Laura Harrier: “Na infância e adolescência, não via garotas como eu no cinema”

Liberdade, amor, arte e racismo. Em uma conversa exclusiva, a atriz de 29 anos e estrela do premiado filme de Spike Lee, Infiltrado na Klan, falou sobre sua criação feminista, o espanto que teve ao perceber que nem todas as mulheres defendiam a causa e o mergulho que fez na história do movimento negro norte-americano para compor sua mais recente personagem
ANA CLARA GARMENDIA, DE PARIS

Laura Harrier – Top, R$ 11.200, e calça, R$ 10.100, Louis Vuitton (Foto: Ricardo Abrahao (ABÁ MGT))

Encontramos a atriz norte-americana Laura Harrier numa manhã gelada de quarta-feira de fevereiro, em Paris. Eram dez horas quando ela chegou ao hotel Le Bristol e pediu um cappuccino, antes da entrevista.

Aos 29 anos, Laura contou que demorou a entender que a liberdade feminina não era algo tão disseminado mesmo entre garotas de sua geração. Isso porque, na sua casa, as mulheres sempre tiveram voz, e ela só percebeu que havia sido criada por uma feminista quando se confrontou com mulheres que acreditam que não é preciso militar pelos direitos femininos. “Fui envolvida com o feminismo por causa da mulher que me criou, minha mãe. Sempre me identifiquei como feminista, sendo filha de uma. Para mim não era nada demais, até que começaram a me perguntar sobre isso e percebi que a maioria das pessoas não tinham essa educação familiar.” Não à toa, hoje Laura é uma das grandes apoiadoras do Time’s Up.

A liberdade com que foi criada delineou a atriz que ainda hoje se vê como uma simples garota de Illinois, nos Estados Unidos, onde nasceu e foi criada. “Tive uma infância muito normal e americana. Cresci numa cidade onde Clube dos Cinco, A Garota de Rosa Shocking e todos esses filmes americanos sobre high school se passam. Foi uma infância boa, suburbana, e ter a sorte de que os meus pais amavam viajar nos deu uma visão de mundo muito ampla. Acho que fui capaz de enxergar além da minha própria experiência individual.”

Laura Harrier – Parca, preço sob consulta, e vestido, R$ 17.700, Louis Vuitton (Foto: Ricardo Abrahao (ABÁ MGT))

Uma liberdade que acabou levando o acaso a fazer de Laura (ela garante que não pretendia ser atriz) uma artista respeitada pelos papéis que encarna no cinema, como Liz Allan, em Homem-Aranha: De Volta ao Lar, e a ativista Patrice em Infiltrado na Klan, filme que ganhou Oscar de melhor roteiro em 2019.

Para este papel, fez uma ampla pesquisa com ativistas do movimento negro, em especial com fundadores do dos Panteras Negras, partido que lutava contra o raciscmo e a violência policial nos anos 60. “Sempre senti que minha visão de mundo era alinhada com movimentos como esse. Mas definitivamente aprendi muito nesse processo. Não aprendi na escola sobre Malcolm X ou os Panteras Negras. E acho que isso se deve à propaganda proliferada na época dos movimentos dizendo que eles eram violentos”, diz ela, que se define como birracial por ser filha de mãe branca e pai negro.

A mistura de força e delicadeza também rendeu a Laura o convite para ser uma das embaixadoras da Louis Vuitton, algo que a conecta com moda, assunto que lhe interessa pelo fato de a roupa ser uma expressão social, e não exatamente por seguir esta ou aquela tendência. “Amo o Nicolas[Ghesquière, diretor-criativo da linha feminina da maison francesa] e amo trabalhar com ele. É maravilhoso.”

Laura é reservada quando o assunto é amor. Por quatro anos namorou o músico Ian Longwell, mas virou alvo da mídia quando se envolveu com Kay Thompson, famoso jogador de basquete do time Golden State Warriors. A discrição de Laura quanto aos relacionamentos entra em acordo com seu discurso. A garota simples de Illinois não busca fama, toca sua vida com a liberdade de não ser invadida, rotulada.

