Como dar um upgrade digital em clipes já consolidados

YouTube e Universal Music Group anunciaram que estavam fazendo a adaptação de mais de mil vídeos de música popular do sistema analógico para o de alta definição
Gavin Edwards, The New York Times

Um still do video do single Bad Romance de Lady Gaga, de 2009, depois do retoque. Foto: Universal Music Group

O vídeo do single da música de sucesso White Wedding, de 1983, mostrava uma aliança de casamento de arame farpado, um desastre de motocicleta através de um vitral e o cantor Billy Idol com o seu telegênico sorriso zombeteiro. O diretor, David Mallet, contou que foi filmado em um dia, como muitos clipes que ele fez na época, parava uma exibição muito diferente da que vemos hoje. “Fazíamos vídeos para telas talvez de no máximo 32 polegada”, lembrou Mallet, lamentando também que tantos trabalhos realizados em vídeo não tenham sido arquivados devidamente. 

Por isso, o YouTube, onde a maioria das pessoas assiste a vídeos musicais hoje em dia, ainda exibe muitos que foram tirados de velhas fitas em VHS. Em grande parte, nem aguenta quando ampliados para telas de 60 polegadas”, acrescentou.

No entanto, em junho, o YouTube e o Universal Music Group anunciaram que estavam fazendo o upgrading de mais de mil vídeos de música popular do sistema analógico para o de alta definição, a serem lançados em 2020. Entre os artistas dos 100 vídeos iniciais estão Lady Gaga, Boyz II Men, The Killers, Kiss, George Strait e as Spice Girls. “Quando o colorido borrado for retirado, ficará um resultado mais vital”, afirmou Billy Idol.

Fazer o upgrading dos clips significa um trabalho de arquivo com uma série de formatos. Barak Moffitt, um executivo da Universal, mencionou alguns: “Temos todo tipo de material, de filmes originais a Digibeta, HDCAM para Cs de uma polegada e Betacam SPs para D2s – e o formato em que foram filmados não é necessariamente o formato que foi editado”.

Às vezes, foi preciso um verdadeiro trabalho de detetive, como, por exemplo, quando a equipe descobriu que o áudio de Fell on Black Days, da Soundgarden, foi uma gravação única feita apenas para aquele clipe. E outras vezes, foi diretamente um upgrading do áudio para um material de qualidade melhor. 

Michael Nash, executivo da Universal, explicou que, historicamente, “muitas vezes, a primeira coisa oferecida aos consumidores era o vídeo musical, antes mesmo que o single fosse para uma rádio. Frequentemente, um vídeo de música era enviado para a MTV antes que a mixagem estéreo final do single tivesse sido feita”.

O YouTube suplantou há muito a MTV como fonte básica dos vídeos musicais, mas recentemente o seu predomínio foi ameaçado pela ascensão dos “vídeos verticais” formatados para o instagram e o Spotify, e está tendo problemas nas negociações com alguns selos a respeito dos royalties pagos toda vez que uma música é ouvida em streaming, e se isto constitui um “diferencial de preço”.

Por isso, um projeto que favorecia a reputação de todos interessou particularmente ao YouTube. “Toda a indústria pode unir-se e fazer algo fantástico”, afirmou Lyor Cohen, um executivo do You Tube. Embora seja possível assistir ao YouTube em grandes telas de TV com surround sound, muitos usam os próprios celulares. Por isso, será que os fãs de Lady Gaga percebem quando o áudio e o vídeo de Bad Romance”tiveram um upgrading? Segundo Nash, seguramente. “O público em geral sabe distinguir a diferença quando o vídeo é colocado na sua frente, e entende a diferença quando explicam para ele, e é nossa obrigação como parceiros dos artistas oferecer ao público a representação mais próxima da voz e da visão do artista”, disse. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

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