Dia Internacional da Mulher: Conheça cinco designers que deixaram sua marca na decoração

Em um universo predominantemente masculino, cinco mulheres se destacaram pela criatividade, ousadia e inovação em todo o mundo; veja suas histórias no Dia Internacional da Mulher

Casa de Vidro, no Morumbi, projetado por Lina Bo Bardi, a mesma arquiteta responsável pelo projeto do Museu de Arte de São Paulo Foto: Sergio Castro / AE

Residências e móveis ousados e modernos e projetos arquitetônicos que viraram cartões-postais são parte do legado de mulheres que deixaram suas marcas no mundo do design e da arquitetura. No Dia Internacional da Mulher, o Casa relembra cinco artistas que são lembradas até hoje pela criatividade e inovação em todo o mundo.


Charlotte Perriand

Charlotte Perriand em 1991, ao lado de seus projetos arquivados em rolos no ateliê da Rue des Cases. Foto: reConnaitre: Charlotte Perriand: Fernand Leger, une Connivence / ReproduçãoreConnaitre: Charlotte Perriand: Fernand Leger, une Connivence

Parisiense de nascença, Charlotte Perriand desbravou o mundo do design de interiores então predominantemente masculino e se estabeleceu como uma referência feminina na década de 1920. A francesa chamou a atenção durante o Salão de Outono, em Paris, ao apresentar o “Bar sous le toit”, instalação com um bar embutido com paredes cromadas e uma mesa de carteado com porta-copos semelhantes a buracos de mesa de bilhar.

O bar de Perriand a levou ao Le Corbusier, famoso estúdio de design em Paris, e a partir daí a carreira da francesa passou por vários pontos do globo. Quando a Segunda Guerra Mundial eclodiu na Europa, foi convidada pelo ministro de Comércio e Interior do Japão para auxiliá-lo na produção de novos produtos para o mercado ocidental. Após a entrada do país asiático na guerra, migrou para a então Indochina, Vietnã e até ao Brasil, onde buscou inspiração no Rio de Janeiro.

O famoso Bar sous le toit onde recebia os amigos e cuja perspectiva também foi apresentada no Salão de Artistas Decorativos em 1928 em Paris. Foto: reConnaitre: Charlotte Perriand: Fernand Leger, une Connivence / Reprodução

Avantgarde e modernista, Perriand foi responsável pela elaboração de estações de ski nos Alpes franceses, colaborou na criação de complexos residenciais em Marseille e teve obras de seu trabalho expostas no Museu de Artes Decorativas e no Centro Pompidou, ambos em Paris, no Museu do Design de Londres e na Liga Arquitetônica de Nova York.


Ray Eames

Metade do famoso casal Eames, Ray é considerada uma das designers mais influentes do modernismo, sendo responsável, junto do marido, Charles, por móveis elegantes, simples e funcionais. Um dos seus melhores exemplos é a Eames Lounge Chair, exposta no Museu de Arte Moderna de Nova York, e as cadeiras molded plywood, ambas na década de 1940.

A Eames Lounge Chair, de Ray Eames. Foto: Tok&Stok / Reprodução

Nascida em Sacramento, na California, Ray se mudou para Nova York para estudar pintura expressionista abstrata e conhece Charles durante uma competição de desenhos e maquetes. Uma vez casados, passam a utilizar técnicas como uso de fibra de vidro e a criação de cadeiras em resina plástica e em malha de metal para criar um estilo próprio, até hoje relacionado à dupla. Apesar do trabalho, apenas Charles assinava os trabalhos. O nome de Ray só foi reconhecido anos depois, quando a Instituto Real de Arquitetos Britânicos homenageou o trabalho do casal.


Eileen Gray

Pioneira do movimento modernista na arquitetura, a irlandesa Eileen Gray é conhecida por projetar e construir a E-1027, pequena villa em formato de “L” nos Alpes Marítimos franceses, com teto plano, janelas que vão do teto ao chão e uma escada em espiral até os quartos de hóspedes.

Durante sua carreira, Gray foi a responsável pelo design do interior do apartamento da socialite francesa Juliette Lévy, na conhecida Rue de Lota, em Paris. O projeto foi reconhecido como o “epítome da Art-Déco” pela imprensa à época. Inicialmente uma fã de materiais luxuosos, como madeiras raras e mármore, Gray gradativamente migrou para o estilo industrial a partir dos anos 1920, onde se firmou como referência modernista.

Atualmente, o Museu Nacional da Irlanda mantém uma exposição permanente com obras de Eileen Gray e, em fevereiro de 2009, uma de suas poltronas foi leiloada por 21,9 milhões de euros em Paris. 


Lina Bo Bardi

O paulista que não conhece Achillina Bo, ou Lina Bo Bardi, deve visitar um dos cartões-postais de São Paulo para ser apresentado ao seu trabalho. A italiana é a responsável pelo projeto do Museu de Arte de São Paulo, o Masp. 

Lina na escada do Belvedere do Masp em1973. Imagens da exposição em homenagem a Lina Bo Bardi no Museu da Casa Brasileira. Foto: ACERVO INSTITUTO LINA BO E P.M.BARDI

Naturalizada brasileira em 1951, Lina Bo Bardi é conhecida por seus trabalhos ligados à cultura popular brasileira, a qual era fascinada. Em São Paulo, um de seus primeiros trabalhos foi a Casa de Vidro, no Morumbi, onde hoje funciona o instituto em sua homenagem. A convite do empresário Assis Chateaubriand, fica a cargo do projeto do que viria a ser o Masp e, em Salvador, lidera o projeto de recuperação do Solar do Unhão e restauração do centro histórico.  No fim da década de 1970, executa o projeto do Sesc Pompeia, na zona oeste da capital. 

Prédio do Masp projetado pela arquiteta Lina Bo Bardi. Foto: Tiago Queiroz / Estadão

O único projeto que não conseguiu concluir foi a reforma da Prefeitura de São Paulo. Dona Lina, como era conhecida, morreu em março de 1992, deixando um legado de intensa produção cultural no Brasil.


Andrée Putman

Considerada a “Coco Chanel do design”, a francesa Andrée Putman colecionou grandes projetos que vão desde o interior do Hotel Morgans, em Nova York, ao interior do avião supersônico Concorde. Seu estilo xadrez, com quadrados em preto e branco, se tornou sua marca.

Andre Putman, quase sempre de preto. Foto: PUTMAN STYLE, DE STEPHANE GERSCHEL / Reprodução

Andrée começou como mensageira da revista Femina, onde viria a trabalhar como jornalista. Ao assumir a direção das lojas Prisunic passou a buscar montar um estilo simples, longe de modismo e luxo, e acessível. A carreira veio tarde: somente na década de 1980 se tornou reconhecida após a reforma do Morgans, quando passou a ser convidada para projetar o interior de outros hotéis, como o Le Lac (Japão), Wasserturm (Alemanha) e o Sheraton (França).

O preto e branco que usou no Morgan’s Hotel em NY passaram a ser quase uma marca registrada da designer. Foto: PUTMAN STYLE, DE STEPHANE GERSCHEL

A francesa também foi responsável pelo design de lojas famosas, como Balenciaga e Lagerfeld, além de ter executado o projeto do interior do Ministério da Cultura da França em 1984. Durante sua carreira, Andrée Putman recebeu 18 prêmios internacionais pelas suas obras.

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