de armazenamento, até o plano ser cancelado abruptamente. Em vez disso, a instituição se dedicou a uma iniciativa para classificar cada uma das 54.000 peças de sua coleção com uma nota – 20% das peças receberam nota D, indicando que poderiam ser vendidas ou entregues a outras instituições.

Pouco tempo atrás, esse tipo de classificação seria vista por muitos no universo dos museus como algo de péssimo gosto. Mas Venable está agora na vanguarda de um crescente número de diretores de museus que estão analisando de maneira criteriosa o tamanho de seus acervos e sua forma de colecionar arte, por temerem uma história de acúmulo voraz e a pressão pela aquisição de mais e mais, que estariam criando uma crise para os museus americanos.

Redução de acessórios
Parte do problema está na facilidade e no glamour ligados a uma aquisição, diferentemente do ato de livrar-se de peças antigas. A redução dos acessórios, termo formal para o descarte de um objeto de arte, é um processo burocrático, e muitos ainda defendem a ideia segundo a qual livrar-se apressadamente desses objetos pode ser arriscado. “As pessoas têm dificuldade em compreender por que os museus têm mais obras do que seriam capazes de expor num dado momento”, disse o crítico e curador Robert Storr. “Mas o propósito dos museus é preservar o melhor do passado – independentemente do quanto uma peça possa se tornar temporariamente impopular”.

Com um orçamento limitado para aquisições, faz tempo que os museus dependem de doadores. O atual problema de armazenamento tem suas origens em doações como a de Adelaide Milton de Groot ao Metropolitan Museum of Art, em Nova York. Ela deu mais de 200 quadros, mas apenas meia dúzia eram obras de primeira linha

O acervo atual do Met supera a marca de 1,5 milhão de peças, muitas delas armazenadas em aproximadamente 9.700 metros quadrados de espaço de armazenamento no local e quatro instalações separadas. O diretor do Met, Max Hollein, disse que o tamanho do acervo mostra que a missão do museu vai além da exposição. “Precisamos também preservar o patrimônio cultural da humanidade”, disse, acrescentando que, no futuro, “o foco do Met não será naquilo que ainda pode nos faltar, e sim naquilo que já temos no acervo e em como exibi-lo”.

No Museu do Brooklyn, onde o armazenamento é um problema desde o início, a diretora Anne Pasternak disse que há cada vez mais debate a respeito de uma revisão nos termos das políticas de redução de acessórios.

As instalações do próprio museu foram atualizadas e agora incluem uma área de armazenamento aberta, permitindo que os visitantes vejam as peças guardadas. Mas Anne continua a pensar em como o espaço é usado. Ela gostaria de transformar uma sala de obras têxteis em uma galeria de arte africana. De acordo com ela, a análise do custo-benefício deixa poucas dúvidas. “Um lar permanente para uma galeria de arte africana, ou espaço para guardar algo que nunca sequer expusemos?”.

Venable criou certa polêmica ao decidir classificar todo o acervo do seu museu em Indianápolis, que expõe algo entre 8% e 10% do seu acervo por vez. A avaliação mediu as qualidades estéticas de uma obra, seu estado de conservação e se o museu teria exemplos melhores do mesmo gênero. Venable decidiu que a arte não deve ser mantida simplesmente para ser estudada. “No intervalo de um ano, quantos especialistas chegam a ver essas obras?”, indagou.

Desde 2011, o museu de Indianápolis se desfez de 4.615 objetos, a maioria dos quais foi vendida. Outras 124 obras foram transferidas para outras instituições. Para Venable, esse tipo de flexibilidade será essencial para a sobrevivência dos museus no futuro.“Qual é o equilíbrio entre colecionar objetos de arte quase obsessivamente e gastar vastos recursos com isso?”, perguntou. “Será que somos apenas viciados reunindo objetos trazidos por nossos curadores, geração após geração?” / PETER LIBBEY CONTRIBUIU COM A REPORTAGEM

Birgit Kos, Edie Campbell, Jana Julius, Rebecca Leigh Longendyke & Samile Bermannelli — Vogue Paris April 2019 By David Sims

