Primeira mulher astronauta nos EUA, Jerrie Cobb morre aos 88 anos

Símbolo na luta por igualdade de gênero, ela nunca chegou a ir ao espaço. Em vez de mandá-la em missão espacial, a Nasa a transformou em consultora

Jerrie Cobb viveu frustrada por não ter podido participar de missões: ‘Meu país, minha cultura, não estavam preparados para permitir que uma mulher fosse enviada para o espaço’, escreveu ela em sua autobriografia Foto: Ilustração de Luiz Lopes sobre foto de divulgação/Nasa

A primeira mulher dos EUA a passar nos testes físicos e se tornar astronauta morreu aos 88 anos, na Flórida, no dia 18 de março. A morte de Geraldyn Cobb — conhecida como Jerrie Cobb — foi anunciada pelo jornalista Miles O’Brien, porta-voz da família.

Jerrie entrou para a Nasa, a agência espacial americana, em 1961, quando tinha 30 anos de idade. No entanto, ela nunca chegou a ser enviada ao espaço. Em vez de mandá-la em missão, a Nasa a transformou em consultora.

Ela fez sessões de fotos dentro de uma cápsula espacial, usadas como propaganda pelo governo, mas nunca integrou uma missão real Foto: Divulgação/Nasa

O mais perto que ela chegou das estrelas foram as sessões de fotos dentro de uma cápsula espacial, usadas como propaganda pelo governo americano.

Quando a soviética Valentina Tereshkova enfim tornou-se a primeira mulher no espaço, em 1963, Jerrie não segurou a irritação.

— Acho que sou a consultora menos consultada de uma agência do governo — disse a repórteres na ocasião, com menos de um ano de emprego.

Uma semana depois, ela foi desligada do programa espacial.

Quando Neil Armstrong deu os primeiros passos na Lua, em 1969, Jerrie tinha capacitação suficiente para ser parte do time. Mas ela estava na floresta amazônica pilotando aviões com ajuda humanitária — trabalho que lhe rendeu homenagens dos governos de Brasil, Colômbia, Peru e Equador, além de uma indicação ao Nobel da Paz, em 1981.

— Eu daria minha vida para poder voar no espaço — afirmou Jerrie em 1998.

Em 1997, em sua autobiografia “Jerrie Cobb, solo pilot”, ela fez uma reflexão sobre os seus anos na Nasa:

“Meu país, minha cultura, não estavam preparados para permitir que uma mulher fosse enviada para o espaço”.

Ela recebeu homenagens dos governos de Brasil, Colômbia, Peru e Equador, além de uma indicação ao Nobel da Paz, em 1981, pelo seu trabalho em ajuda humanitária Foto: Divulgação/Nasa
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