Ryan Conduit for Grazia Australia with Lise Olsen

Photography: Ryan Conduit. Art Direction: Kimberlee Kessler. Stylist: Patrick Zaczkiewicz. Hair & Makeup: Kristyan Low. Model: Lise Olsen at IMG.

Moda sustentável marca semana de palestras na FAAP

POR FAAP MODA

Ana Luisa, da ALUF, desenvolveu marca que usa tecidos 100% naturais e matéria-prima orgânica, biodegradável e reciclável (foto: Fernando Silveira)

Especialistas em Moda, Design, Produção Cultural e Arquitetura e Urbanismo reuniram-se na Semana de Artes da FAAP, que teve como tema “Realidades Invisíveis”. Das 29 palestras, sete discutiram assuntos relacionados à moda. O LabJor – Laboratório de produção de conteúdos jornalísticos da FAAP –  conversou com alguns dos palestrantes, como Ana Luisa Fernandes, fundadora da ALUF, uma marca que usa tecidos 100% naturais e matéria-prima orgânica, biodegradável e reciclável. Os resíduos produzidos na confecção das roupas são levados para reciclagem e transformados em cobertores para moradores de rua.

De acordo com Ana Luisa, a ALUF foi criada a partir de um questionamento. “A marca nasce tentando trazer justificativas. Primeiro, para mim mesma, para eu justificar o quanto importante era esse trabalho”, disse a estilista que uniu em suas coleções os conceitos de sustentabilidade e as inspirações da arteterapia da psicanalista junguiana Nise da Silveira (1905-1999).

Já a Joaquina Brasil, fundada por Roberta Negrini, adota o conceito da economia circular, que reutiliza tecidos que seriam descartados por outras marcas, reduzindo o desperdício. A marca, além do impacto ambiental, trabalha também com a área social, a partir de um projeto que dá oportunidades de emprego, além de reintegrar detentas e ex-detentas à sociedade.

Durante sua palestra, a empreendedora contou sobre a experiência com uma ex-detenta após sair da cadeia e aderir ao seu projeto. Segundo ela, a Joaquina Brasil deu o primeiro emprego a essa jovem, que não entendeu a iniciativa, logo após ela ser solta.

A pessoa mesmo se rejeita. Então, creio que o primeiro impacto está na oportunidade e em mostrar que é possível mudar de vida sim”lembra Roberta, acrescentando a importância em ensinar uma profissão e dar para outra pessoa a oportunidade de aprender coisas novas. “A gente tem uma trajetória muito grande de impacto que não é só para a pessoa, mas para gerações. São para os filhos dessas pessoas, filhos dos filhos. O impacto real e imensurável”, completa.

A palestra de Roberta foi um choque de realidade e consciência para quase todos que estavam ali. A empreendedora mostrou dados e fatos que rodeiam a sociedade atual e que, muitas vezes, são tratados como invisíveis. De acordo com ela, todos os anos são jogados fora toneladas de tecidos que sobram na confecção de roupas ou que são simplesmente descartados sem nunca terem sido usados.

Roberta Negrini falou sobre economia circular e sobre seu projeto que reintegra ex-detentas à sociedade (Foto: Fernando Silveira / FAAP)

A Joaquina Brasil tem como matéria-prima exatamente esses tecidos, trabalhando sempre com o objetivo de “desperdício zero”, como menciona a fundadora. A marca não confecciona somente roupas, mas dá também outros destinos para um tecido não utilizado, como a produção de chaveiros, tiaras para cabelo e até mesmo bolsinhas de pano.

Apesar de ter sido fundada há pouco mais de três anos, a Joaquina Brasil se reinventa a cada oportunidade. Roberta destaca que “a Joaquina é uma marca pequena com alma de empresa grande”, que, trabalhando sempre com amor e de maneira humanizada, segue conquistando e cativando cada vez mais seu público.

Outro projeto de impacto apresentado durante a Semana de Artes foi o Re-roupas, da estilista Gabriela Mazepa, que também utiliza roupas usadas para criar outras peças de vestuário. De acordo com a empreendedora, a iniciativa ajuda pessoas de comunidades carentes a ter contato com a reutilização de tecidos, a partir de oficinas promovidas pela marca. “É uma troca, com todo mundo trabalhando junto. Quando capacitamos um grupo de costureiras, você está dando ali um pouco de uma experiência, mas isso não quer dizer que aquelas pessoas já não sabiam disso. Elas só precisavam se organizar para produzir mais ou melhor para um determinado público”, pontua.

Gabriela Mazepa criou a Re-Roupas, que utiliza roupas usadas para criar outras peças de vestuário (Foto: Aline Canassa / FAAP)

A relação com a cidade de São Paulo também foi abordada em uma das palestras. O empresário Facundo Guerra falou sobre o projeto Unlock Your City, desenvolvido em parceria com a Schutz. Trata-se de um ensaio fotográfico feito a partir de um drone, que mistura sapatos a edifícios-símbolo da cidade. “Hoje, o sapato serve como um instrumento para destravar uma nova paisagem da cidade”, ressaltou o diretor criativo do projeto.

