‘Profeta’ do escândalo do Facebook faz alerta sobre reconhecimento facial

Professor polonês previu mecanismo que levou ao caso Cambridge Analytica; agora, se preocupa com uso de inteligência artificial para reconhecimento de rostos humanos
Por Bruno Romani – O Estado de S. Paulo

Kosinski alerta para o uso de IA para monitorar cidadãos, especialmente dentro de características psicológicas

Michal Kosinski sabe que causa controvérsia. Psicólogo e professor assistente daUniversidade Stanford, o polonês de 37 anos descreveu, anos antes de ser descoberto, o mecanismo por trás da maior crise da história do Facebook. Em artigo de 2013, ele chamou atenção para o uso de curtidas e testes para decifrar a personalidade de uma pessoa. A estratégia foi usada pela consultoria política Cambridge Analytica (CA) para influenciar a opinião pública em episódios como as eleições americanas de 2016. De profeta, Kosinski passou a ser considerado cúmplice na manobra. Agora, faz novo alerta: abusos no uso de inteligência artificial (IA) para reconhecimento de rostos humanos. 

“Empresas e governos estão usando tecnologia para identificar não só as pessoas, mas também características e estados psicológicos, causando riscos sérios à privacidade”, diz o pesquisador, em entrevista exclusiva ao Estado. Nos últimos anos, ele tem dedicado seus estudos a mostrar como a tecnologia de reconhecimento facial pode ser usada para discriminar pessoas. Para exemplificar, escolheu uma abordagem espinhosa: mostrar que um algoritmo pode olhar para fotos de pessoas em redes sociais e adivinhar sua orientação sexual com precisão maior do que humanos fariam. 

Cara a cara

No estudo, o polonês utilizou um algoritmo de reconhecimento facial disponível de graça na internet, o VGG Face. O sistema foi alimentado com 35 mil fotos de rostos encontradas em redes sociais. A máquina tinha um desafio: ao ser apresentada a um par de fotos, com uma imagem de um heterossexual e uma de um homossexual, ela deveria ser capaz de apontar qual das pessoas tinha a maior probabilidade de ser gay. 

A máquina teve taxa de acerto de 81% no caso de homens e 71% no caso de mulheres – já julgadores humanos tiveram 61% e 54%, respectivamente. Ao analisar cinco fotos das mesmas pessoas, a precisão da máquina subiu para 91% (homens) e 83% (mulheres). 

“O estudo não tenta entender o que causa diferenças entre gays e héteros, mas mostrar que há mecanismos que trabalham para isso, como o fato de que características psicológicas e sociais afetam nossa aparência”, explica Kosinski. “Para os humanos, é difícil detectá-las, mas os algoritmos são muito sensíveis e podem fazer previsões precisas.”

Publicados em 2017 na revista The Economist, os resultados da pesquisa provocaram polêmica. Dois grupos LGBTQ+ dos EUA, o Human Rights Campaign e o Glaad, consideraram o estudo falho e perigoso, enquanto pesquisadores questionaram seu método, linguagem e propósito. 

Monitoramento por reconhecimento facial já ocorre na China e influencia até na obtenção de crédito e na permissão de viagens 
Monitoramento por reconhecimento facial já ocorre na China e influencia até na obtenção de crédito e na permissão de viagens 

Para Kosinski, há paralelos na reação das pessoas entre seu estudo sobre o Facebook e sobre reconhecimento facial. “Quando alertei para o monitoramento de curtidas, as pessoas riram dos meus resultados. Ao descobrir sobre a Cambridge Analytica, passaram a me levar a sério”, conta. “De repente, começaram a me culpar por alertar sobre o problema, mesmo não sendo o autor dessa tecnologia.” Mas é difícil ignorar sua conexão com o caso.

A mudança de foco do pesquisador acompanha as tendências da internet, como o crescimento da interação baseada em imagens. Um exemplo é o Instagram, maior rede social de fotos e vídeos do mundo. Entre 2013 e 2018, a plataforma, que também é do Facebook, cresceu mais de dez vezes e hoje tem mais de 1 bilhão de usuários compartilhando selfies e fotos de amigos em todo o mundo. 