Laura Harrier – Blazer, R$ 15.700, e vestido, R$ 15.700, Louis Vuitton (Foto: Ricardo Abrahao (ABÁ MGT))

Parece que o que ela quer mesmo é fazer da sua arte, a atuação, o seu canal de passagem, a sua maior forma de comunicar ao mundo o que ela acredita ser primordial. “Contar histórias sobre a experiência humana, quero continuar fazendo isso. E fazer personagens com que as pessoas possam se identificar. Acho que muitas pessoas se identificam com a Patrice, e isso tem sido muito legal de ver. Ou como no Homem-Aranha. Meninas e mães falaram pra mim: ‘Nossa,  nunca pensei que fosse ver uma mulher como você em um filme como esse’. Eu mesma não tive isso na infância ou adolescência. Não via garotas como eu nos filmes”, finaliza.

Laura Harrier – Camiseta, R$ 6.750, e calça, R$ 7.300, Louis Vuitton. Acessórios usados em todas as fotos, acervo pessoal (Foto: Ricardo Abrahao (ABÁ MGT))

EDIÇÃO DE MODA: LARISSA LUCCHESE / BELEZA MAQUIAGEM: NAOKO SCINTU (THE WALLGROUP) / BELEZA CABELO: JENNIFER YEPEZ (THE WALL GROUP) / ASSISTENTE DE MODA: NANCY GARCEZ / PRODUÇÃO–EXECUTIVA: VANDECA ZIMMERMANN / TRATAMENTO DE IMAGEM: HELENA COLLINY / AGRADECIMENTO: LE BRISTOL PARIS

Bastidores da primeira Fenty Collection de Rihanna | Vogue

Um olhar íntimo no processo criativo de Rihanna. Veja como a superstar monta sua própria coleção Fenty.

“Primeiro eu conheci as grandes marcas, depois comecei a colaborar com elas, [mas] isso é completamente diferente ”, diz Rihanna à Vogue no lançamento da Fenty, sua nova marca de moda, em Paris. “Você tem que criar esse DNA e entender o que a marca representa.”

Para Jahleel Weaver, diretor de estilo da Fenty, trata-se de equilíbrio cultural. “Ela fez um ótimo trabalho em ter uma equipe bonita de diversidade. Isso é algo novo, é novo e está abrindo portas para tantas pessoas, como eu. E dizendo que você pode estar em qualquer lugar e fazer parte disso. ”

Directed by Lucas Flores Piran Additional Camera: Evan Rogers Editor: Sean Kiely, Savanna Fair Audio Mix: Dylan Nowik

Hillary Clinton e sua filha Chelsea abrirão produtora, diz Bloomberg

Ideia é focar programas feitos por e sobre mulheres, segundo agência

Hillary Clinton e sua filha Chelsea

Hillary Clinton, 71, e sua filha Chelsea, 39, estão criando uma produtora para realizar projetos para cinema e TV, afirmou nesta quinta-feira (30) a agência de notícias Bloomberg.

Segundo fontes próximas às discussões ouvidas pela agência, a ideia é focar histórias contadas por e sobre mulheres. 

A ex-senadora Hillary já havia se alistado para produzir uma série de TV com Steven Spielberg. “The Woman’s Hour” (A hora da mulher) é uma adaptação de um livro sobre ativistas pelo direito do voto feminino.

Com isso, as Clinton seguem os passos dos Obama. O ex-presidente Barack Obama e sua mulher Michelle criaram a produtora Higher Ground Productions e já assinaram um acordo com a Netlfix. Seus primeiros programas incluem uma adaptação do livro de Michael Lewis sobre burocracia federal e uma série dramática sobre o mundo da moda.

Hillary foi primeira-dama do estado de Arkansas, primeira-dama dos EUA, senadora por Nova York e secretária de Estado. Ela se candidatou à Presidência dos EUA duas vezes, perdendo a indicação democrata em 2008 para Obama e as eleições de 2016 contra Donald Trump. 

Uber fechou o primeiro trimestre do ano com prejuízo de US$ 1 bi

Aplicativo de transportes compartilhados teve aumento de 20% da receita e crescimento no número de usuários pelo mundo
Por Agências – Reuters

Uber relatou prejuízo de US$ 1 bilhão e aumento de 20% na receita em seu primeiro relatório trimestral como uma empresa pública, divulgado nessa quinta-feira, 29. As informações foram compatíveis com as previsões do mercado o que fez com que as ações fossem negociadas com alta de 3,64% às 18h30 (horário de Brasília).