Facundo Guerra deu detalhes do projeto Unlock Your City, desenvolvido em parceria com a Schutz (Foto: Fernando Silveira / FAAP)

A Semana de Artes foi realizada de 13 a 17 de Maio, no campus da FAAP em São Paulo, e também contou com palestra sobre como a diversidade e a inclusão contribuem para ambientes mais inovadores. À frente da palestra estava Mariana Deperon, primeira mulher a participar do treinamento Gender and Women’s Right Transformative Leadership, em Genebra.

O pesquisador Brunno Maia, outro palestrante do evento, falou sobre a relação entre o fenômeno social da Moda no contexto da modernidade e do contemporâneo nos séculos XIX, XX e XXI. Já Bruno Andreoni e Ciça Costa, fundadores do In Totum, um estúdio de comunicação e design com foco em processos de aprendizagem coletiva, apresentaram o movimento Revolução Artesanal, que valoriza a cultura do fazer manual.

Por Bruna Nobrega, Isabella Maria, Izabella Ricciardi, Laysa Freitas e Mariana Menendez, do Labjor FAAP

iFood começa a fazer entregas de supermercado

Empresa iniciou testes na semana em Campinas e Osasco, com rede de supermercados parceiros; previsão é chegar a São Paulo em algumas semanas
Por Bruno Capelas – O Estado de S. Paulo

iFood começa a testar entregas de supermercados

O aplicativo de entregas de comida iFood começou a testar nesta quarta-feira, 18, um novo tipo de serviço: pedidos de compras de supermercado. Conhecida pelo serviço de delivery de refeições, a startup iniciou as novas operações nas cidades paulistas de Campinas e Osasco. Segundo Diego Barreto, diretor financeiro da empresa, o plano é chegar à cidade de São Paulo “em algumas semanas”. “Monitoramos os hábitos de consumo de comida dos brasileiros há tempos e percebemos uma alta na demanda por pedidos desse estilo”, conta Barreto ao Estado

Ao contrário do que fazem aplicativos que já operam no mesmo setor, o iFood não terá um supermercado como parceiro fixo na nova empreitada. “Como empresa que tem presença nacional, precisamos de parcerias agnósticas”, explica o executivo. Os primeiros mercados a participar do programa são o Castanha Supermercado, em Osasco, e as redes Taquaral e Guará, no interior paulista, em um acordo feito com a plataforma de compras online SiteMercado.

Por enquanto, os clientes poderão pedir itens gerais, congelados, hortaliças, carnes, bebidas, itens de higiene e produtos de limpeza. Será possível pagar pela internet ou no momento da entrega, de forma semelhante ao que já acontece com a entrega de refeições. Segundo o iFood, os testes iniciais não terão taxa de entrega, mas só será possível pedir oito itens por compra e o valor mínimo deverá ser de R$ 15. Mais do que isso, no entanto, a meta da empresa por agora é conhecer a demanda dos usuários. “Será que os brasileiros ainda fazem duas compras por mês, com alto volume? É algo que queremos descobrir”, diz Barreto. 

Entregadores farão pedidos de refeições e de produtos

A meta da empresa é conseguir ter ao menos um estabelecimento parceiro no raio de 4 ou 5 quilômetros do usuário, a fim de conseguir realizar os pedidos de forma cada vez mais rápida. Para isso, o iFood também pretende utilizar muita inteligência artificial, por exemplo, para conseguir conectar os entregadores mais próximos de supermercados e de clientes. É uma das áreas de foco de contratação da empresa para a próxima temporada, como revelou ao Estado o presidente executivo do iFood, Carlos Moyses, no início deste ano. 

Segundo Barreto, os mesmos profissionais que fazem entregas de refeições poderão efetuar os pedidos de mercados. “Há uma sinergia natural no negócio”, diz o executivo. Hoje, o iFood tem uma rede de 120 mil entregadores parceiros espalhados em 500 cidades do Brasil. Além disso, a empresa tem uma malha de 66 mil restaurantes e entrega 17,4 milhões de pedidos por mês – dados referentes a março de 2019. Assim como ocorre no negócio de entrega de refeições, o modelo de negócios do iFood para a área de mercearia está baseado em faturar com uma comissão sobre o valor total da compra. 

O iFood não se responsabilizará pela compra dos produtos em si – tarefa que caberá ao mercado parceiro –, mas apenas do atendimento ao cliente e das entregas. “Acreditamos que ninguém melhor que o mercado para organizar as compras”, diz Barreto. “Nós vamos entregar o que sabemos fazer de melhor: gerar tráfego e fazer boa tecnologia.” A iniciativa vai na contramão do que faz o colombiano Rappi, por exemplo, que contrata “compradores oficiais” para buscar pelos produtos dentro dos estabelecimentos. 

A nova iniciativa do iFood coloca a startup brasileira em mais uma disputa com a colombiana Rappi, que oferece serviços de mercado e de entrega de refeições por aqui há cerca de um ano. As duas empresas também são donas dos dois maiores aportes já feitos em startups latinas: em outubro do ano passado, o iFood levantou US$ 500 milhões, em rodada liderada pela Naspers e pela Innova Capital, de Jorge Paulo Lemann. Em abril, a Rappi superou esse número ao receber US$ 1 bilhão do grupo japonês SoftBank, que tem despejado dinheiro em startups latinas.