Perdas e danos

O polonês não se importa com as reações e crê ter atingido seu objetivo: mostrar a facilidade de se construir um algoritmo capaz de estabelecer conclusões como a orientação sexual, religiosa ou política de uma pessoa.

Independentemente de estarem certos ou errados, sistemas com essa missão podem gerar danos à sociedade se forem usados. “Há startups e companhias que oferecem previsões básicas gratuitas na internet. É uma tecnologia acessível – e pode estar em aeroportos ou postos de fiscalização de imigrantes”, diz.

Há até lugares em que isso já está sendo posto em prática: na China, há relatos de que o governo usa reconhecimento facial para catalogar e vigiar os uighurs, uma minoria étnica muçulmana. Já cidadãos chineses são monitorados para a obtenção de crédito pessoal.

“Não dá para a sociedade se transformar numa sociedade preditiva, na qual não posso ter um emprego por ter 72% de chance de ter determinado comportamento”, avalia Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do Grande ABC (UFABC). “Isso retira das pessoas, bem como da sociedade, a capacidade de livre arbítrio.” 

Ética

Para especialistas em IA ouvidos pelo Estado, o nível de apuro tecnológico da pesquisa de Kosinski não surpreende. “São resultados preliminares. É possível até melhorar a precisão do algoritmo”, diz Alexandre Chiavegatto Filho, professor da USP e especialista em tecnologia na saúde. Não é algo que está nos planos do polonês: para ele, o que fez foi suficiente para jogar luz no problema. A discussão do trabalho, porém, está longe de ser enterrada. 

“Escolher estudar padrões ligados a assuntos íntimos, como orientação sexual, com base no rostos das pessoas parece bastante assustador”, diz Walter Carnielli, diretor do Centro de Lógica, Epistemologia e História da Ciência da Unicamp e pesquisador associado ao Advanced Institute for Artificial Intelligence (AI2). Para Chiavegatto, da USP, o tiro do polonês pode sair pela culatra. “É uma pesquisa que mostra para o Irã e outros governos totalitários que é possível e simples aplicar essa tecnologia. É preciso pensar nas consequências.” 

Lá fora a questão é bem discutida: antevendo cenários distópicos, a cidade de São Francisco (EUA) proibiu, há duas semanas, o uso governamental de reconhecimento facial em locais públicos. Kosinski concorda que a proibição não é um bom caminho para a tecnologia. Aqui no Brasil, o mais próximo disso são audiências públicas sobre o uso de reconhecimento facial e de inteligência artificial. 

Enquanto isso, Kosinski se prepara para tocar as trombetas de um novo apocalipse tecnológico. Hoje, ele trabalha em novo artigo sobre reconhecimento facial. Desta vez, tenta demonstrar como a tecnologia pode ser usada para estimar visões políticas. A expectativa é publicar o trabalho até o final do ano, antes de uma nova corrida presidencial começar nos EUA. Ele sabe que deve gerar controvérsia – de novo. “Se as pessoas entenderem os riscos, tudo bem: meu trabalho terá sido bem feito.” 

Andreas Ortner for ELLE Czech with Coco Rocha

Photography: Andreas Ortner at SCHIERKE Artists. Styling by: Lenka Kermes. Makeup: Fanny Maurer. Hair: Yoan Hernandez. Production: Ilona Petruzka. Model: Coco Rocha.

Com produção brasileira, ‘The Lighthouse’ estrelado por Willem Dafoe e Robert Pattinson é premiado em Cannes

Willem Dafoe e Robert Pattinson

Produzido pelo carioca Rodrigo Teixeira na Nova Escócia, no Canadá, e estrelado pelo novo Batman, o galã inglês Robert Pattinson, o thriller psicologico “The Lighthouse” sai do Festival de Cannes laureado com o Prêmio da Critica, honoraria dada anualmente pela Federação Internacional de Imprensa Cinematografica (Fipresci). A honraria foi entregue neste sabado, às vésperas do anuncio da Palma de Ouro e dos demais galardões do júri oficial. O diretor do longa com Pattinson, que vai estrear em novembro, é o cineasta americano Robert Eggers (de “A bruxa), que escreveu o roteiro com seu irmão, Max, baseado em recortes de jornal do século XIX e elementos da literatura sobre marinheiros (como « Moby Dick »). Foram laureados ainda pela federação os filmes “It must be Heaven”, do palestino Elia Suleiman (da seleção oficial), e o russo “Beanpole”, de Kantemir Balagov (da mostra Un Certain Regard).

