Orgulho LGBT+: Marcas lançam produtos para celebrar e apoiar a causa

Edições limitadas de camisetas, tênis, moletom, lingerie e maquiagem trazem as cores do arco-íris
GABRIELA MARÇAL – O ESTADO DE S.PAULO

Amaro
Os profissionais responsáveis pela campanha de divulgação da camiseta são representantes do público LGBTQI+. O fotógrafo é Vini Cavalcanti, a beleza é assinada por Teo Miranda, o set designer é de João Arpi e as modelos são o casal Ana Arantes e Zyom

Para celebrar o mês do orgulho LGBT, diversas marcas estão lançando coleções limitadas.

Peças como camisetas, tênis, moletom, lingerie e maquiagem trazem em destaque as cores do arco-íris.

A maioria dos lançamentos segue um estilo mais esportivo sendo uma boa pedida para quem não quer abrir mão do conforto.

Algumas empresas estão indo além dos produtos especiais e aproveitando para contribuir para a causa. 

A Amaro vai doar 100% dos lucros da camiseta com a mensagem ‘Love Wins’ para a Casa 1 – uma república de acolhimento, centro cultural e clínica social voltada para o público LGBTQI+. Esta instituição também recebe o lucro líquido arrecado com a venda de camisetas temáticas da Starbucks.

A Levi’s está apoiando eventos relacionados ao público LGBTQI+ como a primeira edição do Chama Festival, da Casa Chama – uma associação cultural de cuidados LGBTQIAP+; e o TODXS Conecta, fórum que promove discussões com personalidades da comunidade.

Parte do lucro das vendas da coleção especial de roupa íntima da Calvin Klein foi destinada para a organização não-governamental (ONG) Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.

Veja as peças lançadas para celebrar o mês do orgulho LGBT:

Calvin Klein/ Divulgação
O pack Pride de underwear da Calvin Klein tem as cores da bandeira LGBTQ+ e pode ser encontrado em todas as lojas da grife e também no e-commerce.
Foto: Calvin Klein/ Divulgação
Divulgação/ Calvin Klein
Parte do lucro das vendas da coleção especial de roupa íntima da Calvin Klein foi destinada para a organização não-governamental (ONG) Parada do Orgulho LGBT de São Paulo.
Foto: Divulgação/ Calvin Klein
Vini Cavalcanti/ Amaro
A Amaro vai doar 100% dos lucros da camiseta com a mensagem ‘Love Wins’ para a Casa 1 – a instituição funciona como república de acolhimento, centro cultural e clínica social voltada para o público LGBTQI+
Foto: Vini Cavalcanti/ Amaro
Vini Cavalcanti/ Amaro
Camiseta ‘Love Wins’, da Amaro, custa R$ 79,90 no e-commerce da marca.
Foto: Vini Cavalcanti/ Amaro
Divulgação/ Natura
Com o lema “No amor cabem todas as cores”, a marca Natura lançou a Coleção do Amor, da linha Natura Faces. Os produtos de edição limitada têm cartuchos com a bandeira do movimento LGBT+. Foto: Divulgação/ Natura
Divulgação/ Rebook
Em homenagem ao mês do orgulho LGBT, a Reebok estampou seu logo com as cores do arco-íris em camisetas e regatas limitadas que estão à venda exclusivamente no site da marca.
Foto: Divulgação/ Rebook
Divulgação Levi's
A coleção já está disponível no e-commerce especial.
Foto: Divulgação Levi’s
Divulgação/ Levi's
Levi’s Pride 2019 reúne camisetas, calças e jaquetas jeans com reinterpretações do logotipo da grife e o arco-íris. Foto: Divulgação/ Levi’s
Hick Duarte/ Adidas
Os produtos custam entre R$ 99,99 a R$ 549,99 e já estão disponíveis no e-commerce da Adidas. Foto: Hick Duarte/ Adidas
Hick Duarte/ Estadão
A coleção traz peças icônicas da marca – como tênis, moletom, shorts e camisetas – nas cores preto e branco com detalhes com as seis cores vibrantes do arco-íris.
Foto: Hick Duarte/ Estadão
Hick Duarte/ Adidas
Para celebrar o mês do orgulho LGBTQI+, a Adidas Originals lança mais uma coleção Pride Pack e elege Pabllo Vittar para ser a personagem principal de sua campanha.
Foto: Hick Duarte/ Adidas

