Duo Linn for L’Officiel Kazakhstan with Bianca Ruiz

Photographer: Duo Linn. Stylist: Camilla Adao. Makeup Artist: Sandy Nicha Hair Stylist: Li Murillo Production: Everor Studio. Model: Bianca Ruiz.

Ator Jussie Smollett volta a ser investigado por episódio de falsa denúncia

Juiz de Chicago identificou irregularidades no caso e apontou procurador especial para retomar as investigações

O ator Jussie Smollett, de ‘Empire’, chegou a ser preso por falsa denúncia. Foto: E. Jason Wambsgans/Chicago Tribune/Pool via Reuters

Um juiz de Chicago ordenou que o ator Jussie Smollett seja investigado novamente por conta do episódio de falsa denúncia. Em março, o ator de Empire havia sido indiciado por 16 crimes, mas teve as acusações retiradas pela promotoria.

De acordo com a AP, o juiz Michael Toomin apontou um procurador especial para o caso após identificar “irregularidades sem precedentes”.

Ele pretende entender por que a procuradora Kim Foxx retirou as denúncias. “Se existem motivos razoáveis para continuar com o processo contra Smollett, no interesse da justiça, o procurador especial pode tomar tal ação”, disse o juiz em comunicado.

Entenda o caso

Em janeiro de 2019, Jussie Smollett foi hospitalizado após sofrer um suposto ataque de teor racista e homofóbico. No decorrer das investigações, a polícia levantou a suspeita de que o ator da série Empire teria contratado dois homens para encenar a agressão, porque estava sendo cotado para deixar a série.

Smollet acabou sendo preso, mas foi liberado após pagar uma fiança de US$ 300 mil (aproximadamente R$ 1 milhão). A polícia de Chicago chegou a indiciar o ator por 16 crimes sob a acusação de falsa denúncia às autoridades, mas a promotoria retirou as acusações poucas semanas depois alegando que era a resolução mais apropriada para o caso.

Por conta da polêmica, o personagem Jamal Lyon, interpretado pelo ator, foi cortado da série Empire, mesmo após ser renovada para uma sexta temporada.

Da África para o mundo

Curadora do segmento de design do festival This is Africa, que aconteceu há dois anos em Lagos, na Nigéria, Titi Ogufere comenta o novo design africano
MARCELO LIMA – O ESTADO DE SÃO PAULO

A curadora nigeriana Titi Ogufere Foto: Essential Interiors

No ano passado, o Salão Satélite de Milão saudou o design africano como uma das principais forças emergentes da cena atual. Nesta edição, diversas marcas presentes ao Salão do Móvel incorporaram o trabalho de profissionais africanos às suas coleções. Curadora do segmento de design do festival This is Africa que aconteceu há dois anos em Lagos, na Nigéria, Titi Ogufere é mestra no assunto. “Nosso design corresponde a uma perspectiva cultural mais energética, ousada, audaciosa, cheia de vida”, afirma ela, que concedeu esta entrevista exclusiva ao Casa, pouco antes de partir para São Paulo, onde participa, esta semana, de um talk promovido pela IFI, International Federation of Interior Architects and Designers – Federação Internacional de Arquitetos e Designers de Interiores –, e organizado pela Associação Objeto Brasil (ver programação no site). 

A África é um continente. Sendo assim, considera válida a expressão ‘design africano’?
Acredito que o design é universal, mas todos têm o direito de projetar sua própria cultura e geografia. Por exemplo, se você mora em uma região tropical, seja na Nigéria, ou no Brasil, suas necessidades de conforto serão, basicamente, as mesmas. No entanto, as respostas a elas podem ser dadas de maneira diferente, devido a outras peculiaridades. Região, cultura e patrimônio desempenham papel chave nesse processo. Em se tratando do design africano diria que é, simplesmente, o design originalmente adaptado ao estilo de vida das pessoas na África. O que não quer dizer que por suas qualidades ele não possa ser adotado e amado por qualquer pessoa, ou possa ser colocado dentro de uma caixa, uma vez que vai se transformando com o tempo.

