‘The Terror’ traz espírito do mal que mata japoneses em campo de concentração

Nova temporada de série resgata horrores que nipo-americanos passaram nos Estados Unidos
Rodrigo Salem

The Terror retorna para seu segundo ano no dia 12 de Agosto nos EUA. Ainda sem data definida no Brasil.

LOS ANGELES – Em 8 de dezembro de 1941, o então presidente americano Franklin Delano Roosevelt discursou para uma nação atônita com o ataque surpresa do Japão à base naval de Pearl Harbor. “Uma data que viverá na infâmia”, disse.

O que ocorreu nos meses seguintes, como parte da retaliação, virou um dos episódios mais obscuros da Segunda Guerra Mundial em solo americano —a criação de campos de concentração para abrigar a população nipônica e seus descendentes, todos considerados espiões pelo governo dos Estados Unidos.

É sob esse cenário que a antologia “The Terror” retorna para a segunda temporada no canal AMC, sempre misturando fatos históricos com elementos sobrenaturais. Agora com o subtítulo “Infamy” (infâmia), a série conta a história real da comunidade de 3.000 japoneses na ilha Terminal, em Los Angeles, e da remoção das suas famílias —mas adiciona elemento do gênero kaidan quando um antigo espírito espalha mortes misteriosas entre os prisioneiros.

“O monstro age como uma metáfora, como na maioria dos filmes de horror. A trama coloca um espelho na frente da sociedade e acrescenta algo ao horror que aquelas pessoas já estão vivendo ao serem presas sem justificativa”, explica o ator Derek Mio, que faz o jovem fotógrafo Chester Nakayama, o primeiro a perceber que há um fantasma entre os nipo-americanos.

Resgatar um tema que o entretenimento americano prefere esquecer não foi fácil. “Não é algo que se encaixa na narrativa dos Estados Unidos como país da liberdade e dos direitos”, afirma Alexander Woo, que criou a trama ao lado de Max Borenstein.  

“Ninguém queria contar essa história, mas é importante nos lembrarmos dela, porque está acontecendo novamente. O nome é diferente, mas não estamos num momento inédito.”

O roteirista se refere às dezenas de cadeias espalhadas pelos EUA para aprisionar imigrantes ilegais, alguns vivendo em condições deploráveise separados dos filhos.

“A crueldade e a estupidez do governo tornam a exibição da série ainda mais poderosa”, diz o ator George Takei, conhecido por viver o Sr. Sulu em “Jornada nas Estrelas – A Série Clássica”, mas também por ter sido uma das vítimas da paranoia antinipônica na década de 1940, já que era neto de japoneses.

“Pouco depois do meu aniversário de cinco anos, os soldados nos levaram embora de casa. Passamos por três campos diferentes, pois vários ainda estavam em construção”, lembra Takei, levado com os pais e dois irmãos para o hipódromo de Santa Anita, que serviu de base temporária para os prisioneiros, em 1942.

“Havia uma cerca de arame farpado e guardas armados nos separando daquela pista de corrida chique. Cada família era colocada num estábulo, era desumano e degradante. Lembro o cheiro de estrume até hoje.”

Os dez novos episódios de “The Terror: Infamy” recriam o horror dos campos californianos, mas em Vancouver, Canadá. Da primeira temporada, sobre uma expedição inglesa no Ártico, não sobrou nada a não ser a premissa geral.

Um dos pontos fortes da série é não apelar para escolhas fáceis. Boa parte dela é falada em japonês ou espanhol, com o uso das legendas —algo raro de se ver na TV.

“Não poderíamos fazer uma série assim dez anos atrás”, diz Woo, o roteirista. “Mas o momento é tão competitivo que vira obrigação criar algo diferente. Aspectos que eram considerados um risco, como um elenco quase todo japonês, não são mais. Anos atrás, haveria um herói branco salvando todos no fim.”