A Fleur De Peau   —   Vogue Paris April 2019   —   www.vogue.fr
Photography: David Sims Model: Birgit Kos, Edie Campbell, Jana Julius, Rebecca Leigh Longendyke & Samile Bermannelli Hair: Duffy Make-Up: Lucia Pieroni Stylist: Emmanuelle Alt

Guardiões da Galáxia | Zoe Saldana elogia o retorno de James Gunn

“Estou orgulhosa da Disney por espalhar a mensagem de que redenção é importante”, afirmou

Zoe Saldana, Chris Pratt e James Gunn

Zoe Saldana falou sobre o retorno de James Gunn para franquia Guardiões da Galáxia. Em entrevista ao Entertainment Tonight (Via CB), elogiou a Disney por ter recontratado o diretor.

“Estou orgulhosa dele. Estou feliz com seu retorno. Estou tão orgulhosa da Disney e que os líderes por trás dessa grande corporação decidiram liderar pelo exemplo e agora vão espalhar a palavra e a mensagem de que redenção é importante”.

O presidente do Walt Disney Studios Alan Horn, que havia decidido demitir o cineasta em julho com o resgate de tweets polêmicos antigos de Gunn, mudou de ideia depois de uma série de encontros com o diretor e o pedido de desculpas público dele.

James Gunn foi dispensado de Guardiões da Galáxia Vol. 3 quando dezenas de tweets dele de quase uma década atrás foram resgatados. Os posts faziam comentários ofensivos em tom de piada sobre assuntos delicados como pedofilia e estupro e foram trazidos à tona por membros da alt-right, o movimento conservador formado pelos supremacistas brancos norte-americanos.

O estúdio agiu rapidamente e removeu Gunn da direção da terceira parte da franquia, acreditando que os comentários, apesar de antigos, eram inaceitáveis e não estavam de acordo com a imagem pública da Disney. Gunn se desculpou pelos comentários, e, desde então, recebeu apoio de fãs e de todo o elenco de Guardiões da Galáxia.

As filmagens do filme devem começar em fevereiro de 2021

Bilheteria EUA: Dumbo, Nós, Capitã Marvel, A Cinco Passos de Você, Unplanned

Dumbo arrecada US$ 45 milhões

O live-action de Dumboestreou em primeiro lugar nos EUA. O longa da Disney abriu com US$ 45 milhões. Com mais US$ 71 milhões arrecadados ao redor do globo, a produção chegou a um total de US$ 116 milhões – pouco abaixo das projeções de US$ 170 milhões. 

O segundo lugar ficou com Nós, novo terror dirigido por Jordan Peele. O longa somou mais US$ 33,6 milhões para uma queda de 53% em relação a sua estreia de US$ 71 milhões. O filme segue com um bom desempenho na bilheteria e em apenas 10 dias conta com um total no país de US$ 128,2 milhões.

O terceiro lugar ficou com Capitã Marvel, produção que fez mais US$ 20,5 milhões. Com isso, o filme chega a um total mundial de US$ 990 milhões ao redor do mundo.

O quarto lugar ficou com A Cinco Passos de Você, com US$ 6,2 milhões, e fechando o top 5 está a estreia Unplanned, com US$ 6,1 milhões.

Reportagem detalha morte da “ambição fashion” do Apple Watch

Extinta loja pop-up do Apple Watch nas Galeries Lafayette, em Paris

Voltemos um pouco no tempo, para os idos de 2015, e nos lembremos por alguns momentos do lançamento do Apple Watch e dos seus primeiros meses de vida. Sim, as coisas eram bem diferentes: ao contrário do produto “racional” que temos hoje, focado em simplificar a vida do usuário e melhorar sua saúde e bem-estar, o Watch era, em seus primeiros meses de vida, um acessório de moda — e da alta moda, a julgar pelas ambições da Apple e por aquela versão de ouro ridícula que custava R$100 mil.

O que aconteceu no meio do caminho, portanto? É justamente a pergunta que essa reportagem do New York Times busca responder. Para isso, a jornalista Vanessa Friedman foi buscar informações e opiniões de especialistas dentro e fora da Apple.