Bill Gates lamenta Microsoft não ser a rival da Apple no mundo mobile

Bill Gates admite seu “maior erro”: a Microsoft perder para o Android

Em 2007, no lançamento do primeiro iPhone, muitos devem lembrar das gargalhadas que o até então CEO da Microsoft, Steve Ballmer, deu em relação ao aparelho. Na época, é claro, a Microsoft tinha a sua presença marcada no incipiente mercado mobile e o Android que existia (comprado pelo Google em 2005) não tinha nada a ver com o que veio a se tornar pós-iPhone.

Passados mais de 12 anos, hoje em dia Bill Gates — que ainda está no conselho da Microsoft — lamenta muito o fato de sua empresa ter dado espaço para o Google se tornar a grande rival da Apple no mundo mobile.

Em uma entrevista concedida durante um evento da Village Global, ele declarou:

No mundo do software, especialmente para plataformas, esses são mercados em que o ganhador fica com tudo. Então o maior erro foi qualquer decisão tomada por mim que fez a Microsoft não ser o que o Android é. Isto é, o Android é a plataforma padrão não-Apple para telefones. Isso era algo natural para a Microsoft ganhar. […] Há espaço para exatamente um sistema operacional não-Apple e o que isso vale? Uns US$400 bilhões que seriam transferidos da empresa G para a empresa M.

Aos interessados, eis a entrevista completa:

A parte supracitada começa em 11’42”.

Gates pega para si a (ou parte da) responsabilidade pelo erro, mas a grande verdade é que o bastão na época estava nas mãos de Ballmer. A icônica risada deste pós-anúncio do iPhone mostra claramente o quanto ele não entendia o potencial da coisa.

O mais incrível de tudo é que, mesmo com a sua derrota entre as plataformas mobile, a Microsoft conseguiu dar uma forte guinada em todos os outros segmentos nos quais atua e, recentemente, retomou o posto de empresa mais valiosa do planeta. Ela vale, hoje, US$1,06 trilhão.

Conseguem imaginar um universo paralelo em que a Microsoft tivesse comprado o Android, e não o Google?

VIA THE VERGE

Duas amigas, uma baguette: Fendi lança nova campanha para bolsa icônica

Modelo clássico da marca italiana ganha novas interpretações e uma campanha especial com Emma Roberts e Amanda Seyfried

Fendi Baguette (Foto: Divulgação)

No mundo do see now buy now, das compras e modas passageiras das redes sociais, são poucos os acessórios que podem reivindicar o adjetivo de atemporal. Vinte e dois anos depois do seu lançamento, a baguette, modelo que se tornou um dos maiores icônicos da Fendi, mantêm seu título de clássico. 

Lançada em 1997, a bolsa, criada por Silvia Venturini (diretora criativa da Fendi)  virou febre depois de aparecer sob os braços de Sarah Jessica Parker, em Sex and The City —  sim , a inspiração para a peça foi a forma como os franceses carregavam o pão. Quem lembra da cena em que Carrie Bradshaw, fashion victim por excelência, é assaltada nas rua de Nova York e diz que a bolsa levada não era apenas uma bolsa, mas uma “baguette”? Com DNA urbano — ela não só virou símbolo do figurino de Carrie mas da mulher que como as personagens de Sex and The City, vivia a revolução sexual das cidades e lentamente se emancipava de antigas convenções sociais.

Relançada e reinterpretada para o presente, a baguette ganhou novos tamanhos, estampas, materiais e alças. Com os novos modelos veio também a campanha #BaguetteFriendsForever, estrelada por Amanda Seyfried e Emma Robert,s que mostra duas amigas na loja Fendi da Madison Avenue, em Nova York. Será que qualquer semelhança com o mood de sororidade e amizade — que perpassa não só Sex and The City mas também nosso momento histórico, em que as mulheres, de novo, estão cobrando mais atitudes feministas da sociedade — é mera coincidência? Ou Dê o play e descubra!