THE TERROR: INFAMY

  • Quando Seg. (12), às 22h30
  • Onde AMC

Bilheteria EUA: Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw, Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, O Rei Leão, Dora e a Cidade Perdida, Era uma Vez em Hollywood

Estreias da semana tiveram bons números no top 10, mas não desbancaram filme com The Rock

Velozes e Furiosos: Hobbs & Shaw lidera bilheteria americana pela segunda semana

Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw é o lider da bilheteria americana pela segunda semana consecutiva. O filme arrecadou US$ 25 milhões no fim de semana, registrando queda de 58%.

Mesmo com o domínio da produção, as estreias fizeram bons números, ocupando cinco posições do top 10. Uma delas é Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro, produzida por Guillermo del Toro. A bilheteria do longa foi de US$ 20,8 milhões.

A terceira colocação ficou com o novo O Rei Leão, com US$ 20 milhões. A produção segue como uma das mais vistas do ano e já soma US$ 1.3 bilhão na bilheteria mundial.

Dora e a Cidade Perdida estreou no quarto lugar, com US$ 17 milhões, seguido de Era uma Vez em Hollywood, que está em sua terceira semama no país e chega por aqui em 15 de agosto. O filme arrecadou US$ 11,6 milhões no fim de semana.

Vale citar ainda o lançamento por lá de Bring The Soul: The Movie, nova produção da banda BTS que faturou a décima colocação, com US$ 2,2 milhões.

‘Meninos’ do Brasil lucram com startups nos EUA

Enquanto grandes empresas da tecnologia sofrem ataques, Brex conquista investidores vendendo serviços e cartões a empresas iniciantes sem crédito
Por Erin Griffith – The New York Times

Os fundadores Henrique Dubugras (esq.) e Pedro Franceschi (dir.) na nova sede da Brex em São Francisco junto com a executivo Larissa Maranhão Rocha (centro)

As coisas não estão muito boas no Vale do Silício, com as grandes empresas de tecnologias sob ataque de agências reguladoras, legisladores e até de presidente Donald Trump. Não é o caso para Henrique Dubugras e Pedro Franceschi. Os dois brasileiros, que abandonaram a universidade Stanford ambos aos 23 anos, são os fundadores da Brex, uma das mais ativas jovens companhias nos dias atuais. 

“Sabíamos que se criássemos o que pretendíamos criar, as pessoas iriam querer. Nunca tivemos dúvidas sobre isto”, afirmou Dubugras. A startup de dois anos mudou-se para um espaço ensolarado este ano com a  injeção de dezenas de milhões de dólares por investidores, e está avaliada hoje em US$ 2,6 bilhões – com Dubugras e Franceschi valendo cada um US$ 430 milhões, segundo o

Equityzen – mercado de ações de empresas privadas.

A Brex é um exemplo da exuberância inesgotável das startups do Vale do Silício, mesmo em meio à forte reação contra as grandes companhias de tecnologia. As startups levantaram US$ 55 bilhões de capital de risco no primeiro semestre deste ano, o maior valor desde 2000, de acordo com a CB Insighs e PwC. E um grupo florescente dessas empresas tem prosperado atendendo a um mercado que cresce rápido: de outras startups.

Ao lado da Brex existe a Carta, que auxilia empregados de startups a administrar  seu patrimônio e está avaliada em US$ 1,7 bilhão. Há também a Guideline, que oferece planos de aposentadoria  para outrasstartups. E ainda a InterPrime, que ajuda as startups a administrarem seu “caixa ocioso” e tem mais de 50 clientes.

“As startups são excelentes porque estão desservidas e fornecem um feedback para empresas como a nossa”, disse Kanishka Maheshwari, fundador da InterPrime, sediada em Menlo Park, Califórnia.

Roots Bloody Roots

A história da Brex começou no Brasil, onde Henrique Dubugras e Pedro Franceschi cresceram. Com 12 anos de idade, Pedro Franceschi ficou famoso por “desbloquear iPhones para remover suas restrições de software. Aos 14 anos Henrique criou uma empresa de jogos que foi depois fechada por violações de patente, no que foi, como ele satiriza,  “sua crise existencial dos 14 anos”.

