Levantamento encontra elo entre misoginia e assassinatos em massa

Alguns abusadores conseguem acesso às armas sem dificuldade
Julie Bosman, Kate Taylor e Tim Arango, The New York Times

Vigília em Dayton, Ohio, onde um atirador com histórico de misoginia matou nove pessoas esse mês. Foto: Maddie McGarvey para The New York Times

O homem que matou nove pessoas no início de agosto em Dayton, Ohio, rosnava para as colegas de classe e as ameaçava de violência. O homem que massacrou 49 pessoas em uma casa noturna de Orlando, em 2016, espancou a mulher durante a gestação, de acordo com o relato dela às autoridades. O homem que matou 26 pessoas em uma igreja de Sutherland Springs, Texas, em 2017, tinha sido condenado por violência doméstica.

As motivações dos homens que cometem assassinatos em massa são frequentemente confusas, complexas ou desconhecidas. Mas um elo em comum de muitos desses episódios é um histórico de ódio às mulheres, violência contra cônjuges, namoradas e parentes, ou o compartilhamento de opiniões misóginas na internet, apontam os pesquisadores.

Enquanto os Estados Unidos lidam com os tiroteios em massa do mês e novamente debatem a possibilidade de restrições à venda de armas, alguns defensores dessas medidas dizem que o papel da misoginia nesses ataques deve ser levado em consideração nas tentativas de evitá-los.

O fato de os tiroteios em massa serem cometidos quase que exclusivamente por homens “não consta no debate nacional”, disse o governador Gavin Newsom, da Califórnia. “Por que são sempre homens que cometem essas barbaridades?”

Ainda que uma das possíveis motivações para o atirador que assassinou 22 pessoas em El Paso, Texas, tenha vindo à tona – ele publicou um manifesto racista na internet dizendo que o ataque era uma resposta a uma “invasão hispânica do Texas” -, as autoridades tentam descobrir o que levou Connor Betts, 24 anos, a assassinar nove pessoas em Ohio, incluindo a própria irmã.

Os investigadores analisam seu histórico de antagonismo e ameaças a mulheres, e a possibilidade de isso ter desempenhado algum papel nos ataques.

Desde a matança, pessoas que conheciam Betts descreveram um homem estranho; outros citaram seus episódios de fúria e a obsessão com armas.

Esses episódios de agressividade eram frequentemente direcionados a conhecidas. No ensino médio, Betts fez uma lista de ameaças de violência física ou sexual contra seus alvos, a maioria garotas, de acordo com os ex-colegas de sala. As ameaças foram assustadoras a ponto de algumas garotas mudarem de comportamento: evitaram chamar a atenção dele, mas tampouco antagonizá-lo.

“Lembro que todos mantinham certa distância, sabendo que talvez fosse melhor não se relacionar com ele”, disse Shelby Emmert, 24 anos, ex-colega de sala. “Minha mãe queria que eu o evitasse. Ela me dizia para ficar longe de Connor Betts.”

Shannon Watts, fundadora de grupo que pede ação em relação aos ataques a armas, o Moms Demand Action for Gun Sense in America, citou uma estatística que desmente a ideia segundo a qual os tiroteios em massa são geralmente aleatórios: em mais da metade de todos os tiroteios em massa ocorridos nos EUA entre 2009 e 2017, uma cônjuge ou parente do assassino estava entre as vítimas (realizado pelo grupo de defesa do controle do acesso às armas Everytown for Gun Safety, o estudo definiu como tiroteio em massa os episódios em que mais de quatro pessoas foram mortas, excluindo o atirador).

“A maioria dos tiroteios em massa tem suas raízes na violência doméstica”, disse Shannon. “A maioria dos atiradores tem um histórico de violência doméstica ou familiar. É um sinal de alerta importante.”

A lei federal americana proíbe o acesso de pessoas condenadas por determinados tipos de crimes de violência doméstica às armas, e o mesmo vale para condenados por abuso sujeitos a medidas de restrição. Mas há muitas lacunas na legislação, e não há proteção para as mulheres envolvidas em relacionamentos sem estarem casadas, terem filhos com o abusador ou morarem com ele. Além disso, a lei federal não apresenta nenhum mecanismo para o confisco de armas na posse de abusadores.

Allison Anderman, associada sênior do Giffords Law Center to Prevent Gun Violence, disse que medidas para facilitar o confisco de armas em posse de abusadores “são um passo fundamental para salvar vidas de sobreviventes de abusos”. E ela disse que, diante do elo entre a violência doméstica e os tiroteios em massa, essas leis podem também ajudar a evitar massacres.

