Rainhas do Crime | “Filmes feitos por mulheres não são só para mulheres”

Diretora Andrea Berloff fala sobre questões atuais abordadas em um filme de anos 70
JULIA SABBAGA

Rainhas do Crime, filme da DC/Vertigo

Em Rainhas do Crime, a adaptação cinematográfica da HQ The Kitchen, da Vertigo, três mulheres tomam o poder da máfia para conseguir pagar as contas depois da prisão de seus maridos. Marcando a estreia de Andrea Berloff (indicada ao Oscar pelo roteiro de Straight Outta Compton: A História do N.W.A) na direção, o filme pode cair na armadilha de ser chamado um “filme de mulher”, mas para Berloff, se afastar desta noção era uma prioridade. Durante uma visita ao set do filme em Nova York, o site Omelete conversou com a diretora sobre a questão.

Chamando seu projeto sempre como um “filme de gângster” em primeiro lugar, e citando referências de Martin Scorsese e O Poderoso Chefão, Berloff faz questão de esclarecer que o filme não tem medo de ser violento. Ela diz que tomou cuidado para que Rainhas do Crime não tivesse medo de retratar a frieza da Nova York dos anos 70 e espera que a energia passada de uma produção liderada principalmente por mulheres não seja entendido de modo errado. Relembrando o sucesso de Oito Mulheres e Um Segredo, Berloff falou sobre um mundo em transição, em que o protagonismo feminino está deixando de ser associado a um público só: “Nós temos que superar a ideia de que um filme protagonizado por mulheres é feito para mulheres”, ela explica, também lembrando que nomes marcantes como Domhnall GleesonCommonBill Camp e Brian d’Arcy James completam o elenco liderado por Elizabeth MossMelissa McCarthy e Tiffany Haddish: “Nós temos um elenco incrível de homens nesse filme. A gente sempre fica falando que precisamos fazer um derivado focado nos homens de Rainhas do Crime”.

Isto não quer dizer, no entanto, que o filme terá receio de lidar com questões de gênero, fazendo o esforço de falar sobre questões atuais sem escapar dos moldes dos anos 70. Questionada sobre seus principais desafios na adaptação, Berloff explicou: “Em primeiro lugar, precisava ser divertido. Se ele não entretém, ninguém vai assistir (…) Em segundo lugar, eu quis me certificar que eu estou contando uma história que tem nuances o suficiente para ser trazida para os dias de hoje”. Afinal de contas, ela conclui, o objetivo final, além de entreter, foi inspirar: “Eu espero que seja inspirador. As mulheres deveriam querer estar no poder, deveriam saber como é ter poder na sua comunidade, no seu mundo”.

O que animou a cineasta para a temática veio de um sentimento específico de explorar a ascensão das minorias, temática mais do que atual. Berloff descreve que a aventura de imaginar a dominação feminina em um cenário ou local de trabalho tão tradicionalmente masculino é um exercício intrigante, já que a união de mulheres em poder é definitivamente diferente do cenário familiar liderado pelas figuras masculinas. Em última instância, o molde que Berloff usou em Rainhas do Crime é certamente atual: “O mundo está começando a entender que se você não dá poder a certas pessoas, se você não dá chance, você não pode se surpreender quando elas quiserem derrotar o sistema”.

Rainhas do Crime estreia em 8 de agosto.

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