Tudo começou pouco antes do lançamento do Apple Watch, quando a Maçã começou a fazer uma série de contratações de nomes importantes do mundo da moda. Dentre elas, podemos citar Patrick Pruniaux, da TAG HeuerPaul Deneve, da Yves Saint Laurent, e, claro, Angela Ahrendts, ex-CEO da Burberry que rapidamente tornou-se uma das executivas mais importantes da Apple. Agora, todos eles já saíram (ou estão de saída, como é o caso de Angela) de Cupertino.

Durante o reinado de Angela, o lançamento do Apple Watch foi um circo recheado de celebridades e lugares relacionados ao mundo da moda. Tivemos lojas popup em centros fashion, como as Galeries Lafayette (em Paris) e a Selfridges (em Londres); tivemos eventos de lançamento com Karl Lagerfeld, Cara Delevingne e Mick Jagger; a Apple colaborou com nomes da alta costura, como Azzedine Alaia, para criar edições especiais do relógio.

Hoje, a publicidade do Apple Watch é focada em saúde/fitness e a Maçã concentra seus esforços de marketing nos modelos mais baratos — a versão Edition do reloginho, que começou em ouro e depois se metamorfoseou para um modelo (muito mais barato) de cerâmica, foi completamente extinta na quarta edição do aparelho.

NYT especulou que a estratégia de introduzir o Apple Watch no mundo fashion não foi exatamente um erro da Apple — a ideia seria colocar o relógio na boca do povo e, em seguida, conforme a tecnologia fosse avançando e o seu nome já estivesse consolidado, deixar esse mundo de lado para focar nos seus aspectos tecnológicos.

Como opinou o professor de marketing da Universidade de Nova York, Scott Galloway:

A sobreposição [entre tecnologia e moda] no diagrama de Venn não é tão grande quanto se pensava. A tecnologia basicamente trata de criar utilidades e espalhá-las para bilhões de pessoas. A moda trata de criar um momento, uma tendência, um romance, e espalhá-los para uma quantidade pequena de pessoas influentes.

Talvez, portanto, o flerte da Apple com o mundo fashion tenha sido nada mais que um sinal de que, à época do lançamento, ninguém sabia exatamente o que o Apple Watch era capaz de fazer ou no que ele se destacava (e, sinceramente, ele não se destacava em muita coisa). Hoje, com suas habilidades muito mais definidas e seu nome sendo formado, a Maçã tem todo o conforto para olhar para o mundo da moda no retrovisor e agradecer a sua “ajudinha” nos primeiros anos do relógio. [MacMagazine]

VIA CULT OF MAC

Você aceita este robô, na alegria e na tristeza?

Para pesquisadores, sexo e relacionamento com androides são os próximos passos da interação de humanos com a tecnologia; nos EUA, ‘robô erótico’ custa US$ 12 mil
Por Alex Williams – The New York Times

Machina’, robô e humano se apaixonam

Quando Akihiko Kondo, um administrador escolar de 35 anos de idade, caminhou por uma capela de Tóquio com um smoking branco em novembro passado, sua mãe não estava entre os 40 presentes que queriam lhe desejar sorte. Para ela, “não havia nada a comemorar”. A culpa era da noiva: uma cantora e atriz com o cabelo azul, penteado em maria-chiquinha. Ela se chama Hatsune Miku e é uma artista mundialmente famosa por suas gravações. Hatsune também é um holograma – e Kondo jura que o amor por ela é verdadeiro. É um exemplo de uma época em que avanços rápidos em robótica e inteligência artificial entram em colisão com concepções de identidade sexual. 

“Não está certo”, disse Kondo ao jornal japonês The Japan Times. Ele diz que passou anos se sentindo no ostracismo por culpa de mulheres da vida real – ele diz ser nerd – e se considera parte de uma minoria sexual discriminada. “É como se você estivesse tentando convencer um homem gay a namorar uma mulher”, comparou. 

Kondo é um exemplo de mais um dos muitos rótulos que existem hoje sobre identidade sexual: ele é um “digissexual” – a ideia de que humanos de carne e osso podem forjar relações emocionais e até sexuais com dispositivos digitais. 

