Vogue Paris June/July 2019 By Bibi Cornejo Borthwick

Performance   —    Vogue Paris June/July 2019   —   www.vogue.fr
Photography: Bibi Cornejo Borthwick Model: Edita Vilkeviciute Styling: Géraldine Saglio Hair: Kei Terada Make-Up: Petros Petrohilos Manicure: Alexandra Janowski

Cantor André Matos, do Angra e Shaman, morre aos 47 anos

Causa ainda não foi divulgada
CAMILA SOUSA

Andre Matos, ex-vocalista e fundador da banda Angra, morre aos 47 anos

O cantor André Matos, conhecido por bandas como Angra e Shaman, morreu aos 47 anos. A notícia estava circulando nas redes sociais e foi confirmada por Ricardo Confessori, baterista do Shaman e ex-integrante do Angra.

A causa da morte ainda não foi divulgada.

André Coelho Matos nasceu em setembro de 1971, em São Paulo. Sua trajetória na música começou ainda na década de 80, com a banda Viper. Na década de 90, o músico conheceu Rafael Bittencourt e fundou oAngra. O sucesso da banda misturando heavy metal e música erudita foi grande e o grupo se apresentou na Europa, Ásia e América Latina.

No começo dos anos 2000, André Matos deixou o Angra após desentendimentos com o empresário da época, ao lado do baixista Luis Mariutti e do baterista Ricardo Confessori. Juntos eles formaram a banda Shaman, que também fez muito sucesso.

Em 2006, Matos saiu do Shaman e embarcou na carreira solo, mas estava atualmente em uma turnê de reunião com a banda.

X-Men: Fênix Negra pode ter a pior bilheteria de abertura da franquia

Previsão para o fim de semana aponta números preocupantes
CAMILA SOUSA

Credit: Doane Gregory

X-Men: Fênix Negra pode ter a pior estreia da franquia mutante nos EUA. O longa arrecadou US$ 14 milhões na sexta-feira (7) e, segundo previsão da Variety, deve fazer US$ 34 milhões até domingo.

Se a previsão se confirmar, a produção ficará abaixo de Wolverine: Imortal, atualmente o último da lista, com US$ 53 milhões arrecadados no lançamento.

O site lembra que a franquia X-Men costuma ter um bom desempenho no mercado internacional, mas ressalta que Fênix Negra tem um alto orçamento (estimado em US$ 200 milhões) e uma recepção baixa da crítica (atualmente com apenas 22% de aprovação no Rotten Tomatoes).

Os números completos da bilheteria do fim de semana serão divulgados amanhã (9).

Liya Kebede – Porter Magazine #33 Summer Escape 2019 By Cass Bird

Making Waves   —   Porter Magazine #33 Summer Escape 2019   —   www.net-a-porter.com
Photography: Cass Bird Model: Liya Kebede Styling: George Cortina Hair: Ward Make-Up: Frank B.

Próxima temporada de ‘The Good Place’ será a última, segundo criador da série

Atração, protagonizada por Kristen Bell, se encerrará ainda em 2019

‘The Good Place’ terá apenas quatro temporadas, de acordo com o autor Michael Schur

The Good Place deverá ter apenas quatro temporadas. A informação foi divulgada por Michael Schur, criador da série, nesta sexta-feira, 7, durante um painel na Academia de Televisão em North Hollywood. 

“Depois que o The Good Place foi escolhido para a segunda temporada, a equipe de roteiristas e eu começamos a mapear, da melhor forma que pudemos, a trajetória do programa. Dadas as ideias que queríamos explorar e o ritmo em que queríamos apresentar essas ideias, comecei a sentir que quatro temporadas – pouco mais de 50 episódios – tinham a expectativa de vida certa”, afirmou Schur. 

O autor também agradeceu à NBC e à equipe por trás da sitcom. “Eu serei eternamente grato à NBC e à Universal TV por nos deixar fazer o The Good Place e por nos deixar terminar em nossa própria agenda. Também serei eternamente grato ao time criativo, tanto na tela quando fora, por seu trabalho duro e dedicação a uma ideia muito estranha”, disse. 

Lançada em 2016, a série é estrelada por Ted Danson, Kristen Bell, William Jackson Harper, Jameela Jamil, Manny Jacinto e D’Arcy Carden. 

Angelina Jolie pede apoio internacional às crianças venezuelanas

Segundo a atriz, 20 mil crianças refugiadas podem ficar apátridas Julia Symmes Cobb

Angelina Jolie conversa com crianças em visita a Colômbia – Andrew McConnell/ Handout/ Reuters

A atriz Angelina Jolie pediu neste sábado que a comunidade internacional forneça mais apoio a três países sul-americanos com mais imigrantes da crise da Venezuela, dizendo que 20 mil crianças venezuelanas estão em risco de ficar sem direitos básicos de cidadania. 