‘Chora, boy’: Clara Tannure, ex-estrela mirim gospel filha da pastora Helena Tannure se joga no pop laico inspirada em Britney

Clara Tannure é de família evangélica influente e cantou no Crianças Diante do Trono. Ela ouvia Rouge escondida e imitava popstars no espelho. Agora, virou promessa pop e polêmica religiosa.
Por Rodrigo Ortega e Thais Pimentel, G1

Clara Tannure — Foto: Luiz Pontel / Divulgação
Clara Tannure — Foto: Luiz Pontel / Divulgação

“Chora, boy” é um som para sacudir boates LGBT, mas faz tremer também igrejas evangélicas. O primeiro clipe de Clara Tannure, 24 anos, repercute entre fãs de música pop e divide o mundo gospel. A letra de poder feminino e o clipe com beijo gay contrastam com o sobrenome famoso de Clara.

Sua mãe, Helena Tannure, já cantou no Diante do Trono, um dos maiores grupos gospel do Brasil, ligado à poderosa Igreja Batista da Lagoinha, com sede em Belo Horizonte. Vídeos da pastora Helena sobre temas como a defesa da submissão feminina têm milhões de views no YouTube.

Na casa de Clara em BH, só entrava música gospel. Regra da mãe e o pai, João Lúcio Tannure, também pastor. Clara sabia todos os louvores de cor e até participou da versão mirim do Diante do Trono. Mas ela tinha também outros interesses… 

“Lá em casa sempre foi só música evangélica, desde que me entendo por gente. Meus pais eram bem rígidos de não tocar música ‘do mundo’. Sempre louvor. Mas quando eu tinha uns 12 anos, na escola, via as amiguinhas escutando Rouge e fui escondida procurar as músicas”, lembra Clara.

A internet satisfez a curiosidade da menina pelo pop no início do anos 2000. “Eu já escutava rádio escondida quando minha mãe saía de casa. Gostava de Luka, Kelly Key… Mas o YouTube facilitou. Eu sonhava em ser como a Britney. Mas minhas roupas tinham que ser ‘bem comportadas'”.

“Não podia barriga de fora. Eu via as mulheres nos clipes poderosíssimas, usando o que queriam. E eu ‘performava’ sozinha no espelho”, lembra Clara.

Ela era mini-celebridade gospel entre os colegas evangélicos – que eram muito nos colégios Batista e Cristão de BH. “Fiz DVDs do Crianças Diante do Trono até 16 anos. Tenho um carinho gigantesco por eles. A gente amava ensaiar, cantar. Na escola tiravam foto com a gente, era divertido.”

Clara Tannure  — Foto:  Luiz Pontel / Divulgação
Clara Tannure — Foto: Luiz Pontel / Divulgação

Desistência do trono

A menina tinha tudo para virar princesa do gospel, seguindo sua mãe e outras celebridades como Ana Paula Valadão, que saíram do Diante do Trono. Mas não foi o que aconteceu.

“Fui para a faculdade, trabalhar, viver a vida real.”

“Comecei a pensar que não concordava com tudo o que era dito na igreja, e com o que as pessoas queriam de mim. Preferi me afastar. Não por achar que é um ambiente ruim, mas não concordar.”

A família não deu a bênção para o afastamento. “Teve conflito, porque era muito importante para eles. Eu era adolescente, eles queriam me envolver, e aí tinha que obedecer. Não foi fácil. Agora tenho 24 e moro sozinha, trabalho, tenho a minha autonomia”, ela descreve.

Telemarketing e ‘mundo real’

“Desde cedo já quis ter meu dinheiro para ter minha vida e tomar as minhas decisões”, diz a cantora. Ela já trabalhou com telemarketing, caixa de bar e diagramadora para começar a pagar as contas. Hoje, trabalha no departamento de marketing de uma marca de sapatos e acessórios.

“Eu me formei em Publicidade [no Centro Universitário Una]. Depois fiz Design Gráfico na UEMG [Universidade do Estado de Minas Gerais]. Mas meu sonho é viver de música. Desde que eu tinha 15 anos eu comecei a compor, tocar violão.”

Na faculdade, o sobrenome não tinha a mesma força do colégio. “Era um ambiente mais tranquilo em relação a religião e à fama da minha família. Tinha gente que me reconhecia, mas bem menos. Tinha mais liberdade. Fiz um grande amigo que foi o primeiro contato com uma pessoa gay.”

Clara Tannure na infância, em clipe do grupo gospel Crianças Diante do Trono (esquerda), e no vídeo de 'Chora boy' — Foto: Reprodução / YouTube
Clara Tannure na infância, em clipe do grupo gospel Crianças Diante do Trono (esquerda), e no vídeo de 'Chora boy' — Foto: Reprodução / YouTube
Clara Tannure na infância, em clipe do grupo gospel Crianças Diante do Trono (esquerda), e no vídeo de ‘Chora boy’ — Foto: Reprodução / YouTube

Bi fora da bolha

Ela tinha vários gostos em comum com o melhor amigo da faculdade – e não só o amor por divas pop. “Eu vivia numa bolha, eu não sabia o que estava pegando lá fora. Foi ele quem me mostrou muitas coisas, deu uns toques, ajudou a questionar as coisas que eu tinha sido ensinada. “

“Lembro de pensar novinha: gosto de homossexuais, mas isso é pecado. Fui pensando: ‘será que o pessoal não dá interpretação errada? Não querem justificar preconceito com a fé deles?’ As pessoas não se abrem ao mundo. Fui entendendo, amando meus amigos gays.”

Ela aprendeu sobre tolerância e sobre a própria sexualidade. “Eu sempre soube que eu não era heterossexual. Sentia só uma ‘vontadinha’. Gostava de homem e mulher. Hoje isso é mais falado, mas ainda a coisa de bissexualidade é mais difícil. As pessoas acham que é porque você é indeciso.”

Pizza com lágrimas

A nova vida fora da igreja mexeu no plano de ser cantora. “Gosto muito Britney, Beyoncé, Miley, Selena, Demi. Mulheres fortes, que cantam o que querem e são quem são. Sempre fui fanzoca de pop. O tempo foi passando, eu buscava outras coisas, mas queria mesmo era cantar.”

“Percebi que não cantava porque não queria magoar nem ofender ninguém. Eu teria que ser uma cantora gospel. Eu era destinada a isso. Demorou até ter a maturidade de saber que não tem problema.”

“Falei com minha mãe: ‘Quero muito ser cantora pop, mas não para te fazer mal, para te afrontar. Mas o que eu quero dizer talvez pode não agradar seu público'”, lembra.

A cena da conversa foi inusitada. “A gente estava comendo uma pizza e comecei a falar. Eu chorei, ela chorou. Foi engraçado a gente emocionada na pizzaria e o povo olhando”, ela conta. No fim, a mãe entendeu, diz Clara.

“Ela falou: ‘Não vai ofender, eu te amo, mesmo sem concordarmos’. Amor é isso. Não é querer mudar o outro. Uma mãe vai educar, mas uma hora o filho vai decidir. Não é culpa sua, é responsabilidade dele. Todo mundo faz suas próprias escolhas. “

‘Chora, boy’: amor 👍 e rancor 👎

Passadas as lágrimas na pizzaria, nasceu “Chora, boy”. “Fiquei um tempo tentando pensar numa música ‘chicletinha’, escrevi várias coisas. O Dedé [Santaklauss, produtor musical] me ajudou. E fui chamando amigos para ajudar no vídeo. Cada um fez uma coisa, sem cobrar.”

A música junta batidas de brega e funk brasileiros com eletrônica e pop gringos, em sintonia com cantoras brasileiras em alta como Pabllo Vittar e Duda Beat e também com nomes da cena de BH como Rosa Neon e o próprio Dedé Santaklauss.

O resultado foi rápido para uma artista iniciante. “Teve 100 mil views em menos de uma semana, foi surreal”, ela comemora. “Por outro lado é chato, pois parte do público está sendo bem maldoso. Estou sofrendo ataque nas redes.”

Na primeira semana, o clipe teve 4 mil avaliações positivas (“joinhas”) e 5,2 mil negativas no YouTube. “Está com mais ‘dislikes’ que ‘likes’. Com isso, eu fico chateada. Um público que deveria estar falando de amor, respeito, está me atacando.”

