Marcus Ohlsson for S Moda with Saskia de Brauw

Photography: Marcus Ohlsson. Styling: Natalia Bengoechea. Hair: Shingo. Makeup: Linda Gradin. Model: Saskia de Brauw.

Chris Martin aproveita praia ao lado de ex, Gwyneth Paltrow, e atual, Dakota Johnson

Brad Falchuk, atual marido da atriz de Os Vingadores, também estava presente

Chris Martin aproveita praia ao lado de ex, Gwyneth Paltrow, e atual, Dakota Johnson
Chris Martin aproveita praia ao lado de ex, Gwyneth Paltrow, e atual, Dakota Johnson – Grosby Group

O rompimento de Chris Martin, 42, e Gwyneth Paltrow, 46, não os impediu de serem amigos. O vocalista da banda Coldplay foi fotografado na companhia da ex e da atual, Dakota Johnson, 29, nesta quinta-feira (8). Eles aproveitaram o sol em uma praia dos Hamptons, nos Estados Unidos. 

O atual marido de Paltrow, Brad Falchuk, também estava presente e curtiu o dia ensolarado com a amada e os amigos. Apple, 14, e Moses, 12, fruto do casamento de Paltrow e Martin, não acompanharam os casais.

Especulou-se, no início do ano, que o cantor seria pai pela terceira vez, mas a atriz de Cinquenta Tons de Cinza desmentiu a notícia. O casal reatou recentemente, após rompimento em junho. Eles já estão há dois anos juntos.

Após o término do casamento, há cinco anos, Martin e Paltrow decidiram manter um bom relacionamento. Conforme declaração anterior da atriz, eles estavam destinados a ficar juntos: “Somos amigos, parentes, uma família”. 

Gwyneth se casou em setembro do ano passado com Brad Falchuk, produtor da série American Horror Story. Questionada se deseja ter mais filhos, ela respondeu: “Meu Deus, não. Estou muito velha. É maravilhoso que as mulheres possam ter filhos depois dos 40, mas eu não creio que conseguiria ficar acordada a noite toda, eu não sobreviveria”.

Um glossário de cultura pop para “Era Uma Vez em… Hollywood”, de Tarantino

Filme está repleto de referências a programas de TV, filmes e outros totens da Los Angeles da metade do século 20
Bruce Fretts

Leonardo DiCaprio em ‘Era Uma Vez em… Hollywood’

NOVA YORK | THE NEW YORK TIMES – Não é coincidência que o titulo “Era Uma Vez em… Hollywood” evoque, como A.O. Scott mencionou em sua critica no The New York Times, “tanto histórias de ninar bem quanto um par de obras-primas de Sergio Leone”.

O mais recente filme de Quentin Tarantino, passado em Los Angeles em 1969, combina personagens de ficção e celebridades reais, séries de TV, filmes e marcos históricos da era, ao contar a história de Rick Dalton (Leonardo DiCaprio), um astro de TV inventado, e seu dublê de ação igualmente fictício, Cliff Booth (Brad Pitt).

Na realidade alternativa de Tarantino, Rick mora em Benedict Canyon, em Cielo Drive, bem ao lado de Sharon Tate (Margot Robbie), uma atriz real casada com o cineasta polonês Roman Polanski e que estava bem adiantada no seu oitavo mês de gravidez quando foi brutalmente assassinada, em companhia de hóspedes que estavam em sua casa, por membros do culto liderado por Charles Manson.

Abaixo um glossário, para ajudar a distinguir entre as referências reais e as falsas. Alerta: diversos “spoilers” adiante!

Morey Amsterdam e Rose Marie
Os atores que interpretavam os amigos do astro em “The Dick Van Dyke Show” são mencionados como convidados da próxima semana por Allen Kincaid (Spencer Garrett), um jornalista fictício de Hollywood que abre o filme entrevistando Rick e Cliff.
 
“Batman”
A série de TV (1966-68) é mencionada zombeteiramente pelo personagem de Al Pacino, um figurão fictício do cinema chamado Marvin Schwarzs – não confundir com Marvin Schwarz, que produziu “Hard Contract”, filme de sucesso sobre um assassino de aluguel, lançado em 1969. Os astros de “Batman”, Adam West e Burt Ward, também podem ser ouvidos nos créditos finais do filme, promovendo um concurso na KHJ-AM, uma estação de rádio real.
 
“The Big Valley” e “Bonanza”

Esses westerns de TV – o primeiro estrelado por Barbara Stanwyck, o segundo por Lorne Greene – são criticados por Sam Wanamaker (ator real tornado cineasta, interpretado por Nicholas Hammond). Wanamaker diz a Rick que quer que o western de TV que eles estão fazendo juntos, “Lancer”, seja mais antenado do que essas séries antiquadas.
 