As pragas da violência doméstica e dos tiroteios em massa nos EUA estão intimamente ligadas. O massacre da torre da Universidade do Texas, em 1966, geralmente considerado o marco inicial da era moderna de tiroteios em massa nos EUA, teve início na véspera, quando o atirador matou a mãe e a mulher.

Devin P. Kelley, que atirou contra os fiéis em uma missa dominical em Sutherland Springs, no dia 5 de novembro de 2017, tinha sido condenado por violência doméstica pela força aérea, por espancar a primeira mulher e partir o crânio do enteado, um bebê. Ao atacar a igreja, Kelley parecia ter como alvo a família da segunda mulher.

Um ódio declarado às mulheres é frequente entre os suspeitos no longo histórico de tiroteios em massa nos EUA.

Em 1991, em Killeen, no Texas, um homem entrou no Luby’s Cafeteria e matou a tiros 22 pessoas. Recentemente, o atirador tinha escrito uma carta aos vizinhos chamando as mulheres da região de “víboras”, e testemunhas oculares disseram que, durante o tiroteio, ele poupou homens para atirar nas mulheres.

Nos anos mais recentes, alguns desses homens se identificaram como incels, abreviação em inglês de celibatário involuntário, um subgrupo de homens que manifesta sua raiva das mulheres por não lhes oferecerem sexo, e fantasia frequentemente com a violência, celebrando os atiradores dos massacres em grupos de debate na internet.

Vigília em Santa Barbara - NYTIW
Elliot O. Rodger, que matou seis pessoas na Califórnia em 2014, se sentia rejeitado pelas mulheres. Vigília em Santa Barbara. Foto: Jae C. Hong/Associated Press

Nesses sites, reverência especial é demonstrada por Elliot O. Rodger, que matou seis pessoas em 2014 em Isla Vista, Califórnia, um dia depois de publicar um vídeo intitulado “Elliot Rodger’s Retribution” [A vingança de Elliot Rodger]. Nas imagens, ele se descreve como alguém torturado pela privação sexual e promete castigar as mulheres por rejeitá-lo. Vários atiradores disseram ter se inspirado nele.

Alek Minassian, que jogou uma van sobre uma calçada em Toronto, em 2018, matando 10 pessoas, tinha publicado uma mensagem no Facebook minutos antes do ataque, elogiando Rodger. “A rebelião incel já começou!” escreveu ele. “Saúdem o supremo Elliot Rodger!”

E Scott P. Beierle, que matou duas mulheres no ano passado em um estúdio de ioga em Tallahassee, Flórida, também tinha se mostrado simpatia a Rodger em vídeos na internet nos quais atacava as mulheres e as minorias, relatando histórias de rejeição amorosa. Beierle tinha duas acusações de agressão por mulheres que dizem ter sido assediadas fisicamente por ele.

Os especialistas dizem que os mesmos padrões que levam à radicalização de supremacistas brancos e outros terroristas podem se aplicar aos misóginos que recorrem à violência em massa: indivíduos solitários e perturbados que encontram na internet uma comunidade de pessoas que pensam como eles, bem como uma válvula de escape para sua fúria.

“São furiosos e suicidas, tiveram infâncias traumáticas e vidas difíceis, e chegam a um ponto em que precisam de algo ou alguém em quem depositar a culpa”, disse Jillian Peterson, fundadora da organização de pesquisa Violence Project, que estuda os tiroteios em massa. “Para algumas pessoas, a culpa é das mulheres, e estamos observando uma alta nesse tipo de pensamento.”

Perto dos 80, Costanza Pascolato reflete sobre o futuro da moda

Sonia Racy

Costanza Pascolato. Foto: Helm Silva

Prestes a completar 80 anos, Costanza Pascolato vai ganhar homenagem de Ana Isabel de Carvalho Pinto, fundadora do Shop2gether e responsável, há sete anos, pelo site de Costanza. “Será um resgate de sua trajetória na moda e suas expectativas para os próximos 10 anos. Tudo através de um editorial”, conta Ana Isabel. “O roteiro nos convida a pensar sobre como o futuro está sendo construído, iniciando um debate de valores, desejos e aprendizados”, diz a empresária. O que significa “uma odisseia pelas tendências da próxima década, endossada pelas 10 peças que Costanza levaria em sua cápsula do tempo”. Em comemoração, a dupla recebe para almoço, com lançamento de camiseta desenvolvida pela aniversariante, remetendo aos valores que a trouxeram até aqui. Em setembro.