Os dois se encontraram no Twitter, ainda adolescentes, e juntos criaram uma startup de pagamentos, a Pagar.me, com sede em São Paulo . Na época em que completavam 20 anos de idade, venderam a Pagar.me para a processadora de cartões brasileira Stone.

Ir para Stanford era o seu sonho, por causa do programa de TV Chuck, cujo protagonista era um hacker que havia estudado lá. Mas depois de oito meses cursando a universidade, ambos abandonaram os estudos. Eles participaram da Y Combinator, uma aceleradora de startups, com a ideia de criar uma companhia de realidade virtual, Veyond. E lá notaram como era difícil para os empreendedores obterem crédito bancário de fontes tradicionais, que exigiam um histórico de crédito e garantias pessoais. Transformaram a Veyond numa empresa de cartão corporativo que mais tarde passou a se chamar Brex. A ideia era atrair as startups oferecendo crédito aprovado quase instantaneamente sem exigir garantias pessoas. A Brex firmou uma parceria com o Sutton Bank, em Ohio, para emissão de cartões. Para mitigar o risco, a companhia monitora constantemente as contas bancárias dos seus clientes e ajusta os limites de crédito. E exige que as startups amortizem o saldo do seu cartão de crédito.

Os cartões custam cinco dólares por ano por usuário depois dos cinco primeiros, que não pagam por eles. A Brex cobra tarifas pelas transações dos comerciantes.

Henrique e Pedro são diretores executivos. Henrique cuida das parcerias, da obtenção de investimentos e das comunicações e Pedro se concentra na área de tecnologia e operações.

De imediato a demanda foi maior do que conseguiam administrar.  “As coisas estavam fervendo, como dizemos”, afirmou Anu Hariharan, sócia do Y Combinator’s Continuity Fund, que investiu na Brex. “Todo mundo querendo participar e você não consegue lidar com isso”.

Cartão corportativo da Brex
Cartão corportativo da Brex

Entre as startups que adotaram os cartões corporativos da Brex estava a Hims, provedora de remédios online; a SoFi, startup de finanças pessoas e a Classpass, uma empresa de fitness.

Outra era a Boxed, startup de e-commerce de Nova York, que começou a utilizar o cartão Brex há um ano para pagar produtos em estoque e anúncios digitais. O cartão permitiu à Boxed vender mercadoria antes de pagar pelo produto, liberando capital para financiar mais crescimento, disse Chieh Huang, o diretor executivo da firma.

A Boxed, que tem quase US$ 250 milhões de financiamento e mais de US$ 100 milhões de receita anual, tinha um limite extremamente alto, disse Huang.

Apesar do seu crescimento a Brex no início lutou para recrutar engenheiros porque o mercado de talentos é competitivo, disse Larissa

Maranhão Rocha, primeira funcionária da empresa e diretora de comunidade.  Isso mudou depois de a companhia levantar financiamento em fevereiro e outubro do ano passado. Dentro de seis meses operando a Brex chegou a uma valorização  de US$ 1 bilhão. Entre seus investidores estão Peter Thiel e Max Levchin, que criaram o PayPal.

A Brex então partiu para uma blitz promocional, cobrindo paradas de ônibus, outdoors e terminais em aeroportos com seu logo e slogans como “o cartão corporativo que está à altura da sua publicidade”.

Em novembro Henrique Dubugras exibiu os cartazes em uma conferência afirmando que era a maneira mais barata de se chegar a clientes e a empregados potenciais do que os anúncios digitais. Depois disto os preços de cartazes em San Francisco aumentaram, disse.  Hoje ele tem uma nova regra: “Nunca fale de propaganda que funciona”.

No momento a Brex possui 220 funcionários, mas estima que no fim deste ano serão em torno de 400.

Demanda

O conceito em alta da companhia atraiu mais investidores de risco. Henrique Dubugras e Pedro Franceschi rejeitaram muitos deles, mas aproveitou a reunião para promover seus cartões corporativos para outras empresas nas quais esses investidores injetaram dinheiro.

Uma da reuniões foi realizada em um café no San Francisco’s South Park, perto dos escritórios de mais de dez empresas de capital de

risco. O local era ponto de empreendedores e investidores, todos eles potencialmente bisbilhotando. Então em março a Brex inaugurou um longe privado, o Oval Room (Salão Oval), que fica em cima daquele café.

Com o nome copiado do Oval Office da Casa Branca e o formato do South Park, o novo local é uma das vantagens que a Brex oferece a seus clientes, além de outras, como créditos para  armazenagem na nuvem, descontos nos espaços de escritórios da WeWork e pontos para gastar com aluguel de scooters.

Propagandas da Brex nas ruas de São Francisco 
Propagandas da Brex nas ruas de São Francisco 

Vantagens

Henrique Dubugras e Pedro Franceschi estão usufruindo de algumas vantagens de liderar uma startup famosa. Henrique disse que agora compra as refeições para seu cão Bernês, Ruby, cujo nome é baseado na linguagem de codificação Ruby on Rails. “Não sabemos por quanto tempo o sucesso da Brex vai durar. Como muitas startups faliram, centenas de clientes da Brex deixaram o negócio.

A empresa tenta entender quando isso ocorre. Ao contrário das provedoras de cartão de crédito, que simplesmente corta o cliente se

ele deixa o negócio e não paga,  a Brex vê esses empreendedores falidos como futuros clientes que poderão tentar de novo com uma nova ideia.

Henrique acha que o capital de risco não vai desaparecer se as coisas mudarem, e que, enquanto a Brex continuar atendendo às startups que crescem rapidamente, tudo estará bem. A Brex normalmente sabe quanto clientes estão sem dinheiro, porque monitora constantemente sua saúde financeira e ajusta os limites de crédito.

Mas por via das dúvidas a Brex, que não é lucrativa, mantém uma reserva em dinheiro. Em junho a empresa conseguiu mais US$ 100 milhões de investidores, incluindo a DST Global e Kleiner Perkins. O que levou a um financiamento total de US$ 315 milhões incluindo a dívida.

Neil Mehta, investidor na Greenoaks Capital, que conduziu a rodada de financiamentos da empresa em outubro, afirmou ter se encantado com a startup porque ela oferece uma “experiência para o cliente de cair o queixo”, comparável com a primeira vez que usou o Uber ou experimentou um Tesla.

Este ano a Brex começou a trabalhar com empresas ligadas às área de biologia e e-commerce. Estas últimas constituem 30% das suas

atividades.

À medida que a companhia cresce é crucial se manter disciplinada, disse Pedro. No Vale do Silício “é fácil tirar os pés do chão e esquecer o que é importante”, acrescentou. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

Décor do dia: madeira do piso ao teto na sala de estar

Revestimento traz aconchego ao espaço cercado pela natureza
POR AMANDA SEQUIN | FOTO RAFAEL GAMO/DIVULGAÇÃO

Se bem dosada, a madeira tem o poder de deixar qualquer ambiente aconchegante, até mesmo os ambientes mais minimalistas. Na sala desta casa na Cidade do México, um revestimento com a textura fiel ao material foi capaz de transformar por completo toda a estrutura de concreto e aço que sustenta a construção. 

O projeto do escritório Taller Hector Barroso usou esse revestimento por toda a sala de estar: o piso em réguas traz um tom mais escuro, enquanto as paredes, o teto e até a coluna adotam uma nuance mais clara puxada para o caramelo. As estruturas dos sofás, poltronas, mesas e cabideiro também seguem a paleta natural – somente os assentos surgem em cores como cinza e um azul intenso. A luz natural e o verde, presente nas plantas internas e também nos jardins que abraçam o prédio, também tem um papel fundamental para trazer conforto.