Um dos comentários no YouTube diz: “Quanto a esse estilo de vida aí… Tá ‘bem demais’ mesmo? Mundo de nojeira, falsidade, prazer efêmero… Fico imaginando a vida tão abençoada que você estaria vivendo hoje se tivesse escolhido seguir os conselhos de seus pais”.

Outro internauta comenta: “Dá muita pena… Mas Deus é compaixão e misericórdia e ele vai resgatar no tempo dele… Essa alma é de Jesus!!”.

“Acho complicado. Não tem que orar para a pessoa fazer o que você quer. Se quiser orar para Deus me abençoar, ter minha vida feliz, por minha saúde, ótimo”, diz Clara.

Ela diz receber muitas mensagens privadas agressivas: “Espero que em algum momento eles superem, pois não quero ofender. Mas também tem muitas mensagens bonitas de gente que era ‘criança viada’, que era fã da época gospel, e sobre o poder feminino.”

Também há evangélicos que a defendem. O comentário mais curtido do vídeo diz: “Sou cristão. Sou fã do Diante do Trono. Mas tenho convicção de que agora não é o momento de falar pra Clara o que ela deve ou não fazer. Deus deu livre arbítrio pra todos serem ou fazerem o que quiserem.”

Clara Tannure — Foto: Luiz Pontel / Divulgação
Clara Tannure — Foto: Luiz Pontel / Divulgação

Escândalo gospel

Mesmo antes de ganhar clipe, a música da filha de Helena Tannure virou prato cheio para sites como “Fuxico Gospel” e “Buxixo Gospel”, que cobrem babados do meio religioso. Há várias notas do tipo: ‘”Ex-estrela do Diante do Trono ‘vira a cabeça’, mergulha na bebida e diz odiar crentes”.

Outra manchete diz: “Pastora Helena Tanure casa filho em cerimônia dos sonhos enquanto filha quer ser Lady Gaga e internautas não perdoam”.

No clipe, Clara joga fora uma revista com o título “Fuxico Gospel”. Mas a cantora nega que alimenta qualquer desavença ou ódio.

“Muita gente reclama de eu misturar linguagem evangélica nas redes sociais. Vivi uma vida inteira ali, lógico que guardei algo do jeito de falar. Não é deboche. Coloquei uma foto com minhas amigas, algumas drags, e uma legenda de música evangélica. Não teve maldade.”

“Pessoas desejando o meu mal, isso é complicado. Usando a religião para perpetuar preconceito, ser agressiva. É importante olhar para sua própria vida e ser uma pessoa boa. Espero que as pessoas entendam que não quero brigar. “

Desviada e resolvida

Após a reação intensa, a mãe evita falar. “Ela prefere não render esses comentários, para proteger a ela e a mim”, diz Clara “Mas ela está envolvida nos projetos dela, faz muita coisas, ajuda muita gente.” Mesmo em caminho tão diferente, ela fala com carinho de Helena

“Quando falam da minha mãe, fico chateada. É uma mulher forte, foda, vive o que prega, acredita em tudo que faz. Uma mulher que admiro. Fez um ótimo trabalho de mãe. Imagino que não é fácil para ela. Mãe ver filho sofrer ataque é difícil. Acham que estão ajudando, mas não.”

Clara já prepara sua segunda música, mas ainda não diz o nome. “Hoje eu estava andando na rua, me pararam. Falaram: ‘Ou, eu amei seu clipe'”, ela comemora.

“Não frequento a igreja, nem pretendo voltar. Mas acredito em Deus e nas pessoas. Acho que não precisa ter religião e seguir certas regras para ter uma vida com fé, que faça diferença. Quem tem religião, ótimo. Quero tocar a vida das pessoas, mas este não é o meu caminho.”

Veja a campanha do ‘New York Times’ eleita como melhor filme publicitário em Cannes Lions

A relevância do jornalismo profissional em um mundo cada vez mais dominado por fake news foi o tema da campanha para o The New York Times que ganhou o Grand Prix (Grande Prêmio) de Film Lions no Cannes Lions – Festival Internacional de Criatividade de 2019.

