Jane Fonda celebra 60 anos da sua primeira capa para Vogue: “Hoje sou muito mais jovem espiritualmente”

Aos 81 anos, atriz fala sobre ativismo, atuar e diz não ter arrependimentos

Jane Fonda fotografada por Irving Penn para a Vogue em julho de 1959; à esquerda, Fonda in 2018 (Foto: Getty Images)

A primeira capa de Jane Fonda para a Vogue foi clicada pelo fotógrafo Irving Penn, em 1959. Na época, Fonda era uma modelo e atriz relativamente desconhecida com pais famosos (seu pai era o ator Henry Fonda, e sua mãe era a socialite canadense Frances Ford Brokaw). Sua estreia no cinema, com “Até os Fortes Vacilam”, seria apenas o começo de uma das carreiras mais bem sucedidas e prolíficas de Hollywood, incluindo “Descalços no Parque”, “Barbarella”, “Como Eliminar Seu Chefe’ e “Grace e Frankie”, disponível no Netflix.

Este ano, Fonda estampou a capa novamente, dessa vez na Vogue britânica, aos 81 anos. Uma conversa para marcar o 60º aniversário da primeira capa, também publicada em julho, pareceu simples a princípio. Mas como a maioria das coisas que dizem respeito a Jane Fonda, logo se tornou muito mais interessante.

1959 foi um ano antes do seu primeiro filme, “Até os Fortes Vacilam”.  Você fez aulas de teatro?
Eu estava estudando com Lee Strasberg e trabalhava como modelo da agência Eileen Ford para ganhar dinheiro e pagar as aulas. Eu não gostava de ser fotografada. Se você tivesse me dito naquela época que aos 81 anos estaria novamente na capa da Vogue, eu teria dito que você estava louco, que era completamente impossível.
Por que você odiava ou porque nunca pensou que teria uma carreira tão longa?
Número um, eu nunca pensei que viveria todo esse tempo. Número dois, na época, eu não me achava bonita. Então, eu certamente não achava que seria bonita o suficiente para estar na capa aos 81 anos de idade. Basicamente essas duas coisas – e nunca pensei que seria famosa.

Conhecendo a história da sua família, isso surpreende. Você nunca sonhou ser atriz?
Eu não tive sonho. Eu não via futuro para mim. Eu não tinha ideia de quem eu era ou do que me tornaria. Também não tinha ambições. Evitei pensar no futuro. Minha mãe se matou e a imagem  que eu tinha das mulheres era a de  vítimas e pessoas que não tinham poder. Meu pai nunca me incentivou ou me fez sentir atraente.
Ou seja, foi tudo inesperado: fiquei surpresa por ter participado de um filme, ter sido aceita como modelo na agência e por ter saído na capa da Vogue. Então minha vida acabou sendo uma grande surpresa, até para mim.

Jane Fonda (Foto: Reprodução/ Vogue UK)

Como foi fazer parte do Time’s Up no ano passado?
Fiquei muito feliz pelas mulheres que deram um passo à frente e disseram o que havia acontecido com elas. É claro que quando eram mulheres brancas protestando as notícias iam para as primeiras páginas dos jornais, mas foram as afro-americanas que se pronunciaram primeiro, a mais conhecida talvez seja Anita Hill, mas outras também. Eu acho ótimo. Não importa que tenha virado uma hashtag. Hoje mais pessoas estão conscientes de que podem falar e serem ouvidas. Meu tempo no movimento Time Up é gasto mais fazendo lobby em nome de mulheres que são mais vulneráveis, como as trabalhadoras agrícolas, de serviços domésticos e assalariadas.

Qual a sua maior causa no momento?
Eu continuo acreditando que todas as causas estão conectadas. Mas há uma enorme nuvem sobre tudo, uma verdadeira bomba-relógio: o clima. Podemos recuperar a democracia? Podemos acabar com o racismo? Pode ganhar nossos direitos humanos básicos a tempo antes que a realidade da mudança climática assuma o controle? Estabilidade econômica, segurança nacional, saúde. Se a mudança climática, a destruição do meio ambiente e a extinção de espécies não forem interrompidas, as pandemias de doenças vão piorar. Tempestades e inundações, incêndios, secas, refugiados e guerras vão piorar. Grande parte da economia terá que ser canalizada para desfazer desastres e ajudar pessoas que estarão desesperadas por causa disso. Vai ser muito difícil manter a sociedade civilizada em face do ataque do clima.

Jane Fonda (Foto: Reprodução/ Vogue UK)

Você já escolheu um candidato presidencial democrata para as eleições de 2020?
Não, estou esperando para ver. Estou vendo como isso se desenrola. Eu gasto meu tempo, meu dinheiro e minha energia apoiando organizações que no momento, nos principais estados, já estão trabalhando conversando com pessoas, comunidades da classe trabalhadora, brancos e negros. Se eles entenderem quem são seus verdadeiros aliados, votarão diferente.

Quanto de sua vida você credita ao ativismo?
Eu diria 85%. Eu já fui fissurada no assunto e tive que tomar decisões do tipo: vou lutar contra isso e tentar melhorar? E também pelo fato de que na época estar fazendo coisas importantes em minha vida e cuidando da família. Mas meu ativismo teve um grande papel e me deu chance de dizer para mim mesma Eu vou parar.

Você não se cansa?
Eu não me sinto exausta. Eu me sinto muito, muito grata. Hoje sei que a pessoa que estava na capa em 1959 era muito velha. Talvez não esteja no meu rosto, mas eu era muito velha. Eu não via futuro. Era muito negativa. Na capa deste ano, 2019, aos 81 anos, sou muito mais jovem espiritualmente.

Jane Fonda (Foto: Reprodução/ Vogue UK)
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