Ambientado em um farol de uma região insular desolada, o longa-metragem foi uma das revelações da Quinzena dos Realizadores, seção paralela à disputa dos prêmios oficiais de Cannes, voltada para projetos de alta voltagem autoral. A Fipresci concedeu mais dois prêmios :
«Cannes tem me provado que o trabalho duro compensa e dá frutos», disse Teixeira, ao receber o prêmio em nome de Eggers, divulgando, por celular, uma mensagem de gratidão que o realizador enviou a Cannes por whatsapp.

“É muito bom ver nosso trabalho ser compreendido e apreciado por uma comunidade que funciona como porta-voz do cinema”, disse Eggers.

Apoiado em uma fotografia em preto e branco (assinada por Jarin Blaschke) de um requinte diferente de tudo o que se viu em Cannes este ano, o longa-metragem se concentra na feroz relação entre dois faroleiros, em 1820. Pattinson é o faroleiro aprendiz e Willem Dafoe é seu mestre. Logo no começo, uma cena de embrulhar estômagos testa o talento e a frieza do jovem astro britânico, revelado na franquia “A saga Crepúsculo” (2008-2012): seu personagem mata uma ave do mar, um albatroz, esmagando-o violentamente no chão.

“Se machucaram algum animal em cena? Só nós dois”, brincou Dafoe, deixando evidente não ter havido maus tratos a animais e sim efeitos e truques de câmera.

Existe uma tensão crescente naquele espaço onde os dois homens de diferentes idades e de temperamentos distintos estão confinados. “Meu irmão, Max Eggers, propôs para mim um enredo sobre fantasmas em um velho farol. Juntei com referências a fatos reais de jornais do século XIX e a referências à literatura do mar, como ‘Moby Dick’ e outrs cults”, disse o diretor, que mostra uma sereia no filme, testando a lucidez dos personagens e da plateia. “Não sei nem quero explicar o que ela simboliza, mas ela é um fatasma para o personagem de Robert”.

Antes da premiação dos jurados da Fipresci, foi anunciado o ganhador da láurea anual do Júri Ecumênico, que une representantes de diferentes religiões para celebrar o humanismo nas telas: “A hidden life”, de Terrence Malick, foi o filme vencedor deste ano. O novo longa do veterano cineasta e filósofo americano recria um episódio trágico da II Guerra Mundial para os austríacos: a história de um fazendeiro germânico, vivido por August Diehl, que se recusou a apoiar os nazistas. [Rodrigo Fonseca]

Kerry Hallihan for ELLE Russia with Bianca Balti

Photographer: Kerry Hallihan at Adb Agency. Styling: Liliya Simonyan. Hair: Serena Radaelli. Makeup: Christian Mcculloch. Manicure: Millie Machado. Model: Bianca Balti at Brave Model Management.

Série ‘Good Omens’ traz olhar bem-humorado sobre fim do mundo

Com estreia marcada para dia 31, na Amazon Prime Video, série é baseada na obra de Terry Pratchett e Neil Gaiman, e tem no elenco David Tennant, Michael Sheen, Jon Hamm, Frances McDormand; veja trailer
Eliana Silva de Souza

Michael Sheen e David Tennant, na série ‘Good Omens’ (foto Amazon Studios)

Está marcada para o dia 31, a estreia de Good Omens, na Amazon Prime Video. Série é baseada na cultuada obra de Terry Pratchett e Neil Gaiman. Na história, o dia do Armageddon está chegando e um anjo terá de se unir a um demônio para impedir o fim do mundo. No entanto, para que isso ocorra, precisam encontrar o anticristo, que neste momento é um menino de 11 anos que eles perderam de vista. Para complicar um pouco mais a situação, o tal garoto não tem ideia de que seu destino seja destruir a Terra e a dupla precisa encontrá-lo de qualquer forma. No elenco, David Tennant, Michael Sheen, Jon Hamm, Frances McDormand, Nick Offerman.

