Katelijne Verbruggen for Marie Claire Netherlands with Sara Van Der Hoek

Photography: Katelijne Verbruggen. Styling: Anna Sokolowska. Hair & Make-up: Magdalena Loza at Ncl-representation. Model: Sara Van Der Hoek at Vdm Models.

Bella Thorne revela ser pansexual: ‘Não sabia, alguém me explicou’

Atriz falou que, para despertar seu interesse, ‘não precisa ser uma garota, um cara, ‘ele’, ‘ela’, ‘isso’ ou ‘aquilo”

Bella Thorne diz que é pansexual l GMA

A atriz Bella Thorne revelou ser pansexual, termo que remete a quem sente atração sexual por outras pessoas, independente de seu sexo ou gênero, em entrevista ao programa Good Morning America, da rede norte-americana ABC, na última segunda-feira, 22.

No passado, Bella Thorne já havia se assumido bissexual, mas agora mudou sua percepção sobre sua própria sexualidade: “Na verdade, eu sou pansexual. Não sabia disso. Alguém me explicou. Você gosta de seres [humanos], você gosta do que você gosta, não precisa ser uma garota, ou um cara, sabe, ‘ele’, ou ‘ela’, ou ‘isso’ ou ‘aquilo’. Você, literalmente, gosta de personalidades”.

Outros artistas também já se assumiram como pansexuais recentemente, como os cantores Miley CyrusJanelle Monáe e Brendon Urie, do Panic! At the Disco.

Bella Thorne ainda foi questionada sobre como era sua percepção perante os abusos sexuais que sofria quando jovem: “Definitivamente, [era uma] síndrome de Estocolmo. Quando você é criada com alguém e não sabe que aquilo é errado. Uma ocorrência do dia a dia, tipo, ‘nada demais'”.

Assista à entrevista em que Bella Thorne assume ser pansexual:

Por que é um problema Vingadores: Ultimato ter ultrapassado Avatar

Independentemente da qualidade dos dois filmes, tática da Marvel Studios mostra um descompromisso com sua própria arte
JULIA SABBAGA

 Vingadores: Ultimato e Avatar

O painel da Marvel Studios no Hall H da San Diego Comic-Con começou com o já aguardado anúncio de Kevin Feige que Vingadores: Ultimato, o último capítulo da Fase 3 do MCU, se tornou a maior bilheteria de todos os tempos. Atualmente com uma arrecadação de US$ 2,790 bilhões, o longa da Marvel finalmente tomou a liderança de Avatar (em valores não ajustados com a inflação), que permaneceu no topo por quase 10 anos. Mas isto não aconteceu de modo natural. Para atingir a quantia, o estúdio precisou relançar Ultimato nos cinemas com alguns minutos extras, incluindo uma cena não-finalizada. A tática da Marvel se provou efetiva, mas para que a proeza fosse atingida, o estúdio abriu mão da sua arte.

A liderança de Vingadores: Ultimato na bilheteria mundial não é inválido e muito menos surpreendente. Há tempos o estúdio domina as arrecadações semanais e cada lançamento do MCU nos cinemas já é um sucesso garantido. Era até esperado que o capítulo final da Saga do Infinito batesse a bilheteria de Avatar, o que torna compreensível a vontade inconsequente do estúdio de conquistar o topo uma vez que isto não aconteceu naturalmente. O problema é um estúdio que sempre teve tanto cuidado em oferecer uma experiência completa aos fãs ter aberto mão até de seu principal suposto objetivo para colocar o nº 1 no currículo.

A nova versão de Vingadores: Ultimato traz um tributo a Stan Lee, a primeira cena de Homem-Aranha: Longe de Casa e, o mais chamativo de tudo, uma cena não-finalizada do Hulk. Com efeitos visuais incompletos, a cena é claramente um extra de DVD, que faria fãs vibrarem com o produto, mas definitivamente não justifica um relançamento nos cinemas. A versão cai como um golpe baixo do estúdio, que precisava de um último impulso para superar o longa de James Cameron

