Firat Meric for ELLE Turkey with Catharina Zeitner

Photographer: Firat Meric. Stylist: Asli Asil. Hair Stylist: Ali Yilanci. Makeup: Ceren Eroz. Model: Catharina Zeitner at A Management.

O homem e a natureza: os focos da criação do designer Dror Benshetrit

Arquiteto apresenta e fala sobre o seu mais novo trabalho no Brasil
MARCELO LIMA – O ESTADO DE SÃO PAULO

O arquiteto e designer Dror Benshetrit Foto: Erez Sabag

Formado pela vanguardista Design Academy Eindhoven, na Holanda, Dror Benshetrit vive e trabalha em Nova York, onde fundou seu estúdio em 2002. Com um olhar inquieto e um apetite voraz por soluções nada convencionais, ele tem rodado o mundo à caça de oportunidades de exercitar sua arquitetura conceitual, onde o humano e a natureza ensaiam uma coexistência outrora possível. Tal como ele propõe no novo showroom da marca gaúcha Florense, que abre suas portas no mês que vem em São Paulo, e leva a assinatura do arquiteto e designer. “Toda a loja estará cercada de verde, da rica vegetação brasileira”, conforme ele adiantou nesta entrevista exclusiva ao Casa, direto de Nova York.

Mais do que obedecer a um programa específico, parece que é sempre em torno de uma ideia central que gravitam todos os seus projetos. Explique sua metodologia de trabalho.

Sim. Isso está super correto. Me agrada que um ideal conduza a prática do design. A ideia de criar algo forte, conceitual está presente em tudo que faço, e não só em relação à arquitetura e suas questões, mas em qualquer coisa que crio. Eu costumo dizer que é o conceito que amarra tudo. E que é trabalhando em torno dele que o projeto vai se manifestar de forma semelhante ao inicialmente intencionado. Por outro lado, sei que depende muito de cada trabalho, mas devo admitir que minha principal motivação é sempre o humano, ou está baseada nas experiências humanas.

A poltrona Peacock, da Cappellini Foto: Studio Dror

Como o design de móveis e objetos se relaciona com essas ideias?
Vou te dar um exemplo desta interface, tomando por base o desenho de um de meus móveis, a poltrona Peacock (pavão, em inglês) que desenvolvi para a Cappellini italiana. O ponto inicial foi uma relação entre dois sentimentos opostos, atração e defesa, ou seja, vulnerabilidade. Quando estamos vulneráveis, tendemos a nos desviar de um objeto ou a fazer o oposto, nos aproximamos e nos permitimos ficar vulneráveis. Foi essa emoção humana que procurei traduzir na Peacock, porque o pavão abre as asas para te atrair, mas também sinaliza que quer se defender. É como se ele dissesse: sou um animal grande e lindo, portanto, chegue mais perto. Mas também tome cuidado, porque eu posso te atacar.

Explique o conceito que você desenvolveu para a loja da Florense, em São Paulo.
A Florense é uma empresa ligada à ideia de cozinha. E, para mim, é na cozinha que a mágica da casa acontece. É onde os ingredientes entram e maravilhosos pratos saem. Creio ser responsabilidade de uma empresa como a Florense reverenciar a comida brasileira, que vem de plantas e vegetais tão diferentes. Ervas e frutos permanentemente preparados nas cozinhas do Brasil, destacando a beleza desta culinária. Foi este o meu ponto de partida.

O showroom da Florense, na Alameda Gabriel Monteiro da Silva, com inauguração prevista para agosto Foto: Studio Dror
House Plant, conjunto residencial em construção em Tel Aviv, Israel, onde natureza e arquitetura se entrelaçam Foto: Studio Dror

Gigantes dos calçados fecham lojas pequenas

Estabelecimentos independentes foram obrigadas a abandonar o ramo pela concorrência de grandes empresas e pelas compras online
Murray Carpenter, The New York Times

Os principais fabricantes de calçados exigem que comerciantes independentes comprem anualmente US$ 20 mil ou mais, o que contribui para a expulsão das pequenas lojas do mercado.  Foto: Tristan Spinski / The New York Times

BELFAST, MAINE – A Colburn Shoe Store, fundada em 1832, gosta de definir-se como a mais antiga loja de calçados dos Estados Unidos. O proprietário, Colby Horne, e seu pai Brian, lembram das marcas prediletas e dos números dos seus clientes. Mas eles não podem mais vender algumas das marcas mais procuradas, como Nike e Adidas. 

