Um bate-papo sobre viagens com a atriz Lupita Nyong’o

Vencedora do Oscar, artista queniana fala sobre seu lado turista
Tariro Mzezewa / 2019 / The New York Times

Nyong’o credita sua mãe por sua autoconfiança: “Ela é digna nas coisas que sabe e é digna nas coisas que não sabe”. CreditRoger Kisby for The New York Times

Quando o produtor Simon Fuller procurou Lupita Nyong’o para saber se ela estaria interessada em ser a narradora de seu novo projeto – um documentário sobre vida selvagem dirigido por John Downer –, a atriz queniana nascida no México ficou intrigada, mas, depois de assistir a dois episódios, aceitou o convite.

Nyong’o sabia que esses programas podem ser triviais e repetitivos, contando a mesma história de vida dos animais na natureza. Entretanto, “Serengeti” se destacou pela atenção especial dada a espécimes específicos e seu dia a dia, o que pode incluir brigas dentro do próprio clã, a busca por parceiros e a luta pela sobrevivência quando o inimigo/predador está pronto para atacar.

Filmado em uma reserva na Tanzânia ao longo de dois anos, o programa parece mais uma série dramática do que um documentário, mas é exatamente por isso que chama a atenção. Acompanha a rotina de vários animais do parque, inclusive Kali, uma leoa exilada do próprio bando que luta para criar os filhotes sozinha; Bakari, um babuíno que tenta reconquistar a afeição de uma fêmea que se encantou por um rival; e Zalika, uma hiena que se tornou cabeça do clã muito antes do que esperava. O ator britânico John Boyega é quem narra a versão britânica, que estreou no BBC One este mês.

Ao longo de seis episódios, o público tem a chance de conhecer melhor os animais “de sua própria perspectiva”, como descreve Nyong’o, e se envolver em suas jornadas e experiências, da mesma forma que acaba cativado por personagens humanos de outras séries e filmes.

Com estreia nos EUA marcada para agosto, no Discovery Channel, Nyong’o contou ao “The New York Times” por que aceitou narrar o documentário e quais são seus destinos de viagem favoritos.

P: Tem alguma viagem interessante marcada para breve?
R: Infelizmente, não, mas tenho muita vontade de ir ao Brasil, que não conheço ainda.

P: Para onde você gosta de viajar?
R: Adoro o México e Nova Orleans, e amo meu país. A África Oriental é incrível. A vida inteira fiz safáris e a cada vez a experiência se torna mais grandiosa, mais fascinante, mais maravilhosa. Nunca perde o encanto e nunca é a mesma coisa. Na verdade, o tempo meio que para, porque você acorda cedo e sai somente para observar, procurar, ouvir.

P: Tem alguma coisa imprescindível para as suas viagens?
R: Essa pergunta é difícil. Colírio.

P: Alguma dica de cuidado com a pele nas viagens?
R: Protetor solar é essencial, mas também acho superimportante encontrar produtos que não sejam tóxicos para o mundo em que vivemos. Tenho sempre comigo óleo de calêndula, maravilhoso para queimaduras, arranhões e ferimentos. Tive uma insolação brava e ele me aliviou em apenas uma noite. É sensacional. Acho que é outra coisa que não posso deixar de levar.

P: Há alguma coisa especial que goste de fazer sempre que viaja?
R: Adoro viajar para explorar a natureza. Prefiro lugares como monumentos naturais ou algum lago. Gosto de observar, de uma boa caminhada. Visitei o Grand Canyon há pouco tempo e foi sensacional. Aí está outro lugar que faz a gente se sentir pequenininho. É de dar nó na cabeça. Ajuda a lembrar quanto somos insignificantes.

P: Qual é seu meio de transporte favorito?
R: Adoro trem porque dá para você ver bem o interior – e o barulho que faz, tchug, tchug, tchug. Você vê o mundo ali passando na sua frente, aquela enormidade de terra. É bem pitoresco.

P: O que exatamente a atraiu em “Serengeti”?
R: Depois de ver os dois primeiros episódios, fiquei apaixonada pelo projeto do Simon e já tinha sido fisgada. Foi muito legal porque aprendi muita coisa sobre animais específicos. Você desenvolve uma relação com eles e descobre como funciona a dinâmica da espécie, do clã. É como se vocês criassem uma relação pessoal.

Já assisti a vários documentários desse tipo, mas nunca vi nenhum que tivesse sido narrado por africanos, quanto mais mulheres. Ser as duas coisas e poder contar essa história é legal demais.

P: O que há de diferente nesse documentário em relação aos outros?
R: A novidade aqui é que o público passa muito tempo com “personagens” muito particulares, tem a chance de ver as coisas do ponto de vista do próprio animal, e acho que é por isso que acaba virando uma história sua. E quando digo isso é porque me identifico muito com o que representa e porque significa muito. É uma história inclusiva.

P: O que você diria a alguém que se mostrasse curioso em relação ao documentário, mas que não fosse lá muito chegado em animais, nem conhecesse bem o Serengeti?
R: Cada um na sua, acho. Mas também é superimportante reconhecer que não é a natureza que precisa de nós, mas o contrário.

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