Dia do Orgulho Nerd: Conheça as cidades mais geeks do Brasil

Comemorado em 25 de maio, o dia promove a cultura nerd e faz referência a ‘Star Wars’ e ‘O Guia do Mochileiro das Galáxias’

Em 25 de maio de 1977, foi lançado o primeiro filme de ‘Star Wars’. Foto: Voltordu/Pixabay

Para comemorar o Dia do Orgulho Nerd, também conhecido como Dia da Toalha e celebrado em todo 25 de maio, a Amazon divulgou uma lista com as dez cidades mais geeks do Brasil.

O ranking é resultado da compilação de dados de vendas nas cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes, considerando a base per capita. A lista considera as vendas de diversos produtos geeks, incluindo livros, e-books, quadrinhos e comic books, brinquedos, jogos e videogames, além de itens de decoração e para a casa associados à cultura nerd.

A plataforma online da empresa conta com muitos produtos relacionados, por exemplo, a Star WarsGame of ThronesHarry PotterDC Comics e Marvel. Os dados coletados para o ranking contemplam produtos vendidos entre abril de 2018 e abril de 2019. São Caetano do Sul permanece no topo da lista pelo segundo ano consecutivo. Em 2017, o município ficou em terceiro lugar.

O levantamento da Amazon fez outras descobertas: a cidade de Vila Velha, no Espírito Santo, é para onde a empresa mais vendeu cards de Pokémon por habitante. Já a cidade de Bagé, no Rio Grande do Sul, foi a que adquiriu mais canecas de Game of Thrones no site, seguida por Presidente Prudente, em São Paulo.

A paixão pelos bonecos Funko! parece ser maior em Carapicuíba, cidade paulista líder em compras dos itens. A famosa Itu, também em São Paulo, foi a cidade com o maior número de aquisições de produtos de decoração dos heróis de Vingadores.

O dia 25 de maio foi escolhido como o Dia do Orgulho Nerd por vários motivos. Um deles é que foi nesse dia, em 1977, que o primeiro filme de Star Wars foi lançado. Mais tarde, a data também foi nomeada como Dia da Toalha em homenagem a Douglas Adams, autor da série de livros O Guia do Mochileiro das Galáxias – em que a toalha é item essencial.

Confira, a seguir, as dez cidades mais nerds do Brasil:

1. São Caetano do Sul/SP

2. Florianópolis/SC

3. Niterói/RJ

4. Santos/SP

5. Barueri/SP (aparece pela primeira vez)

6. Porto Alegre/RS

7. Brasília/DF

8. Curitiba/PR

9. Balneário Camboriú/SC

10. São Paulo/SP

Décor do dia: sala com estante suspensa e parede de tijolinhos

O mix de elementos rústicos e sofisticados cria um visual charmoso

Nesta sala, assinada pelo escritório Arent&Pyke, a estante instalada na parte superior da parede chama a atenção. Esse recurso libera a área do piso para a circulação. Mas, não pense que isso deixa o visual pesado. Para criar leveza, os profissionais elaboraram um desenho simples, formado basicamente de chapas de madeira interligadas por hastes metálicas. 

A parede de tijolinhos, revestida de cimento, é outro elemento de destaque e dá um toque urbano ao décor, junto com o estilo da estante. No mobiliário, um mix de texturas garante personalidade ao espaço, com o sofá de couro, poltrona de vime e sofá revestido de tecido.

As cerâmicas, dispostas na estante, arrematam a decoração com estilo. De formatos variados, a coleção do morador fica à vista e garante um belo desenho, com alturas variadas. A luminária instalada na parede e a mistura de duas mesas de centro de formatos diferentes são outros toques de decoração que deixam tudo com um ar despojado.

Supermodel Roots: Guia de Mariacarla Boscono para Roma | British Vogue

Sendo nascida e criada em Roma, Mariacarla Boscono conhece a capital italiana de dentro para fora. Então, quem melhor para perguntar do que a supermodelo – que voltou para a cidade depois de um hiato de 15 anos em Nova York – para mostrar a Vogue tudo?

De karting nos Jardins Pincian para jantar na trattoria que ela vai desde a idade de um, Boscono revela a melhor maneira de passar um dia na cidade. À noite, ela segue para o Campo de ‘Fiori, uma das principais praças da capital, para absorver a atmosfera. “Eu venho da cidade mais bonita do mundo”, diz ela.