Quer ser chefe? 8 mulheres CEOs falam sobre como chegaram lá

Além dos conselhos, as diretoras dividem as dores e delícias de ocupar as posições mais altas de suas empresas
FLÁVIA BEZERRA

Dia Internacional da Mulher é comemorado neste dia 08 de março (Foto: Reprodução)

Um exercício rápido para fazer nesta sexta, 08, Dia Internacional da Mulher: quantas mulheres são diretoras ou ocupam cargos de liderança na empresa em que você trabalha? Provavelmente, poucas. Segundo dados divulgados pelo IBGE no ano passado, a participação das mulheres em nos cargos gerenciais diminuiu nos últimos anos: em 2011, elas respondiam por 39,5% destes cargos. Cinco anos depois, o número passou para 37,8%.

Pensando nisso, a revistaGlamour conversou com 8 líderes sobre as dores e delícias de ocupar as posições mais altas de suas empresas. Todas deram dicas sobre como chegar lá e (adivinha só?) comentaram sobre como o machismo esteve presente na trajetória delas. Inspire-se abaixo:

CAMILA COSTA, CEO da ID\TBWA (agência de publicidade digital), investidora anjo e mentora de startups lideradas por mulheres
“Hoje, lidero mais de 100 pessoas e tento fazer isso por exemplo e de forma zero impositiva. Sem dúvida, liderar é meu maior desafio, mas também minha maior alegria. É preciso ouvir muito, ter conhecimento para orientar e vontade para se envolver. Às vezes, também é necessário sair da visão de líder e enxergar com os olhos de cada pessoa do time. A forma de liderar feminina é, geralmente, diferente do jeito masculino. Isso não é demérito, muito pelo contrário… É fortaleza! A minha dica é: sejam autênticas, dedicadas e proativas. Busquem sempre conhecimento e conteúdo. Tragam temas relevantes e novidades para as rodas de conversa ou na orientação de seus times. E não se esqueçam de tirar o melhor proveito do dom especial que recebemos: o do cuidado. Afinal, fortalecendo pessoas e promovendo a diversidade, podemos impactar com relevância e inspiração.”

MARINA PROENÇA, COO da ClickBus, plataforma de vendas online de passagens rodoviárias
“Conseguir ser executiva de alta performance, conciliando vida pessoal e profissional é um grande desafio. Por muito tempo, abandonei família, casa e amigos. Atualmente, os fins de semana, feriados e as últimas semanas do ano são 100% deles. E atente-se ao machismo que vive dentro de você. Eu, por exemplo, já pensei ‘ah, não vou pedir equiparação salarial porque, apesar de trabalhar mais e entregar mais resultados, ele é mais experiente’. Por isso, a importância de compartilhar conteúdo e criar debates sobre o tema com o time. Quer chegar na diretoria? Desenvolva visão sistêmica, estratégica, capacidade analítica e, principalmente, habilidade de compreender as pessoas do seu time e não criar empecilhos, mas facilitar o caminho dos seus liderados. Para se destacar? Nada diferente dos homens: foque na entrega dos resultados.”

ALEXANDRA AVELAR, country manager da Socialbakers, empresa global de marketing de mídia social
“Nunca tive uma líder mulher. Junto com a objetividade masculina, herdei o machismo velado. Não entendia o que era a maternidade, suas necessidades e direitos. Acabava perdendo em empatia, sem nem mesmo perceber. Quando engravidei, embora já tivesse aprendido e mudado bastante, pude entender melhor o que está envolvido ali. Não foi fácil sentir na pele a falta de compreensão que um dia foi minha. O momento mais difícil da minha carreira, aliás, foi ter sido demitida após a licença-maternidade. Por tudo isso, temos que unir forças e educar. Educar gestores, educar nossas crianças… Eu mesma, antes de ser mãe, não tinha acesso a informações que tenho hoje, com as quais tento conscientizar outros líderes. Ah!, e saiba tirar vantagem da atual ‘desvantagem’ de ser mulher. A forma como lidamos com as emoções, a preocupação com o todo, o cuidado (que nos é tão peculiar), os aprendizados da maternidade… Essas podem ser fortalezas, se permitirmos. Não precisamos deixar de lado a feminilidade para isso. Agora, para se destacar, é preciso se preparar e ir à luta. A gente pode mais do que imagina.”

JULIANA PROSERPIO, co-founder da Echos, consultoria de inovação de design thinking
“Comecei na Echos aos 25 anos. Em reuniões, tinha muita dificuldade de conseguir mostrar credibilidade e falar. Era mulher, a mais nova da turma e ainda propunha algo desconhecido. Me lembro de uma reunião de início de projeto que não conseguia nem terminar uma frase e logo era interrompida. A estratégia foi começar a levar uma pessoa de apoio, um homem mais velho que me passava a voz. É lógico que funcionou… Hoje, porém, não investiria na mesma estratégia, pois ela reforça a estrutura machista. Por causa disso, acredito muito nos programas internos de desenvolvimento e conscientização dos funcionários. Ampliar a capacidade de comunicação e de contar histórias, além da empatia, também são importantíssimos.”

TAHIANA D’EGMONT, CMO da MaxMilhas, empresa de passagens aéreas com desconto emitidas por milhas de quem deseja vender
“Como comecei a trabalhar muito jovem, era vista como ‘pouco importante’ em reuniões com pessoas mais experientes na sala (e, em sua grande maioria, homens). O que me ajudou a superar este desafio foi me preparar muito, evoluir constantemente e entregar valor não só no discurso, mas, principalmente, na ação. Já tive que lidar e, ainda lido, com a atenção de uma reunião 100% centrada nos homens. Também me incomoda muito quando eles tentam me explicar em detalhes questões técnicas que já sei.. Sempre tenho que falar ‘essa parte eu já sei, vamos ao que realmente importa?’. Todos devem reconhecer seus privilégios e dores para que, em conjunto, possamos evoluir como plurais. Líderes mulheres e homens precisam entender que seus resultados vêm do resultado do time e não das suas conquistas pessoais.”

LIVIA RIGUEIRAL, CEO do Homer, ferramenta de parcerias imobiliárias exclusiva para corretores 
“Já trabalhei em uma empresa em que, após ser promovida e passar a gerenciar pessoas mais velhas do que eu, colegas homens e mulheres acreditavam fielmente que eu estava tendo um caso com o chefe. Foi bem difícil para mim na época. A equipe já não conversava comigo direito e ainda falavam mal de mim pelas costas. Me lembro de um estudo da consultoria Mckinsey, de 2011, que destacava que homens são promovidos segundo o potencial, enquanto as mulheres, com base no que elas já realizaram. A partir daí já dá para entender porque a liderança feminina acontece menos: se somos promovidas pelo que já realizamos, como vamos ser líderes se não temos liderança no CV? Outro aspecto importante é a licença-paternidade estendida… Ela tem que acontecer! É fato que a licença-maternidade impacta tanto na diferença de salário, quanto no alcance da liderança. E, por fim, meninas: não percam a autenticidade. A sociedade está acostumada com um padrão de liderança mais masculino e, muitas vezes, mais agressivo. Por isso, muitas acham que para ser boas precisam ser rudes.”

ISABELA VENTURA, CEO da Squid, plataforma de marketing com digital influencers
“Embora com melhorias, sabemos que o mercado de trabalho ainda é hostil e torturante para muitas mulheres. Precisamos parar de criticar o feminismo e começar a pensar que todas as as políticas que igualam oportunidades às mulheres são bem-vindas. Ser feminista é acreditar na igualdade social, política e econômica de ambos os sexos. Eu, infelizmente, nunca tive a oportunidade de ser liderada por uma mulher, mas tive a sorte der ser inspirada por homens incríveis. Me lembro bem quando recebi o melhor e mais valioso conselho de um grande líder, que me disse que meu medo de ser julgada me reprimia. O medo está, de fato, na base de muitas das barreiras que nós enfrentamos: medo de não ser admirada. Medo de não fazer a escolha certa. Medo de ser antipática. Medo de ser uma fraude. Medo de ser julgada como péssima profissional… Mas, atenta: características exclusivamente humanas e femininas, como criatividade, imaginação, intuição e emoção, serão ainda mais importantes no futuro. As máquinas são muito boas em simular, mas não em ser. E é aí que, ao meu ver, o feminino vira o jogo.”

CRISTIANA BRITO, diretora de relações institucionais e sustentabilidade para a América Latina da BASF, empresa química
“Enfrentar o preconceito é um dos maiores desafios do meu dia a dia. É claro que todos temos desafios. É preciso inovar, estar atualizada e buscar aprender sempre, independentemente do gênero. Mas, reconhecer sua capacidade para exercer determinada função e notar barreiras para o crescimento simplesmente porque se é mulher, poxa, realmente é muito frustrante. E como lido com isso? Insisto no meu ponto, deixo bem claro, volto no assunto quantas vezes for necessário. Se eu vejo alguma mulher tendo a opinião abafada em uma reunião, por exemplo, procuro apoiá-la de forma delicada, mas mantendo a firmeza. Trabalhando no livro ‘Mulher alfa: liderança que inspira’, pude perceber que disciplina, empatia, coragem e resiliência são características essenciais, que fazem a diferença feminina. Também podemos incluir assertividade, dedicação, poder de decisão, sociabilidade, flexibilidade, curiosidade e respeito. Boas líderes são mulheres que inspiram os que estão a sua volta. E é importante lembrar que as mulheres têm características de liderança diferentes dos homens, o que é ótimo! Equipes mistas são muito mais produtivas.”

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