“C.C. and Company”
Esse drama sobre motociclistas, de 1970, estrelado por Joe Namath e Ann-Margret, é promovido em um trailer quando Tate vai ao cinema ver um de seus próprios filmes.
 
Cinerama Dome e The Vine Theather
Esses dois cinemas reais aparecem em uma montagem de marcos locais que também inclui a cadeia de cachorros-quentes Der Wienerschnitzel, os restaurantes El Coyote, Casa Vega e Chili John’s, e a loja de fantasias e adereços de época Supply Sergeant.
 
“Combat!”
O drama de guerra estrelado por Vic Morrow é anunciado na lateral de um ônibus.
 
Sergio Corbucci

Cineasta italiano real citado como “o segundo melhor diretor de westerns-espaguete no mundo inteiro” (presumivelmente abaixo de Leone). Os filmes reais de Corbucci incluem “The Great Silence” [no Brasil, “O Vingador Silencioso”], um favorito cult de 1968 relançado recentemente, mas Tarantino o credita como diretor do imaginário “Nebraska Jim”, estrelado por Rick. Durante a passagem de Rick pela Europa, ele também trabalha com Telly Savalas, o astro de “Kojak”, que trabalhou de fato em diversos westerns italianos, e se casa com Francesca Capucci, uma atriz fictícia.
 
“Don’t Make Waves”
Comédia erótica [no Brasil, “Não Faça Onda”], estrelada por Tate, Tony Curtis e Claudia Cardinale, em 1967, celebrada em um cartaz na casa dela em Cielo Drive.
 
Ron Ely
O astro da série de TV “Tarzan” (1966-68) é mencionado por Rick – que apareceu recentemente como convidado do programa -, e pelo personagem de Pacino, que pronuncia incorretamente o sobrenome do astro, como “I-lai” (a pronuncia certa é “I-li”)
 
Fabian
O ator-cantor é mencionado como tendo abandonado seu papel em “The 14 Fists of McCluskey”, o falso filme de Rick sobre a Segunda Guerra Mundial, depois de sofrer uma fratura no ombro nas filmagens do western televisivo “The Virginian”. Fabian fez the fato três participações em episódios de “The Virginian” entre 1963 e 1966.
 
“The FBI”
Esse drama televisivo sobre crime, no ar entre 1965 e 1974, é mencionado diversas vezes. George Spahn– proprietário do rancho em que a família Manson vive – gosta de assisti-lo. Em companhia de Cliff, Rick se vê inserido como convidado no episódio real “All the Streets Are Silent”, de 1965.
 
Wojciech Frykowski e Abigail Folger
O ator polonês e a herdeira do império Folger de café (interpretados por Costa Ronin e Samantha Robinson) estavam hospedados em Cielo Drive e foram mortos em companhia de Tate.
 
“Hobbo Kelly”
O programa infantil exibido pela TV KCOP em Los Angeles durante as décadas de 1960 e 1970 é visto em um anuncio em um ponto de ônibus.
 
“The Golden Stallion”
Um cartaz desse filme de Roy Rogers [no Brasil, “Cavalgada de Ouro”], de 1949, decora a parede da casa de Rick.
 
Robert Goulet
O cantor é visto interpretando “MacArthur Park” na TV.
 
“The Green Hornet”
Essa série de TV, de 1966-67, coestrelada por Bruce Lee (como Mike Moh), é parte de um flashback sobre o momento em que Cliff sabotou sua carreira. O dublê entra em uma briga com o mestre das artes marciais no estúdio e danifica o carro da mulher de um coordenador fictício de dublês (Kurt Russel).
 
Heaven Sent
O perfume de Helena Rubinstein é veiculado em um comercial de rádio. Outros comerciais em áudio incluem uma promoção para a adaptação de “The Illustrated Man”, romance de ficção cientifica de Ray Bradbury, adaptado para o cinema em 1969.
 
Dennis Hopper
O astro e diretor hippie de “Easy Rider” [“Sem Destino”, no Brasil] é mencionado quando Tex Watson (Austin Butler) e outros membros da família Manson aparecem em Cielo Drive. Rick, bêbado, compara Tex sarcasticamente a Hopper.
 
“Hullabaloo”
Esse programa de dança, de 1965-66, é recriado em um vídeo que mostra Rick dançando com um grupo de jovens mulheres ao som de “The Green Door” sucesso de Jim Lowe, em 1956.
 
KHJ
Essa estação real de rádio é ouvida ao longo de todo o filme, com destaque para os apresentadores Real Don Steele e Robert W. Morgan.
 
“Kid Colt Outlaw”
Quadrinho de faroeste da Marvel, visto no trailer de Cliff.
 
