Edifício Martinelli: 10 curiosidades sobre o icônico prédio de São Paulo

É um dos principais marcos da arquitetura paulistana e o primeiro arranha-céu da cidade
POR NÁDIA SIMONELLI

Quem costuma andar pelo centro de São Paulo pode não perceber a suntuosidade do Edifício Martinelli, localizado entre a Rua São Bento, Avenida São João e Rua Líbero Badaró, e hoje espremido entre grandes espigões. Pois saiba que ele foi o primeiro prédio de grande estatura da cidade (até então, existiam construções com até cinco andares) e marcou a transição para a era dos arranha-céus.

Idealizado pelo imigrante italiano conde Giuseppe Martinelli, o prédio, carinhosamente chamado pelos paulistanos de Martinelli, completa 90 anos em 2019 e ainda é um importante mirante na cidade. De lá, é possível ter uma das vistas mais bonitas do skyline de São Paulo. E uma boa notícia: o espaço que estava fechado, reabriu recentemente para a visitação do público. O passeio é gratuito e funciona todos os dias, incluindo domingos e feriados.

Mas, antes de marcar sua visita ao Martinelli, confira abaixo algumas curiosidades sobre a história do edifício.

1 – Foi inaugurado ainda incompleto
Com projeto assinado pelo arquiteto húngaro Vilmos (William) Fillinger, o Edifício Martinelli foi inaugurado em 1929 com apenas 12 andares. Isso aconteceu porque neste mesmo ano foi publicado um artigo em que o Edifício A Noite, no Rio de Janeiro, seria citado como o mais alto arranha-céu do mundo. Para enfatizar o progresso tecnológico de São Paulo, resolveram adiantar a inauguração, mas as obras foram retomadas e seguiram até 1934, quando o Martinelli foi finalizado com 30 andares e 105 metros de altura. Detalhe: ultrapassou o tamanho do A Noite.

2 – Tem fama de mal-assombrado
Entre alguns lugares do Brasil que tem um passado macabro está o Edifício Martinelli, que, apesar do começo luxuoso de sua existência, passou por uma fase de decadência. Há quem diga que o prédio é famoso por assombrações e ruídos de gente trabalhando quando não há mais ninguém. Duas histórias, ao menos, podem dar embasamento para a fama. A primeira é a do assassinato do garoto judeu Davi, que foi morto e jogado no poço do elevador por um criminoso confesso chamado de Meia-Noite. A segunda é sobre outro crime brutal, que aconteceu em 1960, quando cinco bandidos mataram uma garota em um dos andares. Eu, hein!

3 – Hoje é sede de órgãos do governo
Depois de ser residencial e ir do luxo a decadência, hoje, o Martinelli abriga a sede das Secretarias Municipais de Habitação e Planejamento, as empresas Emurb e Cohab-SP e o Sindicato dos Bancários de São Paulo.

4 – O próprio Giuseppe Martinelli morou lá
Inicialmente, o prédio estava projetado para abrigar 14 andares, com a possibilidade de ter até 18. Mas, como chegou a ter 30 andares, todos olhavam a construção com desconfiança e muitos acreditavam que ele iria cair. A construção chegou a ser embargada, mas usando materiais mais leves, o conde Martinelli concluiu o seu sonho. E, para provar que o prédio não iria cair, construiu um palacete para que ele e sua família pudessem morar no topo do edifício. Na verdade, ele tinha esperança de que os afortunados da sociedade paulistana na época se mudassem para lá também.

5 – Acabamentos luxuosos
A ideia de Giuseppe era oferecer um prédio com um luxo nunca antes visto na cidade. Para isso, chamou os irmãos Lacombe para desenhar a fachada (eles também projetaram o túnel onde a Avenida 9 de Julho passa por baixo da Avenida Paulista). Além disso, as portas eram de madeira de lei, as escadas tinham mármore italiano e o cimento veio da Noruega e da Suécia. Para conseguir trazer os materiais de outros países, o conde contou com a ajuda de sua importadora marítima.

6 – O edifício pertenceu ao Martinelli até 1934
Apesar de ser o idealizador do prédio e dar seu nome a ele, a propriedade ficou nas mãos do conde até 1934. Neste ano, ele já estava endividado por conta da longa duração da obra e da crise econômica de 1929. Assim, ele teve que ceder o edifício para o governo italiano, pois havia pedido um empréstimo para eles para finalizar a obra. Depois disso, o lugar passou a ser chamado de Edifício das Américas e ficou quase abandonado.

7 – Em 1975 começa a revitalização
Quase duas décadas depois de que Martinelli perdeu o edifício, ele já estava deteriorado. Na década de 1960, era praticamente um cortiço, onde aconteciam crimes. Só então, em 1975, o atual prefeito Olavo Setúbal desapropriou o lugar e começou um projeto de revitalização, com limpeza da fachada e modernização dos sistemas hidráulicos e elétricos. Em 1979, foi reinaugurado já como sede e repartições do governo.

8 – Abrigou um cinema luxuoso
E ele ficava na parte inferior do arranha-céu. Chamado de Cine Rosário, o cinema causou frisson da cena artística paulistana por causa de seu tamanho e luxo. Como as obras do Martinelli abalaram a construção vizinha, o conde comprou o imóvel e o transformou em cinema. O que se sabe, é que o Cine Rosário foi projetado pelo filho do conde, Ítalo Martinelli.

9 – Abrigou armamentos
Devido a altura do Edifício Martinelli, o espaço foi usado para abrigar armamentos e baterias antiaéreas para defender São Paulo das forças do Governo da República durante a Revolução de 1932.

10 – Vai ter um observatório
A prefeitura deve conceder o terraço do prédio para a construção do Observatório Martinelli, com espaços expositivos, lojas, restaurante e café. A ideia é contribuir para o desenvolvimento turístico da cidade e para a requalificação urbana da região central.

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