De acordo com a empresa, a receita do período atingiu a marca de US$ 3,1 bilhões, mantendo a previsão do Uber para o trimestre encerrado em 31 de março. A empresa disse anteriormente que esperava uma receita entre US $ 3,04 bilhões e US $ 3,1 bilhões, enquanto sete analistas consultados esperam uma receita média de U $ 3,04 bilhões.

A companhia disse que seus usuários ativos mensais aumentaram para 93 milhões no mundo. Já o prejuízo líquido foi de US$ 1,01 bilhão no primeiro trimestre em comparação com lucro líquido de US$ 3,75 bilhões, um ano antes, quando os resultados foram ajudados pela venda das operações para Grab e Yandex.

O diretor financeiro da companhia, Nelson Chai, disse que o Uber começou a ver “preços menos agressivos” por parte dos rivais. Os resultados também indicam que a nova empresa pública conseguiu atingir suas próprias metas financeiras, o que provavelmente oferecerá alguma segurança aos investidores.

O Uber foi a maior de um grupo de startups do Vale do Silício que abriu seu capital neste ano contra o pano de fundo de um mercado global de ações, desencadeado por novas tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China. A empresa também enfrenta maior regulamentação em vários países e luta com seus motoristas sobre os salários.

Microsoft vai lançar Game Pass, seu ‘Netflix dos games’, nos PCs

Xbox Game Pass nos computadores terá jogos de marcas como Bethesda, Sega, Devolver Digital e estúdios da própria Microsoft

Empresa deve dar mais detalhes sobre o projeto em sua apresentação na E3

Notícia boa para quem gosta de jogar no computador: a Microsoft anunciou nesta quinta-feira, 30, que vai levar o Game Pass, seu serviço de biblioteca de jogos (quase como uma Netflix dos games) para os PCs. Hoje disponível no Xbox, com assinatura de R$ 30 ao mês aqui no Brasil, o serviço “pra quem joga com mouse e teclado” deverá ter cerca de 100 títulos, incluindo produções de empresas como Bethesda, Sega, Devolver e os estúdios da própria Microsoft. 

Em comunicado publicado nesta quinta-feira, 30, a empresa prometeu divulgar mais detalhes sobre o serviço em sua apresentação na E3, no próximo dia 9 de junho. Já se sabe, porém, que além da biblioteca de jogos, os assinantes também receberão descontos de até 20% na compra de outros na Microsoft Store, a loja oficial de games da empresa. 

Boa parte dos títulos, vale dizer, já está disponível nos PCs por conta do Play Anywhere, iniciativa da Microsoft que permite que seus jogos exclusivos do Xbox também sejam lançados para computadores, na mesma data – quem compra o conteúdo em uma plataforma recebe o mesmo jogo de graça na outra.

Além disso, a empresa anunciou que vai oferecer games de seus estúdios  – como Halo ou Age of Empires – na loja Steam, adotando uma postura holística. “Os jogadores devem poder escolher onde compram seus jogos”, disse Phil Spencer, o líder da área de Xbox dentro da Microsoft. 

Você pode ser proibido de chamar o Uber se tiver nota baixa no app

Empresa disse que está testando nos Estados Unidos e no Canadá uma forma de punir usuários que não respeitam a regra da plataforma

Uber já bloqueia motoristas com avaliação abaixo da média

Pessoas que recebem muitas avaliações baixas no Uber podem ser bloqueadas de pedir um carro pelo aplicativo. A empresa anunciou na última quarta-feira, 29, que a punição, antes aplicada apenas a maus motoristas, também será usada em passageiros com classificação abaixo da média.

A novidade começará a ser aplicada primeiro para os usuários dos Estados Unidos e do Canadá – a nota de corte da classificação, porém, varia entre cada cidade, segundo informou um Uber à CNN Business.

Antes de ser bloqueado, o Uber garante que vai enviar várias notificações para que os passageiros tenham chances de melhorar o seu “desempenho” quando pegar a próxima carona. A empresa também envia sugestões do que fazer para melhorar a nota, como não jogar lixo no carro ou ser educado com o motorista.

A empresa não disse quantas chances serão dadas antes do bloqueio, mas confirmou que depois que o acesso for cortado, o usuário também não conseguirá pedir comida via Uber Eats ou alugar um patinete ou bicicleta elétrica via aplicativo da Jump.

“O respeito é uma via de mão dupla, assim como a responsabilidade. Embora esperemos que apenas um pequeno número de passageiros acabe sendo impactado por desativações baseadas em classificações, achamos que é a coisa certa a fazer”, escreveu Kate Parker, chefe de iniciativas e marca de segurança da companhia.

Momento da empresa

O anúncio acontece dias antes do Uber divulgar seu relatório de transparência de segurança. O texto vai incluir dados sobre agressões sexuais e outros incidentes de segurança por parte de motoristas em sua plataforma.

Antes de fazer a oferta pública ordinária de ações (IPO, na sigla em inglês), o Uber alertou que esse documento poderia ter um impacto negativo na reputação da empresa.

O relatório foi prometido há um ano, quando a CNN publicou que pelo menos 103 motoristas do Uber nos Estados Unidos foram acusados de agredir sexualmente ou abusar de seus passageiros nos últimos quatro anos.

Com os motoristas

A suspensão por nota baixa já acontece com motoristas. De acordo com o site Business Insider, motoristas cuja nota média for inferior a 4,6 podem ser expulsos da plataforma.

A empresa disse ainda que está lançando uma campanha para educar as pessoas sobre as diretrizes da comunidade do Uber, incluindo e-mails e mensagens dentro do aplicativo.

Edie Campbell – Vogue Paris June/July By Lachlan Bailey

Water Drops On Burning Stones   —   Vogue Paris June/July 2019   —   www.vogue.fr
Photography: Lachlan Bailey Model: Edie Campbell Styling: Anastasia Barbieri Hair: James Pecis Make-Up: Stephanie Kunz Manicure: Barbara Krief

Atriz Tilda Swinton estreia em curadoria de arte em exposição de fotografias, em NY

Inspirada em Virginia Woolf, Tilda Swinton organizou a mostra ‘Orlando’, mesmo nome de romance da autora, que gira em torno dos temas desafiadores de gênero
Ted Loos, The New York Times

Em NY, a atriz Tilda Swinton na Aperture Foundation, local da mostra ‘Orlando’ Foto: Micaiah Carter/The New York Times

A atriz britânica Tilda Swinton pode se vangloriar de muitas conquistas, entre elas uma carreira de mais de 70 filmes que inclui Conduta de Risco, pelo qual ganhou um Oscar em 2008. Sua trajetória no cinema começa com ela ainda inexperiente nos anos 1980, trabalhando com o aclamado diretor Derek Jarman, para chegar a sua participação neste ano em Vingadores – Ultimato, que já é uma das maiores bilheterias de todos os tempos. 

Até agora, porém, Swinton, de 58 anos, não havia organizado uma exposição de arte. A mostra Orlando, que foi inaugurada na Aperture Foundation, de Nova York, e traz cerca de 50 fotografias de 11 artistas, é a primeira experiência de Swinton em curadoria de arte.

Os trabalhos expostos, alguns encomendados especialmente para o projeto, abordam os temas de identidade e transformação explorados no romance Orlando, lançado por Virginia Woolf em 1928, e na adaptação de 1992 do livro para o cinema, de Sally Potter, na qual o papel principal foi a porta para o sucesso de Swinton.

A lista de artistas na mostra inclui nomes consagrados como Mickalene Thomas, Lynn Hershman Leeson e Potter, além de novos talentos como Elle Pérez. A edição de verão da revista Aperture é dedicada ao projeto, com Swinton como editora convidada trabalhando com o editor da publicação, Michael Famighetti. 

“Ela tem um ótimo olho”, disse Thomas, que fotografou dois temas – sua companheira e musa, Racquel Chevremont, e o artista performático Zachary Tyler Richardson – e depois se correspondeu com Swinton por e-mail para selecionar as imagens para a mostra. Swinton falou com entusiasmo de seu trabalho durante uma visita a Nova York no mês passado. 

Como isso começou?
Eu havia conversado com a revista Aperture sobre fazer alguma coisa, e aí surgiu essa ideia de Orlando.

Curadoria é novidade para você, não?
Há muito tempo, fiz curadoria para uma mostra de filmes experimentais no Instituto de Artes Contemporâneas (ICA) de Londres. Também fui curadora de festivais de cinema. Mas até agora não havia feito curadoria de nada que estivesse em paredes.

Discussões de gênero são comuns hoje, mais do que quando você fez o filme Orlando. Isso a levou de volta a essa história?
Me parece que essa discussão sobre o que é Orlando – o filme e principalmente o livro – se dá toda em torno de gênero. E na verdade não é assim.

Então o que é?
É sobre mudanças inevitáveis e ininterruptas serem a única coisa em que se pode confiar, e sobre identidade ser positivamente irrelevante. É um livro adequadamente revolucionário. Eu me arrisco a pensar que, se Virginia Woolf tivesse continuado por mais mil páginas, Orlando acabaria se transformando em um camundongo.

No entanto, o livro é tocante no modo como aborda a transformação homem-mulher: o protagonista acorda um dia como mulher e continua assim.

Identidade de gênero é um aspecto do livro, e Woolf lida com isso de maneira linda, espirituosa, engraçada e profunda. Mas o livro também é importante ao falar de classe, e isso é um tabu sobre o qual ninguém fala, nunca.

Você parece inspirar filmes de fluidez de gênero – em Suspiria, do ano passado, fez papéis de homem e de mulher. Por que os diretores pensam em você para isso?
Com frequência instigo isso, então me cabe alguma responsabilidade. Não culpem os diretores! (risos)

De onde vem essa tendência?
Sou realmente interessada em transformação – especialmente no que chamo de o precipício da transformação. Para mim é natural fazer uma dona de casa burguesa que cuida de sua família e de repente sente atração por seu chantagista, como em Até o Fim. Ou como em Julia, fazendo uma alcoólatra que, de certo modo, se transforma em mãe.

O que a levou a essa mostra?
Foi um convite que fiz a algumas pessoas e ao qual todas responderam, exceto uma que estava muito ocupada.

Você conhece vários dos artistas participantes, especialmente Lynn Hershman Leeson.
É uma velha amiga e colaboradora. Nós nos conhecemos quando ela me escreveu pedindo que trabalhasse com ela. Aceitei imediatamente e juntas fizemos cinco filmes. O primeiro foi Conceiving Ada, sobre Ada Lovelace, filha de Lorde Byron, hoje reconhecido como o primeiro programador de computador.

Leeson é famosa por ter uma outra identidade, correto?
Seu alter ego, Roberta Breitmore, era algo muito vivo. Tinha vida conhecida do público, caixa postal, número de Previdência Social e até passaporte, mas nunca existiu.

O que a surpreendeu quanto ao resultado artístico da mostra?
Adoro o que (o fotógrafo e artista americano) Paul Mpagi Sepuya fez. Sou muito grata por ele mostrar que ali há mais do que a simples questão de gênero do livro – há raça, também. “Sim, há esse racismo bárbaro”, disse ele, o que foi muito significativo.

Há no romance de Woolf um momento particularmente forte relacionado a racismo que não está no filme, certo?
Paul Mpagi Sepuya estava se referindo a um Orlando enfastiado, brincando com o que parecia um punching ball (saco de boxe), mas que na verdade era a cabeça enrugada de um mouro que seus ancestrais trouxeram das Cruzadas.

Talvez identidade seja algo dispensável, como você sugere, mas na arte não estamos todos olhando para nós mesmos?
Veja o trabalho de Mickalene Thomas. Ela acertou na mosca: a verdade é que todos são Orlando.

Parece que o livro significa mais para você do que o filme no qual trabalhou.
Acho que me sinto meio acanhada por gostar do livro porque eu também cresci numa grande casa, com muitos retratos nas paredes de pessoas que se pareciam comigo, mas com bigode ou cavanhaque. Ocorre que milhões que leram o livro se sentem da mesma forma, não importando onde cresceram, qual sua identidade de gênero ou como é sua vida. / TRADUÇÃO DE ROBERTO MUNIZ

Cinco anos depois: será que a aquisição da Beats pela Apple valeu a pena?

Da esquerda para a direita: Jimmy Iovine, Tim Cook, Dr. Dre. e Eddy Cue.

Há cinco anos, a Apple anunciava a sua maior aquisição: a compra da Beats Electronics por US$3 bilhões. Naquela época, os negócios da fabricante de fones de ouvido e alto-falantes estavam em alta, mas desde a aquisição, algumas turbulências nos fazem especular: será que o investimento valeu a pena?

De acordo com o editor do Engadget Billy Steele, sim. Naturalmente, a Apple não é de dar ponto sem nó e, apesar da desaceleração da expressividade da Beats dentro do mercado de alto-falantes, a Apple conseguiu, com a aquisição, dar gás em outro nicho mercadológico: o de streaming de músicas. Para entender como isso aconteceu exatamente, precisamos voltar no tempo.

Como tudo começou

A Beats foi fundada em 2006 pelo cofundador da Interscope Records Jimmy Iovine e o rapper/produtor Andre Romelle Young (conhecido como Dr. Dre). Originalmente, a marca concentrou-se na produção de fones de ouvido e alto-falantes, e em 2012 a empresa detinha 64% do mercado acima de US$100 desses acessórios.

À medida que a indústria fonográfica avançou para a era do streaming, Iovine e Dr. Dre perceberam essa mudança e adentraram nesse nicho, no início de 2014, com o Beats Music. O serviço, que surgiu a partir da aquisição de outra plataforma de streaming de música, a MOG, focou-se na curadoria de playlists e na personalização do estilo musical de cada usuário — algo que continuou vivo no Apple Music.

Para Steele, a razão pela qual a aquisição da Beats valeu a pena para a Apple é justamente o fato de todo o processo “pós-compra” ter sido realizado com os criadores da marca, no caso Iovine, Dr. Dre (além do cantor e produtor Trent Reznor, que continua trabalhando na plataforma de streaming de música da Maçã).

Trabalhando por conta própria, isso poderia levar anos para ser construído e, mesmo assim, poderia não ter sido tão bom quanto o que fizeram com a ajuda de Iovine, Dr. Dre, Reznor e outros. A Apple comprou uma empresa, conquistou seus ativos e reteve seu talento para manter o trabalho girando como é feito muitas vezes. Cinco anos depois, os negócios estão crescendo, e isso é algo casual em Cupertino.

Atualmente, o Apple Music possui mais de 40 milhões de assinantes no mundo e já ultrapassou o seu maior concorrente, o Spotify, no mercado americano. É claro que nem tudo é sobre a transformação do Beats Music no Apple Music; afinal, a Beats tem um enorme negócios de fones de ouvido e alto-falantes que a Apple está mantendo à sua maneira.

Os fones de ouvido

Vocês devem se lembrar que, em 2016, quando a Apple apresentou os iPhones 7/7 Plus, a Beats anunciou três opções de fones de ouvido (Powerbeats3 Wireless, Solo3 Wireless e BeatsX) alimentados pelo chip W1 da Maçã, o mesmo dos AirPods.

Ainda que os fones de ouvido da Beats tenham sido (legitimamente) criticados por abusarem dos graves e pela qualidade do material utilizado na fabricação (que prezava mais pelo reconhecimento da marca do que do bom design), nos últimos anos isso tem mudado.

Mais recentemente, com o lançamento do Powerbeats Pro, muitos usuários se identificaram com o produto e elogiaram a qualidade do primeiro fone verdadeiramente sem fio da marca.

Isso é, como dissemos, fruto da parceria entre as duas empresas (e seus executivos) ao longo desses cinco anos. Nesse sentido, da mesma forma que a Apple se beneficiou do Beats Music para dar vida a sua própria plataforma, a Beats também aproveitou a engenharia e a tecnologia da Apple para alavancar a qualidade dos seus produtos.

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Aos interessados, a leitura do relatório do Engadget é mais do que indicada. [MacMagazine]

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