A campanha destacou qualidades do bom jornalismo: rigor, perseverança, determinação e coragem. Os conteúdos foram amarrados pela frase “a verdade vale a pena”. A série de cinco filmes ficou a cargo da Droga5, agência do publicitário premiado David Droga que recentemente foi vendida à Accenture.

Para compor o clima de cada um dos filmes, a Droga 5 criou uma tipologia que explicava o contexto de cada tema abordado e recrutou os jornalistas que fizeram as reportagens retratadas para narrar os vídeos, amplificando a sensação de urgência dos temas abordados, como a limpeza étnica em Mianmar e o grupo terrorista Isis.

Além de receber o prêmio de Film, a série de comerciais do NYT também recebeu o prêmio em Film Craft, que elege os filmes publicitários com o melhor resultado técnico (veja um dos vídeos acima). [Fernando Scheller]

Edifício Martinelli: 10 curiosidades sobre o icônico prédio de São Paulo

É um dos principais marcos da arquitetura paulistana e o primeiro arranha-céu da cidade
POR NÁDIA SIMONELLI

Quem costuma andar pelo centro de São Paulo pode não perceber a suntuosidade do Edifício Martinelli, localizado entre a Rua São Bento, Avenida São João e Rua Líbero Badaró, e hoje espremido entre grandes espigões. Pois saiba que ele foi o primeiro prédio de grande estatura da cidade (até então, existiam construções com até cinco andares) e marcou a transição para a era dos arranha-céus.

Idealizado pelo imigrante italiano conde Giuseppe Martinelli, o prédio, carinhosamente chamado pelos paulistanos de Martinelli, completa 90 anos em 2019 e ainda é um importante mirante na cidade. De lá, é possível ter uma das vistas mais bonitas do skyline de São Paulo. E uma boa notícia: o espaço que estava fechado, reabriu recentemente para a visitação do público. O passeio é gratuito e funciona todos os dias, incluindo domingos e feriados.

Mas, antes de marcar sua visita ao Martinelli, confira abaixo algumas curiosidades sobre a história do edifício.

1 – Foi inaugurado ainda incompleto
Com projeto assinado pelo arquiteto húngaro Vilmos (William) Fillinger, o Edifício Martinelli foi inaugurado em 1929 com apenas 12 andares. Isso aconteceu porque neste mesmo ano foi publicado um artigo em que o Edifício A Noite, no Rio de Janeiro, seria citado como o mais alto arranha-céu do mundo. Para enfatizar o progresso tecnológico de São Paulo, resolveram adiantar a inauguração, mas as obras foram retomadas e seguiram até 1934, quando o Martinelli foi finalizado com 30 andares e 105 metros de altura. Detalhe: ultrapassou o tamanho do A Noite.

2 – Tem fama de mal-assombrado
Entre alguns lugares do Brasil que tem um passado macabro está o Edifício Martinelli, que, apesar do começo luxuoso de sua existência, passou por uma fase de decadência. Há quem diga que o prédio é famoso por assombrações e ruídos de gente trabalhando quando não há mais ninguém. Duas histórias, ao menos, podem dar embasamento para a fama. A primeira é a do assassinato do garoto judeu Davi, que foi morto e jogado no poço do elevador por um criminoso confesso chamado de Meia-Noite. A segunda é sobre outro crime brutal, que aconteceu em 1960, quando cinco bandidos mataram uma garota em um dos andares. Eu, hein!

3 – Hoje é sede de órgãos do governo
Depois de ser residencial e ir do luxo a decadência, hoje, o Martinelli abriga a sede das Secretarias Municipais de Habitação e Planejamento, as empresas Emurb e Cohab-SP e o Sindicato dos Bancários de São Paulo.

4 – O próprio Giuseppe Martinelli morou lá
Inicialmente, o prédio estava projetado para abrigar 14 andares, com a possibilidade de ter até 18. Mas, como chegou a ter 30 andares, todos olhavam a construção com desconfiança e muitos acreditavam que ele iria cair. A construção chegou a ser embargada, mas usando materiais mais leves, o conde Martinelli concluiu o seu sonho. E, para provar que o prédio não iria cair, construiu um palacete para que ele e sua família pudessem morar no topo do edifício. Na verdade, ele tinha esperança de que os afortunados da sociedade paulistana na época se mudassem para lá também.