Seria ingênuo realmente imaginar um mundo em que o objetivo de cada estúdio não seja lucro. Mas não é a vontade de arrecadar dinheiro que torna a tática da Marvel desleal. É uma priorização do marco acima da experiência do fã. Um dos elementos que faz do estúdio o que ele é hoje é seu proclamado compromisso com seus seguidores. Cada passo na jornada dos heróis que levou até Ultimato, cada cena recheada de fan service, momentos que fizeram os fãs gritarem com a tela e, inclusive, o espetáculo que Kevin Feige faz em cada aparição na Comic-Con, soa como um “estamos aqui por vocês”. Relançar um produto não-finalizado para que fãs gastem um pouco mais é o oposto disso. Mais do que isso, o lançamento de uma cena como essa em um filme que culmina uma jornada de dez anos, tão bem calculada e realizada, mostra um descompromisso com a sua própria arte. Pode ser surreal imaginar um mundo em que estúdios não priorizem lucro. Mas não é surreal também viver em um mundo em que estúdios lançam rascunhos de seus filmes no cinema?

Em sua época, Avatar também foi relançado nos cinemas, mas o caso foi muito diferente. Quando retornou às salas, oito meses depois de sua estreia, o longa já tinha o primeiro lugar mundial. Ele foi relançado pela própria experiência cinematográfica, com nove minutos adicionais totalmente finalizados. Como a superprodução de Cameron prezou o visual acima de muita coisa, o movimento fez sentido com a sua proposta. A nova versão, inclusive, não foi fácil; cada minuto adicional custou US$ 1 milhão à produção. 

Deve-se enfatizar, claro, que nada disso diz respeito à qualidade dos dois filmes. Inclusive, estar no topo da bilheteria nada diz respeito à qualidade crítica de uma produção. Mas James Cameron, o diretor que preza tanto pela estética e tecnologia, nunca consideraria um truque como o que a Marvel fez. Na realidade, a liderança da Marvel Studios, principalmente do modo que se deu, é apenas mais um sintoma do caminho do cinema atual, de remakes, reboots e sequências. É a liderança na bilheteria acima de qualquer experiência ou arte.

Décor do dia: sofá vermelho decora sala de estar integrada

Paleta neutra é pano de fundo ideal para objeto colorido
POR PAULA JACOB | FOTO VITRA/DIVULGAÇÃO

Ambientes integrados são uma realidade comum, principalmente em apartamentos pequenos. Por isso, é importante criar uma ambientação que acolha os diversos cômodos que ali dividem espaço. Nesta sala de estar integrada com a cozinha e jantar, decorada pela Vitra, a paleta neutra ao mesmo tempo delimita e acolhe os momentos da casa.

Tons de preto, cinza, branco e marrom pontuam o mobiliário funcional – repare que a estante ao fundo serve tanto para otimizar espaço e guardar objetos, livros e discos, quanto para decorar a parede vazia. O grande destaque fica com o sofá vermelho, que tira qualquer monotonia da decoração. A ficus lyrata no cantinho com outros vasos de plantasatualizam o apartamento. Objetos lúdicos trazem um pouco de diversão para o espaço.

Pesquisa equivocada aumenta medo sobre rede 5G

As ondas de rádio se tornam mais seguras conforme sua frequência aumenta, e não mais perigosas, como foi prospectado em estudo
William J. Broad, The New York Times

Um gráfico equivocado deu origem a uma corrente de informações falsas. Foto: Golden Cosmos

Em 2000, as escolas públicas de Broward County, na Flórida, receberam um relatório alarmante. O condado pensava em oferecer computadores laptop e redes sem fio aos seus 250 mil alunos. Isso traria algum risco à saúde? O distrito pediu ao físico e consultor Bill P. Curry que estudasse a questão. De acordo com o relatório dele, a tecnologia “provavelmente representaria um risco grave à saúde”. Ele resumiu as evidências mais preocupantes em um gráfico chamado Absorção de micro-ondas na massa cinzenta (tecido cerebral).

O gráfico mostrava a dose de radiação recebida pelo cérebro aumentando da esquerda para a direita, acompanhando o aumento da frequência do sinal sem fio. A inclinação do gráfico começava discreta, mas, quando a linha chegava às frequências associadas às redes de computador, sua trajetória se inclinava acentuadamente para cima, indicando um perigoso grau de exposição. O material do relatório de Curry detalhava como as ondas de rádio poderiam semear o câncer no cérebro.

