O que você precisa saber sobre depressão pós-parto

Novas recomendações podem trazer esperança para muitas mulheres
Pam Belluck, The New York Times

Mãe de sete, Captoria Porter, de Illinois, disse que só teve depressão na sexta gravidez. Foto: Nolis Anderson para The New York Times

Pela primeira vez, uma mesa de debate de saúde (Força-Tarefa de Serviços Preventivos dos EUA) recomendou uma forma de prevenir a depressão durante e após a gravidez. Esse quadro, conhecido como depressão pós-parto, afeta até uma em cada sete mulheres nos Estados Unidos, e incontáveis outras em todo o mundo. É considerada a complicação mais comum da gestação. Eis aqui um guia do que observar e como obter ajuda.

O que é a depressão pós-parto e quais são os indícios de que você ou uma pessoa querida estaria passando por algo assim?
A depressão pós-parto pode ocorrer durante a gravidez ou em qualquer momento durante o ano posterior ao parto. De acordo com a definição da mesa, pode envolver sintomas depressivos maiores ou menores com duração de pelo menos duas semanas, incluindo a falta de energia e capacidade de concentração, perturbações nos padrões de sono e alimentação, baixa autoestima e pensamentos suicidas.

Não é o mesmo que melancolia puerperal, menos severa e mais breve. A mesa disse que a “melancolia puerperal” pode ocorrer logo após o parto, incluindo sintomas como choro, irritabilidade, fadiga e ansiedade, sintomas que costumam desaparecer em 10 dias.

O risco de depressão pós-parto é maior para algumas mulheres?
Muitos fatores podem aumentar o risco de depressão durante e depois da gravidez. Um histórico pessoal ou familiar de depressão é um significativo fator de risco. Outros incluem uma série de experiências que podem produzir estresse: desgastes recentes no relacionamento ou divórcio; situações de abuso ou violência doméstica; ser mãe solteira ou na adolescência; ter uma gravidez indesejada ou não planejada.

Os fardos econômicos aumentam o risco – cerca de um terço das mulheres de baixa renda desenvolve depressão durante ou depois da gravidez. A mesa disse que toda mulher que apresentar um dos fatores de risco citados acima deve buscar orientação para evitar o quadro depressivo.

Quais são as melhores formas de atendimento e até que ponto elas funcionam?
O relatório identificou que as mulheres com acesso a uma de duas formas de atendimento tinham probabilidade 39% menor de desenvolver depressão pós-parto. Uma abordagem envolve a terapia comportamental cognitiva, que ajuda as mulheres com seus sentimentos e a expectativa de criarem ambientes saudáveis de afetuosos para seus filhos.

A outra envolve a terapia interpessoal, incluindo o desenvolvimento de habilidades de autocuidado e exercícios de interpretação de papéis para ajudar na resolução de conflitos e gestão do estresse.

E quanto a outros métodos de prevenção?
Nos 50 estudos analisados pela força-tarefa, havia indícios promissores em algumas abordagens, incluindo atividade física e três programas europeus (na Grã-Bretanha e na Holanda) que envolviam visitas domésticas de parteiras e outros profissionais de saúde. Mas os benefícios evidentes eram menos substanciais do que os da abordagem terapêutica.

A mesa identificou efeitos negativos nos dois estudos pequenos realizados com antidepressivos. Um estudo informou casos de tontura e sonolência entre mulheres que tomaram Zoloft. O outro informou que um número maior de mulheres tomando Pamelor se sentiram constipadas.

Isso não significa que os antidepressivos não servem para o tratamento da depressão em si. Mas, por enquanto, os estudos não indicam que esses remédios seriam a melhor maneira de evitar a depressão ligada à gestação antes do seu desenvolvimento.

Para as mulheres que desenvolvem depressão pós-parto, qual o tratamento mais indicado?
Quem apresenta os sintomas descritos deve buscar a ajuda de um profissional da medicina. O tratamento pode envolver terapia, medicação ou ambos. O primeiro passo é saber que você não está sozinha e que há tratamento para essa condição.

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