Espreguiçadeira de madeira, do estúdio nigeriano Mimimat Foto: Essential Interiors

A quais fatores a senhora atribui o atual interesse despertado pelo design ‘Made in Africa’?
A África foi fonte de inspiração para a arte moderna no início do século passado, com a escultura africana influenciando alguns dos maiores artistas da história, como Picasso, Modigliani e Matisse. Desde então, o continente nunca mais deixou de ser uma fonte de referência. Acredito que o mundo está sempre em busca de novas ideias e expressões criativas, mas, graças à tecnologia e as redes sociais, a estética africana, com seus materiais e técnicas particulares, ganhou novo impulso, dando à África uma plataforma de visualização mais ampla, além de uma narrativa forte, não obstante nossos desafios.

Luminária metálica do estúdio Lani Foto: Essential Interiors

Muitos críticos argumentam que os designers africanos operam no terreno do “mais é válido” em oposição ao “menos é mais” ocidental. A senhora concorda com essa visão?
Eu concordo que, em geral, os africanos tendem a se inclinar para uma estética mais opulenta. Seja na moda, na dança, na música, na culinária e também no design. Dentro desta perspectiva, o viver comunitário desempenha papel fundamental. Em um estilo de vida onde minha casa é sua casa, tendemos a produzir móveis e objetos mais afeitos a essa realidade. Um jantar na casa de meu avô, por exemplo, pode incluir nossa família, que já é grande, mas também nossos amigos próximos. A casa tem de estar preparada para isso.

Móveis da linha Taboo, de Ayse Birsel e Bibi Seck, produzidos no Senegal com plástico reciclado Foto: Essential Interiors

‘Se um robô escrever um romance, devemos admitir que ele é consciente’, diz Ian McEwan

Escritor inglês trata de triângulo amoroso entre um casal e um robô no livro ‘Máquinas Como Eu’
André Cáceres, O Estado de S.Paulo

Alicia Vikander é a robô Ava em ‘Ex Machina’ (2014), de Alex Garland Foto: Universal Pictures

O ano é 1982: a então primeira-ministra britânica Margaret Thatcher envia uma força expedicionária ao outro lado do Atlântico para reaver o controle das Ilhas Malvinas. Na vida real, ela obtém sucesso; no novo livro do romancista inglês Ian McEwan, as tropas são repelidas pelos argentinos com uma tecnologia balística baseada em algoritmos do matemático Alan Turing (1912-1954). Na vida real, Turing morreu aos 41 anos, perseguido pelo Estado graças à sua condição homossexual; em Máquinas Como Eu(Companhia das Letras), ele viveu o bastante para viabilizar a construção de robôs quase indistinguíveis de seres humanos.

A história contrafactual — ou ucronia — é um subgênero fértil da ficção especulativa. Seu exemplar mais conhecido é O Homem do Castelo Alto, em que Philip K. Dickimagina as consequências da vitória nazista na 2.ª Guerra Mundial. Em Máquinas Como Eu, Ian McEwan trilha um caminho mais parecido com o de A Máquina Diferencial, de William Gibson e Bruce Sterling, situado numa Inglaterra vitoriana em que o cientista Charles Babbage (1791-1871) conseguiu construir computadores tão potentes quanto os do século 20, adiantando em décadas o progresso tecnológico. 

Embora o romance de McEwan se passe em 1982, essa é uma linha do tempo alternativa. Smartphones, internet e inteligências artificiais convivem com uma decepcionante turnê de reunião dos Beatles — com John Lennon ainda vivo. “O presente é o mais frágil dos artefatos improváveis”, pensa o protagonista Charlie Friend, ecoando o leitmotiv da ucronia. “Podia ser diferente. Qualquer parte dele, ou sua totalidade, podia ser outra coisa.”

