Conheça Elizabeth de Portzamparc, a carioca que faz sucesso na Arquitetura mundial

Ela, que trocou o Rio por Paris há 50 anos, faz projetos para durar longos ciclos
Suzete Aché

Elizabeth de Portzamparc: sucesso no mundo Foto: Leo Martins/ O Globo

É difícil de acreditar que essa arquiteta carioca (ou franco-brasileira, como se define) possa estar à frente de projetos tão distintos como um museu arqueológico em Nîmes, no Sul da França, a estação de trem de Le Bourget, em Paris, e uma torre de 300 metros de altura em Taiwan. Enérgica , Elizabeth Jardim das Neves só conseguiu manter o nome de solteira até o dia em que a escrivaninha 24 Heures, desenhada por ela em 1986 , foi a estrela de uma mostra na Fundação Cartier e a placa de identificação não ficou pronta a tempo da abertura.

— Foi quando Odille Fillion, mulher de Jean Nouvel, resolveu a questão. “Ah, ela é a Elizabeth do Portzamparc”, referindo-se ao sobrenome do meu marido Christian ( arquiteto francês que venceu o Prêmio Pritzker, em 1994, e é autor do polêmico projeto da Cidade das Artes, na Barra ) — conta ela, casada há 37 anos, mãe de Serge e Philippe, de 36 e 32, e avó de Joaquim, 6, e Lino, de 1 ano e 8 meses.

Pelos netos, que vivem em Minas Gerais, Elizabeth está sempre de malas prontas para vir ao Brasil. E também para acompanhar o projeto de sua casa na Urca, que será construída em um terreno onde a Mata Atlântica está sendo resgatada pelo escritório do paisagista Fernando Chacel.

A arquiteta Elizabeth de Portzamparc no IED, onde lançou seu livro Foto: Leo Martins/ O Globo

— A vista é maravilhosa porque a casa estará bem no alto, mas terei que protegê-la do sol por meio de brises — planeja ela, que alugou um apartamento no bairro para se adaptar à vizinhança até a casa sair do papel.

Mês passado, a arquiteta fez palestras no Rio e em São Paulo e lançou, no IED, um livro com 255 páginas mostrando projetos feitos ao redor do mundo. Mas não ficará muito tempo longe. Ela foi convidada para fazer parte do Comitê de Honra do 27° Congresso Internacional de Arquitetos (UIA 2020 Rio), cuja missão é sugerir temas para debates.

Durante seu primeiro ano de Sociologia na PUC-Rio, Elizabeth, que não revela a idade, resolveu se mudar para Paris, onde fez pós-graduação e mestrado em Antropologia e Sociologia Urbana. Em sua tese, propôs soluções para interligar cidades fugindo da arquitetura contemplativa que, segundo ela, não é socialmente útil. Recém-formada, trabalhou em um escritório da prefeitura em Antony, a 10 minutos de Paris, e, depois dos filhos criados, passou a dedicar-se a importantes concursos internacionais, um meio, segundo ela, bastante masculino.

O Museu de la Romanité Foto: Divulgação

— Alguns são muito badalados, mas os candidatos ficam no anonimato para não influenciar os jurados — diz ela, que venceu em 2012 o concurso da Prefeitura de Nîmes para o Musée de la Romanité, concorrendo com Rudy Ricciotti e Richard Meyer, dois “starchitects”. — Acho que tive sorte, mas o que contou foram os conceitos. É uma área de 9.100 metros quadrados, em frente a uma arena romana e reúne tesouros arqueológicos de 20 séculos. Fiz toda a museografia do lugar e o conceito urbano. A fachada é revestida de lâminas de vidro translúcidas com serigrafia por fora que filtra a luz e, conforme a hora do dia, muda de cor. No terraço dei um toque brasileiro: o jardim arqueológico é uma homenagem a Niemeyer.

A lista de obras de Elizabeth é enorme e bem diversa. Um ponto em comum: ela sempre propõe que os espaços durem um ciclo longo, pensando no bem coletivo. Suas torres de quarta geração em Taiwan, por exemplo, são prédios que deixam de ser uma interrupção do urbanismo e se tornam uma continuação das cidades, com muitos espaços de convivência para os funcionários dos escritórios.

Detalhe do Science Hall de Zhangjiang, em Shangai Foto: Divulgação

— Nossa formação não nos prepara para enfrentar as crises climáticas, sociais e econômicas que estamos vivendo. Em meu escritório tenho um núcleo sustentável onde fixei 10 regras do que chamo de nova arquitetura, sempre em busca de soluções para esses desafios — explica ela, que, apesar das viagens longas e extenuantes entre países tão distantes, encontra tempo para um hobby: grava em todos os lugares que vai o canto dos sabiás.

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