5 – Acabamentos luxuosos
A ideia de Giuseppe era oferecer um prédio com um luxo nunca antes visto na cidade. Para isso, chamou os irmãos Lacombe para desenhar a fachada (eles também projetaram o túnel onde a Avenida 9 de Julho passa por baixo da Avenida Paulista). Além disso, as portas eram de madeira de lei, as escadas tinham mármore italiano e o cimento veio da Noruega e da Suécia. Para conseguir trazer os materiais de outros países, o conde contou com a ajuda de sua importadora marítima.

6 – O edifício pertenceu ao Martinelli até 1934
Apesar de ser o idealizador do prédio e dar seu nome a ele, a propriedade ficou nas mãos do conde até 1934. Neste ano, ele já estava endividado por conta da longa duração da obra e da crise econômica de 1929. Assim, ele teve que ceder o edifício para o governo italiano, pois havia pedido um empréstimo para eles para finalizar a obra. Depois disso, o lugar passou a ser chamado de Edifício das Américas e ficou quase abandonado.

7 – Em 1975 começa a revitalização
Quase duas décadas depois de que Martinelli perdeu o edifício, ele já estava deteriorado. Na década de 1960, era praticamente um cortiço, onde aconteciam crimes. Só então, em 1975, o atual prefeito Olavo Setúbal desapropriou o lugar e começou um projeto de revitalização, com limpeza da fachada e modernização dos sistemas hidráulicos e elétricos. Em 1979, foi reinaugurado já como sede e repartições do governo.

8 – Abrigou um cinema luxuoso
E ele ficava na parte inferior do arranha-céu. Chamado de Cine Rosário, o cinema causou frisson da cena artística paulistana por causa de seu tamanho e luxo. Como as obras do Martinelli abalaram a construção vizinha, o conde comprou o imóvel e o transformou em cinema. O que se sabe, é que o Cine Rosário foi projetado pelo filho do conde, Ítalo Martinelli.

9 – Abrigou armamentos
Devido a altura do Edifício Martinelli, o espaço foi usado para abrigar armamentos e baterias antiaéreas para defender São Paulo das forças do Governo da República durante a Revolução de 1932.

10 – Vai ter um observatório
A prefeitura deve conceder o terraço do prédio para a construção do Observatório Martinelli, com espaços expositivos, lojas, restaurante e café. A ideia é contribuir para o desenvolvimento turístico da cidade e para a requalificação urbana da região central.

Décor do dia: cantinho descanso em tons naturais

Madeira, linho e conexão com a natureza tornam espaço perfeito para descontrair
POR PAULA JACOB | FOTO DIVULGAÇÃO

Uma casa tranquila, térrea e totalmente conectada com o entorno do Hudson River Valley, nos Estados Unidos. Este é o cenário deste cantinho de descanso em tons naturais, decorado pelo escritório Drake/Anderson. Como a residência apresenta linhas limpas e muitas janelas, e teve sua maior inspiração na Farnsworth House, de Mies van der Rohe, a decoração não poderia sair desse minimalismo acolhedor. Com o jardim e as árvores de pano de fundo, emolduradas como um quadro vivo pelas janelas do chão ao teto, o espaço já é convidativo à desconexão. A daybed centralizada na sala sobre o tapete de fibras naturais se torna perfeita para ler um livro, escutar uma música ou apenas tirar um cochilo. Para complementar, armário preto de madeira ao fundo, mesa lateral e vasos com plantas pequenas.

Sophia Ahrens – Elle France June 21st, 2019 By Laurie Bartley

Out Of The Blue   —   Elle France June 21st, 2019   —   www.elle.fr
Photography: Laurie Bartley Model: Sophia Ahrens Styling: Jeanne Le Bault Hair: Nicolas Philippon Make-Up: Ayami Nishimura

Andreas Ortner Latest Summer Editorial with Beautiful Charlotte Nolting

Photography: Andreas Ortner at SCHIERKE Artists. Styling: Birgit Schlotterbeck. Hair & Makeup: Peggy Kurka. Model: Charlotte Nolting.