Frustrado com fracassos financeiros sucessivos, inculto, formado em antropologia, mas amante de eletrônica, Charlie leva (mal) a vida apostando na bolsa de valores pelo computador. Quando surge uma nova coqueluche tecnológica, ele torra o dinheiro de uma herança para comprar o androide Adão (as ginoides Eva já estavam esgotadas). Se sua aquisição não  satisfaz seus desejos consumistas, pelo menos acaba servindo para aproximá-lo da vizinha de cima, Miranda, por quem logo se apaixona e com quem divide a criação do robô como se fosse um filho de ambos. 

McEwan constrói a todo momento um jogo de espelhos para brincar com a dualidade humano-robô ou espontâneo-automático. Por vezes, o relacionamento de Charlie e Miranda é tão frio e artificial que eles parecem ser as máquinas, enquanto o fascínio infantil de Adão pela arte, ciência e filosofia é tão genuíno que ele soa muito mais vivo do que seus donos. Quando os três visitam o pai de Miranda, um escritor de relativo sucesso já no ocaso da vida, após poucos minutos de conversa, ele pensa que o culturalmente oco Charlie é o robô e passa a entabular uma profunda discussão sobre Shakespeare com Adão.

O Teste de Turing, desenvolvido em 1950 para determinar a capacidade de uma máquina de se passar por um humano, leva à proposição de que, se um robô é indistinguível de um ser consciente, devemos tratá-lo como tal. Os dilemas morais derivados dessa questão começam a se insinuar no romance quando Miranda “trai” Charlie com Adão: “Poderia ter corrido escada acima e os impedido, irrompendo no quarto como o marido cômico num cartão-postal dos velhos balneários. Mas minha situação tinha um aspecto excitante, não apenas de subterfúgio e descoberta, mas de originalidade, de precedência moderna, de ser o primeiro homem corneado por um artefato. (…) No momento, apesar do horror da traição, tudo era interessante demais e eu não tinha como escapar do papel de quem escuta atrás da porta, de voyeur cego, humilhado e atento.”

Máquinas Como Eu vem sendo rotulado como um triângulo amoroso entre um homem, uma mulher e um robô, mas é muito mais que isso. Subjacente a essa trama, uma sombra do passado de Miranda retorna para acossar o trio. Ela teria fornecido falso testemunho em um tribunal. É possível que o leitor considere que seu crime foi cometido por uma razão justa, mas Adão segue um código moral muito mais rígido e, talvez, assustadoramente, melhor que o nosso. E é justamente nessa dissonância moral que reside a tensão do romance.

As implicações éticas que decorrem da criação de um ser artificial remontam a Frankenstein ou o Prometeu Moderno (1818), de Mary Shelley. Contos como O Homem de Areia (1817), de E.T.A. Hoffman, e Moxon’s Master (1899), de Ambrose Bierce, já tratam de autômatos humanoides, mas a palavra robô — derivada de “robota”, trabalho forçado em sérvio — foi empregada pela primeira vez na peça Rossum’s Universal Robots(1920), de Karel Capek. 

O mais relevante ficcionista nessa seara, autor de dezenas de contos e romances sobre robôs, foi Isaac Asimov (cujas leis da robótica são citadas por McEwan no livro, embora feridas quando Adão quebra o pulso Charlie no momento em que o este o tenta desligar). Ele tratou da mecanização do trabalho em As Cavernas de Aço (1953): “Eles roubam os empregos dos homens. É por isso que sempre são protegidos pelo governo. Eles trabalham em troca de nada e, por causa disso, famílias têm que morar lá nos abrigos e comer purê de levedura cru.” Entretanto, otimista inveterado como era, Asimov vislumbrou seres mecânicos como potencialmente mais capazes para tomar decisões e guiar sabiamente a humanidade do que governantes humanos em contos como Evidência (1946) e O Conflito Evitável (1950), incluídos na coletânea Eu, Robô. Seus romances Os Robôs do Amanhecer (1983) e Fundação e Terra (1986) também apontam para essa direção.