Com o passar dos anos, esse alerta foi difundido. Não seria exagero dizer que a crescente ansiedade em relação aos supostos riscos da tecnologia 5G para a saúde tem sua origem no trabalho de um único cientista e nas informações de um único gráfico. O problema é que Curry se enganou. De acordo com os especialistas, as ondas de rádio se tornam mais seguras conforme sua frequência aumenta, e não mais perigosas.

Na sua pesquisa, Curry analisou estudos de como as ondas de rádio afetavam os tecidos isolados no laboratório, e interpretou equivocadamente os resultados como válidos para células dentro do corpo humano. A análise dele não identificou o efeito protetor da pele humana. No caso das frequências mais altas, a pele funciona como barreira, protegendo da exposição os órgãos internos, incluindo o cérebro.

Apesar da avaliação benigna do establishment da medicina, o relatório equivocado de Curry foi amplificado por páginas alarmistas na internet e foi usado como prova em processos jurídicos. Ecos do relatório alimentaram páginas de notícias russas conhecidas por disseminar informações enganosas a respeito da tecnologia 5G. Aquilo que começou como um simples gráfico se tornou um estudo de caso da capacidade de difusão de estudos científicos equivocados. “Ainda acredito que haja efeitos nocivos para a saúde”, afirmou Curry. “O governo federal precisa analisar a questão mais atentamente”.

Os estudos de Curry – ele enviou dois ao distrito escolar em 2000 – apresentam a questão da tecnologia sem fio como algo crucial para a saúde pública. Ele alertou que as crianças estavam particularmente vulneráveis ao risco de desenvolver câncer por causa da tecnologia sem fio. “Seus cérebros estão em desenvolvimento”, destacou. 

Curry pertencia a um grupo nacional de críticos da tecnologia sem fio, seus dois relatórios logo começaram a circular entre os adversários da indústria. Um deles chegou a David O. Carpenter. No fim de 2011, Carpenter introduziu o gráfico de Curry como evidência em um processo que buscava obrigar as escolas públicas de Portland, Oregon, a abandonar suas redes de computador sem fio. O juiz do caso disse que o tribunal não tinha jurisdição para decidir quanto a questões regulatórias nacionais, e encerrou o caso.

Apesar da frustração, o depoimento de Carpenter seguiu chamando atenção. Em 2012, ele apresentou a mesma opinião como parte do depoimento a um conselho estadual de Michigan avaliando os perigos da tecnologia sem fio, e a informação logo passou a circular na internet. E ele enxergou um novo risco. Entre 2010 e 2012, as frequências da nova geração de celulares, 4G, aumentaram e ultrapassaram aquelas das redes sem fio mais típicas. “Há hoje muito mais evidências dos riscos para a saúde, afetando bilhões de pessoas”, disse ele na introdução de um relatório de 1.400 páginas editado por ele a respeito dos perigos da tecnologia sem fio. “A situação presente é inaceitável”. 

Seu BioInitiative Report, publicado em 2012, ganhou destaque no mundo. Mas a ciência tradicional rejeitou suas conclusões. Dois pesquisadores da Universidade de Oxford o descreveram como “desprovido de credibilidade científica”.

Nos anos subsequentes, a associação entre um maior risco de desenvolvimento de câncer no cérebro e as ondas dos sinais sem fio foi repetida de maneira não crítica. Com isso, passou a ser aceita por ativistas como fato científico. Recentemente, Carpenter disse à rede de TV russa RT America, que levou ao ar uma série de programas críticos à tecnologia 5G, que os celulares mais recentes representam uma grave ameaça. “O lançamento da rede 5G é muito assustador”, disse. “Ninguém poderá escapar da radiação”.

Mas os cientistas ainda não observam nenhum indício de dano causado pelas ondas da rede celular. “Se os celulares estivessem ligados ao câncer, teríamos observado uma alta marcante nos casos”, escreveu recentemente no Guardian o pesquisador David Robert Grimes, da Universidade de Oxford. “Não é o que vem ocorrendo”.

Em entrevista, Carpenter defendeu sua opinião, mas concordou que as frequências cada vez mais altas teriam mais dificuldade em penetrar o corpo humano. Ele destacou que construções, chuva, folhas e outros objetos podem bloquear os sinais de alta frequência. Se a pele humana também bloqueia o sinal 5G, disse ele, “talvez o problema não seja tão grande assim”. / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL