Como identificar marcas de moda que se apropriam de causas sociais como marketing?

André Carvalhal, autor do livro ‘Moda com Propósito, afirma que o consumidor precisa olhar para o que está além da comunicação da empresa
POR GABRIELA MARÇAL

Feminismo é uma das causas mais comuns em campanhas publicitárias Foto: Tamara Bellis/ Unsplash

“O propósito é o novo estilo de vida.” A afirmação do escritor André Carvalhalsobre os novos tempos do mercado de moda reflete bastante o surgimento de cada vez mais marcas que se estruturam em torno de causas sociais. Mas nem sempre essa estratégia, que até pode ter boas intenções, dá certo. Recentemente, as redes sociais deram visibilidade para a denúncia de funcionários da loja Três sobre racismo, gordofobia e assédio moral. O caso mostra a importância de se pensar o tema que é tratado constantemente pelo autor dos livros Moda com Propósito e A Moda imita a vida. André Carvalhal é um dos palestrantes do 6º Seminário Internacional de Consultores de Imagem, que ocorre neste sábado, 8, em São Paulo.

“As marcas buscavam criar um lifestyle para se aproximar dos consumidores. Hoje uma evolução desse pensamento é o propósito da marca, se relacionar a uma causa, missão ou valor.”

Movimentos que empoderam grupos que estiveram à margem da sociedade, como o feminismo ou LGBTQI, ou que defendem o meio ambiente, destaque para a proteção dos oceanos, são os que mais recebem atenção atualmente.

No entanto, o consumidor precisa ficar atento para não apoiar ou consumir de uma empresa que usa essas causas apenas como ‘fachada’. “ O importante é as pessoas buscarem a coerência nas marcas. Esse é um dos principais caminhos para identificar se o que está sendo comunicado é verdade”, diz Carvalhal.

Saiba como identificar se uma marca, realmente, se envolve com a causa:

Marcas estão apoiando causas para se aproximar do consumidor Foto: Modern Essentials/ Unsplash

Vá além da campanha de marketing
Busque conhecer quais são as práticas para diminuir o impacto ambiental das lojas, escritórios e fábrica.

Conheça a história dos fundadores
Procure saber se as pessoas que criaram a empresa têm um propósito relacionado à causa que a marca defende.

Quem são os líderes da empresa
Se uma marca afirma ser feminista, informe-se sobre quantas mulheres estão em cargos de chefia. O mesmo raciocínio vale para companhias que se dizem apoiar pessoas LGBTQI ou negras.

Quais são as associações da marca
Verifique se os valores dos parceiros e fornecedores da marca estão alinhados aos valores defendidos publicamente. Observe se a empresa apoia associações ou ONGs do setor.

Tenha um olhar mais amplo
Enfim, é preciso ter consciência que a marca é muito mais do que é comunicado em seus canais e redes sociais oficiais. Atente-se as informações que são divulgadas por fontes isentas.

Naomi Campbel – British Vogue July 2019 By Jamie Hawkesworth

This Feeling   —   British Vogue July 2019   —   www.vogue.co.uk
Photography: Jamie Hawkesworth Model: Naomi Campbell Hair: Jawara Styling: Edward Enninful

Brad Pitt exige que parada do ‘Orgulho Hétero’ deixe de usá-lo como ‘mascote’

Ator se incomodou ao ser associado ao evento; organizadores acreditam que ‘direitos héteros’ são ‘direitos humanos’

Brad Pitt foi oficialmente removido do site da Straight Pride

Os organizadores da parada do ‘Orgulho Hétero’ de Boston, nos Estados Unidos, retiraram a imagem de Brad Pitt do site do evento após o ator ordenar que eles parassem de usar seu nome como símbolo. As informações são da TMZ.

O ator aparecia com duas mulheres na página e foi referenciado pelos defensores do movimento. “A comunidade hétero adotou Brad Pitt como nosso mascote. Parabéns por ser o rosto desse importante movimento de direitos civis. Direitos héteros são direitos humanos”, escreveram.

Segundo o TMZ, a equipe do artista informou que se a publicação não fosse apagada em breve, “outras medidas” poderiam ser tomadas.

Na quinta-feira, 5, Chris Evans, que interpretou Capitão América, também se colocou contra a parada hétero.

“Uau! Que iniciativa legal, parceiros. Mas só uma ideia, em vez de parada do ‘Orgulho Hétero’, que tal a parada do ‘Estamos tentando desesperadamente esconder nossos pensamentos gays sendo homofóbicos porque ninguém nos ensinou a lidar com nossas emoções quando éramos crianças’? O que acham? Fica muito na cara?”, ironizou no Twitter.

Jornalistas russos comentam série Chernobyl

Aclamada minissérie da HBO chega ao fim nesta sexta-feira, 7
Anna Malpas, AFP

Chernobyl
Cultura da mentira: Stellan Skarsgard e Jared Harris. Foto: Handout photo by Liam Daniel/HBO

A aclamada minissérie americana Chernobyl, sobre a catástrofe nuclear, traz lembranças dolorosas na Rússia, com um realismo tão elogiado quanto criticado por exagerar o papel nefasto das autoridades soviéticas. A HBO transmitiu esta semana o último dos cinco episódios da minissérie, uma imagem implacável do pior acidente nuclear na história civil.

Em 26 de abril de 1986, a explosão do reator número quatro na fábrica de Chernobyl, na Ucrânia soviética, dispersou uma nuvem radioativa na Europa. A URSS tentou por várias semanas esconder o incidente, antes de resolver evacuar a área, inabitável mesmo 30 anos depois. “Os graus de realismo de Chernobyl são mais altos do que na maioria dos filmes russos neste período”, reconhece o jornal pró-governo Izvestia. “Acho que é um trabalho de alta qualidade na televisão”, disse Susanna Alperina, jornalista cultural do jornal pró-Kremlin Rossiïskaïa Gazeta.

Na Rússia, a série não é transmitida pela televisão, mas é acessível através da plataforma de streaming Amediateka, que ganhou os direitos de muitas séries populares, como Game of Thrones. O trabalho é elogiado porque consegue reproduzir a atmosfera da URSS e às vezes lembra os espectadores russos de sua infância. As filmagens foram feitas entre a Ucrânia e uma antiga usina nuclear soviética na Lituânia, equipada com os mesmos reatores RBMK em Chernobyl.

Feita pelo sueco Johan Renck, Chernobyl tem como personagem principal o vice-diretor do maior centro de pesquisas da URSS. A série concentra-se no heroísmo dos personagens comuns, mas os principais líderes soviéticos, começando por Mikhail Gorbachev, são mostrados como inúteis e mentirosos. A série expressa “respeito e simpatia pelo povo, pelo nosso povo soviético”, disse no Facebook a jornalista Ksenia Larina, da rádio independente Echo, em Moscou. “Mas ele expressa muito desdém pelas autoridades que menosprezaram seus cidadãos.”

Agora que as relações entre a Rússia e os países ocidentais são as piores desde o fim da Guerra Fria, alguns vêem na série uma crítica injustificada ao regime soviético e um ataque ao poder atual. O popular diário Argumenty i Fakty criticou uma “mentira brilhantemente filmada” que divide o povo soviético entre “executores sanguinários e vítimas inocentes”.

Uma das mensagens ocultas da série seria, por exemplo, mostrar que a indústria nuclear russa não é confiável, alertou o jornal Komsomolskaïa Pravda. Para o jornal, que gosta de teorias da conspiração, a produção de alto orçamento da HBO mostra os “russos desabrigados e descuidados” com o objetivo de interromper as vendas de fábricas russas no exterior. 

Trinta pessoas morreram imediatamente após a explosão do reator número quatro da usina de Chernobyl, mas o saldo total, que ainda gera controvérsia, é de vários milhares de mortos, especialmente entre os encarregados das operações de descontaminação da zona.

A jornalista Susanna Alperina não acredita que há propaganda na série. Pelo contrário, a série “mostra como a propaganda é fabricada, o que é diferente”, diz. Alperina acrescenta que “uma visão externa é às vezes mais justa” e destaca o fato de que produções russas similares não foram vistas.

Na Rússia, Chernobyl também levanta a questão de saber por que um trabalho dessa qualidade nunca foi feito no país. Uma das razões seria o orçamento de séries russas, que não é comparável ao das produções ocidentais. “Talvez as pessoas tenham medo de fazer esse tipo de projeto por medo de que os espectadores não gostem delas, mas é o que elas esperam”, diz Susanna Alperina.

Em 2014, a rede russa TNT produziu uma série adolescente de terror que teve Chernobyl como palco. E o ator e diretor russo Danila Kozlovsky anunciou em março um filme sobre o assunto.

Alanna Arrington – Elle Italia June 7th 2019 By Gilles Bensimon

Long Wave   —   Elle Italia June 7th 2019   —   www.elle.it
Photography: Gilles Bensimon Model: Alanna Arrington Styling: Micaela Sessa Hair: Gianluca Mandelli Make-Up: Leslie Lopez

Blesnya Minher – Numero Magazine June/July 2019 By Txema Yeste

Lost Paradise   —   Numero Magazine June/July 2019   —   www.numero-magazine.com
Photography: Txema Yeste Model: Blesnya Minher Styling: Bernat Buscato Hair: Victor Alvarez Make-Up: Victor Alvarez Set Design: Kaduri Eluashar

Versão de Cinderela com Camila Cabello tem estreia marcada para 2021

Anúncio foi feito pela Sony Pictures nesta quinta-feira e cantora será a protagonista

A cantora Camila Cabello

A nova versão do filme Cinderela, com Camila Cabello, já tem data de estreia: 5 de fevereiro de 2021, nos cinemas. A informação foi dada pela Sony Pictures.

A cantora e compositora vai experimentar mais uma faceta artística: a de atriz. A nova versão de Cinderela será em parceria com Kay Cannon, que escreveu A Escolha Perfeita.

A história é descrita como uma releitura moderna do tradicional conto de fadas em que uma menina órfã tem uma madrasta malvada. Aqui, a protagonista também tem uma boa inclinação musical.

Segundo o Hollywood Reporter, a artista não só estrelará no projeto como também estará envolvida na música do filme, produzido por James Corden.

Livro ‘Arquivo das Crianças Perdidas’ de Valeria Luiselli mistura uma íntima história familiar com a violência política do presente

Mexicana Valeria Luiselli lança ‘Arquivo das Crianças Perdidas’, romance que investiga como o presente, no caso a crise migratória (e a familiar), será assimilado e repassado pelas novas gerações
Maria Fernanda Rodrigues, O Estado de S. Paulo

Arquivo das Crianças Perdidas’, de Valeria Luiselli, acompanha a road trip de uma família prestes a se desintegrar 

Uma família prestes a se desintegrar entra em um carro em Nova York para cruzar os Estados Unidos até o Arizona, na fronteira com o México. O trabalho que o casal fazia – registrar o som de todas as línguas faladas na cidade – chegou ao fim e ele decide investir em um projeto pessoal: estar onde os últimos povos livres em todo o continente americano viveram antes de se renderem e gravar os ecos de sua passagem por ali.

Ao seu lado, sua mulher nos últimos quatro anos – e a primeira narradora desta história. No banco de trás, o filho dele, de 10, e a filha dela, de 5. No porta-malas, 7 caixas de arquivo: 4 do pai, já cheias; uma da mãe, com alguns materiais para a pesquisa que fará no caminho sobre as crianças que tentam atravessar a fronteira do México para os Estados Unidos e desaparecem; e uma para cada criança, que ao longo da viagem elas decidirão como usá-las. No ar, o silêncio que cresce entre o casal, as histórias que os pais contam sobre apaches e crianças imigrantes e o som dos meninos brincando.

Esse é, basicamente, o enredo de Arquivo das Crianças Perdidas, romance de Valeria Luiselli que está chegando às livrarias brasileiras. Um livro que tem sido visto como uma obra sobre imigração, mas, embora este seja um assunto importante nesta ficção, e um tema caro para a autora que nasceu no México, cresceu pelo mundo (seu pai é diplomata) e vive em Nova York, Arquivo das Crianças Perdidas é uma história sensível e comovente sobre família, vínculo e cumplicidade, sobre estar junto e sozinho ao mesmo tempo, sobre querer estar só e sobre encontrar sentido no outro. E é, além de tudo, sobre encontrar a forma exata de contar uma história e registrá-la.

Em entrevista por telefone, Valeria Luisielli, de 35 anos, conta que tem pensado muito na narrativa como uma troca intergeracional de diferentes versões do mundo. “Eu queria escrever um romance tentando pensar como a próxima geração vai começar a articular esse tempo político muito difícil em que estamos entrando. E como ela, em oposição às gerações mais antigas, pode dar novos elementos às histórias para a geração seguinte e como essa geração vai recombinar e devolver essa história ao mundo”, diz.

O livro é aberto pela voz da mãe, uma mulher às voltas com suas dúvidas e dores, e uma das passagens mais delicadas, e que demonstra essa preocupação da autora com a transmissão de uma história, é quando ela e o menino (ninguém tem nome) testemunham a partida de um pequeno avião cheio de crianças capturadas na fronteira e seu desaparecimento no céu. O que ela faz é se certificar que o menino saiba que ele não estava sozinho naquele momento desolador.

O menino, aliás, é o outro narrador da história e seu relato, oral e visual, com a Polaroid que ganhou, foi a forma que ele encontrou de garantir que a irmã que lhe foi dada, e que em breve partirá com a mãe, saiba tudo o que viram e viveram naquelas semanas na estrada e pelo deserto, e tudo o que ouviram sobre indígenas e outras crianças. Isso porque ele ouviu do pediatra que as crianças só passam a ter memórias a partir dos 6 anos. É comovente ver sua preocupação com a fixação da história dos dois e o vínculo entre eles.

São todos personagens fortes – exceto, provavelmente de propósito, o homem. E a autora sente falta deles. “Ainda estou em luto pelos personagens, especialmente as crianças. Eu realmente vivi com essas pessoas nos cinco anos em que escrevi esse livro. Sinto falta da companhia do menino e da menina. Foi um romance que dominou minha cabeça e minha alma por muito tempo”, conta.

Outra narrativa que permeia a obra é o livro Elegias Para Crianças Perdidas, escrito por Valeria para ser incluído no romance e creditado a uma autora fictícia – uma espécie de A Cruzada das Crianças –, que acompanha a família em sua jornada por um país que vai se revelando deserto e mais hostil.

Livro de Valeria Luiselli investiga como o presente será assimilado e repassado pelas novas gerações
Fotos fazem parte da estrutura de ‘Arquivo das Crianças Perdidas’ Foto: Valeria Luiselli

Arquivo das Crianças Perdidas não é sobre os pequenos refugiados presos ao conseguirem ultrapassar a fronteira, desaparecidos depois de chegarem aos Estados Unidos ou mortos pelo caminho, mas a questão está lá – bem como as críticas às políticas migratórias dos Estados Unidos. Há uma tensão política, que só não é maior porque a autora decidiu fazer uma pausa na escrita quando percebeu que sua frustração, raiva e revolta estavam entrando equivocadamente em seu romance. À época, ela traduzia a história de crianças em situação legal complicada e as ajudava a encontrar um advogado. 

“Eu estava, ao mesmo tempo, bagunçando com o romance e não tratando a questão como eu deveria. Parei e escrevi um ensaio, Tell me How it Ends. E então pude voltar ao romance e pensar nele com mais liberdade. O romance é um gênero híbrido e com múltiplas camadas, que me permite pensar em coisas que não cabem na forma da não ficção de pensar esse tipo de assunto”, conta. E completa: “Eu pude dar um passo para trás e refletir sobre o valor da arte na hora de escrever sobre violência política. E nos meios com que podemos abordar questões políticas na ficção. Mas, sim, esse é um livro sobre contar história, léxico familiar e conexões familiares. E sobre a nossa recusa e tentativa inconsciente de chegar ao outro por meio de uma história”. 

Trecho

“Por um longo tempo, estive preocupada com o que dizer aos nossos filhos, como lhes dar uma história.

A única coisa que os pais podem realmente dar aos filhos são os pequenos conhecimentos: é assim que você corta as próprias unhas, essa é a temperatura de um verdadeiro abraço, é assim que você desembaraça os nós dos seus cabelos, é assim que eu te amo. E o que os filhos dão aos pais e mães, em troca, é algo menos tangível mas ao mesmo tempo maior e mais duradouro, algo como um ímpeto para abraçar plenamente a vida e entendê-la, em seu próprio interesse e benefício, para que possam explicá-la a ees, transliti-la a eles ‘com aceitação e rancor’, como escreveu certa vez James Baldwin, mas também com raiva e ferocidade. Os filhos forçam os pais a sair em busca de um pulso específico, um olhar fixo, um ritmo, o jeito certo de contar a história, sabendo que as histórias não consertam nada nem salvam ninguém, mas talvez tornem o mundo mais complexo e mais tolerável. E às vezes, apenas às vezes, mais bonito. Histórias são uma maneira de subtrair o futuro do passado, a única maneira de encontrar clareza em retrospecto.

O menino ainda está apontando o binóculo para o céu vazio. Então pergunto a ele mais uma vez, dessa vez apenas sussurrando: O que mais você vê, Controle de Solo?”

ARQUIVO DAS CRIANÇAS PERDIDAS
Autora: Valeria Luiselli
Trad.: Renato Marques
Editora: Companhia das Letras
(424 págs.; R$ 74,90; R$ 52,43 o e-book)

Décor do dia: cozinha contemporânea com móveis azuis

Casa de 1970 ganha ambiente jovem e vibrante com ar retrô
FOTOS CAITLIN MILLS

A designer de interiores Lisa Breeze sabia que havia encontrado a casa dos sonhos ao se deparar com este imóvel construído em 1970 em Melbourne. Ao projetar a cozinha, ela manteve a aura vintage da propriedade mas não abriu mão de criar um espaço contemporâneo com móveis azuis.

O mix de texturas é um diferencial: na área da bancada, a parede de tijolinhos serve de pano de fundo para a marcenaria colorida e a pia de mármore. A geladeira Smeg com acabamento metalizado traz ares retrô para o espaço. Logo ao lado, a mesa redonda de madeira ganha a companhia de cadeiras azuis – repare no charme da pintura, que não chega ao final nos pés dos móveis. A luminária pendente e o quadro na mesma paleta finalizam a composição.