Nos últimos anos, muitos comerciantes independentes foram simplesmente cortadas pelos grandes fabricantes. Em alguns casos, pequenas empresas são obrigadas a comprar antecipadamente US$ 20 mil ou mais em calçados. O que pode significar pelo menos 500 pares de sapatos, um número excessivo para uma loja pequena estocar e vender em um ano, além das outras marcas.

Algumas lojas independentes foram obrigadas a abandonar o ramo pela concorrência das grandes lojas e pelas compras online. Agora, com a obrigação de comprar lotes mínimos, as lojas sofrem uma pressão ainda maior. A Glick’s Shoe Store de Lewistown, Pensilvânia, por exemplo, fechou as portas em maio, depois de estar no comércio há 90 anos. Nicole Swanger, a gerente, atribui o fechamento da loja à perda de sua conta com a Nike, a marca mais vendida. “Aparentemente, agora é o volume que determina os lucros das grandes marcas de sapatos”, disse Brian Horne. “Obviamente, uma loja de sapatos não pode trabalhar com grandes volumes”.

Segundo Horne, as grandes indústrias de sapatos também orientam cada vez mais seus clientes a procurarem os respectivos sites. O mercado de calçados americano valia US$ 72 bilhões nos doze meses encerrados em março, e cerca de 30% destas vendas foram feitas online, segundo estimativas do NPD Group, uma empresa de pesquisa de mercado. As vendas de sapatos subiram 4% em relação aos 12 meses anteriores. Mas as vendas diretas ao consumidor das próprias lojas da marca, sites e catálogos cresceram 12%. “Isto não significa que as lojas físicas estejam desaparecendo, mas o seu número deverá se reduzir”, projetou Matt Powell, analista da indústria de material esportivo para a NPD.

A Nike não falou nos detalhes de sua estratégia. A Adidas também não quis dar dados específicos, mas afirmou que não tem um limite mínimo de encomendas. Entretanto, alguns varejistas independentes afirmam que perderam contas apesar de aceitarem os mínimos. Kevin Carter, proprietário da Carter’s Clothing and Footwear, disse que as lojas da companhia em Massachusetts adquiriram US$ 350 mil em produtos da Nike ao ano. Mas depois  de um relacionamento de 30 anos, a Nike parou de vender para a Carter’s em 2013, sem nenhuma explicação.

“A parte mais triste é que todas as pequenas lojas independentes que eles estão cortando já existiam antes de aparecerem as grandes cadeias”, afirmou Carter. “Estávamos em todas as esquinas, e fomos nós que permitimos que construíssem as suas marcas”.

Chuck Schuylar, presidente da Associação Nacional de Comerciantes de Sapatos, disse que o número de lojas independentes nos Estados Unidos está caindo, e calculou que restam apenas de 6 mil a 8 mil. Colby Horne contou que, quando os clientes entram para procurar tênis de corrida Adidas ou Nike, ele sugere marcas usadas em geral pelos corredores como Brooks, New Balance ou Saucony. A loja tem contas com mais de 100 marcas.

Os clientes experimentam sapatos em sua loja, e depois os compram online. Ou então trazem sapatos que não servem, comprados online para ajudá-los a encontrar os que servem. Segundo ele, é uma oportunidade de oferecer um serviço pessoal. Pode ser que naquele momento ele não consiga uma venda, mas poderá encorajar o cliente a voltar. “É ali que entra a nossa habilidade na hora de vender”, acrescentou. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA 

Décor do dia: hall de entrada com decoração campestre

Chegar ou sair de casa é um ritual que sempre depende de como a entrada é organizada. Para otimizar esse movimento diário, este hall de entrada com decoração campestre ganha destaque com o móvel multifuncional: ao mesmo tempo que os gavetões podem guardar sapatos e outros acessórios, sua estrutura também serve de banco. Ali ainda foi criada uma espécie de encosto, com grandes almofadas seguradas por alças de couro, um relógio minimalista e um painel com pintura naturalista. No alto, a mesma lógica de apoio das almofadas segura uma prateleira de madeira com livro – note que ainda há uma luminária industrial para facilitar quando estiver escuro. A meia parededesconstruída em azul esverdeado finaliza a decoração.