Bilheteria EUA: Bons Meninos, Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw, O Rei Leão, Angry Birds 2 – O Filme, Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro

Bons Meninos se torna 2º filme original no topo da bilheteria em 2019

Comédia Bons Meninos com crianças, para adultos, surpreendeu na estreia

A comédia para maiores Bons Meninos, protagonizada por três crianças, surpreendeu no final de semana de estreia com uma arrecadação total de US$ 21 milhões, se tornando o 2º filme original a encabeçar a bilheteria americana em 2019, depois de Nós

A estreia deslocou Velozes & Furiosos: Hobbs & Shaw ao segundo lugar em sua terceira semana em cartaz. Com mais US$ 14,1 milhões, o derivado agora soma um total de US$ 133,7 milhões até hoje.

O remake de O Rei Leão, que arrecadou mais US$ 11,9 milhões, desbancou Pantera Negra se tornou a 10ª maior bilheteria de todos os tempos, com um total de US$ 496 milhões

Seguindo o ranking, a estreia de Angry Birds 2 – O Filme, ficou em quarto lugar, com US$ 10,5 milhões, e Histórias Assustadoras Para Contar no Escuro ficou em quinto, com mais US$ 10 milhões e um total de US$ 40,2 milhões

Darren McDonald for Harper’s Bazaar Australia with Carolyn Murphy

Photography: Darren McDonald.  Stylist: Naomi Smith at The Artist Group. Hair: Harry Josh. Makeup: Stoj. Model: Carolyn Murphy.

Kate Moss & Ella Richards Vogue – UK May 2019 By Mikael Jansson

Wild Things   —   Vogue UK May 2019   —   www.vogue.com
Photography: Mikael Jansson Model: Kate Moss & Ella Richards Styling: Kate Phelan Hair: Anthony Turner Make-Up: Lynsey Alexander Manicure: Lorraine Griffin

Esperta e barata, pulseira chinesa cria novo mercado

‘Smartbands’ caem no gosto do brasileiro e popularizam a categoria de aparelhos vestíveis
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Michelli Cristini, de 26 anos, usa diariamente sua pulseira inteligente Mi Band 4

Lançado em 2014, o Apple Watch carregava mais do que a expectativa em relação a um novo produto da empresa criada por Steve Jobs. O produto inauguraria a era dos vestíveis: dispositivos inteligentes camuflados de peças de vestuário que deixariam no passado os smartphones. Não foi isso que aconteceu. Eles viraram produtos de nicho, como o de atletas. Agora, isso pode estar mudando, mas não graças a Apple. A categoria começa a romper a bolha, especialmente no Brasil, pelas mãos de fabricantes chinesas, que estão popularizando as pulseiras inteligentes.

Tanto as pulseiras quanto os relógios têm recursos parecidos: notificações, medidor de passos, contagem de batimentos cardíacos e monitoramento de sono. A segunda categoria carrega, porém, componentes extras, como rádio, sensores e antenas – itens que se refletem no preço. A versão mais recente do Apple Watch custa no mínimo R$ 4 mil no Brasil, enquanto as pulseiras inteligentes da fabricante chinesa Xiaomi custam a partir de R$ 280 – a reportagem, porém, encontrar um modelo de Mi Band 3 por R$ 115 em lojas do centro de São Paulo. 

Um argumento e tanto na hora da escolha. Segundo apurou o Estado, a Xiaomi é responsável por mais da metade das vendas de pulseiras, ou smartbands, no Brasil. “Atendemos uma demanda ainda reprimida, que busca soluções com bom custo-benefício”, diz Luciano Barbosa, diretor de produtos da Xiaomi.

A estratégia agressiva de preço da fabricante chinesa ajudou a derrubar nomes tradicionais do setor. A americana Garmin começou a vender smartbands no País em 2013, mas desistiu no começo do ano passado. 

“Não conseguimos adequar o preço no Brasil”, afirma Daniele Rocha, gerente comercial da Garmin. “Nossos produtos oferecem dados muito completos e os valores do mercado são muito fora da realidade.” Os carros-chefe da empresa são relógios inteligentes, que custam a partir de R$ 1,6 mil, e têm como público-alvo os amantes dos esportes – a Garmin não tem planos imediatos de voltar a vender pulseiras no País. 

Quando questionada sobre o segredo dos preços, a Xiaomi diz que a fórmula é uma combinação de produção em grande escala com margens menores. 

Bom momento

A liderança da empresa se deu num momento favorável para a categoria. Segundo a consultoria IDC Brasil, o mercado de pulseiras e relógios inteligentes no País cresceu 93% no primeiro trimestre, em comparação ao mesmo período de 2018. 

Para Renato Citrini, gerente de produtos de dispositivos móveis da Samsung, o mercado de vestíveis está amadurecendo no Brasil. “O cliente chega perguntando pelo produto”, diz. “Muitos já estão no segundo ou no terceiro aparelho.” 

A gigante coreana, que trouxe ao Brasil sua primeira pulseira em 2015, tem hoje dois modelos de smartband, que custam a partir de R$ 300, e duas versões de relógios, cujo preço mínimo é R$ 1,5 mil. 

Além de já serem mais reconhecidas, as pulseiras estão indo além do nicho de atletas que se interessam pelo acompanhamento de treinos: elas estão conquistando o público comum, preocupado com o próprio bem-estar. “Os consumidores estão começando a enxergar o valor de funcionalidades de aparelhos vestíveis”, diz Ranjit Atwal, analista da consultoria Gartner.

A Xiaomi vê nesse tipo de produto uma forma de facilitar atividades do dia a dia do usuário. Michelli Cristini, profissional da área de tecnologia da informação, passa o dia todo com sua pulseira inteligente no braço. “Estou em uma rotina de emagrecimento e a pulseira está me ajudando a monitorar quantas calorias estou queimando”, afirma Michelli. “Uma simples pulseira consegue fazer muita coisa, é quase uma experiência futurista.”

Produto de entrada

Ainda que os preços sejam um incentivo, as pulseiras não vão engolir os relógios inteligentes. Pelo contrário: a tendência é os usuários investirem mais em produtos sofisticados depois de entrarem em contato com a tecnologia. Segundo a IDC Brasil, os relógios vão se sobressair futuramente no mercado em relação às pulseiras. 

A Gartner diz que a venda mundial de relógios deve duplicar de 53 milhões, em 2018, para 115 milhões, em 2022. Já as pulseiras devem crescer menos: de 38 milhões para 51 milhões de aparelhos no mesmo período. 

Uma das razões é que os relógios estão mais perto de ser um aparelho celular do que um acessório que precisa estar próximo a um smartphone. Muitos relógios têm conexão com redes 4G e aplicativos complexos, que dispensam o apoio do smartphone. Já as pulseiras só funcionam se conectadas ao celular. 

Ao que tudo indica, os vestíveis estão pulsando mais forte do que se imaginava. 

Notificações e monitor de sono: o que atrai usuários para ‘smartbands’

Pulseiras inteligentes conseguem atrair com recursos que vão além da atividade física; ‘radar’ de celular salvou aparelho preso no bueiro
Por Giovanna Wolf – O Estado de S. Paulo

Juliana Moreira monitora seu sono com a pulseira chinesa

A pulseira inteligente do aprendiz Matheus Alvarenga salvou a vida de seu smartphone: ela conseguiu achar o aparelho, perdido dentro de um bueiro. O telefone caiu lá sem que ele percebesse e só foi encontrado após Matheus ativar em seu pulso a ferramenta de localização do smartphone. 

Matheus nunca usou a pulseira da Xiaomi para atividades físicas e, mesmo assim, não sai de casa sem o dispositivo. Isso porque, durante o dia, recebe no pulso todas as notificações e chamadas de ligações. “Perdia muita ligação quando estava em período de entrevistas de emprego. Depois que comprei a pulseira, nunca mais perdi.” 

Aos 22 anos, Matheus entrou no mundo de vestíveis porque se deparou com uma pulseira barata na internet – hoje, está em seu segundo aparelho, a Mi Band 4, que ainda não está à venda nos canais oficiais da Xiaomi no Brasil. Ele está satisfeito: “A pulseira peca um pouco nas notificações de WhatsApp, que às vezes são duplicadas. Mas, pelo preço, para mim está de bom tamanho”, diz. 

No caso da especialista em TI Michelli Cristini, de 26 anos, o preço não influenciou tanto na hora da compra. “Por questão de segurança, não teria um relógio caro, chama muito a atenção na rua”, afirma. Michelli anda bastante de metrô em São Paulo e a pulseira a ajuda nos trajetos: com o aparelho ligado no pulso, ela pode deixar o celular protegido na mochila, sem perder nenhuma notificação. 

Lucia Filgueiras, professora de engenharia da computação na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, explica que as pulseiras inteligentes são baseadas em uma estratégia de mudança de comportamento do usuário. “Quem usa a pulseira quer monitorar seus hábitos e acompanhar seu progresso, e o usuário fica amarrado à tecnologia”, afirma. “Isso não é necessariamente algo negativo, geralmente se reverte em melhoria da qualidade de vida.” Em algumas pulseiras, é possível estabelecer metas de atividades físicas. 

A pulseira ajudou Juliana Moreira, de 20 anos, a se adaptar a uma mudança de horários. Ela trabalhava de manhã e, recentemente, passou a entrar à tarde. “Eu estava dormindo muito e o recurso de monitoramento de sono da pulseira me ajudou a controlar os horários”, diz a ela, que trabalha com de gestão de qualidade. Além disso, Juliana não precisa mais se preocupar em lembrar de tomar anticoncepcional – agora essa função é da pulseira.