Já Philip K. Dick, autor de Androides Sonham Com Ovelhas Elétricas? (1968), que inspirou Blade Runner (1982), foi pioneiro na ficção sobre robôs como questionamento existencial. Seus perturbadores replicantes se tornaram praticamente um arquétipo literário, com a capacidade de se misturar na sociedade sem distinção para os humanos. Em Dick, qualquer um pode ser um robô. O incipit do conto A Formiga Elétrica (1969) resume o assombro de sua obra: “O que você sentiria, depois de pensar que era homem, se um belo dia acordasse e descobrisse que tinha virado robô?” 

Se em Asimov eles roubam seu emprego e em Dick colocam em xeque sua condição humana, no livro de McEwan a tensão provém da consciência de que a humanidade estaria se deparando com uma versão melhorada de si. Adão compõe haicais, filosofa sobre a vida e a morte, e ainda detém um senso moral muito mais apurado que os falhos Charlie e Miranda.

Máquinas Como Eu recupera ainda diversos motivos enunciados em obras anteriores de McEwan. A ingenuidade de Adão no início do romance, enquanto ele aprende a viver, lembra Leonard Marnham, protagonista de O Inocente. A ideia de que um erro cometido no passado não possa ser consertado e retorne para acossar Miranda no pior momento possível remete à trama de Reparação. O sentimento que Adão passa a nutrir — e reprimir, a pedido de Charlie — por Miranda é uma sombra da obsessão narrada em Amor Sem Fim. A descrição do ambiente político acirrado durante a Guerra das Malvinas como pano de fundo lembra a atmosfera de Sábado

Todas essas e muitas outras características consagradas de McEwan retornam em Máquinas Como Eu, com a adição de uma preocupação mais específica que espreita a cada página: em um mundo no qual delegamos cada vez mais decisões morais às inteligências artificiais, devemos acatar passivamente a nossa dependência cada vez maior em relação às máquinas? O último poema de Adão soa como um vaticínio: “É sobre máquinas como eu e gente como vocês, e nosso futuro juntos… a tristeza que está por vir.”

Leia abaixo os melhores trechos da entrevista que Ian McEwan concedeu ao Aliás:

Ian McEwan
O escritor britânico Ian McEwan, autor de ‘Máquinas Como Eu’ Foto: Lauren Fleishman/The New York Times

A tensão no romance gira em torno da diferença na moralidade de humanos e máquinas. Mas em certo ponto Adão quebra as leis da robótica ao quebrar o pulso de Charlie. Isso indica que a moralidade das máquinas é suscetível a falhas como a nossa?
Há duas questões aí. O primeiro ponto é a diferença moral de Adão para Miranda. Se ela deve ir para a prisão ou não, porque ela mentiu em um tribunal. Creio que qualquer pessoa acredita que a ação de Miranda é justificável, mas Adão tem uma visão moral mais consistente. Então eu estou abrindo a possibilidade de que nós poderíamos acabar criando seres artificiais superiores moralmente a nós. Sobre a questão do pulso quebrado, eu deixo a ambiguidade quanto a ter sido acidental ou não. A única coisa de que temos certeza é que, se você tem uma consciência, e nós pensamos que Adão tem, faria qualquer coisa para defendê-la.

Se seguirmos à risca as leis, Miranda estaria errada. Nosso sistema judiciário tem uma moralidade mais próxima à das máquinas do que à dos humanos?
Percebi que meus leitores ficaram divididos. Alguns deles acreditam que ela deveria ser presa, porque a lei é a lei. E do ponto de vista de Adão, ele explica: “Você disse que pagaria qualquer preço para colocar esse estuprador na cadeia. Bem, o preço são 12 meses na cadeia.” Eu não tenho uma resposta para essa questão, mas é um dilema moral que mostra como a inteligência humana é diferente da inteligência robótica. Especialmente quando temos o aprendizado de máquina, em que elas começam a tirar suas próprias conclusões.

E nós lidaremos com esse problema na vida real em breve, com carros autônomos.
No momento, a inteligência artificial não está em robôs humanoides, mas em laptops, smartphones e computadores. Os veículos autônomos terão de decidir quanta proteção fornecer ao motorista e quanta proteção dar aos pedestres. Esse é um ótimo exemplo de como estamos delegando às máquinas algumas decisões morais muito importantes. Se você sacrifica a vida do motorista para salvar a do pedestre se torna um dilema no qual as máquinas podem ser melhores do que nós. Em meio segundo, um humano não tem tempo de pensar em muitas opções, mas uma máquina pode analisar todo um leque de possibilidades antes de se decidir. Mas eu ainda acho que esse é um ponto de virada muito importante para a raça humana. Nós já tivemos a tragédia do Boeing 737-Max, em que o computador decidiu que o avião estava em estol, quando não estava. Como em 2001: Uma Odisseia no Espaço, o piloto não pôde se impor à máquina. Nós estamos bem no começo dos problemas relacionados a delegar decisões às máquinas, e isso será uma mudança profunda para a civilização.

Seu romance trata disso apenas tangencialmente, mas quão grave será o problema da mecanização do trabalho?
Em última instância, se pudermos mudar nossos conceitos sobre trabalho, será uma fantástica oportunidade para a humanidade. Nós nos acostumamos a nos definir pelo nosso trabalho. Talvez agora possamos aprender a nos definir pela nossa vida. Por essa razão, penso que deveríamos… e diversos economistas estão escrevendo sobre isso… temos de taxar robôs. Se eles tomam empregos, seus donos devem pagar impostos sobre seus lucros. Somente assim nós deixaríamos de nos definir pelo trabalho e começar a enxergar a vida de uma maneira completamente diferente. Para isso, precisaríamos de uma renda universal. E para isso, teríamos de ser muito generosos e redefinir lucros e para que servem esses lucros. Não para acionistas, mas para todos cujas atividades foram assumidas por máquinas. Isso demandaria uma transformação muito grande em nossa atitude. Mas deveríamos nos lembrar que, por muitos séculos, os aristocratas viveram suas vidas inteiras sem trabalhar, com pessoas que fariam todo o trabalho por eles. Se a aristocracia pode viver sem empregos, então qualquer pessoa pode.

Adão escreve haicais, mas não consegue escrever romances. Você teme que a inteligência artificial possa superar os humanos mesmo em áreas como a literatura?
Já existem inteligências artificiais produzindo arte abstrata, escrevendo música no estilo do século 18, mas acredito que escrever um romance requer uma compreensão absoluta do coração humano. A partir do momento em que um robô escrever um romance muito bom, ou mesmo um ruim, acho que devemos admitir que ele é consciente. Antes de escrever um romance você precisa saber o que é estar imerso em um mundo de decisões humanas, amor humano, ódio humano. Embora eu não ache que isso vá ocorrer nos próximos 15 anos ou enquanto eu estiver vivo, acredito que é concebível.

Se um robô parece humano, age como um humano e parece ter sentimentos, então não deveria fazer diferença para nós quanto a como devemos tratá-lo?
Eu concordo. Acho que um dos problemas que teremos é que os robôs serão mais e mais sofisticados, e dirão que são conscientes e que sentem dor e emoções, mas nós não saberemos se devemos acreditar neles ou não. Pode ser que nunca solucionemos essa questão. Mas se eles se comportarem de tal maneira, acho que nós simplesmente devemos aplicar o Teste de Turing, que reza que se você não pode dizer a diferença entre um robô e um humano, deve tratá-lo como um humano. Um dia haverá direitos e responsabilidades para robôs. Mas isso ainda está muito distante. Temos de lembrar quão complexos são nossos cérebros, nossas máquinas ainda estão longe desse nível. Não teríamos nem baterias para esse tipo de robô. Estamos apenas especulando.

Há uma espécie de simbologia religiosa na criação de um ser consciente. Quais serão as consequências para nossos sistemas religiosos quando atingirmos esse patamar?
Eu realmente não sei. Acho que, para algumas pessoas, o sentimento religioso é muito profundo, não o vejo desaparecendo. Não sei se fará alguma diferença para elas. Pessoas têm fé e fé não requer explicações racionais. Na verdade, a fé é uma forma crença não embasada.

Se ‘o presente é o mais frágil dos artefatos improváveis’, isso suscita interpretações ambíguas: temos livre-arbítrio e podemos alterar a realidade ao nosso redor, ou não temos nenhum poder de escolha e o passado determina o presente sem que possamos modificá-lo?
É uma questão muito interessante e complexa. O presente é um construto muito frágil. Uma das razões que nos fazem tentar tão arduamente prever o futuro, mesmo que nós mesmos estejamos produzindo esse futuro, é que a cada instante as possibilidades humanas, tanto individuais quanto coletivas, são muitas. Há vários momentos em nossas vidas em que sabemos quão facilmente as coisas poderiam ter sido diferentes. Vocês poderiam ter um outro presidente, nós poderíamos não estar discutindo o Brexit, a Guerra das Malvinas poderia ter ido para outra direção. E, no nível individual, nós somos filhos de adultos que poderiam tranquilamente nunca ter se conhecido. Sua mãe poderia ter ficado em casa no dia em que conheceu o homem que se tornaria seu pai. Imagine que em qualquer segundo as possibilidades do destino humano se ramificam, se multiplicam diante de nós, como no conto de Borges, O Jardim dos Caminhos que se Bifurcam. Então a minha decisão de situar o livro em uma década alternativa de 1980 foi para não ter de arriscar previsões e apenas me permitir especular sobre o destino humano e social. Eu não acredito no livre-arbítrio, não consigo ver nenhum argumento para embasá-lo. Nós não escolhemos nossos pais, nossa infância, e ainda assim ele parece ser uma ilusão necessária de que somos responsáveis por nossos atos, especialmente no âmbito legal. O livre-arbítrio é uma ficção muito importante com a qual temos de conviver.

Em outras entrevistas, o sr. afirmou que seu livro não é uma ficção científica. Por quê?
Eu não penso exatamente assim. Eu fiz uma piada sobre sapatos anti-gravidade e isso foi noticiado como se eu odiasse o gênero. A ficção científica que eu amo é a literatura que explora os dilemas humanos na Terra em relação às novas tecnologias. Por exemplo, filmes como Blade Runner, Ex Machina ou Westworld, ou livros como Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, 1984, de George Orwell, ou The Day of the Triffids, de John Wyndham. Estou menos interessado em viagens espaciais ou civilizações remotas, pois acredito que a ficção científica é um excelente caminho para se explorar como lidamos com novas tecnologias e como isso vai impactar nossa sociedade. Fico muito feliz em chamar esse livro de ficção científica, é uma grande tradição.

Keri Russell diz que chorou ao ler roteiro do novo ‘Star Wars’

Atriz conhecida pela série ‘Felicity’ elogiou o trabalho do roteirista J.J. Abrams, com quem já havia trabalhado

A atriz Keri Russell. Foto: Getty Images

A atriz Keri Russell disse que se emocionou ao receber o roteiro do nono episódio da saga Star WarsA Ascensão de Skywalker, cuja estreia está marcada para 20 de dezembro.

“Quando eu li o roteiro que ele escreveu, eu chorei. Espero que permaneça fiel ao que ele queria originalmente”, disse em entrevista à Associated Press.

Keri também elogiou o trabalho de J.J. Abrams, que é diretor, co-roteirista e produtor do novo filme. “Ele não está tentando mudar [a história do filme] para ser outra coisa. Ele realmente respeita o que é”, exaltou a atriz que interpreta a personagem Zorri Bliss no longa.

Keri e Abrams já haviam trabalhado juntos. No final dos anos 1990, a atriz foi protagonista da série Felicity, criada por Abrams em parceria com Matt Reeves. Seu papel lhe rendeu um Globo de Ouro de melhor atriz em série dramática.

Berluti | Spring Summer 2020 | Full Show

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Jornalista E. Jean Carroll acusa Donald Trump de estupro na década de 1990

Colunista da revista Elle revela em livro que foi estuprada pelo presidente há 23 anos numa cabine de provas em loja de Manhattan; Trump nega
Por Lúcia Guimarães

Capa da New York Magazine (//Reprodução)

A escritora e jornalista E. Jean Carroll acusa o presidente americano de tê-la estuprado nos anos 1990. Carroll aparece na reportagem de capa da revista New York, publicada nesta sexta-feira, 21, com a manchete, “Isto é o que eu estava usando há 23 anos quando Donald Trump me atacou numa cabine de provas da Bergdorf Goodman“, numa referência à sofisticada loja de departamentos da 5ª Avenida, em Manhattan.

O presidente Trump negou a história e afirmou que nunca a encontrou, embora Carroll tenha publicado uma foto dos dois num evento. Na declaração oficial da Casa Branca, Trump acusa a escritora de tentar vender seu novo livro e pede que procurem sinais de que democratas estão por trás das acusações.

Carroll, de 75 anos, é uma conhecida colunista da revista Elle e está lançando, no dia 2 de julho, o livro What Do We Need Men For? A Modest Proposal (Para Quê Precisamos de homens? Uma Proposta Modesta) em que cita seis incidentes de agressão sexual perpetrados por homens diferentes. Um deles é o recém-demitido Les Moonves, o outrora poderoso CEO da rede CBS.

Esta é a 16ª acusação de agressão sexual feita contra o presidente americano e a mais séria. Carroll recorda, no artigo da New York, que Trump a reconheceu na Bergdorf Goodman como “aquela moça que dá conselhos” e ela o reconheceu como o empresário imobiliário. Ela já era bastante conhecida e, além das colunas na Elle, escrevia regularmente para revistas como Playboy e Esquire, além de ter um talk show num canal a cabo. Trump, que, em 1997, era casado com Marla Maples, sua segunda mulher, disse que estava procurando um presente para uma jovem e teria pedido recomendações a Carroll.

Os dois foram parar no departamento de lingerie e Trump teria pedido a Carroll para experimentar um modelo de bodysuit. Ela se recusou e brincou: “Por que você não experimenta?”. Mas Trump teria se tornado violento quando chegaram à cabine de provas. Foi quando Carroll descreve o estupro, dentro da cabine. Não havia câmeras para registrar o que ocorria na área.

Mas E. Jean Carroll relatou o episódio em seguida a duas amigas e ambas confirmaram a versão para a revista New York. Por que esperar tantos anos para revelar um estupro? A escritora diz à revista que temia a humilhação pública, as possíveis ameaças de morte e “ser arrastada na lama”.

Numa entrevista à rede de cabo MSNBC, nesta sexta-feira, 21, à noite, Carroll recordou o alegado estupro em detalhes. Ela disse que se sentia culpada por ter acompanhado Trump até as cabines de prova. E afirmou também que não iria processar o presidente por respeito a mulheres menos favorecidas que sofrem agressões sexuais e não tiveram recursos como ela. Ex-promotoras federais entrevistadas pela MSNBC disseram se tratar de um caso clássico de estupro em primeiro grau. E destacaram o fato de Carrolll ter guardado, sem lavar, a roupa que usava naquele dia e que só vestiu de novo para a foto da capa da revista New York.