Filha de Oskar Metsavaht, Caetana participa da criação da coleção de verão 2020 da Osklen

Ela se junta aos herdeiros da moda carioca, como Thomaz e Sharon Azulay e Maxime Perelmuter, que foram influenciados por seus respectivos pais
Gilberto Júnior

Caetana e Oskar Foto: Miguel Sá

Caetana mira o pai, o estilista Oskar Metsavaht, ao ser questionada sobre o que levou para a Osklen. A situação  é inédita e requer um tiquinho de ajuda. Afinal, a coleção de verão 2020 foi a primeira em que a moça, de 26 anos, participou ativamente da concepção das roupas e dos acessórios. “Não precisa me olhar”, diz Oskar. “Sinceramente, não sei mesmo. É tudo tão natural e genuíno. Estou nesse universo desde que nasci. É como respirar”, comenta a herdeira. “Sempre colaborei com a marca de alguma maneira. Mas acredito que eu trouxe uma pegada mais ‘menininha’, acrescentei lacinhos e aumentei a linha de biquíni por me identificar com a praia. Foi uma delícia.”

Oskar e Caetana: moda unindo pai e filha Foto: Miguel Sá

Formada em Moda pela PUC-Rio, Caetana trilha um caminho parecido — mas com suas particularidades — com os dos estilistas Thomaz Azulay, Sharon Azulay e Maxime Perelmuter, filhos de Simão Azulay David Azulay e Georges Henri, respectivamente. Ao contrário dos colegas, que ficaram órfãos cedo, ela pôde contar com a orientação do pai durante o processo de criação. O briefing do trabalho, inclusive, foi passado por Oskar.

“Não temos conflitos de ideias. Há um ou outro contra-argumento. Minha filha convive comigo, mas ela atua ao lado da equipe de design, certo? Caetana complementa o que eu faço na grife, sob um ponto de vista feminino e jovem”, comenta o fundador da Osklen. “É importante ressaltar que não estamos a lançando como nossa nova estilista.”

Na verdade, a carioca, que tem voz no estilo, cuida do posicionamento da marca no mercado americano, diretamente de Nova York. “Consegui entrar na empresa, anos atrás, por ser filha de quem sou. Mas sei o que estou fazendo. Não é um passatempo.”

Sharon Azulay Foto: Leo Martins/Agência O Globo
Sharon Azulay Foto: Leo Martins/Agência O Globo

Sharon, de 28 anos, não teve a oportunidade de desenvolver uma coleção com David, morto em 2009, mas os “mandamentos” do pai não saem da sua cabeça quando está desenhando as peças da BlueMan.

Sharon e David Foto: Arquivo pessoal
Sharon e David Foto: Arquivo pessoal

“Aos 17, herdei o negócio da família. Não era meu plano nem estava preparada. Fui criada para ser livre e fazer o que bem quisesse. Mas aconteceu. Papai dizia constantemente que nossa referência é a praia real. E tento ao máximo não me desviar dessa direção. Se eu soubesse que ele iria partir tão rápido, teria absorvido mais. Era uma adolescente e não dava tanta atenção.”

Thomaz e Simão (na foto) Foto: Márcio Alves / Agência O Globo
Thomaz e Simão (na foto) Foto: Márcio Alves / Agência O Globo

Primo de Sharon, Thomaz perdeu o pai cedo, com apenas 2 anos. Ele foi aprendendo ao longo da vida quem foi Simão, o criador da emblemática Yes, Brazil. “Minha avó paterna, Sol, dizia que ele era o inventor do jeans detonado”, recorda o estilista. “Conforme fui crescendo, passei a filtrar as informações e a entender a relevância de papai para a moda brasileira. Em todos os momentos da minha carreira, usei de alguma forma seu legado.” Na nova coleção da The Paradise, o designer, de 33, presta uma homenagem à obra de Simão. “Foi emocionante. Resgatei o que tinha valor sentimental para mim. Fiz releituras literais e interpretações.”

Maxime com o pai, Georges Henri, e a mãe, Giovanna Foto: Arquivo Pessoal
Maxime com o pai, Georges Henri, e a mãe, Giovanna Foto: Arquivo Pessoal

Maxime, atual diretor criativo da linha masculina da Mr. Cat (a estreia será no inverno 2020), guarda alguns tesouros do pai, o estilista Georges Henri, no armário. “Ele morreu quando eu tinha 12 anos. Valorizo muito nossa curta convivência. Pude acompanhá-lo em ação com sua equipe, ouvindo as trilhas dos desfiles em casa. Éramos amigos, confidentes. Cheguei a escrever num trabalho de escola que gostaria de ser designer como papai”, conta. Aos 40, o carioca confessa que nunca teve “aquela coisa de viver à sombra” de Georges. “Moda está no meu DNA.”

Maxime Perelmuter Foto: Marcos Ramos/Agência O Globo
Maxime Perelmuter Foto: Marcos Ramos/Agência O Globo


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