“Lady in Cement”
Esse mistério de 1968 [no Brasil, “A Mulher de Pedra”], com Frank Sinatra e Raquel Welch, é exibido na tela do Van Nuys Drive-In, hoje fechado.
 
“Lancer”
Foi um western da CBS (1968-70) que, na versão de Tarantino, escalou Rick como vilão convidado. No set, ele conhece os astros James Stacy e Wayne Maunder, que interpretavam irmãos nessa historia sobre rancheiros (aqui retratados por Timothy Olyphant e Luke Perry). Rick também esbarra em uma atriz jovem porém experiente chamada Trudi Fraser (Julia Butters), que pode ter sido inspirada por Jodie Foster, que trabalhou como convidada em “Gunsmoke” e outras séries de TV da era, quando criança. O patriarca de “Lancer” Andrew Duggan, é visto de relance na capa da revista TV Guide.
 
“Land of the Giants”
A série de ficção cientifica do produtor Irwin Allen (1968-70) [no Brasil, “Terra de Gigantes”], teria escalado Rick para um episódio.
 
The Mamas and the Papas
Membros da banda que gravou “California Dreamin'” -entre os quais Michelle Phillips (Rebecca Rittenhouse) e Mama Cass Elliot (Rachel Redleaf) – participam de uma festa na Playboy Mansion. Folger aparece cantando “Straight Shooter.”, sucesso da banda em 1966.
 
Membros da família Manson
Diverso acólitos de Charles Manson na vida real são retratados. Lynette “Squeaky” Fromme (Dakota Fanning), que aparece como amante de Spahn, tentou assassinar o presidente Gerald Ford em 1975. Susan “Sexy Sadie” Atkins (Mikey Madison) e Patricia “Katie” Krenwinkel (Madisen Beaty) foram condenadas pela participação nos homicídios na casa de Tate. Creditada apenas como ” Flower Child” no filme (onde ela é interpretada por Maya Hawke, filha de Uma Thurman e Ethan Hawke), Linda Kasabian serviu como olheira em Cielo Drive e mais tarde depôs contra seus cúmplices. Outros membros reais da quadrilha incluem Catherine “Gypsy” Share (Lena Dunham), e Dianne “Snake” Lake (Sydney Sweeney). Pussycat (Margaret Qualley), que flerta com Cliff, parece ser invenção de Tarantino.
 
Andrew V. McLaglen
O veterano diretor e produtor de programas de TV (“Gunsmoke”) e filmes (“The Undefeated” [no Brasil, “Jamais Foram Vencidos”]) é mencionado como grande empregador de dublês.
 
“Mannix”
Essa série passada em Los Angeles e estrelada por Mike Connors como investigador particular é uma das diversas que o agente interpretado por Pacino menciona ao tentar convencer Rick de que seu futuro está nos westerns-espaguete e não em interpretar o vilão da semana em séries como essa, Batman e outras.
 
Steve McQueen
Conhecido como “King of Cool” (interpretado por Damian Lewis), o ator fez o papel principal em “The Great Escape” [no Brasil, “Fugindo do Inferno”], supostamente derrotando Rick para conquistá-lo.
 
Terry Melcher e Dennis Wilson
Melcher, produtor de discos e filho de Doris Day, era o locatário anterior da casa em Cielo Drive e trabalhava com Wilson, baterista dos Beach Boys. Manson, um musico frustrado, era o coautor de uma versão inicial de uma canção dos Beach Boys, mas Melcher não quis lhe dar um contrato de gravação. Manson foi à casa procurando por Melcher, sem saber que os novos moradores eram Tate e Polanski. Manson mais tarde ordenou que seus seguidores voltassem ao local e matassem todos que encontrassem lá.
 
“The Mercenary”
O cartaz desse western [no Brasil, “Os Violentos Vão para o Inferno”], que Corbucci lançou em 1968, pende da parede do cinema em Bruin-Westwood Village onde Tate vai assistir a um de seus filmes.
 
Musso & Frank Grill
O lendário restaurante é o lugar do encontro em que Schwarzs tenta contratar Rick pela primeira vez.
 
“The Night They Raided Minsky’s”
Essa comédia burlesca [no Brasil, “Quando o Strip-Tease Começou”], do cineasta William Friedkin (1968) é mencionada na fachada de um cinema.
 
Paul Revere & The Raiders
O álbum “The Spirit of ’67” toca na vitrola de Tate. Ela admite que a banda não é tão bacana quando Jim Morrison e o Doors.
 
George Peppard, George Maharis e George Chakiris
Os três atores  – talvez mais conhecido por “Bonequinha de Luxo”, “Rota 66” e “Amor Sublime Amor”, respectivamente – também foram derrotados por McQueen na disputa pelo papel principal de “The Great Escape”, de acordo com Tarantino.
 
George Putnam
O veterano apresentador de noticias locais é visto em um anúncio em um ponto de ônibus.
 
“Romeu e Julieta”
A adaptação da peça de Shakespeare por Franco Zeffirelli (1968) é anunciada na fachada de um cinema.
 
Jay Sebring
O cabeleireiro de Hollywood (Emile Hirsch), teve um envolvimento romântico com Tate antes de ela se casar com Polanski, e morreu em sua companhia como vitima do clã de Manson.
 
Shorty Shea
Ex-dublê, esse empregado na propriedade de Spahn (mencionado mas não visto no filme) foi morto pela gangue de Manson.
 
Connie Stevens
A atriz e cantora (Dreama Walker) foi casada com James Stacy, coastro de “Lancer”, entre 1963 e 1966, e com o ídolo pop Eddie Fisher entre 1967 e 1969; ela faz uma cavalgada pelo Spahn Ranch, conduzida por Tex Watson.
 
“Tess of the D’Urbervilles”
O romance (1891) de Thomas Hardy é comprado por Tate como presente para Polanski. Uma década depois da morte dela, o cineasta o adaptou [no Brasil, “Tess – Um Lição de Vida”], com Nastassja Kinski no papel-título .
 
“3 In the Attic”
Essa comédia erótica de 1968, estrelada por Yvette Mimieux, passa na TV.
 
“Valley of the Dolls”
Sucesso de Tate em 1967, o filme [no Brasil, “O Vale das Bonecas”], baseado em um best-seller de Jaqueline Susann sobre abuso de remédios, é citado pela bilheteira (Kate Berlant) no cinema de Bruin-Westwood. Ela está tentando explicar ao gerente quem é Tate (ele inicialmente a confunde com Patty Duke e Barbara Parkins, suas coestrelas no filme).
 
John Wayne
O Duke aparece na capa da revista capa Time em 8 de agosto de 1969 para promover seu papel em “True Grit” [no Brasil, “Bravura Indômita”], que terminou por lhe valer um Oscar. Os homicídios em Cielo Drive ocorreram pouco depois da meia noite naquela data.
 
“The Wrecking Crew”
Tate vai ao cinema para se ver esse filme de 1969 [no Brasil, “A Arma Secreta Contra Matt Helm”], em que ela contracena com Dean Martin. O que se vê na tela é o filme original – e a Tate original.
 
Tradução de Paulo Migliacci

Jornalista e cineasta ucraniana Anastasia Mikova fala sobre filme que dá voz a mulheres de 50 países

Anastasia Mikova conversou pessoalmente com mil personagens para o documentário; cem delas estarão no filme “Woman”
Fernando Eichenberg, de Paris

Ao longo de três anos e meio, Anastasia conversou pessoalmente com mil personagens para o documentário; cem delas estarão no filme, que também vai virar livro e exposição Foto: Divulgação/Peter Lindbergh

Mikova , 37 anos, exibia um sorriso de satisfação ao chegar para a entrevista em um ensolarado pátio no bairro de Montmartre, na capital francesa, nas proximidades de sua casa. Há dois dias, havia finalizado a fase de montagem de seu mais novo filme, “Woman” , codirigido pelo célebre fotógrafo e cineasta francês Yann Arthus-Bertrand . Foram mais de duas mil entrevistas com mulheres, realizadas por três anos e meio em cerca de 50 países. A ideia surgiu durante as filmagens da precedente obra da dupla, “Human” (2015), uma imersão no ser humano por meio de depoimentos recolhidos pelos quatro cantos do planeta. “Ao fazer entrevistas para o ‘Human’, me impressionou uma necessidade visceral nas mulheres de contar suas histórias, bem mais do que nos homens. Quando sua voz é oprimida por séculos, torna-se algo quase físico. E quando libera, é um poço sem fundo. Encontramos mulheres nos mais diferentes e longínquos lugares, por quem nunca ninguém se interessou, e dissemos a cada uma delas: ‘Você é importante, quero ouvir a sua história’. No início, elas se mostravam desconfiadas, mas depois que entendiam o que fazíamos, passava-se algo incrível, se abria uma porta, como um vulcão que entrava em erupção”, conta.

O gosto pela descoberta e a curiosidade pelo humano e o mundo emergiram cedo em sua vida. Seu modelo “total e absoluto” é a mãe, Rita, que, adolescente, partiu sozinha da aldeia em que vivia em Nagorno-Karabakh, região entre a Armênia e o Azerbaijão, para estudar em Kiev, na Ucrânia. “Ela nasceu em uma família pobre de cinco irmãos. Sua mãe morreu quando ela tinha apenas dois anos. Aos 17, disse que ia para a universidade. Ninguém a encorajou. Foi para casa de um tio, em Kiev. Durante vários anos foi duro, tinha três trabalhos e estudava ao mesmo tempo. Quando vejo tudo o que ela conseguiu, quem sou eu ao seu lado?”, indaga.

A partir dos anos 1990, quando se abriram as fronteiras do bloco soviético, a mãe enviava a jovem Anastasia para temporadas na Itália ou na França, em programas para vivenciar outras culturas e aprender novos idiomas. “A cada verão, passava um mês em algum país estrangeiro. Tinha 10, 11 anos, e ela me dizia: ‘Vá viajar, ver o mundo e como vivem as outras pessoas, quero que você tenha um horizonte mais amplo’”. O pai, Igor, já falecido, fazia documentários, a maioria com temática do reino animal, uma influência também nos destinos da filha. “Ele estava sempre com uma câmera na mão. Cheguei a essa profissão de forma inconsciente, nunca me disse que era minha vocação. Mas, intrinsecamente, já tinha isso desde a infância”.

Em 1998, aos 17 anos, a exemplo da mãe, Anastasia partiu para estudar em outro país. Escolheu cursar História em Paris. “Não era um sonho, mas uma evidência. Fui preparada para uma vida independente. Não conhecia ninguém em Paris, uma enorme cidade, com muitas coisas acontecendo. Isso faz você se questionar e amadurecer muito rápido”.

Depois de ter passado pelas revistas “Figaro Magazine” e “Marie Claire”, foi trabalhar na série documental sobre ecologia “Vu du ciel”, para a tevê pública francesa, onde encontrou Arthus-Bertrand, amigo e parceiro profissional até hoje. Ter participado da equipe do filme “Human” transformou sua maneira de encarar a vida. “Encontrei pessoas pelo mundo que partilharam comigo coisas difíceis que viveram, em histórias que nunca haviam contado para ninguém. Só em falar nisso me sinto arrepiada. Desde esse momento, não há mais fronteira na minha vida entre o que faço e o que sou, tornou-se um todo. É algo que te penetra de alguma forma. Em tudo que faço, hoje, procuro um sentido talvez exacerbado. É quase uma missão. ‘Human’ foi o momento em que me conscientizei disso”.

Anastasia com Denilse, de 16 anos, que conheceu em um mercado de Cabo Verde Foto: Divulgação
Anastasia com Denilse, de 16 anos, que conheceu em um mercado de Cabo Verde Foto: Divulgação

A experiência se aprofundou em “Woman”, em que fez mais da metade das duas mil entrevistas realizadas para o filme, com pré-estreia mundial no Festival de Veneza, que começa no fim do mês, e tem lançamento previsto no início de 2020. Apenas cem aparecerão na versão de 1h45min para o cinema, mas todas as demais estarão presentes de alguma forma no formato digital, na exposição e livro que acompanham o projeto. Segundo ela, 70% do filme poderia, infelizmente, tratar somente das violências sofridas pelas mulheres: “Mas fizemos a escolha de mostrar que elas não são apenas isso. Além de educação ou emancipação, abordamos também temas íntimos, como menstruação, orgasmo, a relação com o corpo. Ainda assim, boa parte do filme é dedicada à violência, porque se trata de uma realidade. O Brasil me surpreendeu por isso, é um país em que a violência está tão normalizada, a mulheres falam como uma evidência e, por vezes, não se mostram revoltadas”.

A palavra que resume, para ela, o teor do projeto “Woman” é “resiliência”: “A resiliência das mulheres pode fazer milagres. Estamos em um momento crucial da História: as mulheres estão prontas a ver o mundo de forma diferente e, sobretudo, não querem mais que os homens decidam por elas. Este filme é um espelho para as mulheres — de alguma forma, todas se reconhecerão nele —, mas não é feito por elas somente para elas, mas também para os homens, pois é uma janela para um mundo que eles não conhecem. Tudo o que fazemos, eu e Yann, é sobre o viver junto. Tentemos nos compreender mais e certamente que vai melhorar, para os dois lados.”

Filha de Oskar Metsavaht, Caetana participa da criação da coleção de verão 2020 da Osklen

Ela se junta aos herdeiros da moda carioca, como Thomaz e Sharon Azulay e Maxime Perelmuter, que foram influenciados por seus respectivos pais
Gilberto Júnior

Caetana e Oskar Foto: Miguel Sá

Caetana mira o pai, o estilista Oskar Metsavaht, ao ser questionada sobre o que levou para a Osklen. A situação  é inédita e requer um tiquinho de ajuda. Afinal, a coleção de verão 2020 foi a primeira em que a moça, de 26 anos, participou ativamente da concepção das roupas e dos acessórios. “Não precisa me olhar”, diz Oskar. “Sinceramente, não sei mesmo. É tudo tão natural e genuíno. Estou nesse universo desde que nasci. É como respirar”, comenta a herdeira. “Sempre colaborei com a marca de alguma maneira. Mas acredito que eu trouxe uma pegada mais ‘menininha’, acrescentei lacinhos e aumentei a linha de biquíni por me identificar com a praia. Foi uma delícia.”

Oskar e Caetana: moda unindo pai e filha Foto: Miguel Sá

Formada em Moda pela PUC-Rio, Caetana trilha um caminho parecido — mas com suas particularidades — com os dos estilistas Thomaz Azulay, Sharon Azulay e Maxime Perelmuter, filhos de Simão Azulay David Azulay e Georges Henri, respectivamente. Ao contrário dos colegas, que ficaram órfãos cedo, ela pôde contar com a orientação do pai durante o processo de criação. O briefing do trabalho, inclusive, foi passado por Oskar.

“Não temos conflitos de ideias. Há um ou outro contra-argumento. Minha filha convive comigo, mas ela atua ao lado da equipe de design, certo? Caetana complementa o que eu faço na grife, sob um ponto de vista feminino e jovem”, comenta o fundador da Osklen. “É importante ressaltar que não estamos a lançando como nossa nova estilista.”

Na verdade, a carioca, que tem voz no estilo, cuida do posicionamento da marca no mercado americano, diretamente de Nova York. “Consegui entrar na empresa, anos atrás, por ser filha de quem sou. Mas sei o que estou fazendo. Não é um passatempo.”

Sharon Azulay Foto: Leo Martins/Agência O Globo
Sharon Azulay Foto: Leo Martins/Agência O Globo

Sharon, de 28 anos, não teve a oportunidade de desenvolver uma coleção com David, morto em 2009, mas os “mandamentos” do pai não saem da sua cabeça quando está desenhando as peças da BlueMan.

Sharon e David Foto: Arquivo pessoal
Sharon e David Foto: Arquivo pessoal

“Aos 17, herdei o negócio da família. Não era meu plano nem estava preparada. Fui criada para ser livre e fazer o que bem quisesse. Mas aconteceu. Papai dizia constantemente que nossa referência é a praia real. E tento ao máximo não me desviar dessa direção. Se eu soubesse que ele iria partir tão rápido, teria absorvido mais. Era uma adolescente e não dava tanta atenção.”

Thomaz e Simão (na foto) Foto: Márcio Alves / Agência O Globo
Thomaz e Simão (na foto) Foto: Márcio Alves / Agência O Globo

Primo de Sharon, Thomaz perdeu o pai cedo, com apenas 2 anos. Ele foi aprendendo ao longo da vida quem foi Simão, o criador da emblemática Yes, Brazil. “Minha avó paterna, Sol, dizia que ele era o inventor do jeans detonado”, recorda o estilista. “Conforme fui crescendo, passei a filtrar as informações e a entender a relevância de papai para a moda brasileira. Em todos os momentos da minha carreira, usei de alguma forma seu legado.” Na nova coleção da The Paradise, o designer, de 33, presta uma homenagem à obra de Simão. “Foi emocionante. Resgatei o que tinha valor sentimental para mim. Fiz releituras literais e interpretações.”

Maxime com o pai, Georges Henri, e a mãe, Giovanna Foto: Arquivo Pessoal
Maxime com o pai, Georges Henri, e a mãe, Giovanna Foto: Arquivo Pessoal

Maxime, atual diretor criativo da linha masculina da Mr. Cat (a estreia será no inverno 2020), guarda alguns tesouros do pai, o estilista Georges Henri, no armário. “Ele morreu quando eu tinha 12 anos. Valorizo muito nossa curta convivência. Pude acompanhá-lo em ação com sua equipe, ouvindo as trilhas dos desfiles em casa. Éramos amigos, confidentes. Cheguei a escrever num trabalho de escola que gostaria de ser designer como papai”, conta. Aos 40, o carioca confessa que nunca teve “aquela coisa de viver à sombra” de Georges. “Moda está no meu DNA.”

Maxime Perelmuter Foto: Marcos Ramos/Agência O Globo
Maxime Perelmuter Foto: Marcos Ramos/Agência O Globo


Florian Semanaz for Honey Birdette Bodyguard Campaign with Sarah Stephens

Apresentamos a última campanha da marca de lingerie australiana Honey Birdette, BODYGUARD.

Fotografada na ensolarada cidade de Los Angeles, a campanha segue a modelo e atriz nascida na Austrália, Sarah Stephens, enquanto escapa às demandas de Hollywood por uma fuga secreta em Beverly Hills com seu séquito de segurança.

Apresentando nove coleções; composta por conjuntos de lingerie, playsuits, peças prontas para usar e dois estilos de natação de edição limitada, a campanha é dominada por uma paleta de cores monocromáticas ao lado de vermelho, roxo, azul e estampa de leopardo.

Estilos sem alças e flexíveis são fundamentais, enquanto uma combinação de formas é abundante com decotes profundos, alças sedutoras e silhuetas ajustáveis.

Cada peça é terminada com a máxima atenção aos detalhes, seja em seu hardware de ouro rosa personalizado, delicados acessórios de prata, jóias de cristal, bordado suíço exclusivamente projetado e rendas italianas suaves.

Dia dos Pais: novas configurações familiares ressignificam a data, celebram a diversidade e mostram que o amor não cabe em um só formato

Celina conversou com três famílias que trazem um novo sentido para datas comemorativas tradicionais
Alice Cravo e Leda Antunes

Novas configurações familiares ressignificam o Dia dos Pais, celebram a diversidade e mostram que a felicidade não cabem em um só formato Foto: Arte de Nina Millen

O conceito de família mudou e com ele o significado das datas comemorativas tradicionais, como o Dia dos Pais. Com as novas configurações familiares se tornando cada vez mais comuns na sociedade, casais lésbicos, homens trans e casais gays trazem um novo sentido para a celebração.

CELINA conversou com três dessas famílias para mostrar como elas lidam coma data e a ressignificam, celebrando a diversidade e mostrando que o amor e a felicidade não cabem em um formato único.

‘O importante é a família, pessoas que estão juntas pelo amor’

Na casa da arquiteta Cinthia Monteiro e da radialista Giseli Domingos, ambas de 38 anos, o Dia dos Pais é uma data para celebrar a família. As duas são mães do Miguel, de 4 anos, e, em alguns meses, terão mais um filho — Cinthia está grávida de três meses.

Giseli, Miguel e Cinthia Foto: Arquivo pessoal

— A gente sempre explicou para o Miguel que o importante é a família, que são as pessoas que estão juntas pelo amor um pelo outro. Então podem ser dois pais, duas mães, os avós, os tios. Na nossa família, fomos mudando aos poucos a ideia de que a data é só para celebrar a figura do pai. Nós celebramos a família — conta a arquiteta.

Os domingos de Dia dos Pais costumam ser comemorados com as famílias das duas, mas nem sempre foi assim. Juntas há 10 anos, elas contam que, como vêm de famílias bastante tradicionais do interior de São Paulo, no início enfrentaram algumas dificuldades para que o relacionamento fosse bem aceito. Mas, alguns anos depois, quando decidiram ter o primeiro filho, as famílias demonstraram mais curiosidade pelo processo do que resistência.

— Ninguém entendia muito como ia funcionar, ninguém tinha conhecimento de como é uma fertilização — diz Cinthia. — Depois que o Miguel nasceu, a gente viu nossa família se transformar. O Miguel mudou a nossa vida de uma maneira muito intensa e especial — completa.

Cinthia e Giseli afirmam que desde cedo explicaram para Miguel que não há diferença entre as diversas formações familiares e que ele não questiona o fato de ter duas mães. O menino inclusive participa das apresentações de Dia dos Pais na pré-escola homenageando às duas.

— Na escolinha está sendo tratado o Dia dos Pais, aí ele nos questiona se pode cantar para as duas mamães . E é claro que pode. A gente trata com muita naturalidade essa questão para não estigmatizar. Se ele tem vontade, ele participa, e nós participamos junto com ele — afirma Cinthia.

— A gente sempre explica que se dá o nome de pai quando é um menino que tem um filho e nome de mãe quando é uma menina. Mas aí pode ser pai e mãe, mãe e mãe, pai e pai. Para ele, não existe a falta de uma figura paterna — reforça Giseli.

Elas contam que nunca tiveram problemas nas escolas onde Miguel estudou, mas já insistiram para que seja comemorado o Dia da Família, para que todas as composições familiares sejam contempladas no ambiente escolar. A mudança ainda enfrenta resistência e, enquanto ela não vem, elas participam das comemorações do Dia dos Pais, para que Miguel não se sinta excluído dos rituais. Neste domingo, em casa, a comemoração será um pouco diferente porque apenas o pai de Cinthia está na cidade. Mas, sem dúvida, será repleta de amor.

‘Quando ele me chamou de pai foi o dia mais feliz da minha vida’

O pequeno Pedro tinha apenas um mês de vida quando conheceu Kauê. Com o passar dos meses, Pedro começou a chamá-lo de “pai”, antes mesmo de chamar sua mãe de “mãe”. Para o Dia dos Pais desse ano, Kauê, de 25 anos, escolheu um lugar especial para a comemoração: o Parque Madureira.

Kauê e Pedro, de três anos Foto: Arqueivo pessoal

— O Pedro ama carro e lá tem muito. Ele vai gostar, vai ficar feliz — conta Kauê.

Jogador de futebol, Kauê faz parte do time BigTBoys, formado por homens trans. Embora Pedro seja seu fã número um, o menino de três anos prefere mesmo os super heróis.

A relação dos dois começou com a amizade do Kauê com Thais, a mãe do Pedro. Na época, o pai biológico do menino não era muito presente e Kauê acabou virando “pai do coração”.

— Eu sempre amei criança, era maluco para ser pai. Quando o Pedro me chamou de pai, eu vi que ele sentia por mim o mesmo que eu sentia por ele. Foi o momento mais feliz da minha vida — conta Kauê. — Hoje, o Pedro passa o Dia dos Pais com o pai biológico, mas não deixamos de comemorar. Ele é o meu filho, um anjo que apareceu na minha vida.

‘Foi uma adoção diferenciada’

Há três anos e oito meses, Gabriel e Roberto se tornaram pais da Liz e do Bento. Ao mesmo tempo, Rômulo, irmão de Roberto, e sua esposa, Júlia, se tornaram pais de Nina e Elisa. As quatro crianças, que são irmãs, foram adotadas pela família, criando uma configuração familiar inusitada, formada por primos-irmãos.

— A gente estava na fila de adoção, habilitados, e o meu irmão estava bem atrás da gente. Quando chegou a minha vez, descobri que eram quatro irmãos. Seria muito complicado para a gente — conta Roberto, que falou sobre o irmão com o assistente social. — Sugeri de deixar duas crianças comigo e duas crianças com ele. Assim, elas seriam adotadas juntas, continuariam na mesma família, ia ser bom pra todo mundo. Deu certo!

As crianças não são do Rio de Janeiro, estado da família. Durante nove meses, de 15 em 15 dias, Gabriel, Roberto, Julia e Rômulo viajavam para visitar os quatro e fazer a aproximação. Roberto conta que foi uma verdadeira “gestação” a espera da chegada das crianças.

Na hora de trazer as crianças para o Rio, a dúvida chegou: como escolher a casa de cada um? A solução encontrada pela família foi deixar que as crianças escolhessem. E foi um processo bem natural. 

— Foi uma adoção diferenciada, viabilizou a adoção dos quatro. No início, as crianças se confundiam um pouco. A Julia acabou engravidando e o Bento achava que o bebê era irmão dele também. Ele levou um tempo para entender que eles eram só primos — conta Roberto aos risos.

Roberto conta que a família é muito unida e costuma passar sempre os domingos na casa do seu pai. Mesmo assim, o Dia dos Pais é dia de festa.

— Meu pai adora receber a gente, já temos o hábito de estar sempre por lá. No Dia dos Pais não é diferente. As crianças passam o dia na piscina brincando, a gente almoça… somos muito unidos — conta Roberto.

Roberto e Gabriel tinham união estável desde antes da adoção das crianças. Mas, em janeiro de 2018, graças a um pedido da filha Liz, os dois oficializaram a união com uma cerimônia de casamento.

— A gente já tinha essa vontade. Mas quando o pedido veio da Liz não teve como, era o que faltava. Depois da cerimônia, a Liz chamou a gente em um canto e disse que precisava falar uma coisa muito séria com a gente, e a sós. Ela então perguntou se a gente aceitava a chave do coração dela — relembra Roberto.

(Todos os nomes são fictícios) 

Honey Birdette ‘BODYGUARD’ campaign film

Fotografada na ensolarada cidade de Los Angeles, a campanha segue a modelo e atriz nascida na Austrália, Sarah Stephens, enquanto escapa às demandas de Hollywood por uma fuga secreta em Beverly Hills com seu séquito de segurança.

Apresentando nove coleções; composta por conjuntos de lingerie, playsuits, peças prontas para usar e dois estilos de natação de edição limitada, a campanha é dominada por uma paleta de cores monocromáticas ao lado de vermelho, roxo, azul e estampa de leopardo.

Estilos sem alças e flexíveis são fundamentais, enquanto uma combinação de formas é abundante com decotes profundos, alças sedutoras e silhuetas ajustáveis.

Cada peça é terminada com a máxima atenção aos detalhes, seja em seu hardware de ouro rosa personalizado, delicados acessórios de prata, jóias de cristal, bordado suíço exclusivamente projetado e rendas italianas suaves.