Jolie falou na Colômbia como enviada especial do Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). Ela está em uma viagem de dois dias para se encontrar com imigrantes venezuelanos no país e se reuniu com o presidente colombiano, Iván Duque, em Cartagena. 

Quatro milhões de refugiados e imigrantes venezuelanos fugiram da crise humanitária e econômica em seu país natal. 

Mais de um milhão deles estão vivendo na Colômbia, onde o governo e agências de auxílio têm se esforçado para fornecer moradia, comida e cuidados de saúde a um fluxo de imigrantes que não para de crescer vindo de regiões já pobres e violentas na fronteira. 

Pais de crianças venezuelanas nascidas em outros países geralmente têm problemas para registrar o nascimento do bebê, porque não têm acesso a um número cada vez menor de consulados venezuelanos, ou porque não têm os papéis de imigração. 

“O presidente e eu conversamos sobre o risco de deixar mais de 20 mil crianças apátridas, sobre seu compromisso em sempre ajudar crianças”, afirmou Jolie, 44 anos, vencedora do Oscar, em uma entrevista coletiva. 

“Concordamos sobre a necessidade urgente de a comunidade internacional dar mais apoio à Colômbia, ao Peru e ao Equador, que estão carregando o fardo da crise.” 

Duque disse que esperava que a visita alertasse o mundo para a seriedade da crise imigratória. 

Ele, Jolie e autoridades da Acnur tiveram uma reunião produtiva na manhã de sábado, disse Duque, incluindo uma discussão sobre como nacionalizar crianças sem pátria. 

Jolie visitou imigrantes venezuelanos no Peru, em outubro do ano passado. Ela concluirá sua visita na cidade de Maicao, na fronteira, ainda neste sábado. 

A crise econômica da Venezuela levou à ampla escassez de comidas e remédios básicos, enquanto as hostilidades políticas motivaram onda de violência fatal.

Reuters

Artesanato como base

Designer Fernando Jaeger apresenta sua mais nova coleção que coloca em evidência o valor do feito à mão
MARCELO LIMA – O ESTADO DE SÃO PAULO

A mesa de centro Barbacena da nova coleção e a poltrona Leque. Design Fernando Jaeger Foto: Felipe Jaeger

No início de sua carreira, o designer Fernando Jaeger lembra de ter se deparado com muitas limitações. Especialmente de ordem técnica. “As empresas eram muito pequenas, trabalhavam com maquinário caseiro e muitas das soluções eram obtidas manualmente”, conta ele. E foi assim que, desde muito cedo, ele teve de aprender a tirar o melhor proveito possível desta situação. “Passei a fazer destas limitações uma característica dos móveis que desenhava, perseguindo uma convivência possível entre o industrial e o artesanal”, comenta ele, que acaba de empreender uma volta às origens, apresentando uma nova coleção de móveis e acessórios para decoração que dialoga diretamente com o artesanato, e que ele apresenta nesta entrevista ao Casa.

Para você, o que torna a o produto artesanal tão atraente aos olhos do público?

Penso que a maior riqueza desta produção é que ela agrega muitas histórias, técnicas e conhecimentos. Investir nela é uma forma de valorizar nossa cultura e acho bacana trabalhar para que todo este saber seja difundido e aplicado aos mais diversos usos.

O designer Fernando Jaeger
O designer Fernando Jaeger Foto: Felipe Jaeger

Como surgiu a ideia de uma coleção com base no artesanato?

No ano passado, eu e minha mulher, Yáskara, participamos da 2ª edição da Semana Criativa de Tiradentes. Eles convidaram cinco designers, eu entre eles, para aprimorar os trabalhos de artesãos locais. Uma das designers que fazia parte do grupo era a Luly Viana, da Saissu Design. Ela une marcas e artesãos em projetos conjuntos e com ela começamos a desenvolver nossa linha de produtos artesanais para nossas marcas Fernando Jaeger Atelier e FJ Pronto pra Levar!. A partir daí, começamos a pesquisar outros materiais que pudessem conversar com os nossos produtos. Foi então que surgiu a ideia de usar cestos trançados para complementar nossos móveis, e assim chegamos ao coletivo Tecendo Histórias, formado por mulheres que trançam palha manualmente. Em Tiradentes, também percebi que o trabalho do marceneiro Delano Antunes se comunicava bem com nossas linhas e encomendamos algumas peças para ele. Surgiam assim as linhas Gerais e Barbacena.

Dos pontos de vista estético e funcional, quais os destaques entre os novos produtos?

As almofadas Tapuerana, além de lindas, foram feitas em teares centenários. Os cestos podem ser usados para guardar brinquedos, mantas, revistas e são 100% naturais. Até o tingimento da versão escura veio das folhas do Eucalipto. Já as linhas Gerais e Barbacena trazem encaixes e técnicas ancestrais. A madeira é utilizada com todas suas imperfeições e isso é belo. 

Os móveis da linha Gerais

Os móveis da linha Gerais Foto: Felipe Jaeger

Os cestos multiuso de palha de milho trançada

Os cestos multiuso de palha de milho trançada Foto: Felipe Jaeger

Artesanato como base

Designer Fernando Jaeger apresenta sua mais nova coleção que coloca em evidência o valor do feito à mão

A mesa de centro Barbacena da nova coleção e a poltrona Leque. Design Fernando Jaeger Foto: Felipe Jaeger

No início de sua carreira, o designer Fernando Jaeger lembra de ter se deparado com muitas limitações. Especialmente de ordem técnica. “As empresas eram muito pequenas, trabalhavam com maquinário caseiro e muitas das soluções eram obtidas manualmente”, conta ele. E foi assim que, desde muito cedo, ele teve de aprender a tirar o melhor proveito possível desta situação. “Passei a fazer destas limitações uma característica dos móveis que desenhava, perseguindo uma convivência possível entre o industrial e o artesanal”, comenta ele, que acaba de empreender uma volta às origens, apresentando uma nova coleção de móveis e acessórios para decoração que dialoga diretamente com o artesanato, e que ele apresenta nesta entrevista ao Casa.

Para você, o que torna a o produto artesanal tão atraente aos olhos do público?
Penso que a maior riqueza desta produção é que ela agrega muitas histórias, técnicas e conhecimentos. Investir nela é uma forma de valorizar nossa cultura e acho bacana trabalhar para que todo este saber seja difundido e aplicado aos mais diversos usos.

O designer Fernando Jaeger
O designer Fernando Jaeger Foto: Felipe Jaeger

Como surgiu a ideia de uma coleção com base no artesanato?
No ano passado, eu e minha mulher, Yáskara, participamos da 2ª edição da Semana Criativa de Tiradentes. Eles convidaram cinco designers, eu entre eles, para aprimorar os trabalhos de artesãos locais. Uma das designers que fazia parte do grupo era a Luly Viana, da Saissu Design. Ela une marcas e artesãos em projetos conjuntos e com ela começamos a desenvolver nossa linha de produtos artesanais para nossas marcas Fernando Jaeger Atelier e FJ Pronto pra Levar!. A partir daí, começamos a pesquisar outros materiais que pudessem conversar com os nossos produtos. Foi então que surgiu a ideia de usar cestos trançados para complementar nossos móveis, e assim chegamos ao coletivo Tecendo Histórias, formado por mulheres que trançam palha manualmente. Em Tiradentes, também percebi que o trabalho do marceneiro Delano Antunes se comunicava bem com nossas linhas e encomendamos algumas peças para ele. Surgiam assim as linhas Gerais e Barbacena.

Dos pontos de vista estético e funcional, quais os destaques entre os novos produtos?
As almofadas Tapuerana, além de lindas, foram feitas em teares centenários. Os cestos podem ser usados para guardar brinquedos, mantas, revistas e são 100% naturais. Até o tingimento da versão escura veio das folhas do Eucalipto. Já as linhas Gerais e Barbacena trazem encaixes e técnicas ancestrais. A madeira é utilizada com todas suas imperfeições e isso é belo.

Os móveis da linha Gerais
Os móveis da linha Gerais Foto: Felipe Jaeger
Os cestos multiuso de palha de milho trançada
Os cestos multiuso de palha de milho trançada Foto: Felipe Jaeger

‘Sombrio Ermo Turvo’ reúne ficções breves de Veronica Stigger

Escritora brasileira tem como mote a deformação da realidade em seus textos
José Castello – O Estado De S. Paulo

A escritora Veronica Stigger, autora de ‘Sombrio Ermo Turvo’ Foto: Todavia

Veronica Stigger escreve para dilatar a realidade. A realidade banal, de nosso dia a dia, não a interessa. Nelson Rodrigues dizia escrever para revelar “a vida como ela é”. Talvez nenhuma ideia cause tanta repugnância a Verônica. Ela não escreve para refletir, para retratar, para mostrar, mas para deformar e esconder. Escreve para criar. Isso fica claro, em definitivo, com a leitura de Sombrio Ermo Turvo, seu novo livro, que acaba de sair pela editora Todavia.

