Floresta urbana: tendência entre os millennials, as plantas tomaram conta dos apartamentos

Criada no interior, Roberta Ferraz ocupou o apartamento onde vive com o marido, Marcelo Oliveira, em São Paulo, com vasos enormes e móbiles de plantas — e deixou seu apê com cara de fazenda
POR ROBERTA MALTA

Sala de estar dominada por verde (Foto: Carol Gherardi)

Quando a escritora Roberta Ferraz, 38 anos, e o advogado Marcelo Oliveira, 41, foram visitar o apartamento duplo instalado em um prédio da década de 50, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, a visão não foi das mais animadoras. O antigo morador havia juntado dois imóveis vizinhos, mas não conseguiu transformá-los em um só. Nem estética nem funcionalmente. “Era como se fossem casas distintas, separadas por paredes”, conta Roberta. “O ex-proprietário fez a reforma, mas não desmontou o esquema dos apartamentos.”

Lifestyle decor - O jardim de vasos (Foto: Carol Gherardi)
O jardim de vasos (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - O escritório de Roberta (Foto: Carol Gherardi)
O escritório de Roberta (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - O casal no sofá (Foto: Carol Gherardi)
O casal no sofá (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - A gata Diana (Foto: Carol Gherardi)
A gata Diana (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - Detalhe de um dos cristais da casa (Foto: Carol Gherardi)
Detalhe de um dos cristais da casa (Foto: Carol Gherardi)

A primeira providência dos dois, que são primos de terceiro grau, foi chamar o melhor amigo, Fernando Falcon, para resolver o impasse. Sócio do Tacoa Arquitetos, ele imediatamente achou a solução. “Vamos tirar o excesso de parede e deixar a estrutura aparecer para a gente visualizar o espelhamento do espaço”, disse. Em sete meses, estava tudo pronto. Escritórios individuais e lavabo de um lado; suíte, closet, banheiro e quarto de hóspedes do outro. E no meio, uma sala sem divisórias, com janelas enormes, cozinha aberta e as cores da fazenda em Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, onde a doutora em literatura portuguesa cresceu: vermelho e verde, só que adaptados aos acabamentos atuais.

Forrado por cimento queimado, o chão do apartamento de 198 metros quadrados foi encerado cinco vezes para chegar ao tom das lajotas da infância. “Eu mesma passei a cera”, diz Roberta. Foram cinco mãos até chegar à cor de sua memória. Mas o apartamento só virou mesmo uma versão urbana da fazenda sete anos depois, quando ela começou a sentir falta das plantas da casa da avó materna. Lá, ficavam fora da sala. Mas como eram muitas e encontravam sempre as portas e janelas abertas, invadiam a casa.

Lifestyle decor - A mesa de jantar (Foto: Carol Gherardi)
A mesa de jantar (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - A cozinha aberta  (Foto: Carol Gherardi)
A cozinha aberta (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - A pet Morgana (Foto: Carol Gherardi)
A pet Morgana (Foto: Carol Gherardi)

No lugar dos tatames, onde costumavam se jogar com os amigos, botaram enormes vasos de plantas e móbiles cheios de verde desenhados pela paisagista Daniela Ruiz. Estava montada a floresta, de que Roberta faz questão de cuidar pessoalmente. “É a única coisa que se movimenta aqui”, diz.

Estáticos, os quadros são da nova geração de artistas plásticos, todos amigos do casal. Tem obras de Lucas Simões, Sergio Lucena, Hugo Frasa, Silvia Velludo, Carolina Krieger entre fotos assinadas por Pierre Verger e Francesca Woodman, que ganharam da família, e um retrato do trisavô em comum de cabeça para baixo. “Minha avó que me deu”, conta Roberta. “Depois que descobrimos que ele era feminicida, o deixamos assim virado.”

Uma tela suspensa enrolada no alto de uma das paredes transforma a sala em um cinema num toque de mágica. Móveis de madeira com a grife Carlos Motta, referências astrológicas, cristais e outros objetos místicos completam o décor. Por fim, os animais de louça garimpados em viagens que dividem o espaço com as gatas, Morgana e Diana.

Lifestyle decor - O quarto principal (Foto: Carol Gherardi)
O quarto principal (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - Entrada do banheiro (Foto: Carol Gherardi)
Quadro do pai da escritora, João Carlos de Figueiredo Ferraz (Foto: Carol Gherardi)
Lifestyle decor - Entrada do banheiro (Foto: Carol Gherardi)
Entrada do banheiro (Foto: Carol Gherardi)

Mais funcional, o entorno desse ambiente é ocupado pontualmente. Quando não têm gente, o quarto e o banheiro de hóspedes funcionam meio como depósito de malas e trecos. O do casal é onde acontece o cineminha nos dias mais quentes. “Porque tem ar condicionado”, diz Roberta. Bem diferentes um do outro, os escritórios são usados quase todas as manhãs por seus respectivos donos. “O meu praticamente não tem cor”, explica Marcelo, diante do cômodo cinza, branco e preto. O de sua mulher, ao contrário, é cheio de enfeitinhos, penduricalhos e tem uma luminária de vidro colorido ao lado da poltrona onde lê por horas seguidas.

Não é preciso dizer que o coração da casa é mesmo a sala. Ali, recebem amigos, fazem companhia a quem estiver na cozinha – ele em dias de jantares especiais, ela no dia a dia – e descansam nas redes enquanto escutam música. No fim deste verão, como em todos os anos, os pombinhos irão até o sítio da mãe de Marcelo, em Holambra, repor as plantas castigadas pelo sol que varre o ambiente durante a manhã. “A ideia é isso aqui crescer, crescer, crescer e ocupar cada vez mais o espaço”, diz Roberta. E deixar o clima de fazenda se instalar de vez em pleno bairro de Pinheiros – um dos mais agitados de São Paulo.

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