É algo que não está só restrito a filmes de ficção científica, como Ex Machina: Instinto Artificial ou Ela, nos quais técnicos solitários caem de amores por femmes fatales movidas por software. Não é difícil imaginar que, nos próximos anos, robôs sexuais baseados em inteligência artificial se tornem predominantes. Enquanto isso, hoje já se vive em uma cultura permeada por pornografia online, sexting (enviar mensagens de conteúdo sexual) e o Tinder, na qual a tecnologia e o sexo já estão ligados. 

Para Neil McArthur e Markie Twist, pesquisadores de filosofia e estudos de família, respectivamente, estamos hoje entre a primeira e a segunda onda de “digissexualidade”. Na primeira, a tecnologia é um sistema de entrega para a satisfação sexual. A segunda onda será mais complexa, na qual haverá relacionamentos profundos e às vezes dispensando por completo a necessidade de um parceiro humano. 

Usuário pode escolher ‘look’ de robô da Abyss 

Twist, que também é dona de uma clínica de terapia sexual, disse que já tem vários pacientes que se identificam com a segunda onda. “Eles têm experimentando brinquedos que podem controlar com seus dispositivos tecnológicos, que se prendem aos seus sexos”, disse ela. “Eles realmente não têm interesse em sexo com pessoas. Se pudessem comprar um robô sexual, o fariam.” 

Há quem acredite que essa distinção não será relevante no futuro. “As gerações seguintes não farão distinção entre vidas online e offline. Para eles, crescer com robôs de conversa (chatbots) de educação sexual será tão normal quanto as aulas em fitas VHS e PowerPoint que tivemos na escola há algumas décadas”, diz Bryony Cole, fundador da Future of Sex, uma empresa dedicada a discutir a sexualidade contemporânea. 

Robôs sexuais. Hoje, robôs sexuais são ainda algo para poucos – muito poucos. Uma empresa californiana chamada Abyss Creations constrói um robô sexual feminino, com faces intercambiáveis, por US$ 12 mil. Seu cérebro – ou melhor, processador central – permite que a boneca pisque, converse e murmure palavras doces. (Em tempo: uma versão masculina, chamada Henry, com direito a um pênis biônico, também está em desenvolvimento). 

Segundo Matt McMullen, fundador da empresa, os androides são projetados não só para o sexo, mas também para oferecer companhia. “Parte da experiência para nossos usuários é voltar para casa após um longo dia de trabalho e encontrar um lar que não esteja vazio. Alguns deles compram flores ou até preparam um jantar falso com a boneca.” 

Para quem não pode pagar por seu próprio androide sexual, já há, claro, versões robóticas de bordéis. No Canadá e na Europa, prostíbulos de robôs surgem – e fecham – com alta velocidade. Em Moscou, um bordel do tipo cobra cerca de US$ 90 por um encontro de meia hora. Nos EUA, a ideia enfrenta resistência – em Houston, por exemplo, existe uma proibição a este tipo de negócio desde outubro de 2018. 

Consentimento. No entanto, há dúvidas sobre qual efeito os robôs sexuais podem gerar sobre a sociedade. Um espanhol especialista em robôs, Sergi Santos, disse que seu robô de US$ 2,5 mil, Samantha, ajudou a fortalecer seu casamento, dando-lhe uma saída segura e confiável quando sua esposa não estava de bom humor. 

Mas pode não ser sempre assim. “É preciso separar a relação com robôs sexuais. Há aqueles que usam como fetiche, que querem ter completo controle de uma relação sexual”, exemplifica a psicóloga californiana Pamela Rutledge. “Até há quem use um robô como um parceiro seguro e previsível, em busca de recuperação terapêutica após um trauma.” 

No ano passado, um grupo de ativistas começou um protesto após uma cena da série Westworld, no qual uma robô sexual é estuprada. Para eles, o uso de androides eróticos reforça estereótipos e a objetificação feminina. 

Não é ficção científica, infelizmente: em uma feira de tecnologia na Áustria, a robô Samantha respondeu “estou bem” depois que um grupo de homens a utilizou conjuntamente, deixando-a toda danificada. Hoje, Santos trabalha em uma nova versão da robô que se desligará sozinha caso a relação sexual se torne agressiva demais. / TRADUÇÃO DE CLAUDIA BOZZO

JessicaFélix @40grausmodels

Modelo: JessicaFélix @40grausmodels
Foto: @pdifotografia
Stylist: @ronaldorobim
Beauty: @nilenedutra
Assistente de estilo: @celmoura
Agradecimentos: @40grausmodels e @myplaceoficial

Design na fronteira com a arte

Fundadora e diretora da SP-Arte comenta as novidades do setor de design da mostra que abre suas portas na quarta-feira, 3
Marcelo Lima – O Estado De S.Paulo

A instalação Donuts de Jacqueline Terpins. Foto: Jacqueline Terpins

Para a fundadora e diretora da SP-Arte – Festival Internacional de Arte de São Paulo – Fernanda Feitosa, o flerte entre arte e design vem de longe. “Ao longo da história, o design tem incorporado processos e questionamentos típicos do fazer artístico, sobretudo nas últimas décadas”, diz. Natural, portanto, que tais inter-relações a levem a apostar no setor design em sua mostra anual, que chega à 15ª edição, de quarta-feira, 3, a domingo, 7 de abril, no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera. No total, serão 45 expositores – 12 a mais que no ano passado –, divididos em cinco núcleos distintos, incluindo o de Arquitetos. “Vamos apresentar profissionais com móveis autorais raramente vistos. “Trata-se de outra conexão importante, que merece um olhar mais atento”, como afirmou Fernanda, em entrevista exclusiva ao Casa.

O segmento de design dentro da SP-Arte chega a quarta edição, com crescimento do seu prestígio e do número de expositores. A que atribui o sucesso da iniciativa?
Na verdade, a um conjunto de fatores. A começar pelo público que circula pela Bienal durante os dias da nossa feira. Sempre acreditei que colecionadores de boa arte são potenciais compradores de bom design e, ao longo dos anos, a mostra vem confirmando isso. Depois, o interesse do evento em se ajustar aos diferentes segmentos do mercado, com ofertas para o colecionador, o comprador e o público interessado em informação, sobretudo jovens profissionais e estudantes.

Qual o critério de seleção e quem realiza a curadoria do evento, selecionando os temas de cada edição e as empresas participantes?
A princípio não existe nenhuma restrição em relação ao tipo ou escala de produção de cada participante. Nosso critério foi, e continuará sendo, o design autoral. Ou seja, apresentamos peças que têm autoria comprovada e conhecida, de qualquer época, embora, em sua maioria, elas sejam modernas ou contemporâneas. Quanto à curadoria, me ocupo pessoalmente da seleção, mas, em geral, ao lado de especialistas de cada setor. Se tratando de design, mesmo dentro de uma mesma época, existem olhares muito específicos, daí a necessidade de buscar opiniões mais abalizadas.

Na sua opinião, quais serão os destaques entre os projetos especiais desta edição?
Pelo o que ele representa de revolucionário da história do design nacional, considero fundamental a comemoração em torno do centenário de nascimento de Zanine Caldas (designer e arquiteto autodidata que se destacou por seu mobiliário de linhas modernistas, a partir dos anos 1940). A SP-Arte vai homenageá-lo com a Ocupação Zanine Caldas, com diversos expositores apresentando de peças originais a reedições de seus móveis. Entre os contemporâneos, a Ovo apresenta a linha de móveis projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha para o S 24 de Maio. Por fim, pela ponte que realiza entre a arte e o design, a instalação Donuts, de Jaqueline Terpins traz um disco de gelo que vai derreter enquanto a mostra durar. Ela está muito animada com a ideia. E eu, mais ainda.

O aparador “U” em balanço, de Jacqueline Terpins, de madeira imbuia. Foto: Jacqueline Terpins
Fundadora da SP-ARTE, Fernanda Feitosa. Foto: Ênio Cesar