Detenho-me em um relato como O Maquinista. Em plena madrugada, quatro homens se preparam para um ato que promete ser espetacular. Não sabemos o que planejam, sabemos apenas que envolve um maquinista, que serve na estação ferroviária. “Sejamos fortes, camaradas”, sussurra João. Mateus esconde o rosto no ombro do amigo, “como se quisesse cheirar sua nuca”. Estão juntos e agarrados a seu projeto. João traz consigo um martelo, Mateus um canivete suíço, Pedro uma corda, e Tiago uma chave de fenda. Preparam-se. Rezam. Ajeitam os capacetes. O Maquinista, sua vítima, permanece em seu posto. Mas, quando a ação parece enfim começar, o conto termina. Ficamos apenas com os preparativos para um ato que nunca conheceremos. Com esse corte abrupto, Stigger nos devolve seu relato, o empurra em nosso colo e mostra que agora cabe a nós, leitores, decidir.

Outro conto, O Livro, transcreve uma palestra a respeito de uma novela inédita, Rancho, de autoria de Veronica Stigger, ela mesma. Ou não será ela mesma, mas só um homônimo? A novela conta a história, em primeira pessoa, de uma mulher, Verônica também (mas com acento circunflexo), que viaja pelo mundo fazendo a leitura de um longo e mesmo poema chamado O Coração dos Homens. As Verônicas se desdobram; o leitor já não sabe onde pisa. Comenta a palestrante: “Muitas vezes, a escrita de Stigger beira o banal, o quase infantil, o frouxo mesmo, com certo apelo a uma sintaxe pouco brasileira.” Veronica não facilita as coisas para si. Ao contrário: sua escrita gosta de levantar obstáculos, de promover confusões, aprecia a opacidade e a imprecisão. Ela escreve, antes de tudo, para nos deixar assombrados e atônitos.

Passo a um relato mais longo, A Piscina, que se originou de uma improvisação de atores para a peça Salta!, do Coletivo Teatro Dodecafônico. A estrutura teatral se mantém – e nos desconcerta. A escrita se transforma em palco. Quatro mulheres e um homem contracenam em torno de uma piscina. Ao fundo, uma mesma voz, em várias versões, resume sua história, que envolve um trágico acidente de carro e o atropelamento de uma mulher. O relato é quebradiço e caótico, sem rumo, reproduzindo a estrutura desorganizada e aleatória da vida. “Cadê o contrarregra? Não tem contrarregra aqui? Que espelunca”, a voz protesta em dado momento. Retratar a vida não é amordaçá-la, ao contrário, é emparelhar com sua desordem. Horas litúrgicas nomeiam as várias cenas, enfatizando o caráter ritualístico. Longas conversas sobre bobagens, brigas tolas, discussões sobre nada. O relato talvez não passe de uma brincadeira. Mas será a vida diferente?

Veronica Stigger trata a ficção sem pompa, sem refinamento, sem estilo. Joga com as palavras – e aqui a sombra de Julio Cortázar se perfila atrás de uma pilastra. Se a vida é um jogo que jogamos com os olhos vendados, que outra coisa poderia ser a ficção? A narrativa se despedaça – porque a vida se despedaça também. Não, Stigger não se interessa pelas histórias “bem contadas”, ou pela arte de “escrever bem”. Os temas mais graves – a dominação, a manipulação, a atração sexual, a morte – são tratados como o que, de fato, são: partes repetitivas, e até desprezíveis, do humano. 

Podemos ter as melhores intenções, mas, na hora agá, a vida nos arrasta e fazemos sempre ao contrário. Está em O Boi, relato de onze linhas, que talvez seja uma parábola. Um homem, Eduardo, se prepara para matar um boi. Segue as instruções do estancieiro José, lendário praticante dessa arte. “José tinha sido claro: o tiro deveria ser dado pelas costas e na cabeça”. Parece que Eduardo entendeu tudo muito bem. “Porém, ao se aproximar do boi, sussurrou algo, talvez um nome, talvez uma prece”. Contrariando as instruções do mestre, esse murmúrio leva o boi, no instante do tiro, a olhá-lo nos olhos. Parece que é isso o que acontece – mas nada fica muito claro. 

Há sempre uma força viva que, traiçoeira, desmonta nossas melhores intenções. Estamos vivos, isto é: não somos donos de nós mesmos. Resta jogar o breve jogo da vida – e aqui a literatura se torna uma aliada de Veronica. Não importa muito o que fazemos, ou o que deixamos de fazer, no fim das contas estamos sempre diante de um enigma.