Philip Shoemaker, ex-chefe da App Store se diz preocupado com o futuro da loja

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É, pessoal: a App Store está realmente em voga este mês. A loja já foi alvo de processos contra a Maçã por conta do suposto monopólio praticado pela empresa, o que levou a gigante de Cupertino a publicar uma página no seu site contando seu lado da história. Agora, um dos ex-chefes do serviço veio a público para contar histórias, expor opiniões e compartilhar perspectivas sobre o futuro de uma das maiores lojas de aplicativos do mundo.

A figura em questão é Philip Shoemaker, que, entre 2009 e 2016, foi o chefe da equipe de aprovações da App Store. O executivo participou de uma entrevista com Mark Gurman, da Bloomberg, como parte do podcast Decrypted, e mostrou-se preocupado com o futuro da loja frente a uma concorrência cada vez mais acirrada — não exatamente com a Google Play Store e outras lojas do tipo, mas com serviços que competem com os da Apple sendo comercializados por lá.

Citando os problemas enfrentados pela empresa com a Suprema Corte dos Estados Unidos, com a União Europeia e com várias outras empresas e indivíduos, Shoemaker afirmou que está “realmente preocupado” com a concorrência: “você tem o Spotify recorrendo aos reguladores da UE e você tem Elizabeth Warren falando sobre desmembrar o Facebook e a Apple e tal… eu acho que existe agora um conflito conforme a Apple entra nesses espaços de concorrência já amadurecida”.

Shoemaker também rememorou os anos iniciais da App Store, confirmando que a Apple sempre teve medo de que rivais como o Google ou o Facebook criassem produtos que, de tão bons, substituíssem seus serviços nativos, como os de mensagens ou telefone — o que explicaria, em parte, o protecionismo da Maçã em relação ao seu ecossistema.

Era muito real, o medo de que alguém chegasse — um Facebook, ou um Google, o que for — e simplesmente acabasse com tudo e removesse nossos itens.

Foi por conta desse tipo de receio que a Apple negou a entrada do (finado) Google Voice na App Store, lá nos idos de 2009 — uma ação que gerou enorme polêmica e rendeu inclusive uma investigação por parte da Federal Communications Commission (FCC, ou Comissão Federal de Comunicações) nos EUA. Eventualmente, a Maçã voltou atrás e aprovou o aplicativo do serviço na loja.

Falando sobre o processo de aprovação de aplicativos na App Store, que melhorou muito ao longo dos anos, o executivo explicou que, no início, a política interna era que cada app passasse por três examinadores humanos antes de ser aprovado (ou não) — o que, inevitavelmente, gerava um longo tempo de espera para entrada na loja.

Em algum momento, a empresa mudou as diretrizes para que os apps passassem apenas por um examinador, o que melhorou muito a situação com os desenvolvedores. Shoemaker lembrou ainda que, em certo ponto, ventilou-se a ideia do processo ser parcialmente automatizado — no sentido de que robôs examinariam parte dos apps e barrariam logo de cara conteúdos impróprios ou códigos problemáticos. Foi Phil Schiller, atual vice-presidente de marketing global da Maçã, que insistiu na política de sempre ter humanos examinando os aplicativos, em qualquer circunstância.

Ainda assim, o ex-chefe lembrou de algumas falhas ocorridas no seu período na Apple — quando foi temporariamente aprovado, por exemplo, o aplicativo I Am Rich, que não fazia absolutamente nada e custava US$1.000 apenas para mostrar o poder aquisitivo do comprador, ou quando o “jogo” de incrível mau gosto Baby Shaker escapuliu das políticas de análise e ficou disponível na loja por dias.

A polêmica do Baby Shaker foi tamanha que afetou as ações da Apple e rendeu uma ligação de Steve Jobs a Shoemaker. Segundo o executivo, Jobs foi sucinto: “você é burro e você contrata pessoas burras”. A lição foi aprendida, garante ele.

A entrevista completa com Shoemaker pode ser escutada — em inglês — aqui.

VIA THE VERGE

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